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Ano II – nº 84 – Fortaleza/CE – edição: 05.02.2010

 

Lula reclama da "timidez" da siderurgia

VALOR ECONÔMICO  - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou ontem, durante reunião com representantes do setor siderúrgico, que eles estavam "muito tímidos" diante do crescimento da demanda interna brasileira por aço. Na semana passada, Lula já havia reclamado com a Votorantim , porque o país está importando aço longo da China para atender à indústria naval nacional. O presidente indagou sobre a baixa produção de casas de aço no país. Os empresários reclamaram que não há "cultura" da Caixa Econômica Federal (CEF) para autorizar financiamentos desta natureza. "Eles questionam, por exemplo, a durabilidade das casas feitas de aço", disse o presidente da Usiminas, Marco Antônio Castelo Branco.
Ficou acertada para a próxima semana uma reunião dos empresários com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e representantes da CEF e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estudar linhas de financiamento para a produção de casas de aço. "Elas podem ser construídas em um prazo muito mais rápido que as casas normais, o que daria escala na produção", confirmou o presidente da Usiminas.
O presidente do Instituto Aço Brasil, Flávio Azevedo, afirmou que a demanda interna nacional é de 22 milhões de toneladas e que o setor produz 41 milhões. Com todos os grandes eventos previstos para os próximos anos - investimentos no pré-sal e na construção naval, programa Minha Casa, Minha Vida, Copa do Mundo e Olimpíada - a necessidade de aço atingirá o patamar de 41 milhões. "Apresentamos ao presidente Lula uma estimativa de investimentos de US$ 40 bilhões até 2016, o que nos permitirá ampliar nossa produção para 77 milhões de toneladas", disse Azevedo.
Ele lembrou que o setor enfrentou com dificuldades a crise internacional. Na virada de 2008 para 2009, foram fechados 6 dos 14 alto-fornos. "Recuperamos nossa produção e temos apenas um alto-forno paralisado no momento", afirmou Azevedo. O empresário também rebateu as acusações de que o setor siderúrgico é inflacionário. "O aço representa 50% do peso de um carro, mas apenas 5% a 6% do valor final do veículo. No caso das casas populares, o custo do aço no preço final é de apenas 2%, de 10% a 15% no caso de fogões e geladeiras", completou o empresário.

Siderurgia: Setor apresenta planos e pedidos a Lula

VALOR ECONÔMICO (04.02.2010) - Empresários do setor siderúrgico irão tentar convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reduzir a pressão governamental sobre a indústria de aço, que no decorrer de 2009 foi, aos poucos, cortando os descontos de preços praticados no auge da crise de demanda no país conforme a recuperação da demanda. O objetivo é desmistificar o peso do aço sobre o custo final de diversos produtos acabados. "No caso do automóvel, por exemplo, apenas 9% do custo é aço", afirmou ao Valor o presidente da Usiminas, Marco Antonio Castello Branco.
O encontro com o presidente da República, realizado tradicionalmente no início de cada ano, se dará hoje em Brasília e deverá contar com alguns ministros de Lula, como Miguel Jorge (do desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff, da Casa Civil. A comitiva de empresário será encabeçada pelo presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Flávio Azevedo e contará com Jorge Gerdau, presidente do conselho da Gerdau, Castello Branco, da Usiminas, e José Armando Campos, presidente do conselho da ArcelorMittal Brasil.
Dessa forma, os empresários tentarão argumentar que o aço não exerce pressão inflacionária. Aliás, irão questionar a própria existência de pressões inflacionárias significativas. "O IGP-M em 2009 foi negativo. Não há fundamentação para considerar que exista uma tendência de aumento da inflação", afirmou o executivo. Vão tentar também demonstrar a Lula que os custos da indústria de aço tendem a subir "O viés é de alta. A tonelada de carvão está valendo US$ 180 no mercado à vista, ante US$ 120 para preços de contratos. E o minério de ferro chega a US$ 130, enquanto o preço contratado varia entre US$ 70 e US$ 80".
No encontro, o setor vai ainda apresentar a Lula um balanço da produção e vendas de aço em 2009, traçar perspectivas para este ano e apresentar um programa de investimentos das empresas nos próximos três a cinco anos, a contar desde 2010. Vão levar a mensagem também de que a siderurgia no Brasil está preparada para atender à demanda dos grandes programas do país: o pré-sal, obras do PAC, Minha Casa Minha Vida, Copa de 2014 e Olimpíada de 2016.
A ideia é mostrar, segundo apurou o Valor , que mesmo com o elevado excedente de capacidade do setor, as empresas vão continuar investindo para suprir o mercado interno e para continuar com uma posição exportadora forte. A capacidade atual é de 42 milhões de toneladas, ante consumo do país na casa de 20 milhões de toneladas.
A audiência também será palco para um novo pedido do setor contra as importações de aço e de bens de capital da China. "Esta é uma questão da balança comercial brasileira. Há práticas desleais do comércio. Não dá para competir com empresas que trabalham com 1,4% de rentabilidade sobre o patrimônio líquido", afirmou. Outra proposta, que pode significar custos para o consumidor de aço, é a criação de uma certificação de qualidade para os produtos metais-mecânicos, à semelhança da existente na construção civil.

Metais: Vale vai retomar operações no Canadá

VALOR ECONÔMICO (04.02.2010) - A Vale irá reiniciar a operação de uma mina de níquel e impulsionar a produção em outra, na sua operação de Sudbury, Ontário, no Canadá, apesar de uma greve que já dura quase sete meses, disse um porta-voz da empresa ontem.
A mineradora brasileira vai voltar a operar na mina de níquel de Creighton e levá-la até a produção plena. Também disse que irá aumentar a produção na sua mina Coleman - que tem funcionado parcialmente desde outubro - para ritmo total.
O minério beneficiado nas operações será usado para alimentar a fundição Copper Cliff, em Sudbury, que recentemente começou a operar com 50% da capacidade, usando minério estocado.
"Nós estamos olhando apenas a longo prazo que uma fonte de alimentação será necessária", disse Core McPhee, porta-voz da subsidiária canadense de níquel e cobre da Vale, adquirida em 2006.
A Vale vai operar as minas usando trabalhadores fornecidos por uma empresa terceirizada. Mais de 3,1 mil trabalhadores das operações da Vale em Sudbury e em Port Colborne, Ontário, entraram em greve em julho. Ela reiniciou parcialmente as operações no ano passado, aumentando as tensões entre a empresa e o sindicato que representa os trabalhadores.
O crescimento econômico na China e na Índia deve dobrar a demanda global por alumínio, minério de ferro e cobre nos próximos 15 anos, exigindo uma grande reação das mineradoras, disse uma autoridade da Rio Tinto.
A demanda no curto prazo foi mais difícil de medir, afirmou o diretor-financeiro da Rio Tinto, Guy Elliott, por conta das preocupações com os pacotes de estímulos do governo e da atividade especulativa ligada à queda das taxas de juros. "No longo prazo, eu sinto que a intensidade do uso de algumas matérias na Índia e China vai elevar ao dobro a demanda global por alumínio, minério de ferro e cobre nos próximos 15 anos", disse Elliott durante fórum de investimento Troika Dialog.
"A demanda será forte a longo prazo, e isso vai requerer uma grande reação de oferta. É possível prever que essa combinação de demanda e oferta vai elevar os preços", acrescentou.
A Rio Tinto é a segunda maior mineradora de ferro do mundo e deve aumentar a produção em 6% em 2010, encorajada por preços à vista muito maiores à medida que a indústria de aço da China - a maior do mundo - está devorando mais matéria-prima.
No entanto, a Rio Tinto está operando parte de suas operações de fundição de alumínio em baixa capacidade. Embora os preços para o alumínio tenham se recuperado do agravamento da crise financeira global, os estoques mundiais ainda estão acima de 4,6 milhões de toneladas.
Elliott disse que a política monetária dos Estados Unidos está criando "algumas preocupações" sobre a falta de crescimento da China na demanda por metais industriais. "Portanto, trata-se de uma figura mista a curto prazo", disse ele na conferência, "mas a longo prazo, o cenário é de forte aumento da urbanização da China e da Índia."

Minério de ferro: Produtores e clientes discutem preços

VALOR ECONÔMICO (03.02.10) - As informações que circularam na imprensa chinesa de que as siderúrgicas da China lideradas pela Baosteel seguiram rumo à Cingapura para negociar com as três grandes mineradoras Rio Tinto, BHP Billiton e Vale o novo preço do minério de ferro para 2010, confirmaram as expectativas de analistas e consultores de que esse mercado está mais apertado a cada dia e mais favorável às produtora.
Ivan Fadel, analista do Credit Suisse não acredita, porém, que as negociações de preço serão fechadas no curto prazo, pois os produtores de minério este ano não estão demonstrando pressa. Para alguns especialistas, a China vai ter que abrir mão do "China Price", ou seja, da estratégia traçada num seminário da Associação de Ferro e Aço (CISA), em outubro, que consiste em esperar as usinas japonesas fechar negociações de preço do no sistema de referência para contratos de longo prazo para depois, com base no valor acertado, pedir um desconto sob o argumento de que são os maiores consumidores de minério de ferro do mundo.
O fato de a Baosteel estar conduzindo as conversas com as mineradoras criam, porém, expectativas de que haverá mais flexibilidade nas negociações com as usinas chinesas do que em 2009, quando a CISA foi dura com as mineradoras e tentou quebrar sua resistência, buscando impor uma queda de preço de 40% no preço de referência. O fato pôs fim a qualquer acordo com os chineses, que tiveram de comprar a maior parte do minério consumido no mercado à vista. Até a Vale, defensora do 'benchmark' optou por vender parte de seu minério com desconto e no 'spot'.
Se essa opção for mantida este ano, as usinas chinesas, na avaliação de Fadel, não farão um bom negócio. Ontem, o preço do minério à vista na China bateu em US$ 120 a tonelada (incluindo frete de US$ 26 entre Brasil e China). Isso significa preço FOB de US$ 94 a tonelada, ante um preço de referência da Vale acertado em 2009 de US$ 56 a tonelada. Ou seja, o prêmio fica na fixa de 68% a 70%. Este ano, os chineses torcerão por esse sistema.
Para o analista do Credit Suisse, entretanto, o preço 'spot' na China mostra que o o de referência tem de ser bem maior do que o de 2009, levando em conta que, com a recuperação de mercados da Europa, Japão e Estados Unidos, não haverá a disponibilidade de minério para a China, o que ocorreu em 2009. Ou seja, a oferta de produto para os chineses será mais apertada. Mesmo assim, os preços de referência permanecerão abaixo do mercado à vista.
Para Fadel, conforme relatórios recentes, "os produtores de minério vão buscar recuperar o que foi perdido em 2009 por causa da crise, o que daria um aumento na faixa de 40% para o produto nos contratos de longo prazo". Numa conta preliminar, este percentual indica que o minério da Vale, cujo preço médio em 2009 ficou na faixa de US$ 56 a tonelada para os contratos de longo prazo, subiria para cerca de US$ 78 a tonelada no 'benchmark', ou seja, no preço de referência de contratos, sem frete.
Apesar da política monetária mais rígida aplicada pelo governo chinês, o Credit Suisse está otimista em relação a economia do país neste ano e prevê crescimento do PIB na faixa de 9,6%. Entretanto, isso não vai impedir que as exportações brasileiras de minério para a China cresçam mais do que o volume vendido em 2009, que correspondeu a 54% das exportações totais do produto. Isso, porque novas ofertas de minério por parte da Vale e de outras mineradoras não vão crescer muito. Há muitos projetos em andamento que só vão maturar por volta de 2012/2013. E o mercado de minério continuará a trabalhar com um nível de utilização de capacidade na faixa de 97%.
"Este percentual de uso da capacidade instalada deixa pouca folga para qualquer stress na produção", afirma Fadel.

Energia eólica: Fuhrländer fabricará geradores no Ceará

VALOR ECONÔMICO (02.02.10) - Após dez anos de expectativas, a fabricante alemã de geradores eólicos Fuhrländer deve finalmente concretizar os planos de ter uma fábrica no Brasil. Nas próximas semanas, a companhia irá anunciar um investimento de R$ 40 milhões para a construção de uma unidade no Porto de Pecém, a 70 quilômetros de Fortaleza (CE). Em um primeiro momento, a ideia da empresa é produzir no local 240 turbinas por ano, porém há planos futuros para a fabricação de pás eólicas, o que demandará um investimento adicional ainda não calculado.
A Fuhrländer chegou a iniciar, em 2004, a terraplanagem do terreno de 12,5 hectares onde funcionará a sua fábrica. Na época, o governo federal lançava o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), indicando que a geração eólica enfim deslancharia na matriz energética nacional. Porém, o programa não avançou e a empresa acabou engavetando o projeto a espera de um momento melhor.
Dessa vez, no entanto, o cenário é diferente. O leilão de energia eólica realizado pelo governo em dezembro último, que resultou na comercialização de 1.805 megawatts (MW), deixou os empreendedores do setor um pouco mais confiantes sobre o futuro do segmento no país. "Estamos há dez anos com escritório no Brasil, observando e esperando o surgimento de um mercado eólico. E acreditamos que essa possibilidade tenha surgido agora, com o leilão", disse o representante da Fuhrländer no Brasil, Bastian Fenner.
Apesar de ter decidido fazer o investimento, o executivo informou que a direção da companhia, na Alemanha, ainda demonstra certa insegurança. O motivo, dessa vez, é o preço médio da energia comercializada no leilão de dezembro, que ficou em R$ 148,39 por MWh. "É muito, muito baixo e traz dúvidas sobre como os projetos serão rentáveis", questionou Fenner, ao lembrar que no Proinfa o governo oferecia R$ 240 por MWh.
Se preocupa alguns, o preço atingido no leilão de dezembro fez a alegria do governo, que já estaria planejando uma nova rodada, possivelmente em junho. A expectativa para o próximo leilão é de que sejam comercializados 4 mil MW de energia eólica e a Fuhrländer pensa em entrar na disputa com projetos próprios. "Pode ser que entremos com um parque próprio, mas ainda estamos analisando", contou o executivo.
O investimento no Ceará foi incentivado por benefícios fiscais oferecidos pelo governo local, e consiste em uma isenção de boa parte do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A empresa alemã também negocia um empréstimo com o Banco do Nordeste para financiar parte do empreendimento, porém não revela o valor da operação.
A fábrica em Pecém deverá ser inaugurada antes do fim do ano e irá gerar cerca de 500 empregos diretos, além de outros 2 mil na cadeia de suprimento. "Pouca gente sabe, mas boa parte das fábricas de geradores eólicos funciona como uma montadora de veículos. A empresa adquire a maioria dos equipamentos e realiza a montagem dentro da sua fábrica", explicou Fenner.
O executivo disse ainda acreditar que o Brasil receberá nos próximos anos uma série de investimentos estrangeiros no setor eólico que, espera, deixará de ser uma eterna promessa.


 

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