Notícia

 

Ano II – nº 134 – Fortaleza/CE – edição: 07.05.2010

 

Siderurgia: Empresa anunciou lucro de R$ 573 milhões e vendas de R$ 7,1 bilhões no primeiro trimestre.

Gerdau eleva preços para compensar alta de matérias-primas
VALOR ECONÔMICO - O grupo Gerdau já começou a revisar os preços do aço para compensar as altas dos custos das matérias-primas. Os reajustes serão aplicados no Brasil e no exterior e vão variar de acordo com o tipo de produto, a região, o nível de concorrência no segmento e a pressão de cada insumo, disse ontem o diretor-presidente da companhia, André Gerdau Johannpeter. Ele não especificou os percentuais nem a partir de quando as novas tabelas serão adotadas, mas lembrou que o último reajuste foi aplicado há um ano e meio.
O aumento dos preços foi divulgado junto com o resultado do primeiro trimestre, quando o conglomerado siderúrgico obteve lucro líquido consolidado de R$ 573 milhões, ante R$ 35 milhões no mesmo período de 2009, e receita líquida consolidada de R$ 7,1 bilhões, com alta de 2%. Com o melhor desempenho, puxado pela recuperação dos mercados brasileiro e americano, as vendas físicas do grupo cresceram 32% no período, para 4,1 milhões de toneladas.

 

 

    
No fim de fevereiro, durante a apresentação do balanço de 2009, Johannpeter havia dito que o grupo não pensava em reajustar os preços do aço. "Nossa posição era gerenciar o aumento dos custos naquele momento, mas não temos mais como absorver todos os impactos dos aumentos das matérias-primas", disse ontem o executivo. De acordo com ele, a empresa está em processo de "comunicação" dos aumentos aos clientes.
Para o analista Rafael Weber, da corretora Geração Futuro, a Gerdau teria necessidade de um reajuste de 10% nos aços longos para absorver a alta estimada de 50% a 60% para o carvão mineral no meio do ano, mais o aumento acumulado no ano de cerca de 30% no ferro-gusa. Mesmo assim, ele acredita que a elevação ficará entre 7% e 8%, devido à concorrência do aço importado, e será aplicada no fim de junho ou no início de julho.
Já o minério de ferro, que foi recentemente corrigido em cerca de 90% pelas mineradoras, é usado principalmente na Açominas, que representa 18% da capacidade instalada do grupo de 25 milhões de toneladas anuais. Conforme Johannpeter, um dos investimentos do programa de R$ 9,5 bilhões já anunciado para o ciclo 2010-2014 é a ampliação da produção própria de minério das atuais 2,7 milhões para 6,6 milhões de toneladas por ano até 2012, com aportes de R$ 352 milhões no período.
O volume será suficiente para suprir 100% das necessidades da Açominas, que responde por cerca de 85% do consumo de minério de ferro do grupo. Segundo o vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores, Osvaldo Schirmer, o aumento da produção própria vai proteger a empresa contra a volatilidade dos preços do minério, depois que as mineradoras substituíram os contratos anuais por reajustes trimestrais do insumo.
Os investimentos já definidos incluem ainda a instalação, na Açominas, de um laminador de chapas grossas de R$ 1,75 bilhão e com capacidade de 1 milhão de toneladas por ano em 2102, além da ampliação do laminador de perfis estruturais de 540 mil para 700 mil toneladas ano a partir de 2011, por mais R$ 100 milhões. Também fazem parte do pacote um laminador de aços especiais e vergalhões na joint venture com o grupo Kalyani na Índia, em 2011, e a substituição dos fornos elétricos na usina do Peru, em junho deste ano.
Ainda no primeiro semestre deste ano devem entrar em operação as hidrelétricas Caçu e Barra dos Coqueiros, em Goiás, com capacidade instalada total de 155 megawatts (MW). Os investimentos nas duas usinas somam R$ 632 milhões, sendo que os últimos R$ 57 milhões alocados para o projeto serão desembolsados em 2010.

Grupo prepara plano adicional de investimentos
VALOR ECONÔMICO - O cenário mais favorável de vendas neste ano levou o grupo Gerdau a estudar um novo plano de investimentos, adicional ao programa de R$ 9,5 bilhões já anunciado para o ciclo 2010-2014.
O novo pacote inclui a instalação de um laminador de rolos no Brasil, o aumento da capacidade de produção de aços especiais no país e nos Estados Unidos e a expansão das unidades de corte e dobra de aço para construção.
Segundo o diretor-presidente da companhia, André Gerdau Johannpeter, a ideia é aprovar os projetos neste ano e o montante de aportes necessários ainda não está definido.
Conforme o executivo, que apresentou ontem o balanço da companhia no primeiro trimestre do ano, "a possibilidade ou não" da participação do grupo no consórcio vencedor da licitação para a construção da hidrelétrica de Belo Monte só será definida mediante acesso a "mais informações" sobre o projeto.
Ele disse que a Gerdau está "acompanhando" o processo, mas ainda não tem uma "posição concreta" a respeito. As ações da Gerdau caíram ontem 0,95%, para R$ 26,85, enquanto o Ibovespa recuou 2,31%.

CE recebe fábrica de tubos de aço

De origem paulista, a empresa é especializada na produção de tubos de aço com diâmetros de 40 cm a três metros

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Tubos de aço da Hydrostec são os primeiros a serem produzidos de forma automatizada no Nordeste                                                                                                       TUNO VIEIRA
Enquanto luta para conseguir o licenciamento ambiental definitivo para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), o governo do Estado segue atraindo e incentivando a instalação de novos empreendimentos na área. Ontem, o governador Cid Gomes participou da inauguração de mais uma indústria, a Hydrostec, que será responsável pelo fornecimento de grandes tubos de aço, com dimensões entre 40 cm e três metros de diâmetro, às obras do sistema adutor Gavião- Pecém, no trecho V do Eixão das Águas. De origem paulista, a fábrica é a primeira do Nordeste na produção automatizada de tubos de aço para barragens, adutoras e grandes obras. Operando há 30 dias, a Hydrostec anuncia capacidade de produção diária de 300 a 600 metros de tubos. Além dos incentivos fiscais oferecidos pelo Estado, explicou o presidente da empresa, Luíz Antônio Bovo, a política de abastecimento de água em execução no Ceará foi um dos fatores decisivos para a escolha do local de instalação. Para as obras do Eixão, a empresa estará produzindo mais de 58 quilômetros de tubos com 1,6 metro de diâmetro. "Com a nossa fábrica, o Nordeste terá autossuficiência na produção de tubos de aço. Nossa grande meta é colaborar com o crescimento do Ceará e do Nordeste do Brasil", exclamou Bovo, durante a solenidade de inauguração da nova fábrica. Segundo Cid Gomes, além do Ceará, a empresa irá atender os demais estados do Nordeste, "que também demandarão muitos investimentos em áreas de transposição de águas", sobretudo durante e após a conclusão das obras de integração do Rio São Francisco. Conforme disse, a integração vai permitir que chegue ao Ceará, 47 mil litros de água por segundo, permitindo pôr em prática o projeto "Cinturão das Águas".
Autopeças: Com faturamento de R$ 190 milhões, empresa tem cinco fábricas no país e emprega 1,3 mil pessoas

Inglesa TI reforça presença no Brasil
VALOR ECONÔMICO - A TI Automotive, fornecedora de sistemas de condução de fluidos para a indústria automotiva, planeja investir R$ 40 milhões até 2015 em novos negócios, automação e equipamentos. Os investimentos integram a estratégia da empresa inglesa de aumentar o sua participação de mercado no segmento de bombas e módulos de combustível, onde detém hoje uma participação de 15%.
"O nosso objetivo é chegar a 30% de mercado até o fim de 2011", afirma o diretor-geral da TI Automotive para a América Latina, Marco Buck. Uma das primeiras ações para dobrar a participação nesse setor, segundo o executivo, foi feita com a transferência da linha de fabricação que mantinha em Caçapava (SP) para uma área em São José dos Campos, onde a TI mantém uma unidade industrial desde 1959 e é considerada a maior fábrica do grupo no mundo. A nova unidade iniciou suas atividades há cerca de quatro meses.
"Instalamos a nova linha em uma área de sete mil metros quadrados, mais que o dobro da anterior, porque precisávamos de mais espaço para expandir o negócio de bombas", comentou. Em Caçapava, a TI deixou de produzir tanques de combustível e manteve apenas as atividades do seu centro de tecnologia, que se dedica ao desenvolvimento e testes de validação dos produtos fabricados pela empresa. O negócio de tanques foi vendido para a IPA Indústria de Produtos Automotivos.
A TI também atua no mercado brasileiro de tubos de freios, com 85% de participação nesse segmento, segundo a empresa. Os tubos de freios são produzidos na unidade de São José dos Campos, que também concentra as atividades corporativas do grupo na América Latina e as linhas de fabricação de tubos multicamadas para combustível e de ar condicionado. "A fábrica de São José é a única na América Latina que produz tubos metálicos para freios e também a mais completa em termos de portfólio entre as unidades do grupo no mundo", disse.
Além dos países da América Latina, os tubos de freios são exportados para África, Espanha e Itália. As exportações, de acordo com Buck, representam entre 20% e 25% da produção interna. O executivo revela ainda que a Alemanha começará a receber os produtos da filial brasileira nos próximos meses.
"O Brasil, junto com China, Índia e Canadá são os únicos polos produtores no mundo de tubos metálicos com acabamento em polivinil fluoretano (PVF) e a TI Automotive é a única fabricante desse produto no mercado brasileiro, que também é abastecido por importados, mas em pequena quantidade". Nos Estados Unidos e Europa, segundo Buck, os tubos já estão sendo fabricados com outro tipo de acabamento, mais adaptado ao clima dessas regiões.
Embora exista uma demanda favorável à exportação, o diretor da TI Automotive afirma que as vendas externas não têm sido um bom negócio por conta da paridade cambial. " Vendemos para as empresas do grupo lá fora, mas a valorização do real frente ao dólar não tem trazido bons resultados para as companhias brasileiras que exportam seus produtos", comentou.
Apesar das dificuldades com o câmbio, as atividades da TI Automotive no mercado brasileiro e latino americano estão em franco crescimento. Segundo previsão da companhia, os negócios no Brasil devem registrar um crescimento de 14% no faturamento da companhia em 2010. Em 2009 a TI Automotive faturou R$ 190 milhões no país.
Na América Latina, que responde por 7% da receita global do grupo (US$ 2 bilhões em 2009), a empresa estima um crescimento de 17% no seu faturamento este ano, cerca de R$ 260 milhões. A TI Automotive está presente em 27 países, com 126 fábricas e 14 mil funcionários. A GM responde por 30% do faturamento da TI no Brasil, seguida pela Volks (15%), Renault-Nissan (13%), Fiat (11%) e Ford (7%), entre outras.
A filial brasileira possui um total de 1,3 mil funcionários, distribuídos em cinco fábricas: Gravataí (RS), São José dos Pinhais (PA) e Juatuba (MG), além das duas unidades em São José dos Campos, onde trabalham 850 empregados.
Fabricantes aprovam queda de redutor, mas déficit deve ser recorde este ano
VALOR ECONÔMICO - A queda gradual do redutor de 40% que é aplicado sobre o imposto de importação de autopeças pago por montadoras e sistemistas - empresas que fornecem conjuntos de componentes às montadoras - foi comemorado pelas fabricantes instaladas no país, porém não vai evitar que o déficit da indústria seja recorde em 2010. Pelos cálculos do Sindipeças, entidade que representa o setor, o saldo comercial deve ser negativo em até US$ 4 bilhões neste ano.
A medida, anunciada quarta-feira pelo governo federal como parte do pacote de incentivo às exportações, prevê que o redutor caia a 20% assim que a medida provisória for editada e seja zerado em seis meses. "O ano já está comprometido. Mas a indústria olha seis meses à frente para planejar investimentos ou importações, o que faz com que a medida já tenha efeito prático", afirmou o presidente do Sindipeças, Paulo Butori.
Em vigor desde 1999, o redutor de 40% incide sobre alíquotas de 14%, 16% e 18% que voltarão a valer integralmente antes do fim do ano. O fim do desconto era pleiteado pela indústria há anos, porém o movimento junto ao governo se intensificou nos seis últimos meses, diante da escalada nas importações de peças a partir de 2007. No primeiro trimestre, o déficit superou a casa de US$ 1 bilhão.
Conforme Butori, câmbio favorável às importações, excedente de produção em outros países e a aplicação do redutor contribuíram para o crescente saldo negativo da indústria, que é historicamente superavitária. "Não adianta achar que uma medida vai resolver a situação, mas ela é muito importante", avaliou


 

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