Ano II – nº 171 – Fortaleza/CE – edição: 22.07.2010 |
Aço: Estoque elevado pode frear reajuste de preço das usinas
VALOR ECONÔMICO - O reajuste de preço do aço anunciado esta semana pela Usiminas, em duas tranches - uma de 3% e uma de 6% - , foi classificado como "fora de época" por Christiano Freire, diretor da Frefer MetalPlus e ex-presidente do Instituto Nacional de Distribuidores de Aço (INDA). O executivo prevê um período de "guerra de preços" entre distribuidoras e clientes de agosto até outubro por causa do elevado estoque de 1,2 milhão de toneladas de produtos siderúrgicos planos em poder destas empresas. "Com os estoques batendo níveis recordes, este é um momento ruim para se falar de aumento de preço", disse Freire, durante palestra no seminário de mineração e siderurgia organizado pelo CRU Group.
O executivo acredita que até outubro os preços do aço devem permanecer estáveis, pois as distribuidoras vão ter que traçar uma estratégia para desovar os estoques. Isso, diz, certamente vai gerar uma "pressão de preços" no mercado doméstico nos próximos 90 dias. Isso será acompanhado de uma freada brusca nas compras das distribuidoras junto às usinas nacionais. "Vamos viver até o início do ultimo trimestre um cenário de preços externos em queda, estoques muito altos e demanda em bom nível, mas sem chegar ao que era em 2008". Freire atribui esta situação ao aumento das importações de aço no primeiro semestre por causa da aceleração da economia e também à antecipação de compras pelas distribuidoras, temendo novos reajustes.
Os números do INDA no primeiro semestre, divulgados pelo executivo, apontam que até junho foram importadas 1,72 milhão de toneladas de aço plano de diversos tipos, ante 603 mil toneladas em igual periodo em 2009, auge da crise global. O total de compras das distribuidoras entre janeiro e junho somaram 2,35 milhões de toneladas, comparado a 1,27 milhão de toneladas um ano atrás, alta de 85% no volume de compras no país. "Isso é muito maior do que o que foi comprado em 2008", observou. O total de vendas de produtos de aço nos primeiros seis meses de 2010 somou 1,9 milhão de toneladas ante 1,2 milhão de toneladas em 2009, ou 28% a mais.
Até fim de julho, este números deverão continuar subidos. Segundo projeções do INDA, as compras de aço em julho devem alcançar 455 mil toneladas e de vendas, enquanto as vendas devem ter caído 5% em relação a junho, quando somaram 320 mil toneladas. Com isso, o volume estocado vai alcançar quase 1,3 milhão de toneladas.
No entender de Freire, o quadro que ele desenha para os próximos 90 dias não indica que a economia brasileira está desacelerando. "O que ocorre é que a economia não está mais neste segundo semestre acelerada como estava no primeiro. Estamos adquirindo velocidade de cruzeiro". O que ele diz é que hoje a economia está passando a ter uma demanda mais condizente com a realidade. "A demanda acelerada do primeiro semestre criou uma procura por bens mais forte do que a realidade do país comporta. Por isso, estamos agora com estas sobras e temos de nos desfazer delas". havia uma expectativa de grandes obras de infraestrutura, como pré-sal, e projetos da Vale que foram retardados, afirmou.
Ele destacou que além do setor de distribuição de aço, também o setor automotivo está superestocado. "A sensação que tenho é que esta cadeia produtiva está passando por um momento de ajuste de preços, que vai passar". A seu ver, a indústria siderúrgica não deverá cortar produção neste período, devendo se limitar a fazer algum estoque, pois estava com o volumes quase zerados por causa das compras das distribuidoras até junho.
As usinas locais certamente não vão conseguir repassar seus reajustes até outubro, apesar da alta que vêm enfrentando nas matérias-primas. "As usinas que dependem do minério de ferro vão sofrer mais, com redução de margem no próximo trimestre e lucros menores, mas deverão começar a recuperar as perdas a partir de novembro. A partir daí prevejo um cenário mais favorável, com recuperação de preços do aço lá fora e economia em alta aqui dentro e redução nas importações de aços planos", afirma Freire.
Transpetro compra aço da China para modernizar frota
REUTERS (DENISE LUNA) - De acordo com o excecutivo, participaram da concorrência 15 siderúrgicas de oitos países, inclusive do Brasil, e o preço chinês foi o mais competitivo. Ele não deu detalhes.
"No mês passado, importamos aço da China porque o preço estava melhor", disse Machado à Reuters antes de palestra no Latin American Iron & Steel Trends.
A compra de aço será direcionada para o Programa de Expansão e Modernização da Frota da Transpetro (Promef), que prevê a construção de 49 navios até 2014, o qual vai demandar 680 mil toneladas de aço. A empresa que é braço logístico da Petrobras para o setor de transporte já importou também a commodity da Ucrânia e da Coreia com vantagem no preço.
Em sua palestra, Machado anunciou que a empresa aumentou em 30 mil toneladas a necessidade de aço para os próximos anos, totalizando em 710 mil toneladas. O aumento se deveu à licitação para a construção de 80 barcaças e 20 empurradores que serão utilizados no transporte hidroviário do país. Segundo Machado, as propostas serão abertas em agosto.
"Vamos encomendar mais 50 mil toneladas de aço até o final do ano", informou o executivo lembrando que até 2014 as encomendas da empresa serão de uma média de 150 mil toneladas de aço por ano.
No programa total a Transpetro já adquiriu 150 mil toneladas de aço no mercado, a um preço médio de 700 dólares a tonelada, sendo que apenas um terço e proveniente de siderúrgicas brasileiras.
"Esperamos que as siderúrgicas brasileiras ofereceram preços competitivos, não vamos fazer navios a qualquer custo", afirmou em relação as importações feitas pela Transpetro.
Segundo Machado, a indústria naval está renascendo no país e não pode ser penalizada adquirindo aço a preços elevados no mercado interno.
Mesmo assim, o conteúdo nacional dos 49 navios do Promef estão em torno dos 70 por cento, de acordo com Machado.
A próxima encomenda de aço deverá ser anunciada entre agosto e setembro e deverá girar em torno das 15 mil toneladas de aço.
O executivo informou ainda que até 2014 a Transpetro irá dorbrar sua frota atual de 52 petroleiros que atendem exclusivamente a Petrobras.
No total, a Petrobras utiliza 180 petroleiros, disse Machado.
"Dos 16 bilhões de dólares transportados no Brasil, menos de 4 por cento é feito por bandeira brasileira temos que mudar essa realidade." |