Ano II – nº 154– Fortaleza/CE – edição: 22.06.2010 |
Produção mundial de aço mostra recuperação
VALOR ECONÔMICO - A produção mundial de aço continua em recuperação depois de fortemente afetada pela crise econômica mundial no primeiro semestre do ano passado. O World Steel informou ontem que o mundo produziu 124 milhões de toneladas de aço bruto em maio, 3% acima de abril e 30% a mais ante o mesmo mês de 2009. Nos primeiros cinco meses foram produzidas 589 milhões de toneladas de aço bruto ou 31% acima do acumulado de 2009. Em maio, a China participou com 45% de todo o aço produzido no planeta, ou 56 milhões de toneladas, e o Brasil com apenas 2%, ou 2,8 milhões de toneladas.
Para o analista Pedro Galdi, da SLW Corretora, apesar de as usinas chinesas continuarem sendo uma referência global de produção de aço, a sua participação relativa nas estatísticas do World Steel tende a cair, apesar de manter números grandiosos. Isso, porque outros países estão ampliando sua produção, como é o caso dos europeus e do Brasil, que em termos percentuais apresentaram os melhores índices de crescimento de 6% e 5,5% em maio ante abril. Os países europeus produziram 16,3 milhões de toneladas ante 15,4 milhões de toneladas em abril. O Brasil, segundo os dados do World Steel e do Instituto Aço Brasil (IABr), somou 2,9 milhões de toneladas ante 2,7 milhões de toneladas em abril.
Na base de comparação maio contra maio, a produção brasileira avançou 51% e a China só 21%. "Isso sinaliza que as usinas do Brasil estão retomando a atividade. O mesmo está acontecendo com os EUA, que produziram 7,2 milhões de toneladas de aço em maio ou 66% a mais em relação a maio de 2009 e a Europa, 55%." Galdi acredita, porém, que a atual trajetória das siderúrgicas europeias pode ser atropelada pelos pacotes de corte de gastos que estão sendo implementados. "A produção de aço da região deve crescer menos a partir de julho", diz.
No Brasil, porém, a previsão de Galdi é de que a recuperação vai continuar, principalmente no mercado doméstico, impulsionada pelas obras de infraestrutura e de construção civil. As importações do produto também vão avançar por causa da concorrência de preço internacional, apesar do avanço da produção nacional. Até maio o país acumulou 13,5 milhões de toneladas de aço produzidas e 2,2 milhões de toneladas de aço importadas. As vendas internas totalizaram 8,8 milhões de toneladas até maio e as exportações, 3,5 milhões de toneladas de aço.
ArcelorMittal vê crescimento de 10% na demanda global de aço
REUTERS - A ArcelorMittal, maior produtora mundial de aço, vê crescimento de 10 por cento na demanda global de aço este ano, afirmou seu presidente-executivo nesta terça-feira. "Ainda acredito que teremos crescimento de 10 por cento na demanda global de aço este ano", disse Lakshmi Mittal, presidente-executivo e presidente do conselho da ArcelorMittal, durante conferência na 25th Steel Success Strategies da American Metal Market.
Vale prepara plano para investir US$ 90 bilhões
A companhia quer focar seus investimentos no no minério de ferro, que sofre concorrência de mineradoras da Índia e da Austrália
AGENCIA ESTADO - A Vale prepara um plano de investimentos de US$ 90 bilhões para os próximos cinco anos - cerca de 70% no Brasil. Apesar das novas e pesadas apostas em fertilizantes e siderurgia, metade desse dinheiro, cerca de US$ 40 bilhões, será aplicada em novos projetos de minério de ferro.
O presidente da Vale, Roger Agnelli, não quis confirmar os números. Disse que eles não estão fechados, mas admitiu que podem ficar nesse patamar. E explicou porque o foco no minério de ferro neste momento é estratégico: "Precisamos investir em minério de forma rápida, porque as mineradoras da Austrália e da Índia estão se mexendo fortemente. Não queremos perder mercado para eles."
Maior mineradora de ferro do mundo, a Vale planeja aumentar sua produção de 300 milhões para 450 milhões de toneladas por ano até 2014. O objetivo é manter distância das australianas BHP e Rio Tinto, que tentam se unir numa joint venture com potencial para produzir mais de 350 milhões de toneladas de minério de ferro por ano - acima, portanto, do que a Vale faz hoje.
Embora a maior parte dos US$ 40 bilhões na área de minério de ferro venha a ser aplicada no Brasil, a Vale também tem planos no exterior. Foi o caso da compra do controle de uma mineradora na Guiné, anunciado no fim de abril, por US$ 2,5 bilhões. "A maior parte dos projetos já está decidida. Eles serão no Pará e em Minas Gerais e dependem da liberação de licenças ambientais", afirmou Agnelli. "São investimentos em minas de ferro e também em logística, como ferrovias e portos para transportar o produto."
De acordo com o presidente da Vale, os planos a princípio não incluem aquisições de novas minas. Segundo Agnelli, a febre pelo minério de ferro brasileiro atraiu o interesse de mineradoras da China, da Índia e do Canadá, que já compraram os melhores ativos disponíveis no País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
PE confirma interesse em estaleiro
VALOR ECONÔMICO - O governo de Pernambuco admitiu ontem o interesse na atração do Estaleiro Promar, que seria construído no Ceará, mas que acabou tendo de procurar um novo endereço. De acordo com a assessoria da Secretaria de Desenvolvimento de Pernambuco, já houve algumas conversas com a PJMR, dona do empreendimento, contudo, ainda não há nada fechado.
Vencedor da licitação para a construção de oito navios gaseiros da Transpetro, braço da Petrobras, o Promar seria instalado na praia do Titanzinho, em Fortaleza. A prefeitura da capital cearense, no entanto, vetou o local, alegando que a região tem grande potencial turístico.
O impasse gerou certo mal-estar entre a prefeita Luizianne Lins (PT) e o governador Cid Gomes (PSB). Diante da irredutibilidade da prefeitura, o governo passou meses tentando, sem sucesso, encontrar outro local para o estaleiro. Porém, com a proximidade do prazo estabelecido pela Transpetro para a entrega da documentação do projeto, como posse do terreno e licença ambiental prévia, o Ceará acabou descartado.
Com isso, outros Estados do Nordeste entraram na briga pelo empreendimento. Para o governo de Pernambuco, o projeto de tornar o Estado um "cluster" naval no país pode ser um diferencial competitivo. Atualmente, Pernambuco conta com um estaleiro operacional, o Atlântico Sul, e outros cinco já anunciados que, juntos, somam R$ 2 bilhões em investimentos.
CSA é só o começo da arrancada do Brasil, diz Lula
Durante a inauguração da siderúrgica, presidente afirma que o país estará entre as maiores economias do mundo em breve
EXAME.COM (MARCIO JULEBUNI) - Os cinco milhões de toneladas de aço que a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) produzirá por ano são apenas o começo da arrancada do Brasil rumo ao grupo das nações mais desenvolvidas do mundo, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, durante a cerimônia de inauguração da usina nesta sexta-feira (18/6), Lula afirmou que "acredito que os cinco milhões de toneladas são apenas para começar. Esse país, no mais tardar nos próximos dez anos, será a quinta ou quarta maior economia do mundo."
Em fim de mandato, Lula recorreu ao exemplo da CSA para fazer um balanço de seus oito anos de mandato - e mostrar como a confiança dos investidores cresceu nesse período. Segundo o presidente, "algumas pessoas não acreditavam que a CSA pudesse ser concluída". Para Lula, o projeto mostra que o país ficou mais sério sob seu governo e que, por isso, os contratos agora são cumpridos. "Por muito tempo, as pessoas acreditaram no jeitinho brasileiro, em assinar contrato e não cumprir."
Segundo Lula, a confiança dos investidores no Brasil aumento, à medida que a dívida externa foi paga. O presidente lembrou que, de devedor do Fundo Monetário Internacional (FMI), o país agora é credor. Destacou o salto das reservas internacionais - hoje, a sétima maior do planeta, com mais de 250 bilhões de dólares. A força da economia e das empresas brasileiras foi exemplificado por Lula com o fato de que a Vale aportou mais dinheiro na CSA, no momento em que a Thyssen não podia devido à crise mundial, para que o projeto não parasse. "Eu aprendi que a Thyssen só vai me respeitar se eu for sério", afirmou Lula.
PRIMEIRO TIME: Lula dividiu o mundo em dois grupos, atualmente: os que apostam na geração de emprego e renda, e os que precisam de ajustes fiscais. No primeiro time, estariam o Brasil, Rússia, Índia e China - o chamado Bric - e os Estados Unidos. No segundo, as nações européias. "Desde 1975, não havia investimento em infraestrutura no país", afirmou.
A expansão acelerada já leva diversos economistas a apontar os gargalos do Brasil. Um deles é a falta de mão-de-obra qualificada. Lula afirmou que ainda vai inaugurar duas universidades federais neste ano, e garantiu que não faltarão recursos humanos para sustentar a economia. "Queria dizer para a Thyssen que este país vai ter mão-de-obra qualificada como nunca teve antes na sua história."
PROJETO: A CSA é uma parceria da Vale (26,87% do capital) com a ThyssenKrupp, 18º maior grupo siderúrgico do mundo. Lançado em setembro de 2006, o projeto foi implantado em Santa Cruz (RJ), próximo ao porto de Sepetiba. A planta consumiu 5,2 bilhões de euros de investimentos - cerca de 8,2 bilhões de dólares. Foi o maior investimento no setor siderúrgico realizado nos últimos 15 anos no Brasil.
A CSA vai produzir 5 milhões de toneladas de aço por ano. Cerca de 40% desse volume será exportado. Além de ser o primeiro projeto greenfield de siderúrgica da qual a Vale participa, a mineradora também vai lucrar com um contrato exclusivo de fornecimento de minério de longo prazo. |