Ano II – nº 174 – Fortaleza/CE – edição: 30.07.2010 |
Mudança no reajuste do minério vai tumultuar setor de aço em todo mundo
VALOR ECONÔMICO - O mercado mundial de aço entra em zona de turbulência no rastro de "mudanças radicais" no mercado de minério de ferro, com a redução dos prazos dos contratos, agora trimestral, e o preço a vista (spot price), avalia o Deutsche Bank.
As mudanças criarão maior incerteza nos planos de produção e crescente volatilidade nos preços para todas as indústrias ao longo da cadeia de valor. Para o banco alemão, o setor siderúrgico não tem outra escolha a não ser passar o custo mais alto das matérias-primas para os consumidores finais.
O novo sistema de preços é introduzido numa conjuntura de crescente demanda por minério de ferro, a começar por parte da China, que importou 48% do que foi vendido no mercado internacional em 2009 comparado a 13% há dez anos.
A Vale, BHP Billiton e Rio Tinto controlam 70% do comércio internacional de minério de ferro. A parte do leão, como diz o banco, é vendida em acordos bilaterais. Agora, a expectativa é de que o volume de derivativos do produto aumentará significativamente e um índice de preços "confiável" seja estabelecido.
Segundo o Deutsche, companhias siderúrgicas temem que os preços do minério sejam dissociados da demanda no setor industrial e dos "negócios reais" por causa de pressões especulativas. E vê indicações de que estoques estariam sido criados, com o fornecimento sendo assim retirado do mercado.
Para o banco, o desenvolvimento do mercado de aço não está claro. A China aumentou sua produção durante a crise econômica e sua fatia é de 47% do total global. Já os EUA e a Europa cortaram produção substancialmente, de 40% e 37% respectivamente.
A produção da China e Índia continua em alta e na Europa já começou a se recuperar, mas analistas admitem dificuldades para interpretar a demanda real corretamente. Em todo caso, o banco prevê que a industria siderúrgica da Alemanha terá crescimento de 35% este ano, refletindo uma melhora na economia global.
Depois da enorme alta de preços de minério de ferro e aço nos primeiros meses do ano, as cotações de produtos acabados e semi-acabados começaram a declinar. Mesmo assim, os produtos siderúrgicos na Europa tentarão aumentar os preços de novo no terceiro trimestre.
Siderurgia: Plano inicial para produção de placas foi suspenso por conta da crise financeira.
Usiminas vai reapresentar projeto de usina
VALOR ECONÔMICO - A Usiminas reapresentará o projeto da nova usina, em Santana do Paraíso (MG), ao conselho de administração em 24 de agosto, informou ontem o presidente da companhia, Wilson Brumer, durante avaliação do desempenho da companhia de abril a junho.
O plano inicial, que foi suspenso devido à crise financeira, consiste na construção de uma usina com capacidade de produção anual de 5 milhões de toneladas de placas. No entanto, o grupo tem considerado alternativas para suavizar o impacto do custo do projeto, como realizá-lo em duas fases, de 2,5 milhões de toneladas cada uma. "Tudo faz parte dos estudos realizados e em conclusão", afirmou Brumer.
No trimestre passado, a empresa obteve lucro de R$ 347 milhões, 3,5% acima da cifra de um ano antes, quando ainda sofria os impactos da crise econômica mundial. No semestre, o resultado somou R$ 676 milhões, com alta de 273% sobre o período de janeiro a junho de 2009.
O lucro operacional (lajida), no semestre, passou de R$ 476 milhões para quase R$ 1,6 bilhão. A margem mais que dobrou: de 9,4% para 24%. "Conseguimos ofertar quase 1 milhão de toneladas a mais neste ano ao mercado doméstico", comentou Brumer.
O executivo, que assumiu recentemente o comando da empresa, deixando a presidência do conselho, destacou o fluxo de investimentos de R$ 14 bilhões entre 2007 e 2014. "Apenas este ano serão R$ 3,2 bilhões e serão outros R$ 2,7 bilhões em 2011", afirmou, lembrando que esses valores não incluem os investimentos no negócio de mineração.
Até 2012, estarão maturando diversos investimentos em curso nas usinas de Ipatinga (MG) e Cubatão (SP), entre os quais aumento da oferta de chapas grossas, de aços galvanizados para indústria automotiva e mais laminados a quente, como novo equipamento em Cubatão, para autopeças e outros segmentos industriais.
"Esses projetos vão adicionar à companhia R$ 3 bilhões em receita", informou Brumer. A empresa aposta no crescimento da demanda por obras de infraestrutura, eventos da Copa de 2014 e Olimpíada de 2016, além de obras do pré-sal e dos programas de moradias populares.
Ele informou que a Mineração Usiminas, que nasce de fato no início de agosto na associação com Sumitomo, será capitalizada com US$ 1,98 bilhão. A trading japonesa ficou com 30% do negócio e já aportará, entre setembro e outubro, US$ 1,35 bilhão.
"A empresa não precisará tão cedo de recursos ", argumentou Brumer ao descartar a possibilidade de a divisão mineira captar no curto prazo recursos em uma abertura de capital na bolsa de valores.
O reajuste entre 3,5% e 6% que será aplicado pela Usiminas a partir de agosto é insuficiente para cobrir as pressões de custos decorrentes do encarecimento de insumos e novas revisões de preços poderão ser anunciadas "no futuro", disse o vice-presidente de negócios da companhia, Sergio Leite.
"Em algum momento, haverá a necessidade de (outro) reajuste", afirmou o executivo durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre. Na semana passada, a Usiminas justificou os reajustes do aço pela alta de aproximadamente 35% e 75% do minério de ferro e do carvão, respectivamente, a partir de julho.
O movimento tem apertado as margens da cadeia e Lakshmi Mittal, dono da ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, já apontou a necessidade de um reajuste de 10% no preço do aço neste semestre para preservar a rentabilidade de sua empresa.
Apesar da pressão, os executivos da Usiminas preferiram não confirmar ontem se novos aumentos serão aplicados até dezembro. De acordo com Leite, os produtores de aço passaram a adotar um sistema de reajustes trimestrais com a mudança na revisão dos preços do minério de ferro, que passou a ser de três em três meses. "Fomos forçados a operar com reajuste trimestral".
Brumer afirmou que o reajuste de agosto está sendo negociado com os clientes. "A pressão de custos tem nos forçado a buscar preços mais altos", justificou. Ele também defendeu isonomia na competição com fornecedores estrangeiros diante do crescimento de 160,8% nas importações até junho. "O Brasil tem uma carga tributária diferente da desses países", argumentou.
Usiminas prevê mais um reajuste de preços até dezembro
Tabela subirá entre 3% e 6% em agosto, mas empresa não descarta uma nova alta para atenuar custos
EXAME.COM (TATIANA VAZ) - Durante a teleconferência de resultados da Usiminas ontem (29/7), Wilson Brumer, presidente da companhia, afirmou que o preço das toneladas de aço vendidas pela companhia terá de sofrer, até o final do ano, um reajuste maior que o anunciado, de até 6%.
A partir de agosto, a empresa informou que negociará com os clientes uma nova política de preço com aumento de 3% a 6%. Porém, essa margem de aumento ainda sim não compensará a pressão de aumento de custos que a companhia, como as demais do setor, vem sofrendo, graças à valorização da moeda brasileira e ao excesso da oferta de aço no mundo.
"O reajuste trimestral de preços já é uma realidade no setor do aço", afirmou Brumer (leia a reportagem sobre a teleconferência). "Em um momento futuro, precisaremos aumentar ainda mais o preço para garantir margens melhores e, por conseqüência, um melhor retorno aos nossos acionistas".
INVESTIMENTOS E RESULTADOS : Na teleconferência, a companhia ressaltou os investimentos que serão feitos por meio da Mineração Usiminas, nova companhia do grupo, de 4,1 bilhões de reais no Brasil até 2015. Os recursos serão usados em projetos na mina que incluem instalações industriais, equipamentos, barragens e terminais de embarque - o valor não inclui gastos com a construção de portos.
Com os recursos, o objetivo é elevar a capacidade de produção da companhia dos atuais 7 milhões de toneladas de minério de ferro para 29 milhões de toneladas a partir de 2015.
No segundo trimestre deste ano, a Usiminas atingiu um lucro líquido de 347 milhões de reais, número 3% maior na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. A margem de ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) saltou 526%, para um total de 872 milhões de reais, ante os 139 milhões de reais do segundo trimestre de 2009.
A receita líquida da companhia alcançou no segundo trimestre deste ano 3,587 bilhões de reais, um valor 49% maior que o do mesmo intervalo de 2009. O resultado financeiro da companhia apresentou uma despesa de 128,861 milhões de reais, em comparação com o resultado positivo de 539,585 milhões de reais do segundo trimestre do ano anterior.
Vale comenta resultados do trimestre
EXAME.COM (BEATRIZ OLIVON) - A Vale encerrou o 2º trimestre de 2010 com lucro líquido de 6,635 bilhões de reais. O valor é 344,2% superior ao do segundo trimestre do ano passado, quando a mineradora lucrou 1,494 bilhão. A geração de caixa, apurada pelo ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) subiu para 10,4 bilhões de reais no último trimestre. Entre abril e junho do ano passado, o indicador havia ficado em 3,4 bilhões de reais. No trimestre, a receita operacional da mineradora foi de 19 bilhões de reais - 72,5% superior à do mesmo período do ano passado.
No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido acumulado no período foi de 9,514 bilhões de reais, o que representa um incremento de 104,9% sobre o mesmo período de 2009. A receita operacional, 32,4% maior, alcançou 32,010 bilhões de reais. Já as exportações foram 55% superiores e encerraram junho em 10,295
Lucro líquido da Vale é de R$ 6,6 bilhões no segundo trimestre
Resultado é 344% maior que o do mesmo período do ano passado
EXAME.COM (MÁRCIO JULIBONI) - A Vale encerrou o lucro líquido de 6,635 bilhões de reais no segundo trimestre. A cifra é mais que o dobro dos 2,879 bilhões de reais obtidos no primeiro trimestre, e 344,2% superior à do segundo trimestre do ano passado, quando a mineradora lucrou 1,494 bilhão.
"Estes resultados refletem a crescente demanda global por minérios e metais, custos operacionais sob controle e os nossos para aumentar a produção", afirmou a empresa, em comunicado divulgado ao mercado no início da noite desta quinta-feira (29/7).
A receita operacional da mineradora foi de 19 bilhões de reais entre abril e junho. O montante é 45,7% maior que os 13 bilhões do primeiro trimestre, e 72,5% superior à do mesmo período do ano passado. A geração de caixa, apurada pelo ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) subiu para 10,4 bilhões de reais no último trimestre. De acordo com a companhia, trata-se do terceiro maior ebitda trimestral de sua história. Entre abril e junho do ano passado, o indicador havia ficado em 3,4 bilhões de reais.
SEMESTRE : Os números do primeiro semestre também vieram com forte crescimento. O lucro líquido acumulado no período, de 9,514 bilhões de reais, representa um incremento de 104,9% sobre o mesmo intervalo do ano passado. A receita operacional, 32,4% maior, alcançou 32,010 bilhões de reais. Já as exportações foram 55% superiores e encerraram junho em 10,295 bilhões de dólares.
O segundo trimestre marcou o início da adoção, pela Vale, de um novo sistema de precificação do minério de ferro. Baseado em um índice global que reflete mais de perto a cotação do mercado à vista - o chamado mercado spot -, o novo modelo também contribuiu para que a empresa captasse o aquecimento da demanda pelo metal. |