Notícia

 

Ano II – nº 95 – Fortaleza/CE – edição: 26.02.2010

 

Siderurgia: Estudo avalia cenário de fusões no setor

VALOR ECONÔMICO - Os valores movimentados pelas fusões e aquisições no mercado global de siderurgia foram afetados pela crise financeira em 2009 e devem retomar a partir do último trimestre deste ano, voltando a um bom ritmo a partir de 2011. A análise é do líder global do setor de metais da PricewaterhouseCoopers, Jim Forbes.
Em 2009, aconteceram 521 negócios, que movimentaram US$ 15,1 bilhões, contra 397 negócios 2008 , que significaram US$ 60,6 bilhões. O levantamento consta da pesquisa "Metals Deals - forging ahead 2009 annual review", divulgada ontem pela Price.
Ela mostra que as operações de empresas para fora de seu país de origem representaram 25% do número total de fusões e aquisições no ano passado, contra 38% em 2008. Em termos de valor, essa fatia passou de 62% do total em 2008 para 29% no ano passado.
"Os produtores não estão confiantes sobre preços e volumes das matérias-primas. Os preços do aço vão aumentar, a questão é quando. Talvez no quarto trimestre deste ano ou em 2011 e aí vamos voltar ao ciclo normal de fusões e aquisições", frisou Forbes.
O executivo chamou a atenção ainda para a grande desconcentração existente no setor de siderurgia. Segundo ele, ainda há espaço para consolidação em um setor com a presença cada vez mais marcante de empresas com atuação em diversos países.
Forbes ressaltou a atuação das empresas chinesas, que estão cada vez mais atentas a oportunidades envolvendo fornecedores de matérias-primas. Entre os dez maiores negócios do ano passado, Forbes destacou as operações da Hunan Hualing adquirindo participações na Fortescue Metals, da Austrália, movimentando US$ 816 milhões.
Entre as regiões que poderão ter empresas como alvo de aquisições, Forbes destacou sul da África, América do Norte e Rússia. "A Índia poderia ser alvo, mas tem muito pouca infraestrutura e é difícil tirar esse minério para exportar."
O especialista também acredita em uma mudança no sistema de preços do benchmark, que define os valores do minério de ferro no mercado global. Segundo ele, os preços poderão passar a valer por trimestres ou mesmo bimestres.
"Antes os preços eram definidos em março ou abril e eram retroativos. Agora, há preços definidos até em outubro e não é possível uma empresa vender sem saber o preço. A volatilidade vai levar a uma nova metodologia", disse. "Questiono se é válido manter um preço por ano." Forbes lembrou que os preços do minério de ferro obedecem à demanda mundial e chegam a subir US$ 30 a US$ 40 no mercado spot ao longo de um ano.

Crise derruba fusões no setor de metais

FOLHA DE S.PAULO - A crise global fez cair pela metade as fusões e aquisições entre siderúrgicas e produtoras de minérios e metais, cujas transações somaram US$ 77,1 bilhões, segundo pesquisa da PricewaterhouseCoopers.
A turbulência -que em seu auge derrubou em 50% a produção siderúrgica mundial- mudou ainda o perfil dos negócios: cresceram as transações de menor porte e entre empresas de um mesmo país.
O foco nos mercados locais e em empresas menores fez crescer o número de negócios em 16%, mas o valor médio das transações caiu de US$ 124 milhões para US$ 52 milhões. Segundo Jim Forbes, especialista da consultoria, as empresas se focaram "em seus mercados e investiram onde tinham conhecimento". Um exemplo é a Vale, que fez duas das dez maiores aquisições de 2009. Ampliou de 10% para 27% sua fatia na siderúrgica CSA, em construção no Rio, por US$ 1,3 bilhão e comprou os ativos de ferro da concorrente britânica Rio Tinto no Brasil por US$ 750 milhões.
Segundo Forbes, a produção siderúrgica e os negócios no setor têm muito espaço para crescer no Brasil, onde o consumo de aço é relativamente baixo.

Com lucro menor, Gerdau e Usiminas focam o Brasil
Crise fez lucro das siderúrgicas recuar 79% e 58%, respectivamente, em 2009 /
Quarto trimestre já foi de recuperação para os dois grupos, que esperam uma elevação de 22% no ano na demanda interna por aço


FOLHA DE S.PAULO - Usiminas e Gerdau viram no ano passado seus lucros caírem 58% e 79%, respectivamente, por conta da crise econômica mundial, mas começaram a recuperar o fôlego no último trimestre e agora se preparam para aproveitar o melhor desempenho do mercado interno.
Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil, além dos programas públicos de melhoria de infraestrutura, petróleo, gás e o crescimento industrial privado, norteiam os investimentos dos dois grupos siderúrgicos.
Ao anunciar ontem os resultados de 2009, a Usiminas comunicou ao mercado que adquiriu participação de 30,7% no capital de duas empresas da construção civil ligadas à Codepar S.A. e ISA Participações S.A., por R$ 129,6 milhões. A Usiminas aposta no setor de construção em estruturas de aço por conta das projeções para o crescimento da economia e da demanda do país por infraestrutura pública e privada.
A projeção do Instituto Aço Brasil, citada pelos presidentes dos dois grupos -Marco Antônio Castello Branco e André Gerdau Johannpeter-, é que a demanda interna por aço cresça 22% no ano.
É no crescimento do mercado interno que a Gerdau também mais confia. Dos R$ 9,5 bilhões que investirá até 2014, 80% serão no Brasil.
Apesar da queda no lucro líquido anual da Usiminas (R$ 1,34 bilhão, ante R$ 3,2 bilhões em 2008), o quarto trimestre já foi de recuperação: 47% do lucro líquido obtido no ano foi apurado no último trimestre (R$ 633 milhões). As usinas do grupo já operam com 88% da capacidade. No fim do mês passado, a Usiminas antecipou o religamento do terceiro e último alto-forno desligado na crise. Essa decisão foi para "não perder oportunidades" que o mercado oferecerá, disse Castello Branco.
Em 2009, a Gerdau lucrou R$ 1 bilhão, ante R$ 4,9 bilhões em 2008. Com a crise, as vendas da empresa caíram 26%, enquanto a produção total foi reduzida em 31% -na Usiminas, a produção anual bruta de aço caiu 30%.
A Gerdau também espera a recuperação do mercado mundial em 2010, levando em conta o bom desempenho das vendas no último trimestre: 64% do lucro líquido foi obtido entre outubro e dezembro. A maior parte do faturamento veio com a venda de aços especiais, usados principalmente no setor automotivo. As vendas subiram 19% em relação ao trimestre anterior, movidas principalmente pela redução do IPI no Brasil e pelo programa de troca de carros antigos por novos nos EUA.

Após lucro forte, Gerdau prevê preços estáveis

A recuperação das vendas no quarto trimestre de 2009 e as perspectivas de manutenção do crescimento da demanda externa por aço neste ano não deverão ser suficientes para provocar aumentos nos preços do produto no curto prazo, disse ontem o diretor-presidente da Gerdau, André Gerdau Johannpeter. Segundo ele, embora os reajustes de matérias-primas como minério de ferro e carvão ainda não estejam definidos, o grupo não trabalha, "neste momento", com perspectiva de reajuste das tabelas.
Segundo Johannpeter, a World Steel Association prevê um consumo aparente de 1,2 bilhão de toneladas de aço no mundo em 2010, com alta de 9% sobre o ano passado. No Brasil, as projeções do Instituto Aço Brasil (IABr) são de uma alta de 22%, para 23 milhões de toneladas, estimulada pela construção civil - por conta de investimentos em infraestrutura e projetos habitacionais como o Minha Casa Minha Vida - e da indústria, principalmente a automotiva e a ligada à exploração do pré-sal.
Na América do Norte, a demanda se recupera gradativamente e o desempenho do primeiro trimestre de 2010 deve chegar aos níveis do fim do ano passado, disse Johannpeter. Segundo ele, a atividade do grupo na região deverá ser favorecida pela expansão das obras federais em infraestrutura nos Estados Unidos, pelas exportações de lá para a América Latina e o Oriente Médio (que já cresceram 8% em 2009, para 377 mil toneladas) e pelos contratos de fornecimento de aço para construção de usinas nucleares naquele país (até agora dois já foram assinados).
A Gerdau manteve o programa de investimentos de R$ 9,5 bilhões em ativos fixos para o período 2010-2014, sendo 80% no Brasil. Os planos incluem a instalação de um laminador de chapas grossas e a expansão do laminador de perfis estruturais na Gerdau Açominas, a retomada das operações da mina de Várzea do Lopes (MG) e a instalação de um laminador na joint venture com o grupo Kalyani na Índia. Também estão em estudo a implantação de um novo laminador de fio-máquina no Brasil e a ampliação da capacidade de laminação no segmento de aços especiais.
O conglomerado siderúrgico fechou o quarto trimestre do ano passado com lucro líquido de R$ 643 milhões, alta de 106,7% ante os R$ 311 milhões de igual período de 2008. O desempenho foi influenciado pelo esforço de redução nos custos de produção e pelo efeito positivo da variação cambial sobre o endividamento em moeda estrangeira, que em 31 de dezembro equivalia a 37,6% da dívida bruta total, de R$ 14,5 bilhões.
As vendas consolidadas fecharam o trimestre com alta de 4,7% na comparação com o mesmo intervalo de 2008, para 3,7 milhões de toneladas. Mesmo assim, a receita líquida consolidada recuou de R$ 9,4 bilhões nos três últimos meses de 2008 para R$ 6,4 bilhões no fim do ano passado, devido à redução dos preços dos produtos siderúrgicos, informou o grupo. No período, a receita líquida média por tonelada vendida caiu de R$ 2,7 mil para R$ 1,7 mil, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida) recuou de R$ 1,4 bilhão para R$ 1,2 bilhão.
O melhor desempenho no trimestre foi registrado nas unidades brasileiras do grupo, que elevaram as entregas em 12,5%, para 1,4 milhão de toneladas. O mercado interno absorveu 1,1 milhão de toneladas (alta de 10,8%), e as exportações, 322 mil toneladas (expansão de 18,8%). Na América do Norte, houve retração de 1,2% nas vendas, para 1,2 milhão de toneladas. Os dados excluem as operações de aços especiais no Brasil, EUA e Espanha, que recuaram 2,9%, para 568 mil toneladas.

Siderurgia: Companhia vai segregar ativos em outra empresa e procurar parceiro estratégico para o negócio.
Usiminas quer extrair mais valor do minério

VALOR ECONOMICO - Algumas empresas parecem ter feito escola no quesito segregação de ativos. Depois da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), apenas para exemplificar o setor mínero-siderúrgico, é a Usiminas que planeja separar seus ativos minerais e de logística e colocá-los sob o guarda-chuva de uma nova empresa. Os planos não param por aí. Além de buscar um parceiro estratégico num primeiro momento, preveem até abertura de capital e venda de parte na bolsa. "Queremos destravar valor de ativos que estão escondidos dentro da companhia", afirma Marco Antônio Castello Branco, presidente da siderúrgica.
Segundo o executivo, o negócio de mineração de ferro precisará adquirir sua própria dinâmica. "Uma coisa é vender 7 milhões de toneladas de aço por ano, outra é fazer a gestão de algo que vai movimentar 30 milhões de toneladas a partir de 2014 e que deverá ter uma logística própria - ferrovia e porto", observa. Para isso, diz, é necessário buscar, inicialmente, um "parceiro estratégico de peso" que possa agregar experiência ao negócio. Esse sócio terá em torno de 20% do capital.
No começo, a nova empresa será uma S.A. de capital fechado, integralmente controlada pela Usiminas. Mesmo com a abertura de capital no futuro - não está prevista para este ano -, garantiu o executivo, a siderúrgica não terá menos de 51% das ações.
Os ativos que comporão a nova empresa serão principalmente quatro minas de ferro na região de Serra Azul, em Minas, cujos volumes das reservas serão plenamente conhecidas no próximo dia 18. "Vamos concluir a mediação das jazidas adquiridas da J. Mendes". No início de 2008, a empresa pagou US$ 1,9 bilhão por esses ativos. Atualmente, a Usiminas já produz 6 milhões de minério de ferro e até 2011 espera chegar a 11 milhões, já com venda a terceiros (clientes no Brasil ou exportação) de 40% desse volume.
A empresa pretende segregar também os 20% de participação na ferrovia MRS Logística e o projeto de construção de um terminal portuário em Itaguaí (RJ), cujo terreno já foi adquirido e está em fase de descontaminação ambiental. Esse porto tem previsão de entrar em operação em 2014. O investimento previsto no terminal é de US$ 600 milhões.
Ao divulgar seu balanço de 2009 ontem, a Usiminas informou ainda a aquisição de participações minoritárias em duas empresas que têm atuação no setor da construção civil com estruturas feitas em aço. O investimento para ficar com 30% do capital da Codeme Engenharia e Metform foi de R$ 129,6 milhões. O objetivo da Usiminas é ampliar sua participação no mercado de aço para construção, pois aposta que estruturas feitas em aço vão ganhar espaço nos grandes centros urbanos. "A construção de um monotrilho, por exemplo", afirma Castello Branco.
Das vendas da siderúrgica, 15% são para o setor da construção. "Ainda é baixo; quero que essa fatia cresça", diz o executivo, destacando que se trata de um segmento próximo do consumidor final, assim como carros, mas o objetivo é balancear seu mix de mercados. O automotivo representa 35% do montante vendido. "Nos próximos anos, com dois eventos de peso no país - Copa do Mundo e Olimpíada -, é a construção civil que vai crescer bastante neste país, de 5% a 7% ao ano", assegura o executivo.
Pelo resultado divulgado ontem, que trouxe um desempenho do quarto trimestre acima das expectativas dos analistas, e pelas novas decisões, os papéis da Usiminas reagiram bem na Bovespa. A empresa anunciou lucro líquido de R$ 633 milhões no último trimestre do ano, 39% maior do que o verificado nos três meses antecedentes, de R$ 454 milhões, mas 32% inferior aos R$ 936 milhões apurados um ano atrás. O avanço trimestral foi associado a melhor resultado operacional. O lucro no ano caiu 58%, para R$ 1,34 bilhão.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Lajida) foi de R$ 663 milhões no trimestre, 53% menor do que o registrado no último trimestre de 2008. A receita líquida somou R$ 2,98 bilhões no período, 20% abaixo em relação aos R$ 3,73 bilhões do quarto trimestre de 2008. Em todo o ano, receita líquida da companhia teve queda de 30%, para R$ 10,92 bilhões.

Usiminas mira logística e mineração

FOLHA DE S.PAULO - A Usiminas comunicou que está em busca de um sócio estratégico, porém minoritário, para operar no setor de mineração e logística (ferrovia e portos) por meio de uma nova empresa do grupo. Essa empresa deverá surgir neste ano e poderá eventualmente abrir capital. A Usiminas será a controladora, mas não tem percentual de participação ainda definido. O grupo disse que busca agregar valor aos negócios, mesma justificativa que deu para se tornar sócio em empresas da construção civil. Mas afirmou que seu "grande foco" ainda são os aços planos.
No final de 2008, a Usiminas adquiriu jazidas de minério em Serra Azul, região do quadrilátero ferrífero mineiro, que terá capacidade de produzir até 30 milhões de toneladas por ano em 2014. Dois terços da produção será exportada. Atualmente essas minas operam com capacidade de 6,2 milhões de toneladas por ano. A siderúrgica detém 20% de participação na MRS Logística e tem projeto de construir um porto em Sepetiba (RJ) para iniciar suas operações em 2014.

Embalagens: Fabricante de latas de alumínio vai investir R$ 180 milhões
Rexam corre para atender aquecimento da demanda

VALOR ECONÔMICO - A explosão da demanda por bebidas neste verão de temperaturas acima de 40 graus pegou os fabricantes de latas de alumínio para cervejas, refrigerantes e sucos no contrapé. A maior empresa do setor, a Rexam, por exemplo, informou que vai importar um bilhão de unidades e acelerar investimentos de R$ 180 milhões em retomadas de fábricas e expansão de unidades no Brasil e no Chile. Em janeiro deste ano, a produção da indústria de latas para bebidas teve um crescimento 26% em comparação com o mesmo mês do ano passado.
Os concorrentes da Rexam, como Crown e LatapackBall também estão correndo para ampliar a oferta de material, bem como recorrendo a importações para complementar as necessidades de suas clientes no país.
Segundo André Balbi, diretor da Rexam - grupo inglês - para as Américas, a demanda neste verão ficou 5% acima da capacidade de produção. Ele explica que, antes da crise as previsões mais otimistas eram de que a indústria cresceria até 6% em 2009. Estas previsões foram revistas para estagnação e até para redução logo depois. No entanto, no fim do ano passado, a expansão verificada no mercado foi de 11,7%.
O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), Renault de Freitas Castro, reconhece que a indústria errou nas projeções. "Não só houve uma redução de produção, mas também de investimentos, o que foi mais grave", afirma.
O setor trabalha com investimentos na época do inverno. É nesta temporada que as fábricas podem reduzir um pouco o ritmo para executar as expansões de suas linhas. Uma fábrica de latinhas tem a capacidade de produzir três mil latas por minuto. Balbi conta que, cada vez que uma linha para para trocar um rótulo, o que demora cerca de 30 minutos, são 90 mil latas a menos no mercado. Por isso, no verão, obras são proibitivas.
Renato Estevão, diretor comercial da Rexam, lembra que, no fim de 2008, no auge da crise, quando sentaram para conversar com as indústrias e prever a produção do ano seguinte, os fabricantes de bebidas disseram que o que estava previsto, já pessimista, ainda devia ser revisto e reduzido. Balbi explica que a expectativa era de que a crise mundial fizesse a demanda por bebidas cair no Brasil. "Ninguém imaginava que tivéssemos um ano estável, quanto mais de crescimento".
Para correr atrás do prejuízo, a empresa, que hoje produz 11,5 bilhões de latinhas por ano, passará a produzir, no próximo ano, 13,7 bilhões com a reabertura da fábrica de Pouso Alegre (MG) e o aumento da capacidade já instalada das unidades em Jacareí (SP), Recife (PE) e no Chile. Este ano, a Rexam poderá ter de importar um bilhão de latinhas de suas fábricas nos Estados Unidos e do México. Isso também vai ajudar essas fábricas, pois nos EUA a demanda está em queda por conta da crise.
A fábrica de Pouso Alegre, em Minas - fundada pela antiga Latasa, adquirida em 2003 pela Rexam - tinha sido fechada em 2001 por questões de logística. A empresa vai aproveitar o maquinário da recém fechada fábrica de Dunkirk, na França, também afetada pela crise mundial. "Como temos o maquinário e o prédio, conseguiremos iniciar a produção no fim do ano".
Balbi conta que foi difícil explicar para a direção da empresa, em Londres, da necessidade de fazer tal investimento no Brasil. Segundo eles, os executivos ficaram temerosos em acreditar que este crescimento é sustentável, já que o gasto não pode ser feito para atender uma demanda de curto prazo. "Eles dizem que o Brasil é o único país que não percebeu que há uma crise no mundo". A argumentação foi que a indústria de bebidas brasileira vive para o mercado interno, que não enfrenta crises, graças, principalmente, ao crescimento da renda e classe C.
Com isso, a empresa vai conseguir elevar a produção para chegar ao próximo verão empatada com a demanda que, segundo a Abralatas, deve crescer novamente em torno de 10%. Balbi avisa que novos investimentos devem vir nos próximos anos se esse mercado continuar nos atuais níveis de expansão. Hoje, a empresa tem duas fábricas de tampa de latinhas, uma em Recife e outra em Manaus. Para o executivo, será necessário construir outra em dois ou três anos.
O diretor da Abralatas lembra que não é só a Rexam que está se expandindo. A Crown está erguendo uma nova fábrica no Paraná, com capacidade para fazer um bilhão de latinhas por ano. A Latapack-Ball terá outra instalação, ainda sem lugar definido, com capacidade de 750 mil embalagens. Renault Castro também destaca que este ano, com uma Copa do Mundo de Futebol (África do Sul, a partir de meados de junho), a demanda deve ser maior também no inverno, o que pode surpreender o setor.
A previsão da indústria é de ter de importar 1,5 bilhão de latinhas neste ano. Por isso, está pedindo ao governo a isenção de imposto de importação que hoje é de 16%. "Não queremos que isso seja mantido depois, porque a logística torna a importação muito mais cara do que a produção no país", garante Estevão, da Rexam.
Mas a crise não trouxe apenas resultados negativos para o setor. Segundo Balbi, ela tem um efeito positivo do ganho de eficiência. Antes de 2009, a Rexam trabalhava com um estoque de 200 milhões. Durante a crise, chegou perto de 80 milhões, e agora trabalha com um armazenamento em torno de 110 milhões. "Isto reduz os custos", lembra.
A Rexam também planeja investimentos em inovação. Além dos R$ 180 milhões nas fábricas, serão gastos mais R$ 20 milhões em novos modelos de latas e tipos de rotulagem. Destaca que foi a empresa quem inventou a 'sleek', o latão e a lata pequenina, por exemplo. Além disso, agora está conseguindo imprimir imagens de qualidade fotográficas nos rótulos. "Isso ajuda a indústria de bebidas a usar a latinha como veículo de comunicação e marketing, além de adicionar valor agregado à embalagem", afirma o diretor comercial.

Crown investe em nova fábrica no PR

VALOR ECONÔMICO - A normalização do atendimento dos pedidos de latinhas de alumínio aos produtores de bebidas e sucos no Brasil vai ocorrer até o fim do ano, mas não faltará embalagens para ninguém, garante Rinaldo Lopes, presidente da Crown. Com duas fábricas - uma em Cabreúva (SP) e outra em Estância (SE), que foi inaugurada em outubro de 2009 -, a empresa já está construindo uma nova unidade em Ponta Grossa (PR), que está prevista para ficar pronta no primeiro trimestre de 2011.
Até lá, se for necessário para atender à demanda dos clientes, observa Lopes, a Crown trará o volume adicional de filiais do grupo Crow em países como EUA e México. No momento, segundo ele, o volume importado tem ficado "em torno de 5% a 8% da nossa capacidade". As unidades de Cabreúva e Estância podem fazer 3,5 bilhões de latinhas por ano.
Lopes observa que uma conjunção de fatores, como crescimento da renda da população, principalmente nas classes C e D, a saída do país da crise bem mais rápido que outras economias e o verão tórrido, levou ao aumento do consumo de bebidas e alimentos acima do previsto pelo setor e pelos próprios fabricantes de bebidas, sucos e alimentos.
No mercado de bebidas, o déficit de latas preocupa produtores de cervejas, refrigerantes, sucos e bebidas alcóolicas. A demanda nesses setores cresceu muito, principalmente no último trimestre de 2008 e manteve-se em alta neste início de ano. Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), Paulo Mozart, "a demanda superou a expectativa". O mercado de energéticos, cuja produção é 90% embalada por latas, cresceu 17% em volume. Em cerveja, onde as latas respondem por 27%, as vendas chegaram a 7,7 bilhões de litros - quase 400 milhões a mais que em 2008.
A Crown, que chegou no Brasil em 1996, é uma joint venture entre a americana Crown Holdings - que tem 41 fábricas no mundo - e o grupo brasileiro Petropar S.A., do Sul. Cada um tem 50% do capital da empresa. Na fábrica sergipana e na de Ponta Grossa, a companhia está investimento próximo de R$ 300 milhões. Cada uma tem capacidade de produção de 1 bilhão de latas ao ano - Estância estará voltada ao Nordeste e Ponta Grossa vai desafogar Cabreúva e atender ao Sul.
O executivo informou que os investimentos das fabricantes de latas no país - Crown, Rexam e LatapackBall - a partir de 2008, indo até o fim deste ano, vão ampliar em cerca de 30% a capacidade do setor em relação ao volume anterior. Desde 2003, estava estacionado em 14,4 bilhões de unidades.

PE: Indústria naval terá 600 hectares no Porto de Suape

JORNAL DO COMMÉRCIO (PE) - O Conselho de Autoridade Portuária de Suape (CAP/Suape) aprovou ontem o novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do porto. Conforme o que ficou estabelecido, uma área de 600 hectares será destinada a implantação de um cluster naval, onde poderão se estabelecer até dez empresas, incluindo novos estaleiros.
Também foram contempladas no plano as concessões por 25 anos de áreas para implantação de três terminais, cujos investimentos previstos somam US$ 640 milhões. O Terminal de Granéis Sólidos (minério) deverá se localizar na Ilha de Cocaia, com capacidade para exportar 15 milhões de toneladas por ano. Já o novo Terminal de Contêineres – com capacidade para movimentar anualmente 500 mil contêineres – compreenderá uma faixa de cais de 700 metros. O Plano também prevê construção do Terminal de Múltiplos Usos (grãos). Este será utilizado para escoamento da produção agrícola transportada pela Transnordestina.
Conforme explicou presidente do porto e secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, a ideia é chegar a 2030 com capacidade para movimentar 100 milhões de toneladas por ano. Hoje, Suape movimenta 8 milhões de toneladas/ano.


 

Av. Barão de Studart, 1980 – 3º andar – sala 309 – Edifício Casa da Indústria – FIEC - Fone/Fax: (85) 3224-6020/3224-6557
 
Sindicato Filiado ao Sistema FIEC