Ano II – nº 138 – Fortaleza/CE – edição: 20.05.2010 |
Produção de aço bruto no Brasil sobe 56,6% em abril
REUTERS (ALBERTO ALERIGI JR) - A produção siderúrgica do Brasil saltou 56,6 por cento em abril na comparação com o mesmo período do ano passado, para 2,7 milhões de toneladas, informou nesta terça-feira o Instituto Aço Brasil (IABr). Enquanto isso, o volume vendido no país saltou 48,3 por cento, para 1,8 milhão de toneladas, na mesma base de comparação.
Apesar da alta sobre 2009, que atravessou forte crise com queda acentuada na demanda, a produção apresentou recuo de 4,3 por cento ante março.
No acumulado dos quatro primeiros meses, o setor registra um crescimento de 58,6 por cento na produção de aço bruto, para 10,7 milhões de toneladas.
Um dos segmentos mais afetados pela crise, o de placas, teve salto de 76,7 por cento na produção na comparação anual e de 49,1 por cento no quadrimestre, segundo os dados do IABr. O produto é usado em aplicações pesadas, como indústria naval e de petróleo.
Em termos de vendas em volume, a indústria siderúrgica nacional acumulou 6,816 milhões de toneladas nos primeiros quatro meses do ano, um aumento de 58,2 por cento na comparação anual.
O segmento de laminados planos teve vendas 47,8 por cento maiores em abril sobre igual mês de 2009, para 993,7 mil toneladas, enquanto de janeiro a abril foram comercializadas 3,8 milhões de toneladas, crescimento de 64,6 por cento.
O IABr prevê uma produção de aço em 2010 de 33 milhões de toneladas, cerca de 25 por cento acima do volume de 2009, quando o setor produziu 26,5 milhões de toneladas. Com relação às vendas no mercado doméstico, a previsão é de crescimento de 25 por cento, para 20,43 milhões de toneladas.
Usiminas e CSN são as maiores beneficiadas pela economia, diz Brascan
Produção e vendas do setor siderúrgico, no mercado interno, melhoram em abril
PORTAL EXAME.COM (BEATRIZ OLIVON) - As boas perspectivas da demanda interna de aço devem favorecer, sobretudo, a Usiminas e a CSN. A avaliação é da corretora Brascan. Em relatório assinado pelos analistas Rodrigo Ferraz e Pedro Montenegro, a instituição afirma que estas são as companhias "com maior exposição ao mercado interno". Os comentários basearam-se nos dados de produção e vendas do setor siderúrgica em abril, divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr).
Como abril teve menos dias úteis que março, os resultados mostram altas de 10% para a produção de aço bruto e de 11% nas vendas internas de laminados, em relação ao mês anterior, segundo a Brascan. O melhor desempenho no segmento de laminados longos, tanto na produção quanto nas vendas internas, devem favorecer também os números da Gerdau no Brasil, dizem os analistas.
As importações de aços planos, no mês passado, registraram uma diminuição de 16% em relação a março. A queda já era esperada pelo setor, segundo a Brascan, tendo em vista os expressivos aumentos nos preços internacionais desde o início do ano e a queda do prêmio verificado no produto do mercado interno sobre os importados.
O setor tem boas perspectivas para os próximos anos, em decorrência da Copa do Mundo, das Olimpíadas, dos investimentos programados para infra-estrutura, do déficit habitacional brasileiro e da alta demanda proveniente da expansão do setor de óleo e gás.
BALANÇOS
A CSN anunciou, no primeiro trimestre, um aumento de 31% no lucro líquido da empresa, que atingiu 482 milhões de reais. A crescente demanda do mercado nacional e a recuperação dos Estados Unidos foram responsáveis pelo aumento, segundo a companhia. O ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de 1,3 bilhão de reais de janeiro a março, 91% superior aos 683 milhões de reais no mesmo período de 2009.
Já a Usiminas fechou os três primeiros meses de 2010 com lucro líquido de 309 milhões de reais. No primeiro trimestre do ano passado, a empresa havia registrado um prejuízo de 112 milhões de reais. A geração de caixa medida pelo ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou 717 milhões de reais, 116% acima dos 332 milhões de um ano antes.
Receoso com crise na Europa, mercado ainda prevê nova alta do minério
VALOR ECONÔMICO - As expectativas do mercado de mineração e siderurgia em relação ao reajuste do minério de ferro da Vale, a vigorar no terceiro trimestre deste ano, giram em torno de um reajuste na faixa de 30% para a tonelada FOB do produto, segundo fontes do setor mínero-metalúrgico. A crise europeia, porém, está gerando uma incerteza em relação a capacidade das siderúrgicas de absorverem esses aumentos e o repassarem a seus clientes, o que pode levar o minério a não manter sua trajetória de alta no ultimo trimestre do ano, avaliam os interlocutores do setor. Apesar das dúvidas, a siderúrgica japonesa Nippon Steel acaba de fechar um contrato de reajustes semestrais do aço com a Toyota Motor, segundo o jornal japonês "Nikkei".
Um relatório do banco Credit Suisse divulgado ontem trabalha com alta de 37% para o minério no terceiro trimestre. Os analistas de mineração do banco suíço, Ivan Fadel, Bruno Savaris e Luiz Macedo, calculam um valor de US$ 145 para a tonelada FOB do minério de ferro para o período julho a setembro, o que configura tal aumento sobre o preço de US$ 105 que consideram ter sido fechado pela Vale com seus clientes no segundo trimestre, levando em conta descontos.
A conta do banco foi feita para o minério do tipo standard sinter feed de Tubarão (SSFT), com teor de ferro de 65%, baseada na nova fórmula de precificação trimestral do minério divulgada pela Vale para sua clientela em março. A referência para o preço médio do 'spot' chinês, de março a maio, fundamental para calcular o preço FOB trimestral, foi de US$ 160 a tonelada. O valor foi divulgado pela publicação "Metal Bulletin", com base base em notificação feita pela Vale à chinesa Wuhan.
No cenário desenhado pelo banco, apesar do "spot" chinês ter cedido para US$ 156 a tonelada, a cotação de ontem no mercado, depois de bater máxima de US$ 186, o mercado continua apertado. De acordo com os modelos de oferta e demanda do Credit Suisse o mercado transoceânico de minério está trabalhando em 2010 com 98% de sua capacidade, de 1,03 bilhão de toneladas, ante capacidade total de 1,06 bilhão de toneladas.
A projeção de produção de aço na China em 2010 é de 620 milhões e 728 milhões de toneladas no resto do mundo - total de 1,3 milhão de toneladas. São projeções consideradas "conservadoras", pois entre janeiro e abril o país produziu aço num ritmo de 650 milhões de toneladas/ano.
A grande dúvida do mercado, porém, é se as siderúrgicas vão conseguir implantar um sistema de reajustes trimestrais com seus clientes, como ocorreu com o minério de ferro e o carvão, suas principais matérias-primas. O acerto da Nippon Steel com a Toyota ficou em torno de alta de 20%, a partir de abril. Outras siderúrgicas, como JFE Steel, pretendem propor um mecanismo de reajustes de preços trimestrais para os consumidores de seus produtos, seguindo a trajetória das suas matérias-primas.
A crise economica que sacode a Europa e mesmo os EUA, porém, está gerando dúvidas nos investidores sobre o sucesso desse novo esquema, segundo interlocutores do setor mínero-metalúrgico. Há dúvidas sobre a continuidade da trajetória de alta do minério no último trimestre desse ano, segundo os interlocutores do setor.
Apesar do cenário otimista para o minério, por conta da demanda da China, o risco da economia europeia, acossada pela crise da dívida de alguns países e o aperto monetário na China, tem gerado algum estresse no mercado, o qual vem se refletindo no comportamento das ações das mineradoras. Outro fator que pode mexer com esses papéis é a recente proposta do governo australiano de elevar impostos sobre minerais. O fato poderia ter um efeito dominó sobre os governos de outros países produtores, como o Brasil.
Siderúrgicas japonesas aprovam alta de 90% do minério
REUTERS - As usinas produtoras de aço do Japão aceitaram formalmente uma alta de quase 100 por cento no preço do minério de ferro para o período de abril a junho, disse uma fonte à Reuters, nesta quinta-feira.
Nippon Steel, JFE Holdings e Sumitomo Metal Industries anunciaram no fim de março que fecharam um acordo inicial com a Vale que previa preços por tonelada de 100 a 110 dólares, uma alta de 90 por cento. Na ocasião, as siderúrgicas informaram que ainda negociavam com as mineradoras australianas BHP Billiton e Rio Tinto, afirmou a fonte.
Com o acordo formal, o preço do minério de ferro do Brasil para os três meses que se encerram em junho, que corresponde ao primeiro trimestre fiscal no Japão, é estimado em 110 dólares a tonelada ante 55 dólares um ano antes. O preço do minério australiano é de cerca de 120 dólares frente nível de 60 dólares no ano anterior.
A fonte afirmou que os preços podem variar levemente de empresa para empresa e que há possibilidade de que nem todas as companhias tenham aceitado o acordo
Vale fecha acordo para dobrar preços no Japão
AGENCIA ESTADO (CLARISSA MANGUEIRA) - A brasileira Vale e a anglo-australiana Rio Tinto fecharam um acordo oficial com as principais siderúrgicas do Japão que vai praticamente dobrar os preços do minério de ferro no período de abril a junho em comparação com o mesmo período do ano passado, disse a agência de notícias japonesa Nikkei. Após o acordo, os preços do pó do minério de ferro, utilizado em forno de cuba, foram fixados em cerca de US$ 110 por tonelada para o pó de minério de ferro brasileiro e cerca de US$ 120 por tonelada para o pó de minério de ferro da Austrália.
Para o período de julho a setembro é esperada uma alta entre 30% e 40% nos preços. O rápido aumento dos valores das matérias-primas poderá provavelmente afetar os lucros das siderúrgicas e aumentar os preços do aço. A Associação de Ferro e Aço da China (Cisa, na sigla em inglês) se recusou a comentar a notícia. Os porta-vozes das principais siderúrgicas chinesas, entre elas a Baosteel, Wuhan Iron & Steel Group e Sinosteel Group, também não quiseram falar sobre o acordo noticiado pela Nikkei.
Um funcionário da Baosteel disse que não esperava ver esse tipo de acordo "oficial" entre as siderúrgicas chinesas e mineradoras globais neste ano. Em 2009, as negociações do minério de ferro fracassaram, depois que a Cisa insistiu em um desconto maior em relação ao acordo fechado entre as siderúrgicas japonesas e coreanas e as mineradoras globais.
Um funcionário responsável pelas importações de minério de ferro em uma importante siderúrgica na China disse que as fabricantes chinesas de aço precisam de um acordo "oficial", a fim de estabelecer taxas para que a Alfândega faça a liquidação financeira dos contratos. As informações são da Dow Jones
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