Notícia

 

Ano II – nº 136 – Fortaleza/CE – edição: 18.05.2010

 

Siderurgia:  Consumo de aço inox no mercado brasileiro projeta alta de 8% no ano

 

VALOR ECONÔMICO - A retomada do crescimento econômico está levando a indústria de aço inox de volta aos níveis pré-crise. No Brasil, o consumo aparente do produto, que inclui vendas internas mais importações, deve crescer 8% em 2010 comparado com o ano passado, previu ontem Paulo Magalhães, presidente da ArcelorMittal Inox Brasil. A estimativa considera que o consumo de inox plano vai retornar aos níveis de 2008, quando o consumo aparente do produto no país ficou em 315 mil toneladas. Em 2009, como resultado da crise, o volume caiu para 240 mil toneladas, redução de 23,8%.

Os números do primeiro trimestre de 2010 confirmam a retomada no consumo de aço inox, que está sendo puxado pelos fabricantes de linha branca e pela indústria automotiva, disse Magalhães. Ele também citou o setor de bens de capital, cuja recuperação ainda deve se intensificar. Informou que a ArcelorMittal Inox está operando com um nível de ocupação de 90%-95% ante um percentual de 70% de 2009.

Apesar dos sinais de melhoria do mercado, Magalhães descartou que a empresa pense em aumentar a capacidade instalada no país. "O mercado (brasileiro) não comporta uma nova unidade (de aço inox)", disse o executivo. Ele participou, no Rio, do Fórum Internacional de Aço Inox (ISSF, na sigla em inglês). Ele disse que a subsidiária tem participação de 75% a 80% no mercado brasileiro de inoxidável. O restante é importado. E cerca de 30% da produção da usina da empresa, em Timóteo (MG), é exportada, sobretudo para países da América Latina.

No resto do mundo, a demanda por aço inox também está voltando a crescer. O ISSF projeta que a produção mundial de inox vai retornar os níveis normais de produção nos próximos trimestres de 2010 e 2011. Para 2010, a entidade prevê um crescimento entre 11% e 12% na produção de aço inoxidável no mundo.

Os dados do ISSF mostram que a produção mundial de inox atingiu 7,47 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2010, alta de 11,5% sobre o último trimestre de 2009. É o volume mais alto para um primeiro trimestre na história, disse Pascal Payet-Gaspard, secretário-geral do ISSF. A região das Américas foi a que mais contribuiu para esse crescimento: exibiu alta de 57,5% no período.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2009, o crescimento na produção mundial de aço inox foi ainda maior, de 54,6%. Mas como a base de comparação é baixa, a tendência é que não seja possível manter em 2010 o mesmo nível de expansão registrado no primeiro trimestre, disse Gaspard. A projeção da entidade se apoia em diversos fatores. Um deles é que a produção do primeiro trimestre de 2009 foi a menor em uma década como resultado dos efeitos da recessão global, que foi seguida por forte desestocagem.

O ISSF lembra que a economia global começou a se recuperar na segunda metade de 2009, o que levou a um aumento do consumo de aço inox pelas indústrias manufatureiras, caso do setor automotivo. O Fórum Internacional do Aço Inox também informa que após uma forte desestocagem em 2009 melhores condições de mercado devem encorajar fabricantes e acionistas de empresas produtoras de inox a repor estoques.

Mercado: Percentual de embalagens usadas para bebidas não tradicionais mais que dobra em 12 anos

'Latinhas' e 'latões' elevam participação

 

VALOR ECONÔMICO - Com um mercado que cresceu 11,7% em 2009, as empresas fabricantes de latas de alumínio para bebidas instaladas no Brasil planejam grandes investimentos em 2010, para atender à crescente demanda. Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), Renault Castro, no total, o setor investirá cerca de R$ 700 milhões na instalação de novas fábricas e na ampliação de algumas já existentes. Com isso, a capacidade de produção passará de 16,8 para 24,1 bilhões de latinhas por ano até o primeiro trimestre de 2011. Nos investimentos também estão incluídos os gastos no desenvolvimento de novas tecnologias e formatos de latas.

Castro atribui o crescimento de 60% que o setor registrou entre 2003 e 2009 a dois fatores principais. "O primeiro é o reflexo do crescimento da economia do país, que gerou empregos e consequentemente massa salarial e renda, o que, por sua vez, aumentou o consumo de bebidas", explica. "O segundo é a chamada Lei Seca, que fez com que as pessoas passassem a consumir mais cerveja em casa, ou seja, comprando em supermercado, que é o maior canal de distribuição da lata. Com isso, aumentou a participação desse tipo de embalagem na venda de cervejas, passando de 28% do mercado há cinco anos para 36% em 2010."

Parte desse crescimento também pode ser atribuído às vantagens das latas em relação a outros tipos de embalagens, como as feitas de vidro e PET (plástico). "Elas são leves, compactas, resistentes, inquebráveis e mais fáceis de ser transportadas", diz Renato Estevão, diretor comercial da Rexam para a América do Sul, uma das maiores fabricantes do mundo e líder do setor no continente, com 10 fábricas no Brasil e uma no Chile. Juntas, elas produzem 11,5 bilhões de latas por ano e detêm 60% do mercado da região.

"A embalagem de alumínio também é mais sustentável e com o maior índice de reciclagem que existe." Segundo Estevão, "do ponto de vista do cliente, a indústria de bebida, a lata se apresenta como altamente eficiente, seja no processo de envase, na distribuição para os pontos de venda ou na rápida resposta a flutuações de demandas não projetadas."

Os consumidores também têm sido atraídos por novos tipos de latas, usadas para envasar outros produtos além da cerveja, como sucos, mates, energéticos e até vinhos, espumantes e conhaque. "Os novos formatos têm tido crescimento excepcional no Brasil", diz Castro. "As vendas de latas 'sleek' (270 ml), por exemplo, cresceram 617% de 2008 a 2009, passando de 54 mil para 390 mil. No caso do chamado "latão" (473 ml), que tirou mercado das garrafas tradicionais de cerveja (600 ml), as vendas passaram de 656 mil para 1,147 milhão de unidades, o que representa um crescimento de 75%."

Apesar do percentual de latas usadas para outras bebidas ter mais que dobrado entre 1997 e 2010, ele ainda é pequeno: passou de 1,6% para 3,4%. O grosso da produção continua sendo utilizado no envase de cerveja, tendo passado 70,2% para 74,4% no mesmo período, e refrigerantes, cujo índice caiu de 28,1% para 22%.

De olho nessa tendência, as empresas têm diversificado a oferta de novos tipos de lata. A Rexam, por exemplo, tem atualmente em seu portfólio seis formatos, cinco dos quais produzidos no Brasil: a tradicional (350 ml), a pequena (250 ml); o popular "latão" (473 ml), além de dois tipos de lata sleek, de 270 ml e ou 310 ml. Essas duas foram lançadas recentemente, a primeira em novembro de 2008 e a segunda em maio do ano passado. Ambas são fabricadas na unidade de Jacareí, interior de São Paulo, especializada na produção de latas de tamanhos e formatos diferenciados.

Além dos novos tipos, a empresa também investe no desenvolvimento e utilização de novas tecnologias para impressão de rótulos. Entre as já lançadas pela Rexam na América do Sul estão a Illustration Impact, que permite impressão com qualidade fotográfica em toda a área externa da embalagem.

"Também investimos em tintas especiais para rótulos", diz Estevão. "Entre elas, estão as chamadas termocrômicas, que mudam de cor quando a bebida atinge a temperatura ideal para consumo."

A Crown Embalagens, uma joint venture entre a americana Crown Brasil e a brasileira Petropar, fabrica apenas dois tipos de latas, a 350 mil e o latão de 473 ml, mas não pode se queixar da demanda. Para atendê-la a empresa, que possui duas fábricas no Brasil, colocando no mercado 3,5 bilhões de unidades por ano, vai investir US$ 170 milhões até o primeiro trimestre do ano que vem na instalação de três novas de linhas de produção. O presidente da empresa, Rinaldo Lopes, afirma que, somadas, vão aumentar a capacidade para 6,5 bilhões de unidades por ano.

Emissão de resíduos é menor

VALOR ECONÔMICO - Dentre as embalagens de refrigerante mais usadas, a lata é a que causa menor impacto ambiental. A conclusão é da engenheira química Renata Bachmann Guimarães Valt, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que avaliou o ciclo de produção de embalagens de vidro, de plástico (PET) e de alumínio, coletando dados ambientais de vários Estados brasileiros.

Ela realizou a pesquisa, entre 2002 e 2004, para sua dissertação mestrado. "O objetivo era usar a técnica da análise do ciclo de vida em um produto que fosse muito consumido pela população", explica a pesquisadora. "Por isso a escolha do refrigerante e a comparação entre as três embalagens mais utilizadas no Brasil. Depois, fiz uma atualização com as taxas de reciclagem de 2005/2006."

Ela analisou dados referentes ao consumo de recursos naturais (entre eles matérias-primas, água e energia) e a emissão de resíduos (sólidos, líquidos e atmosféricos) da produção das embalagens. "A lata de alumínio é a que impacta menos, devido a sua alta taxa de reaproveitamento", revela Renata. "Além disso, emite menos resíduos sólidos e líquidos que as outras embalagens para o mesmo volume fabricado de refrigerante."

A pesquisa mostrou que a embalagem que mais causa impactos ao meio ambiente, por causa da grande emissão atmosférica de seu processo de produção e menor taxa de reciclagem, é a PET. A fabricação de uma garrafa desse material consome 4,5 vezes mais recursos naturais que a produção de uma lata de alumínio e 3,7 vezes mais que uma garrafa de vidro.

Reciclagem de aluminio: Investidor aguarda estabilidade antes de voltar a construir

Futuro do mercado de recuperação é promissor

 

VALOR ECONÔMICO - O mercado de reciclagem de alumínio está em compasso de espera. Esta é a análise do consultor-sênior do Grupo CRU (CRU Group), Massimo Rossi. Ele será um dos principais expositores da Expoalumínio, conferência internacional do setor de reciclagem do metal, que começa hoje em São Paulo. Baseado em Londres, o centro nervoso do comércio mundial de metais, Rossi acha que novos investimentos no reaproveitamento do alumínio dependem de uma estabilidade maior no cenário econômico.

Em São Paulo, o consultor falará exatamente sobre a relação entre as bolsas de metais e o mercado de alumínio secundário. O preço das commodities vem se recuperando por uma série de fatores, explica. Uma substancial melhora nos fundamentos econômicos ajudou na elevação dos preços. Além disso, a volta do crédito barato permitiu a fornecedores negociar contratos de longo prazo e estocar suas margens de produção de forma a não inundar o mercado, aproveitando a demanda aquecida.

"Preços elevados vão definitivamente levar pessoas a reciclar mais metais. No entanto, como as decisões de investimento são feitas para um período longo de tempo, eu acho que investidores vão esperar para ver uma economia mais estável antes de se comprometerem com a construção de novas plantas", aponta.

Olhando para o futuro, Rossi não tem dúvidas de que o mercado de reciclagem de alumínio é bastante promissor. Em sua opinião, a principal questão é a alta intensidade energética por trás da produção do alumínio primário. Por conta de razões ambientais e da percepção de que o futuro será escasso em energia, ele julga que os preços do alumínio vão subir ao longo do tempo. "Isso é uma boa notícia para a reciclagem. Na verdade, para o produtor de alumínio secundário é necessária apenas uma pequena fração da energia do que se usa para produzir o metal primário", diz o consultor.

O Brasil, sem dúvida, está em posição de despontar como líder na reciclagem de alumínio. A verdade é que já está na frente quando se trata do setor de bebidas, onde a taxa de reciclagem está na faixa do 90%. Os resultados são "fantásticos", nas palavras de Rossi, se pensarmos que nos EUA o mesmo setor recicla 50%, e no Reino Unido, 42%. Essa alta taxa de recuperação do alumínio, ele explica, ocorre em grande parte pela existência de maior infraestrutura para reciclagem nos países em desenvolvimento do que em nações ricas. "Isso significa que as pessoas são economicamente incentivadas a reciclar, para aumentar a renda."

Mesmo com o bom cenário para o alumínio reciclado, o consultor vai analisar, durante sua palestra, as influências do mercado "mainstream" de metais sobre a atividade de recuperação. Ele conta que existem fatores próprios do mercado de sucata e sobras, mas que, olhando de forma geral, o mercado secundário é uma alternativa mais barata para as aplicações do metal primário. Assim, o preço da sucata e dos lingotes secundários tendem a se mover de acordo com as mudanças do alumínio primário. O que determina, portanto, a escolha entre um produto e outro é a distância entre a média de preços. Essa influência indireta ficou clara em 2008: com o colapso no preço das commodities metálicas, a coleta e recuperação foram reduzidas.

Os maiores setores em termos de consumo de alumínio são também aqueles que mais reciclam. Os segmentos de transporte e construção civil representam, em média, cerca de 29% e 21% do consumo global de alumínio. Em terceiro lugar, está o setor de embalagens e as aplicações para os bens de consumo duráveis, com cerca de 6% da demanda. Para aumentar a reciclagem, é preciso lidar com produtos complexos, o que eleva a dificuldade. Em alguns produtos é preciso segregar o alumínio de outros materiais, limitando as taxas de reciclagem, afirma.

Além disso, deve-se pensar sobre a durabilidade do produto. O setor automotivo, onde o metal é apenas recuperado após o ciclo de vida do produto, uma grande quantidade de alumínio é reciclada e volta para a linha de produção para a fabricação de autopeças.


 

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