Ano II – nº 142 – Fortaleza/CE – edição: 27.05.2010 |
Metais: Complexo de laminação de chapas de alumínio em Pindamonhangaba crescerá para 600 mil toneladas
Novelis vai investir US$ 300 milhões em fábrica no Brasil
VALOR ECONÔMICO - A Novelis, antiga divisão de produtos laminados de alumínio da canadense Alcan que foi transformada em empresa independente em janeiro de 2005, acaba de aprovar seu maior investimento individual desde sua criação. A companhia vai aplicar US$ 300 milhões (mais de meio bilhão de reais) na expansão da capacidade de produção de seu complexo de laminação de Pindamonhangaba (SP). A empresa quer acompanhar o crescimento da demanda do mercado brasileiro e de outros países da América do Sul em embalagens para bebidas (latinhas), que tem crescido a taxas anuais de 10% nos últimos cinco anos.
"O objetivo desse investimento é garantir o suprimento no médio e longo prazo de chapas de alumínio para os fabricantes de latas na região", disse ao Valor o presidente da Novelis para a América do Sul, Alexandre Almeida. Os novos equipamentos da instalação de Pinda - hoje a única da América Latina e segunda maior das Américas - vão entrar em operação no fim de 2012. Com a expansão, a capacidada atual, de 400 mil toneladas de chapas laminadas por ano, vai aumentar 50%, passando para 600 mil toneladas.
No curto prazo - dois anos - com a capacidade atual, a empresa tem condições de atender seus clientes no país e na região, garantiu o executivo, de 46 anos, que assumiu o comando da empresa na América do Sul em agosto de 2008. Há seis anos na empresa, Almeida era diretor financeiro antes de ser promovido.
O mercado de latas de alumínio, conforme a Abralatas, entidade das fabricantes no país, atingiu 14,8 bilhões de unidades no ano passado, exibindo crescimento de quase 12%. No início deste ano, a demanda superaquecida por cerveja, refrigerante e sucos pegou as fabricantes de surpresa e começou a faltar latinhas. Rexam, Crown e Latapack-Ball anunciaram expansões e novas fábricas, mas até ficarem prontas terão de recorrer a importações. A previsão é buscar fora do país até 1,5 bilhão de unidades durante o ano. A CSN atua no Nordeste com latas feitas em aço.
Almeida explica que o último grande investimento na unidade de Pinda foi feito em 1999, quando passou de 120 mil para 280 mil toneladas de capacidade. "Isso permitiu o desenvolvimento da indústria de latas no país". Nos últimos anos, com desgargalamentos nas linhas de produção e melhorias de processo, o complexo foi ampliado em mais 40%. "O volume atual é suficiente para atender a produção de até 22 bilhões de latas ao ano", informou. Com novos planos, as fabricantes devem atingir 20 bilhões em 2011.
A expansão de Pinda envolve a instalação de um novo laminador a frio (o terceiro), um novo forno de fundição de placas de alumínio e um novo forno de pré-aquecimento para o laminador a quente de chapas. "Vamos ficar com um centro integrado e ainda mais moderno que hoje", diz.
Com essa expansão, Pinda se torna uma das maiores laminações de alumínio no mundo, similar à que a Novelis opera atualmente nos EUA, no Estado de Nova York. A empresa tem outras operações na Alemanha e Coreia do Sul.
Idealizado há três anos e formatado entre agosto de 2008 e março 2009, o investimento foi aprovado pelo conselho da Novelis anteontem. "A crise econômica mundial reduziu a demanda por laminados de alumínio, mesmo assim o projeto foi mantido", observou o executivo. Uma parte terá recursos próprios e a empresa vai buscar fontes de financiamento diversas para a obra, inclusive o BNDES.
Com receita de US$ 950 milhões e vendas de 340 mil toneladas de produtos laminados no Brasil no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2009, a Novelis, além de Pinda, que inclui uma instalação de reciclagem, também opera uma fábrica de folhas em Santo André (SP), duas de metal primário em Ouro Preto (MG) e Aratu (BA) e nove hidrelétricas em Minas Gerais.
Desde 2007, a Novelis pertence ao grupo indiano Hindalco Industries. Líder mundial em laminados de alumínio e em reciclagem de latas, com receita de US$ 10, 2 bilhões em 2009, a empresa atua em 11 países e tem capacidade de 3 milhões de toneladas de chapas. É a maior fornecedora global para embalagens e setor automotivo.
Mineradoras retomam valor de mercado de antes da crise
VALOR ECONÔMICO - A consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) divulgou ontem estudo intitulado "Mine, Back to the Boom", onde mostra que as 40 maiores mineradoras do mundo, lideradas pela australiana BHP Billiton, retomaram no fim do ano passado o valor de mercado que tinham em 2007, sinalizando rápida recuperação do setor após a crise iniciada em 2008. O fato, segundo o documento, aponta para o retorno de um otimismo prudente ao mercado, mas a consultoria não descarta a possibilidade de uma nova fase de "boom" nesse setor, conforme o relatório.
O valor de mercado da BHP Billiton saltou de US$ 110 bilhões em 2008 para US$ 200 bilhões, em 2009. Cerca de US$ 20 bilhões acima dos US$ 180 bilhões de 2007. O da Vale, que caiu para US$ 70 bilhões em 2008, retornou aos US$ 150 bilhões de 2007 no fim do ano passado.
O sócio da PwC, Tim Goldsmith, responsável global pelo setor de mineração na consultoria, acredita que as commodities minerais e metálicas podem estar vivendo uma fase próxima de um "boom", impulsionadas pela forte procura da China e outros países, no médio e longo prazos. Segundo ele, apesar das empresas terem divulgado queda nas receitas globais e no lucro líquido e reduzido o fluxo de caixa operacional (Lajida) em 2009, nenhuma das 40 mineradoras globais avaliadas no estudo estiveram sujeitas à falência.
As empresas de mineração estão vivendo um momento de otimismo, mas também de cautela por estarem saindo de uma crise global com ameaça de outra, desta vez na Europa. Para Ronaldo Valiño, sócio de mineração da PwC Brasil, atualmente o ítem número um da agenda dos executivos do setor de mineração, quase sem exceção, é a economia global.
"O que a pesquisa da PwC demonstra é que as empresas de mineração estão mais preparadas para enfrentar crises, mas também mais prudentes e têm um plano de longo prazo para os próximos anos", destaca. "O principal executivo de uma empresa está mais focado hoje em fatores macroeconômicos, como taxas de câmbio, custo de energia, e impactos das ações governamentais em relação a taxas de juros e regimes fiscais", avalia.
A hipótese de os governos que enfrentam déficit de orçamento "olharem para a indústria da mineração como uma fonte extra de tributação também está tirando o sono dos executivos das grandes companhias globais de minério". O governo australiano, por exemplo, anunciou recentemente o "Resources Super Profits Tax" e aumentou os royalties sobre o setor. O que explica a preferência das mineradoras pela agenda política, incluindo aí tributação e propriedade soberana.
Mesmo num mercado aquecido, com preços em alta do minério, Ronaldo Valiño não acredita que em 2010 ocorra aquisição de ativos de alto valor no setor de mineração, pois as empresas estão priorizando investimentos em projetos orgânicos. "As aquisições serão pontuais, caso surjam boas oportunidades, algumas perdidas em 2009. As grandes empresas de mineração estão agora de olho na diversificação de seus portfólios para reduzir o custo da oscilação de algumas commodities. Esta é a tendência atual", avaliou Valiño.
No ano passado, não foram efetuadas transações significativas no setor, como destaca o estudo da PwC. Por conta da crise, as mineradoras priorizaram proteger seus caixas vendendo ativos não estratégicos para pagar dívidas e reduzindo custos. As aquisições se concentraram em ativos de pequeno e médio porte e diversificados. Segundo o sócio de mineração da PwC Brasil, a diversificação de portfólio das mineradoras cresceu 7% no ano passado.
Commodities: Financiamento permitiria a governo boliviano explorar mina de Mutún
China oferece US$ 15 bi por projeto de minério de ferro, diz Bolívia
VALOR ECONÔMICO - A China ofereceu à Bolívia um financiamento de US$ 15 bilhões para explorar parte da jazida de ferro de Mutún, localizada na fronteira com o Brasil. Os recursos seriam empregados na metade da jazida que pertence ao Estado boliviano. A outra metade da reserva foi concedida em 2007 à mineradora indiana Jindal, que ainda não começou a operar por conta de desavenças com La Paz.
Segundo o presidente da estatal Empresa Siderúrgica del Mutún (ESM), Sergio Alandia, o empréstimo viria do Banco de Desenvolvimento da China. Ele disse que Pequim também considera a possibilidade se tornar sócia em uma futura empresa mista que seria criada para explorar a reserva. A empresa chinesa Chung Hsing Mining seria a parceira da Bolívia.
As declarações de Alandia foram publicadas na edição de ontem do jornal boliviano "La Razón" e foram feitas numa reunião ocorrida na sexta-feira com membros do legislativo de Santa Cruz, Estado onde está a reserva de Mutún.
O executivo boliviano afirmou, segundo o jornal, que a Chung Hsing está disposta a participar de um eventual projeto na Bolívia, mas somente se estudos de prospecção confirmarem as estimativas de que há na área de Mutún tem uma quantidade e um tipo de minério que valha o investimento.
Se o resultado for positivo, disse Alandia, segundo o jornal, "o Banco de Desenvolvimento da República Popular da China nos dá US$ 15 bilhões para tudo o que queiramos: linha de trem, planta de eletricidade, [infraestrutura em] Puerto Busch, tudo o que necessitemos para lá". E acrescentou: "Se os estudos pagos por eles não mostrarem um mineral interessante, encerramos as conversas".
Puerto Busch é o porto fluvial que precisa ser ampliado para servir de ponto de escoamento da produção de Mutún pela hidrovia do rios Paraguay-Paraná.
O jornal diz que 40% de um eventual investimento chinês poderia ser pago pela Bolívia em dinheiro e 60%, em ferro. Maior comprador mundial de minério de ferro do mundo, a China tem frequentes disputas com as grandes mineradoras em razão dos preços da commoditie. Caso venha a investir em Mutún, o governo chinês teria acesso direto a uma das maiores reservas do minério do mundo.
Segundo o US Geological Survey deste ano, Mutún tem reservas estimadas de minério de ferro de 4 bilhões de toneladas. A jazida brasileira de Casa de Pedra, em Minas Gerais, tem 3,5 bilhões de toneladas. Carajás, no Pará, tem 16 bilhões de toneladas.
O presidente da estatal boliviana disse também que, além da China, outras empresas estrangeiras já se disseram interessadas em formar investir na metade de Mutún controlada pelo Estado: entre elas a coreana Hyundai, uma empresa japonesa e outra russa, cujos nomes Alandia não revelou. Inicialmente, a brasileira MMX queria participar da licitação, mas ficou fora do páreo.
O governo Morales tem feito críticas à Jindal por ela não ter começado a fazer os investimentos prometidos. Em abril, o governo executou garantias de US$ 18 milhões por causa do atraso nos investimentos. O plano da empresa indiana é investir US$ 2,1 bilhões na sua parte de Mutún. Mas reclama que o governo não cumpriu totalmente sua parte e ainda não legalizou o uso de parte das terras da jazida que a empresa diz precisar para dar início aos trabalhos.
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