Notícia

 

Ano III – nº 328– Fortaleza/CE – edição: 28.10.2011

 

Laminadora do CE custará US$ 1 bilhão

 

DIÁRIO DO NORDESTE (DIEGO BORGES) - A laminadora que está prestes a se instalar no Ceará terá um investimento de US$ 1 bilhão. A informação é do economista e consultor internacional Alcântara Macedo, que atualmente é presidente interino do projeto do grupo espanhol Añon. O Diário do Nordeste, inclusive, já tinha informado, na edição de 13 de dezembro de 2010, sobre o interesse dos estrangeiros em implantar o empreendimento no Ceará, o que foi confirmado pelo governador Cid Gomes na semana passada. Segundo Macedo, a empresa quer dar velocidade à instalação do projeto, pois não há mais pendências, e o terreno já foi comprado. "Já contratou-se empresa americana na área de tecnologia para dar suporte, e já se tem apoio de acompanhamento de gestão. Agora é dar velocidade. A coisa já está acontecendo", garante o economista.

ESTUDOS NO TERRENO: No momento, o grupo está realizando as sondagens na área onde ficará encravada a laminadora, no município de Caucaia, próximo a BR-222; e pesquisando a construtora que poderia erguer a planta siderúrgica no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).
"O Ceará em breve, dentro do tempo necessário para se instalar um projeto de tamanha evergadura, poderá prospectar sua montadora. A nossa ação de atração de investimento não teve um processo de evolução maior não por conta do governo, mas devido aos atrasos da refinaria e da siderúrgica. Isso não é esforço de um só governo. Nosso sonho de implementar um polo metalmecânico vem lá de trás, com Virgílio Távora, que queria dar ao setor industrial maior participação no PIB cearense.

 

Minério desaba e puxa preço do aço no mercado mundial

 

VALOR ECONOMICO – A que patamar chegará os preços do aço no mercado internacional no início do próximo ano?  Projeções de especialistas, em recentes relatórios, apontam US$ 550 a tonelada para a bobina a quente, um tipo de aço plano, laminado, que é um produto como referência do mercado siderúrgico.

Essa queda, atrelada ao desabamento do preço do minério de ferro no mercado spot chinês, já cotado na faixa de US$ 120 a tonelada, é tida como um freio para qualquer tentativa de aumento de preço para as siderúrgicas brasileiras neste ano. "Seria um tiro no pé", disse Carlos Loureiro, presidente do Inda, entidade que aglutina as empresas distribuidoras de aços plano no país.

A rede de distribuição desse tipo de aço responde por cerca de um terço das vendas internas e 83% desse mercado é movimentado pelas afiliadas do Inda. Entre essas empresas estão distribuidores independente e também coligadas das quatro grandes siderúrgicas do país - Usiminas, CSN, ArcelorMittal e o grupo Gerdau.

Loureiro explica que a diferença era de US$ 48 na quarta-feira entre preço trimestral (US$ 176 a toneladas) do minério no modelo de reajuste de contratos entre mineradoras e siderúrgicas e a cotação no mercado spot, de US$ 128. Isso resultaria em uma redução de US$ 77 no custo de produção da tonelada de aço (que tem consumo de 1,6 tonelada de minério).

Com isso, em vez de aproveitar a redução de custo na produção e ampliar margens de ganhos nas vendas, as siderúrgicas optam por manter participação de mercado, baixando os preços. Ninguém, com raras exceções e quando a situação é muito crítica, tem coragem de cortar produção.

A tonelada de bobina a quente da Ucrânia, por exemplo, já é negociada a US$ 620 a toneladas, e material chinês a US$ 635. Os preços vêm em queda contínua. "Há espaço para cair pelo menos 8% a 9%, com aço chinês indo a US$ 580", comentou o dirigente.

Loureiro, e outros distribuidores consultados, observam que qualquer aumento de preço no mercado doméstico até o fim do ano poderá aguçar o apetite dos importadores para trazer aço de fora. Vão aproveitar a queda de preço e o câmbio. O grande risco seria ver no primeiro trimestre de 2012, a partir de fevereiro, uma nova inundação de aço estrangeiro no mercado interno.

Outro fator que agrava essa situação é o cenário de incerteza decorrente dos problemas soberanos enfrentados por países da zona do euro na Europa, que tem a Grécia como o caso mais exemplar. Aliado a isso, há a desaceleração da China, maior produtor mundial de aço, que fez 56,7 milhões de toneladas em setembro. Hoje, o aço chinês já tem a maior presença no material plano que entra no Brasil.

De janeiro a setembro, o consumo aparente de aço [soma de vendas internas com importações] no mercado interno mostra uma retração da ordem de 13% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme dados divulgados esta semana pelo Inda.

Para a rede de distribuição, que fechou setembro com estoques de 2,7 meses de vendas [o correspondente a 1,05 milhão de toneladas], a meta é encerrar outubro e novembro em patamares de 2,5 a 2,6 meses [na faixa de 990 mil toneladas]. A estratégia visa entrar em 2012 com mais conforto. "A sabedoria será comprar melhor, ou seja, só aquilo que será possível vender", afirmou o empresário.

Em setembro, a rede comprou 330 mil toneladas das Usinas mais importação e vendeu 389 mil toneladas. Para outubro, a previsão era comprar menos - 317 mil -, mas as vendas também seriam um pouco menores.

 

Vale vai investir 20% menos que o previsto

O presidente da companhia, Murilo Ferreira, admitiu que os investimentos vão somar, no máximo, US$ 19 bilhões

 

AGÊNCIA ESTADO - O orçamento recorde de US$ 24 bilhões programado pela Vale para este ano saiu do radar da mineradora. Hoje, o presidente da companhia, Murilo Ferreira, admitiu que os investimentos vão somar, no máximo, US$ 19 bilhões.

Mas, diferentemente do que ocorreu em 2009, quando a Vale cortou investimentos para se ajustar à queda na demanda por insumos, desta vez o executivo atribui a revisão a atrasos no processo de licenciamento ambiental de alguns projetos.

A crise, porém, apesar de não ser responsável pela alteração do cronograma de investimentos, alterou a estratégia comercial do grupo. "O mercado europeu está mais fraco. Já tivemos alguns cancelamentos (de contratos na Europa). Nada muito significativo", revelou o diretor de marketing, vendas e estratégia da Vale, José Carlos Martins.

Para driblar essa retração de demanda, a companhia tem desviado para a China parte das vendas inicialmente programadas para a Europa.

"São dois ou três navios (embarcados com minério de ferro) a mais por mês", contou. Além da Europa, a companhia sentiu um arrefecimento de demanda por minério de ferro também no Brasil. A estratégia de focar mais na China segue o modelo adotado durante a crise de 2009, quando o país asiático chegou a representar cerca de 60% do faturamento da mineradora. Atualmente, a fatia chinesa gira em torno de 35%.

"Essa é destinação natural toda vez que se tem uma queda de mercado nas áreas onde a Vale tem participação grande, como no Brasil e na Europa", explicou Martins. A calibragem na área comercial não tirou o otimismo dos executivos da Vale. Tanto que Ferreira é categórico ao descartar corte de produção e ainda garante que a sobra do orçamento de 2012 será gasta já no primeiro trimestre de 2012.

Apesar da retração na Europa, o executivo pondera que a situação hoje é bem diferente da vivida em 2009, quando a companhia promoveu demissões e reduziu produção no Brasil e no exterior. Tanto que a companhia trabalha com uma recuperação no preço do minério de ferro no curto prazo.

Durante a teleconferência, Ferreira informou que o orçamento da companhia para 2012 será divulgado no dia 28 de novembro, durante o Vale Day, em Nova York. Para agilizar a obtenção de licenças ambientais, processo que vem atrasando os projetos do grupo, a Vale criou um comitê executivo para tratar do assunto. O grupo vai se reunir semanalmente e já elaborou um guia de procedimentos para obtenção dessas licenças.

Além disso, revelou, a mineradora pretende fazer uma análise de risco em 20 projetos considerados mais críticos para a companhia. Segundo ele, o objetivo de passar uma lupa por esses projetos é diminuir as incertezas em torno de prazos ou custos que influenciem no cronograma e orçamento.

Ferreira explicou ainda que a análise de risco deve incluir até uma comparação com os custos de produção de outras concorrentes. Entre os projetos que serão analisados estão projetos como o de Serra Sul, em Carajás, no Pará, Apolo, em Minas Gerais, e também na Indonésia. Além disso, o presidente adiantou que, no próximo ano, a Vale vai alterar a sua metodologia e divulgará os números apenas dos projetos cujas licenças ambientais já foram aprovadas.



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