Distribuição de aço plano no mercado interno vende 4% menos em outubro
VALOR ECONÔMICO - O mercado nacional de distribuição de aço plano, vendido em formatos de chapas e bobinas, encerrou outubro com previsão de queda 4%, de acordo com o Inda, entidade que reúne as empresas distribuidoras desse tipo de material no país.O desempenho será confirmado em meados do mês, quando se traçará estimativa para o comércio neste mês.
A expectativa da rede de distribuição era vender 374 mil toneladas no mês encerrado ontem, ante 389 mil toneladas comercializadas em setembro. A queda é atribuída ao esfriamento da demanda em função da desaceleração industrial brasileira.
Ao mesmo tempo, as empresas filiadas ao Inda, que respondem por 83% do aço comercializado pelo canal de distribuição, tomaram a decisão de comprar menos material das usinas, dentro da estratégia de enxugar estoques em seus armazéns.
As fornecedoras internas são Usiminas, CSN e ArcelorMittal. Os distribuidores, que respondem por um terço da venda desse tipo de aço no país, também atuam com material importado - 8,6% do total comprado até setembro.
O volume projetado de compras para outubro foi de 317,5 mil toneladas, uma retração também de 4% em relação às 330 mil toneladas de setembro. A estratégia adotada é de comprar só aquilo que é possível colocar no mercado.
Com isso, a projeção do Inda era que a rede fechasse outubro com estoques de 991,3 mil toneladas, 5,4% a menos que em setembro, volume correspondente a 2,65 meses de vendas. Para este mês, a expectativa é chegar a 2,6 meses, marca considerada confortável para as empresas.
Brasil precisa adotar medidas para defender sua indústria, diz Gerdau
VALOR ECONOMICO - O presidente do grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, disse que o Brasil precisa adotar medidas que podem vir a ser classificadas de protecionistas para defender a indústria nacional. Em uma breve entrevista ao Valor durante um evento em Nova York em homenagem à presidente Dilma Rousseff, Gerdau disse também que o país e seus empresários não podem fazer papel de “bobos” em um mundo dominado, segundo ele, por mecanismos artificiais de câmbio e comércio.
“Se o olharmos os macronúmeros, o superávit do setor manufatureiro que o Brasil tem e o déficit que vai gerar este ano, a situação está exigindo medidas concretas”, disse ele ao ser perguntado sobre os impactos do câmbio e das importações da China sobre a competividade Da indústria nacional.
“Existe esse desbalanceamento. A guerra cambial entre os países é uma realidade. A moeda da China acompanha o dólar dessa forma e no Brasil, com o seu superávit no fluxo de capitais, temos uma situação do dólar extremamente desavalorizado. São desequilíbrios que são complexos e que têm de ser ajustados.”
E continuou ele: “O mundo trabalha com artificialismos. Infelizmente, o Brasil também tem que tomar medidas que dentro de uma ortodoxia pode ser chamada de protecionista, mas que, na realidade, o mundo todo trabalha dessa forma e o Brasil tem que ser pragmático nas suas soluções”.
Gerdau preside o grupo de gestão e competitividade vinculado à Presidência da República. Ao lado de ministros, empresários e acadêmicos, ele foi um dos participantes do evento organizado pelo Woodrow Wilson International Center for Scholars, um dos mais prestigiados think-tanks dos EUA, que concedeu a Dilma o Prêmio por Serviço Público.
Perguntado se vem defendendo das conversas com a presidente, medidas mais restritivas às importações, o empresário afirmou: “Eu digo que é preciso analisar. A China trabalha com artificialismo. Por exemplo, impõe uma taxa de exportação para carvão de 40%, o que significa que o produtor de aço da China tem um desconto de 40% no carvão para fins metalúrgicos, de carvão coque. Isso é uma artificialismo. Por outro lado tem a Rússia, que impede a exportação de sucata. O mundo é feito de artificialismos. Então a gente tem que achar o equilíbrio entre políticas globais que o Brasil e por outro lado não podemos ficar de bobos e sendo explorados pelos desequilíbrios estruturais.”
Ao comentar sua nova experiência como uma espécie de consultor da iniciativa privada da presidente, Gerdau disse que tem sido uma atividade muito positiva. “Eu vejo o entusiasmo por parte da presidente e das ministras da Casa Civil, do Planejamento, que são peças chave. Na parte da gestão estamos avançando. Na parte da competitividade é o problema mais complexo, porque envolve estruturas do campo tributária que são extremamente complexas. Mas eu estou otimista. Temos uma presidente que enxerga e entende o tema."