Ano II – nº 85 – Fortaleza/CE – edição: 08.02.2010 |
Governo quer atrair mais 40 empresas
Os destaques da nova investida serão os segmentos têxtil, metal-mecânico, agronegócio e energia alternativa
DIÁRIO DO NORDESTE - O Governo do Estado planeja atrair mais 40 novas empresas de grande e médio portes em 2010. De acordo com a mensagem do Executivo, encaminhada à Assembleia Legislativa. "Os investimentos serão direcionados a setores considerados prioritários e impactantes para a economia local, favorecendo a desconcentração industrial da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF)", diz o texto. Os empreendimentos devem, ainda, promover o fortalecimento das cadeias produtivas envolvidas, incrementando a oferta real de empregos, sobretudo em atividades industriais que o Ceará apresenta vocação. Neste sentido, os destaques da nova investida serão os segmentos têxtil, metal-mecânico, agronegócio e geração de energia alternativa.
NOVOS DISTRITOS INDUSTRIAIS : Entre os planos do governo, capitaneados pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece) e posteriormente aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico (Cede), está a implantação do Distrito Industrial de Jaguaribara. Em uma área de 331.186 metros quadrados, terá o objetivo de abrigar empresas beneficiadoras de pescado.
As metas preveem também a implantação do Polo Industrial e Tecnológico de Saúde do Ceará, no município do Eusébio. Localizado em uma área de 50,9 hectares, o polo terá como empresa âncora a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). E, ainda, a instalação do DI de Jaguaribe, ocupado por empresas de diversos segmentos.
Na mensagem, o Poder Executivo menciona, ainda, a implantação da infraestrutura básica da Cidade do Atacado, em Caucaia. "Trata-se de um complexo de negócios atacadistas voltados para o abastecimento de 67% de todos os produtos de primeira necessidade do Ceará". A Cidade do Atacado ocupará área de 15 ha, sendo oito deles na sua primeira fase e envolve investimentos privados de R$ 200 milhões, gerando 2.500 empregos durante a sua construção e 5.500 quando estiver em funcionamento.
INFRAESTRUTURA: A política de desconcentração de investimentos produtivos pode ser evidenciada pela infraestrutura construída para os empreendimentos atraídos. De acordo com levantamento da Adece e do Cede, há ações em diversos municípios. O texto enumera a construção de galpão para a implantação de indústria calçadista na cidade de Irauçuba. Em Crateús, convênio entre a Adece/Codece possibilitou a reforma de um galpão em um condomínio industrial, beneficiando quatro empresas. Já em Pentecoste, foi ampliado galpão para relocalização da Indústria de Calçados Becker.
Metalmecânica: Para fazer parte de uma das cadeias que mais cresce no Estado é preciso começar a se qualificar já
JORNAL DO COMMÉRCIO (PE) - Em 2006, quando o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) confirmou Pernambuco como sede de suas operações, teve início um corre-corre no setor metalmecânico. Afinal, apenas essa empresa responderá pela criação de 5.000 empregos quando estiver em pleno funcionamento. Mais de três anos depois, esse segmento industrial, que na década de 80 era um dos principais do Estado, assiste um desenvolvimento real e carece de mão de obra qualificada. Somente no ano passado, 18 indústrias anunciaram investimentos em solo pernambucano. Irão gerar no futuro próximo mais de 2.000 postos de trabalho. E a tendência é que os números continuem a crescer.
O grande desafio, segundo representantes do setor, é ocupar não apenas os postos técnicos desses novos investimentos, mas assegurar aos profissionais locais os cargos especializados e os melhores salários, que giram em torno de R$ 3.500 para engenheiros mecânicos graduados, por exemplo. Para tanto, quem deseja abraçar uma das milhares de novas oportunidades na área precisa se capacitar já. “Trata-se de um desafio imenso. Somente o EAS demanda muito. E há a perspectiva de novos estaleiros virem para cá. Diante disso, forma-se toda uma cadeia de fornecedores que também precisa de mão de obra. O setor está vivendo uma retomada muito promissora e esse novo polo exige trabalhadores graduados. Irá acontecer aqui no setor metalmecânico e naval o que ocorreu com a cadeia petroquímica na Bahia”, sintetiza o diretor do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco (Simmepe), Girley Brasileiro.
O diretor-regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (Senai-PE), Antônio Carlos Maranhão de Aguiar, acrescenta que no curto prazo, o nível operacional é que tem sido demandado. Para se ter uma ideia, o Senai-PE qualificou, de 2007 a 2009, 9.768 profissionais de nível básico e 1.008 técnicos para o setor eletrometalmecânico apenas para atender ao Complexo Industrial e Portuário de Suape. Porém, Aguiar afirma que já é necessário pensar no preenchimento das vagas especializadas. “É uma mudança de foco na demanda”, explica.
De olho nessa alteração, a instituição prepara o primeiro curso superior para tecnólogos em mecânica. O plano do curso está no Ministério da Educação para análise. Quem também está investindo nesse segmento é a Universidade de Pernambuco (UPE), que está formando este ano sua segunda turma na especialização em engenharia naval.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pernambuco, Alberto Alves dos Santos, lembra que até o começo da década de 90, cerca de 60 mil pernambucanos estavam empregados no setor metalmecânico. O número caiu para 11 mil e só veio experimentar ascensão a partir de 2004. “Algumas profissões, como caldeireiro e soldador, chegaram a estarem ameaçadas de extinção”, conta. |