Ano II – nº 170 – Fortaleza/CE – edição: 21.07.2010 |
Preço do minério spot volta a subir
VALOR ECONÔMICO - O preço do minério de ferro no mercado spot da China subiu ontem 3%, passando de US$ 117 para US$ 121 a tonelada, num movimento que surpreendeu o mercado. Este foi o primeiro sinal de reversão de tendência de queda do produto no mercado livre chinês depois de 50 dias em trajetória de baixa e ocorreu antes do esperado pelas mineradoras. A expectativa de Cláudio Alves, diretor estratégico da Vale, e de Roger Downey, presidente executivo da MMX, era de que a recuperação do spot só ocorreria no ultimo trimestre do ano.
Depois da morte do "benchmark", antigo sistema anual de fixação do preço de referência dos contratos de fornecimento de longo prazo de minério para as siderúrgicas usado até 2009, o mercado spot chinês passou a ter grande importancia na formação de preço do minério de ferro. Em 2010, o preço do minério no mercado livre chinês passou a balizar os reajustes trimestrais do produto vendido pela Vale para seus clientes. A média do valor da tonelada do spot num período de três meses serve de base para calculo do novo preço da Vale no trimestre seguinte, descontado o frete e levado em conta o teor de ferro no insumo.
Neste terceiro trimestre, como foi reconhecido por Alves, durante entrevista no seminário sobre mineração e siderurgia organizado pelo CRU Group, o preço praticado nos contratos da Vale estão acima do preço do spot. O executivo, que participou de uma mesa de debates no seminário, rechaçou a ideia de vender minério a preço do mercado livre para clientes de longo prazo, alegando que isto derrubaria o sistema de reajustes trimestrais.
"Se trabalharmos com média, isso significa que às vezes a média estará inferior ao spot, como no segundo trimestre, e haverá épocas em que estará superior ao spot, como agora. Pode ser que no próximo trimestre a relação se inverta novamente. É natural do sistema. Se nossos clientes desejam ter sistema e contratos de longo prazo, temos que ter regras claras de ambos os lados", afirmou Alves.
Segundo ele, o mercado está aquecido e a Vale hoje está operando com capacidade máxima de produção, em torno de 300 milhões de toneladas anuais de minério de ferro. A empresa, disse, trabalha para conseguir as licenças ambientais para o projeto de Serra Sul, na província de Carajás, que deverá começar a operar entre 2014 a 2015, iniciando uma escalada de produção que vai somar mais 90 milhões de toneladas à capacidade de minério de ferro da companhia. Para 2011, a expectativa é de expansões marginais em algumas minas, elevando a capacidade de produção da Vale em cerca de 20 milhões de toneladas anuais.
Nem o diretor da Vale nem o presidente da MMX quiseram fazer projeções sobre o nível de recuperação que poderá ser atingido pelo minério no mercado spot até o último trimestre do ano. "Não tenho bola de cristal", afirmou Alves, para quem a Ásia, especialmente a China, continuará a puxar a demanda por minério nos próximos anos. A avaliação de Downey é semelhante. Ele espera para o fim do ano uma retomada forte deste mercado.
A volatilidade do mercado de minério de ferro, porém, levou Philip Tomlinson, consultor da CRU Strategies, que participou do seminário, a prever que no longo prazo o atual sistema de reajuste trimestral do produto pode se transformar em uma precificação mensal, o que poderia ser acompanhado pelo setor siderúrgico. O diretor da Vale, indagado sobre essa possibilidade, não vê demanda que altere o sistema atual de precificação trimestral, mas reconheceu que há uma tensão entre o preço do aço e o preço do minério, uma defasagem porque a volatilidade é realmente muito grande. "Quando a volatilidade for menor, a tensão diminui", avaliou.
Analistas de mineração e siderurgia de bancos trabalham com uma perspectiva de manutenção dos preços do minério de ferro na faixa de US$ 100 nos próximos três anos. O cenário é bom para as mineradoras que terão seus caixas fortalecidos. A questão é saber se as siderúrgicas terão condição de ajustar seus preços ao aumento das matérias primas do aço. Calum Baker, da área de pesquisa do CRU, ao discorrer sobre o comportamento do preço das matérias primas para o aço projeta que os mercados de minério, carvão metalúrgico e coque vão continuar em alta e voláteis nos próximos dois a três anos, impulsionados pelo crescimento da China, cujo PIB deve crescer este ano mais de 10%.
China assume riscos para comprar minas pelo mundo
VALOR ECONÔMICO - Na caça mundial por ativos de mineração, a China surgiu como o líder das compras: poucos anos depois de notórios fracassos na tentativa de fechar grandes aquisições, compradores chineses de todos os tamanhos estão selando negócios mais sofisticados com uma taxa maior de sucesso.
Empresas sediadas na China e em Hong Kong participaram no ano passado de aquisições internacionais na área de mineração e investimentos avaliados em US$ 13 bilhões - 100 vezes o nível de 2005, de acordo com empresa de acompanhamento de dados Dealogic.
As empresas sediadas na China estão mantendo um ritmo semelhante em 2010. Na semana passada, o Shandong Iron & Steel Group Co. anunciou um investimento de US$ 1,5 bilhão em um projeto de minério de ferro da African Minerals Ltd. em Serra Leoa, o mais recente de 76 negócios internacionais anunciados por compradores da China neste ano, até o momento, no valor de US$ 8,3 bilhões, de acordo com a Dealogic.
A fome da China por metais e minerais será um dos principais motores a puxar os investimentos no exterior para mais de US$ 100 bilhões em 2014, prevê Derek Scissors, um pesquisador da Heritage Foundation, que montou um banco de dados para acompanhar esses negócios.
O sucesso da China em abocanhar produtores de minério de ferro, níquel, molibdênio e outros minerais acontece depois que a maioria do mundo aprendeu com a crise financeira global. Em 2009, a China respondeu por um terço do valor de todas as fusões e aquisicões na área de mineração envolvendo países diferentes, ante 7,4% em 2007 e menos de 1% em 2004, apurou a Dealogic.
Na Austrália, que sempre foi um grande destino dos investimentos chineses em mineração, compradores da China responderam por quase 40% do negócios no setor com capital estrangeiro ano passado, segundo a análise anual de fusões e aquisições feita pela PricewaterhouseCoopers. No Canadá, um mercado mais recente para os chineses, o número foi de cerca de um quarto.
Os negócios recentes introduzem uma nova classe de pretendentes. Nos últimos anos, os compradores chineses de ativos de petróleo e minério no exterior eram normalmente grandes empresas estatais que favoreciam aquisições completas e tinham reputação de fechar negócios que não exigiam muita habilidade - e sofreram uma série de rejeições públicas, como a tentativa fracassada da China Minmetals Corp. de comprar a mineradora canadense Noranda Inc., em 2005.
Agora, os investidores em potencial vão da indústria privada a investidores de Hong Kong e ao fundo soberano da China, a Corporação para Investimento da China. Os que acompanham os negócios da China dizem que esses investidores são mais espertos e mais flexíveis do que eram poucos anos atrás, testando joint ventures e participações minoritárias.
Há apenas um ano, o CST Mining Group Ltd., de Hong Kong, era chamado de China Sci-Tech Holdings LTD., uma empresa de capital aberto, formada por 15 pessoas, que investia principalmente no setor imobiliário. Este ano, a empresa comprou duas minas de cobre por US$ 380 milhões - uma canadense e outra australiana -, contratou um punhado de veteranos ocidentais do setor de mineração para administrá-las, captou US$ 600 milhões por meio de uma colocação privada de ações e mudou o nome para CST Mining Group Ltd.
Os investidores chineses estão encontrando "mais e mais maneiras de fazer negócios com o mundo", diz Amy Cheng, banqueira do CST e líder do grupo de mineração do BOC International, braço de banco de investimentos do estatal Banco da China Ltd.
Cheng estima que os investidores chineses do setor de mineração tenham conseguido fechar cerca de três quartos dos negócios que tentaram fazer; poucos anos atrás, diz ela, eles eram quase sempre recusados. A crise financeira criou uma abertura. "Todo projeto [que precisa de dinheiro] olha para as empresas chinesas", disse ela.
O governo chinês não fez pressão pública para essas aquisições, mas a explosão de negócios nos últimos anos, muitos fechados por companhias estatais, sugere que eles são uma prioridade.
A China já consome um terço de todo o cobre do mundo e 40% dos metais básicos, e produz metade do aço do mundo. Embora a demanda por commodities tenha sofrido uma baixa com a desaceleração da expansão chinesa este ano, é esperado que ela se mantenha forte no longo prazo.
A China já se queixou de que as empresas estrangeiras cobram muito pelo minério de ferro e outras commodities, uma preocupação que se tornou aguda em 2007, quando a maior mineradora do mundo, a BHP Billiton Ltd., tentou comprar a Rio Tinto, um negócio que prometia criar uma fornecedora com enorme poder de estabelecer preços.
A tentativa fracassou, mas logo depois a China fechou o que continua a ser sua maior aquisição internacional na área mineral, a compra de 9% da Rio Tinto pela Chinalco, um negócio de US$ 14 bilhões. Graças a esse investimento, as companhias chinesas e de Hong Kong realizaram um recorde de US$ 17,5 bilhões em fusões e aquisições no exterior em 2008, de acordo com a Dealogic.
O surto comprador da China pode em algum momento aumentar a oferta mundial de muitos minérios, diz Tim Goldsmith, líder da área global de mineração da PricewaterhouseCoopers, que vive na Austrália e diz que seu trabalho exige que ele passe uma semana por mês na China. Se a demanda chinesa continuar forte, e outras economias com a da Índia também crescerem rapidamente, o aumento da oferta poderá ajudar a amenizar as altas dos preços das commodities, diz ele.
Uma demanda global mais fraca poderia levar a quedas de preços, um cenário que Goldsmith acredita ser menos provável. Os grandes mineradores mundiais devem se sair bem de uma forma ou de outra, diz ele, uma vez que suas minas tendem a ser mais rentáveis, com retornos esperados mais altos, que aquelas em que muitas empresas chinesas estão investindo. Alguns investidores chineses estão comprando empresas com minas ainda em estágio inicial de desenvolvimento e exploração, uma proposta mais arriscada mas potencialmente mais rentável.
"Houve um tempo em que eles não investiam em nada que ainda não estivesse produzindo", lembra Howard Balloch, ex-embaixador canadense na China, que fundou, em 2001, o Balloch Group, um banco de investimento butique sediado em Pequim. Agora, "os chineses estão dispostos a (...) experimentar níveis de risco um pouco mais altos".
Isso está trazendo mais negociadores chineses para Toronto e Vancouver, onde ocorrem muitas operações para levantar dinheiro para a exploração mineral. "Do lado chinês, é quase como se alguém tivesse virado um botão há poucos anos e o interesse foi de zero para um signicativo investimento em empresas canadenses", diz o advogado David Redford, que atua na área de mineração da Goodmans LLC. O interesse é recíproco: Redford estima que cerca de 80% dos clientes atuais da área de mineração estejam buscando investimentos de fontes chinesas.
Nova empresa na Bahia pretende produzir 19,5 mi t de minério
REUTERS (DENISE LUNA) - O diretor comercial da Bahia Mineração, Gilberto Penna, aguarda para agosto a licença ambiental para que em novembro possa iniciar a construção do sistema de produção que, a partir de 2013, deverá colocar no mercado 19,5 milhões de toneladas anuais de minério de ferro.
De acordo com Penna, a mina localizada na cidade de Caetité, a cerca de 500 quilômetros da costa do Estado, receberá investimentos de 1,8 bilhão de dólares. "Em 2011 começaremos a construir. Será concluído no primeiro trimestre de 2013 para atingir produção plena ao longo do ano", disse o executivo.
De acordo com Penna, o governo da Bahia se comprometeu a construir ferrovias para ligar a mina a um porto, que também será construído pelo governo e ficará ao norte da cidade de Ilhéus.
O executivo afirmou que o minério na região tem 67 por cento de ferro, nível considerado alto pela indústria e, portanto, viável comercialmente. |