Notícia

 

Ano II – nº 87 – Fortaleza/CE – edição: 12.02.2010

 

Minério de ferro: Mercado à vista já atingiu US$ 120 a tonelada e valor de referência em 2009 foi de US$ 56 FOB
Vale negocia preço provisório para 2010

VALOR ECONOMICO - A Vale está negociando com clientes que têm contratos baseados no ano-calendário um preço provisório para o minério de ferro acima do valor atual do 'benchmark' (sistema de referência para os contratos excluído frete) com correção a partir de 1º de janeiro, informou José Carlos Martins, diretor-executivo da área de ferrosos da Vale, durante a conferência telefônica para analistas, realizada ontem, na qual os jornalistas participaram sem o direito de fazer perguntas. Segundo Martins, na China, 75% dos contratos com as usinas de aço são baseados no ano-calendário.
No ano passado, a Vale negociou preços provisórios com desconto de 20% sobre o preço de referência vigente em 2008. Com a nova estratégia para 2010, a mineradora pretende se antecipar às negociações, caso demorem muito, porque entende que não dá para manter um diferencial tão grande entre o mercado à vista e o de referência nas vendas atuais. O preço do mercado à vista, incluindo frete, está hoje em torno de US$ 120 a US$ 130 a tonelada ante US$ 56 a tonelada do benchmark da Vale.
Para Martins, a Vale aprendeu muito com a crise. Hoje, a flexibilidade é a palavra chave da mineradora nas negociações de preço deste ano com as siderúrgicas, avisa. "A crise nos ensinou que temos que ser mais flexíveis na nossa política e que temos que ter todas as janelas abertas para usar de acordo com o momento do mercado", frisou o executivo. Segundo ele, a BHP Billiton continua defendendo um sistema de preços para o minério baseado no Index (cotação em bolsa de mercadorias) e a Rio Tinto, um preço híbrido (parte à vista e parte benchmark) e a Vale fala em flexibilidade.
A natureza do negócio da Vale, baseada por contratos de longo prazo, vendas FOB (posto porto) e preços de referência estava ameaçada, mas agora a empresa se preparou para operar na forma que o mercado achar melhor. "Não temos dogmas", declarou Martins. Segundo relatou, em 2009 a Vale teve que responder muito rapidamente ao cenário recessivo. "Começamos a embarcar minério sem clientes, fora dos contratos, para vender na China, no mercado spot. Agora estamos olhando de forma diferente os contratos de longo prazo. Estamos completamente livres para atuar nas vendas CIF e não apenas FOB. Se os clientes não mandarem os navios, nós mandamos os nossos". A Vale tem hoje uma frota de navios e pode vender FOB, CIF e à vista. "Fizemos o dever de casa", enfatizou Martins.
No ano passado, a China importou 607 milhões de toneladas de minério de ferro. As indicações que a Vale tem é que, em 2010, em 12 meses, este volume subirá para 640 milhões de toneladas. "As indicações que temos é que a produção de aço na China continuará crescendo. Acho que as importações de minério na China vão atingir pelo menos 650 milhões de toneladas, talvez um pouco acima disso. O preço à vista na China subiu muito, para US$ 130 a tonelada. Muitas usinas chinesas estavam acostumadas a comprar minério local. Agora estão mais resistentes e baseiam sua demanda em minério importado", ponderou.
A Vale pode atingir este ano uma produção de 25 milhões de toneladas de minério por mês. Ou seja, o equivalente a 300 milhões de toneladas anuais do produto, segundo informou Martins. No ano passado, a produção foi reduzida em 40% nas minas e 80% nas pelotizadoras. "Estávamos preparados par encarar um longo período se a crise durasse mais. Recuperamos rápido e tivemos alguns problemas para voltar ao mesmo nível de produção. O mercado está muito forte, a demanda também. O Japão está no nível pré-crise e a China está acima. Estamos preparados para aumentar a produção se for necessário".

Rio Tinto admite 'tensão' com a China

VALOR ECONÔMICO - A Rio Tinto PLC informou que pretende fortalecer as relações com o maior cliente, a China, embora a tensão entre os dois lados das negociações do preço do ferro estejam aumentando e a China tenha indiciado quatro empregados da Rio Tinto sob acusações de suborno e espionagem industrial.
O diretor-presidente da Rio Tinto, Tom Albanese, disse numa entrevista ao Wall Street Journal que não pode comentar o caso dos executivos, mas que a empresa está cooperando e continua acreditando na inocência deles.
Ele disse que firmar relações com a China, responsável por 24% do seu faturamento em 2009, é importante e os dois lados têm interesses mútuos.
Os comentários surgiram ao mesmo tempo em que a mineradora anglo-australiana divulgava o resultado anual e previsões otimistas, em parte por causa da forte demanda da China, que deve crescer 9% em 2010. O lucro líquido anual subiu 33%, para US$ 4,87 bilhões, ante US$ 3,7 bilhões no ano anterior, quando o resultado foi afetado por uma baixa contábil de US$ 7,9 bilhões nas operações de alumínio da mineradora, que não divulgou resultados trimestrais ou semestrais.
A prisão dos executivos da Rio Tinto, uma das principais concorrentes da Vale SA, continua pairando sobre as negociações anuais entre mineradoras multinacionais e as siderúrgicas chinesas.
"O fato é que há uma certa tensão nessas negociações", disse Albanese.
Albanese disse também que gostaria que o atual processo de negociação do preço, que tenta estabelecer uma cotação padrão para a tonelada do ferro vendido, evolua para um processo menos tenso e mais fácil. "Para o sistema sobreviver ele terá de evoluir. Não está evoluindo com a rapidez suficiente."


 

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