Notícia

 

Ano II – nº 176 – Fortaleza/CE – edição: 03.08.2010

 

Importação de chapa grossa de aço incomoda BNDES

VALOR ECONÔMICO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está preocupado com o aumento das importações de aço no país, principalmente de chapas grossas, produto usado principalmente em navios e plataformas de petróleo, informou fonte próxima ao banco. De janeiro a junho, desembarcaram no país 220 mil toneladas do produto, um volume 34% superior ao de igual período do ano passado, enquanto a Usiminas - única fabricante nacional, com duas linhas de produção (Minas e São Paulo) - pôs no mercado doméstico 410 mil toneladas, o equivalente a 68 mil toneladas mensais, ou menos de um terço da sua capacidade nominal de produção de 1,9 milhão de toneladas.
Queixas de setores industriais demandantes de chapas grossas têm chegado ao banco questionando o elevado preço da chapa grossa no mercado interno, bem mais caro que o vendido no exterior e que tem sido o principal estimulo às compras externas.
Paulo Sebastião Ferreira Marques, da Usiminas Mecânica, disse ao Valor, durante seminário de siderurgia na Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), que a tonelada de chapa grossa da Usiminas equivale hoje a US$ 1.200 (R$ 2 mil), ante US$ 860 a US$ 900 do preço na Europa, Japão e Estados Unidos, excluída a China. O diferencial é de 33% a mais para o produto nacional vendido no mercado interno. Marques atribui esta diferença "ao custo Brasil".
Ele destaca a paridade cambial como a maior responsável por essa diferença. "A moeda valorizada incentiva a importação", afirmou. Para o executivo, a importação de aço não resolve o problema da indústria brasileira. "O aço importado é de má qualidade. A China está fechando agora 200 unidades e o excedente que sobrar vai colocar no mercado e disputar preço. Quem comprar vai ter problemas", argumentou Marques.
A Usiminas, segundo informou, está investindo na expansão da produção de chapa grossa em mais 500 mil toneladas no seu site de Ipatinga (MG) e vai instalar um laminador com resfriamento acelerado para atender encomendas da Petrobras de 440 mil toneladas desse material para fabricação de tubos para perfuração do petróleo do pré-sal. A nova linha deve começar a operar em 2011.
A preocupação da Usiminas, segundo Marques, é com a qualidade do produto e não teme a concorrência na chapa grossa. O grupo Gerdau já anunciou a instalação de uma linha de produção de 900 mil toneladas anuais na Açominas, sua fábrica integrada em Ouro Branco (MG). Também a ArcelorMittal está interessada em investir nesse nicho.
O problema é como tornar a chapa grossa nacional mais competitiva para evitar a importação, ressaltam fontes do BNDES, que estudam o assunto. O banco não entende porque a siderurgia brasileira de aços planos tem os custos variáveis mais baixos do mundo e os custos fixos extremamente elevados. "É um paradoxo", comentam técnicos do banco. Um especialista do setor ressalta, porém, que as margens da indústria nacional de aço são altas, acima de 20%, enquanto as das siderúrgicas globais não ultrapassam este percentual. "Em meio a esses extremos, é preciso saber o que se pode fazer para tornar o país mais competitivo no aço", avaliam as fontes.
Carlos Loureiro, presidente do Inda, instituto dos distribuidores de aço, diz que a importação de chapa grossa é "danosa", pois a venda mensal da Usiminas este ano representa um terço da capacidade nominal de produção de chapa grossa da siderúrgica, o que sinaliza uma operação com elevado grau de ociosidade. "A importação machuca mais na medida em que a usina está com ociosidade muito grande". Por isso, vê o caso da importação de chapa grossa como "emblemático" e que merece solução.

ThyssenKrupp vai usar índices para definir preços de aço

REUTERS (MARILYN GERLACH) - "Estamos atualmente negociando intensamente com nossos clientes sobre a forma futura de determinação dos preços", disse Ekkehard Schulz, à revista alemã Der Aktionaer.
"Para os contratos anuais definimos novas fórmulas e sistemas para que não tenhamos que renegociar os preços trimestralmente", disse o executivo. "Vamos mudar para índices baseados em commodities para os contratos anuais."
As três maiores produtoras de minério de ferro do mundo, Vale, BHP Billiton e Rio Tinto, adotaram em abril um sistema trimestral de reajuste de preços da commodity ante o método anterior que definia os valores do produto em bases anuais.
Schulz afirmou ainda na entrevista que a demanda por produtos siderúrgicos de alta qualidade aumentou "significativamente" no primeiro semestre fiscal encerrado em março deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, parcialmente devido a uma recomposição de estoques.
"Portanto, para a segunda metade do ano, não esperamos crescimento tão grande de encomendas e produção", disse o executivo.

Vale obtém ganhos com investimento em tecnologia

VALOR ECONÔMICO - A Vale vem ampliando acordos de cooperação técnica com siderúrgicas da Ásia e da Europa valendo-se do uso de tecnologias aplicadas em pesquisa na área de ferrosos. As parcerias permitem ganhos de ambos os lados: a Vale vende mais minério e os clientes reduzem custos de produção e aumentam a qualidade dos produtos siderúrgicos. Uma das parcerias envolveu o desenvolvimento de uma pelota especial, usada na produção de aço, que garantiu melhor desempenho para uma companhia siderúrgica asiática.
Com o trabalho, feito em 2008, antes da crise, a Vale obteve um adicional de US$ 24 por tonelada no preço de venda da pelota, o que, à época, representou mais de 25% do valor do produto. A atividade de pesquisa que possibilita esses ganhos é coordenada pelo Centro de Tecnologia de Ferrosos (CTF), um núcleo de desenvolvimento e aplicação de produtos da Vale, situado em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Por meio do CTF, a Vale desenvolve pesquisas em toda a cadeia do minério de ferro - da mina ao aço. E sustenta toda essa atividade científica com o uso de tecnologias de ponta que permitem agregar valor ao produto. Outro exemplo de cooperação fechado pela Vale, com coordenação do CTF, envolveu a coreana Hyundai Steel. Em 2008, o CTF iniciou um programa de treinamento com os coreanos, que estavam montando usina integrada de produção de aço apta a fazer 12 milhões de toneladas/ano. No início, a Hyundai tinha interesse em comprar 33% do minério que precisava da Vale e o restante de BHP e Rio Tinto.
"Pedimos a eles para simular outras condições e provamos, pelos testes feitos, que, mesmo com o diferencial de frete em relação à Austrália, poderíamos fornecer um produto que lhes garantiria desempenho mais adequado em termos de custo e qualidade", diz Rogério Carneiro, gerente-geral de pesquisa e desenvolvimento de ferrosos da Vale. Hoje, o produto da Vale tem participação de 45% no mix de produção da Hyundai.
O objetivo da Vale é desfazer a ideia de que o minério de ferro é uma commodity. Em 2009, a mineradora foi pressionada pelo governo a investir mais no Brasil para elevar o valor agregado do produto, embora a empresa tenha em seu portfólio várias novas usinas siderúrgicas. Os novos projetos são: Aços Laminados do Pará (Alpa), a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e a Companhia Siderúrgica Ubu (CSU), no Espírito Santo. A ThyssenKrupp CSA, no Rio, foi inaugurada em junho.
A visão da Vale é que as pesquisas do CTF criam valor à cadeia siderúrgica e aos próprios clientes. No modelo atual de precificação do minério, que prevê reajustes trimestrais, premia-se a composição química. Ou seja, minérios com teores de ferro superiores a 62% valem mais, diz Carneiro. O produto com essa composição também garante um desempenho diferente para a siderúrgica.
"Acreditamos que o minério não é commodity e que a venda do produto exige o desenvolvimento de soluções para os clientes", afirma Carneiro. É esse trabalho que o CTF está apto a fazer. Hoje, estão em andamento no centro 35 projetos de pesquisa e desenvolvimento, dos quais 15 são voltados diretamente para clientes. Os outros 20 são projetos feitos para a própria Vale, como o desenvolvimento de produtos para as pelotizadoras da empresa, unidades que fazem a aglomeração de finos de minério.
No CTF há plantas-piloto que permitem desenvolver um produto em condições semelhantes às encontradas no alto-forno de uma siderúrgica. O objetivo é mostrar como os produtos vão se comportar nas linhas de produção dos clientes. O trabalho é complementado com simulações numéricas que envolvem modelos matemáticos que indicam custos de produção, o consumo de combustível e qualidade do aço.
Um equipamentos que sobressai no CTF é o espectrômetro Mössbauer, que faz especificação de diversos tipos de minério. O instrumento usa o efeito de emissões nucleares para detectar propriedades químicas e físicas da amostra. Investimentos em P&D na área de ferrosos da Vale superam US$ 30 milhões desde 2001.

Suape pode ganhar uma montadora chinesa

JORNAL DO COMMÉRCIO (PE) - O Porto de Suape poderá captar uma primeira montadora para reforçar o polo automotivo em implantação no complexo. Ontem, executivos de um grupo chinês estiveram em Pernambuco para conhecer a política de incentivos fiscais para o setor, a infraestrutura logística e a disponibilidade de mão de obra. A proposta é implantar uma montadora de vans e veículos utilitários. O vice-presidente de Suape, Sidnei Aires, não adiantou o nome nem o valor do empreendimento, atendendo ao pedido de sigilo dos investidores.
“O grupo de consultores passou o dia (de ontem) em Suape para conhecer a estrutura do complexo. A expectativa é que eles retornem em agosto e definam a localização da montadora até dezembro deste ano”, adianta Aires, dizendo que os investidores assinaram protocolo de intenções com outros três Estados. O vice-presidente de Suape lembra que um dos atrativos de Pernambuco é a política de incentivos fiscais específica para o setor, criada em 2008 que, dentre os benefícios, oferece rebatimento de 95% do ICMS. Aires diz que a montadora chinesa vai precisar de um terreno de 100 hectares.
Suape já conta com uma central de importação de veículos da General Motors, que começou a operar este ano, além do anúncio de implantação de uma montadora de motos da também chinesa Shineray. O Estado também figura na lista de opções da Chery para sediar uma montadora do chupo chinês no Brasil.
A proposta do governo do Estado também é atrair fornecedores da cadeia automotiva. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico vem tentando captar fábricas de pneus e de acessórios. A Unimetal, que está construindo uma fábrica no município de Timbaúba, vai produzir cinto de segurança e forros para bancos de veículos e a nova unidade da Companhia Industrial de Vidros está investindo na construção de uma unidade para a fabricação de vidros planos, que poderá atender aos setores de construção civil e automotivo.


 

Av. Barão de Studart, 1980 – 3º andar – sala 309 – Edifício Casa da Indústria – FIEC - Fone/Fax: (85) 3224-6020/3224-6557
 
Sindicato Filiado ao Sistema FIEC