Ano II – nº 168 – Fortaleza/CE – edição: 19.07.2010 |
Aço: Vale deve reduzir a 40% fatia na Companhia Siderúrgica do Pecém
VALOR ECONÔMICO - A Vale, que anunciou na sexta-feira a entrada da sul-coreana Posco como sócia na Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará, deverá reduzir a 40% sua participação no empreendimento, de acordo com o presidente da mineradora brasileira, Roger Agnelli. Com a adesão da Posco, que assume fatia de 20% no projeto, a Vale passa a deter 50% do empreendimento e a outra sócia, a também coreana Dongkuk, fica com 30%. No médio prazo, entretanto, essa composição deve mudar novamente.
"A Dongkuk tem a opção de elevar a 40% sua participação", disse Agnelli. "Os coreanos serão majoritários. Não é o foco da Vale ser majoritária nesses empreendimentos (siderúrgicos)." O executivo não informou, contudo, se há prazo para exercício da opção.
Segundo Agnelli, a entrada do novo sócio demonstra o interesse dos investidores internacionais em projetos no Brasil. A participação da Posco é vista pela companhia brasileira como estratégica para o desenvolvimento do empreendimento.
A CSP será uma usina integrada, com capacidade de produção de 3 milhões de toneladas de placas de aço para exportação. Mais adiante, essa capacidade pode dobrar. A expectativa é de início de operação em 2014 e o investimento no projeto está estimado em US$ 4 bilhões.
No mesmo dia em que foi anunciada a entrada da Posco no empreendimento do Ceará, o conselho da empresa sul-coreana aprovou também o plano para comprar uma participação de 24,5% na mina de minério de ferro em Pilbara, no noroeste da Austrália.
A Posco vai investir cerca de US$ 160 milhões na aquisição do ativo, que está sendo desenvolvido pela American Metal and Coal International e Aquila, em joint venture com 50% de participação cada. A mina deve estar totalmente operacional em 2014, quando a produção deve alcançar 40 milhões de toneladas métricas ao ano. A Posco vai receber 9,8 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano.
Nos Estados Unidos, os recibos de ações (ADR, na sigla em inglês) da Vale, que operaram em queda ao longo do pregão regular de sexta-feira, mostraram movimentação atípica no "after market", para encerrar a US$ 24,34, com ganho de 15,41%. Segundo um operador, a alta teria sido provocada por um único negócio.
Além do anúncio sobre a Posco, que já era conhecido na manhã de sexta-feira, circularam informações no fim de semana sobre a existência de negociações por parte da Vale com vistas à obtenção de direitos para exploração de uma mina de manganês em Burkina Faso, cujas reservas estão estimadas em 20 milhões de toneladas métricas
EMPRESARIADO AVALIA
Nova sociedade sugere avanços à laminação
DIÁRIO DO NORDESTE (CARLOS EUGÊNIO) (17/07) - A definição da composição acionária da Siderúrgica de Pecém, com a aquisição de 20% das ações pela empresa de siderurgia coreana Posco, 30% da também coreana Dong Kuk e 50% da brasileira Vale gerou expectativas positivas em parte do empresariado cearense, ao mesmo tempo em que reascendeu o sonho de formação do polo metal-mecânico no Estado do Ceará. "A definição da Siderúrgica ascende a esperança da laminação, o que, no futuro, pode vir a viabilizar o polo metal-mecânico", almeja o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simec), Ricard Pereira.
Para o empresário, a entrada da Posco no negócio deve jogar "luz" no empreendimento, até então concentrado apenas na produção de placas de aço para exportação. Para ele, a nova composição societária foi estratégica, podendo contribuir muito para facilitar a distribuição, sobretudo na segunda etapa de produção da siderúrgica, tendo em vista a grande capilaridade de vendas da Posco.
Na primeira etapa, a produção será voltada totalmente à produção de placas à própria Dong Kuk. "A Posco tem maior visão de mercado e isso pode contribuir para uma mudança de mentalidade dos sócios, para que invistam também na laminação do aço", destaca Pereira, para quem a siderúrgica só se tornará interessante para o Ceará, a partir da produção de lâminas de aço e consequente formação do polo metal-mecânico. "Se depender da Dong Kuk, isso será muito difícil", critica.
Para o presidente da Fiec, Roberto Macêdo, a definição da sociedade é mais um passo à instalação da siderúrgica no Ceará. "Espero que o novo parceiro altere o cronograma de execução das obras, já atrasadas por um ano, que dê maior velocidade e que permita antecipar a conclusão do empreendimento", ressaltou Macêdo. |