Ano II – nº 78 – Fortaleza/CE – edição: 20.01.2010 |
Minério de ferro: Companhia diz que há aperto na oferta e que cenário é bastante positivo para as produtoras
Vale já vê mercado melhor que antes da crise
VALOR ECONÔMICO - A situação do mercado de minério de ferro, no momento, é de maior aperto na oferta do que em 2008, antes da crise que derrubou os mercados, admitiu ontem o diretor-executivo de metais ferrosos da Vale, José Carlos Martins. "Hoje, o mercado encontra-se, talvez, numa situação parecida ou até mais apertada e com uma grande diferença. A participação da China na demanda do mercado é muito maior do que era naquela época, além de ter um crescimento da procura por parte do Japão, da Europa e do Brasil. É uma situação bastante positiva para as empresas mineradoras", afirmou o executivo. Indagado sobre as projeções de 50% de aumento no preço do minério para este ano feito pelo banco Merrill Lynch, Martins evitou falar do assunto, mas comentou que os analistas levam muito em conta a situação de curto prazo, o que dificulta prever tendências.
No ano passado, os embarques da Vale para a China cresceram 40% e até setembro somaram 110 milhões de toneladas de minério de ferro que foram suprir os altos-fornos das siderúrgicas locais. É possível que o fechamento de 2009 tenha ficado em 130 milhões de toneladas. O desempenho do último trimestre ainda não foi divulgado pela companhia.
Martins disse que a intenção da mineradora é manter o volume de vendas de 2009 para os chineses. Tudo vai depender da performance do mercado europeu e de quanto a empresa produza de minério este ano. O executivo calcula volume na faixa de 300 milhões a 310 milhões de toneladas, capacidade nominal de produção da companhia. "Já estamos trabalhando no limite de nossa capacidade", afirmou. Em 2008, a Vale embarcou um total de 280 milhões de toneladas de minério de ferro. O volume do ano passado, devido a problemas no primeiro semestre, ficou abaixo disso.
Na projeção de Martins, o mercado transoceânico de minério deve ter este ano uma demanda de 900 milhões de toneladas, acima das 850 milhões de toneladas de 2008, que ele estima deve ter se repetido em 2009. A oferta de minério neste mercado é avaliada pelo executivo próximo da demanda. Entretanto, reconhece que ter uma dinâmica de demanda em recuperação no Ocidente e uma demanda forte na Ásia "leva a um quadro de escassez".
No ano passado, os chineses não acertaram um preço de referência ("benchmark") com as mineradoras, apesar de que algumas siderúrgicas chinesas até operaram nesse modelo de acerto de preços (o valor acertado com um cliente é seguido pelos demais). Mas o que prevaleceu na China foi mesmo o mercado 'spot' (à vista). Indagado se isso poderá ocorrer nas negociações de preço deste ano, o diretor executivo de ferrosos da Vale argumentou: "não vou fazer suposições, porque gera muita polêmica". Segundo eles, "os contratos (de longo prazo com as siderúrgicas da Ásia) vencem em março e estamos num processo para definir qual será a nossa situação", acrescentou. "Eles precisam de minério e nós precisamos vender minério. Esses dois fatores vão acabar levando a uma situação altamente satisfatória", declarou Martins.
A retomada do mercado de minério está levando a recontratação de pessoal pela Vale. Recentemente, a mineradora retomou atividade em várias minas do Sul e Sudeste e está para reativar a pelotizadora de São Luís, no Maranhão. E para isto vai contratar pessoal naquele Estado. Até o final de 2009 foram contratados 300 trabalhadores e a Vale somou até dezembro 60 mil empregados, dos quais 45 mil no Brasil. Em 2008, eram 62.490 e 47.033 no país. Para 2010, a empresa pretende contratar "milhares" para seus investimentos de US$ 12,9 bilhões.
O diretor da Vale falou durante o anúncio que a mineradora será a patrocinadora oficial do Pavilhão Brasileiro na Expo Xangai 2010, por ser a empresa que mais negocia com a China.
Cid sustenta estaleiro no Titanzinho
Polêmica da localização do estaleiro no Ceará volta com a possibilidade mais real da instalação
O POVO (ANDREH JONATHAS) - ``A gente tem um plano, um planejamento, e vamos procurar dar sequência ao plano. O planejamento prevê a construção de um estaleiro no entorno do Porto do Mucuripe``, declarou o governador Cid Gomes, ontem, na inauguração do novo Fórum do município de Caucaia. Cid sustentou a instalação do equipamento no Titanzinho, único local apresentado até agora.
O governador argumenta: ``(A enseada do Mucuripe) é um local que teria a profundidade necessária. A costa cearense é muito rasa. Para o estaleiro, há necessidade de um calado, pelo menos, de 10 ou 12 metros (m). Não é fácil encontrar locais adequados na costa cearense``.
Cid lembrou que, para a construção do Porto do Pecém, foi preciso fazer a medição de profundidade no litoral do Estado por meio de um navio especializado em batimetria. Mesmo assim, para atingir até 17 m de calado, teve que ser off-shore (instalado no mar).
Um direcionamento mais preciso sobre a localização do estaleiro pode sair hoje. Cid afirmou que iria marcar uma encontro para tratar do assunto. ``Eu terei uma reunião com as empresas que apresentaram a proposta. Dessa reunião, a gente deve dar a notícia qual vai ser a estratégia``, disse. Até o fechamento desta edição, a agenda do governador para hoje ainda não estava fechada, conforme sua assessoria de imprensa.
Desde o início - ainda quando o estaleiro era uma hipótese -, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, demonstrou ser contrária à localização do empreendimento de construção de navios de médio porte. Ela se dispôs a dialogar, mas argumentou que o Plano Diretor da cidade não contempla tal a instalação.
A Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) ainda não recebeu nenhuma demanda sobre o assunto. ``Não há nada oficial sobre o local. Evidentemente, se houver essa possibilidade, se, tecnicamente, o plano diretor comportar, aí a prefeita vai dar a palavra final``, comenta o titular do órgão, Deodato Ramalho.
Ele insiste que o posicionamento da Prefeitura vai ser embasada no que for permitido pelos projetos já definidos. Deve ser seguido rigorosamente o Plano Diretor e a legislação ambiental, defendeu Ramalho.
LICITAÇÃO
O resultado final da licitação da Transpetro para a construção de oito navios gaseiros deve sair até o início de fevereiro. A empresa tinha previso, primeiramente, a confirmação ainda para este mês. O Promar Ceará foi escolhido como a melhor proposta de preço apresentada na concorrência pública.
O processo, agora, é negociar o menor preço possível, sugerido pela Transpetro. O projeto cearense é liderado pela empresa PJMR, que concorre com dois estaleiros do Rio de Janeiro - Ilha S/A (Eisa) e Mauá. A licitação está inserida no Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef)
NÚMEROS
> EMPREGO. A proposta do estaleiro cearense é gerar seis mil empregos, entre diretos e indiretos. Se seguir o exemplo do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), as vagas de trabalho ofertadas serão, em sua grande maioria, locais.
> PROMEF. O Promef prevê a construção de 49 navios. Já foram licitadas 33 embarcações, sendo que seis delas estão previstas para serem lançadas ao mar em 2010. O programa está gerando 13 mil empregos diretos no País. Este número chegará a 40 mil.
> 100 MILHÕES DE REAIS É O ORÇAMENTO ESTIMADO PARA CONSTRUÇÃO DO ESTALEIRO NO CEARÁ
INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA.
Após adiantar os projetos da Refinaria e da Siderúrgica, a proposta do Governo do Estado é atrair a indústria automobilística. ``Nunca escondi meu interesse de atrair para cá a indústria automobilística. O grande passo para cumprir um objetivo de transformar o estado em industrializado é a siderúrgica e a refinaria. O passo seguinte na área metal-mecânica é a indústria naval e a indústria automobilística``, comentou o Governador Cid Gomes, que afirmou já estar em contatos prévios com este setor.
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