Ano II – nº 133 – Fortaleza/CE – edição: 06.05.2010 |
Lucro da Gerdau é impulsionado pelo mercado interno
Projetos do governo aumentaram caixa da siderúrgica, que também investirá nos Estados Unidos e em países emergentes
São Paulo - "Estamos prontos para atender a demanda global", afirmou André Johannpeter, presidente do grupo Gerdau, em teleconferência realizada nesta quinta-feira (6/5) para a divulgação dos resultados do primeiro trimestre do ano A razão de tanto otimismo vem de uma alta cifra: 573 milhões de reais de lucro líquido, contra 35 milhões no mesmo período de 2009 – um aumento de mais de 1.500%.
O bom desempenho da siderúrgica se deveu à recuperação dos mercados onde a Gerdau atua, que já deixam para trás as sequelas causadas pela crise econômica que assolou a economia mundial em setembro de 2008. A capacidade global de produção da Gerdau está em torno de 25 milhões de toneladas - e deve crescer. "Há espaço para reposição de estoques por eles estarem em patamares baixos por conta dos efeitos da crise financeira", disse Osvaldo Schirmer, vice-presidente e diretor de RI da empresa. O Brasil, a América Latina e até mesmo os Estados Unidos - onde a crise se originou --, foram os principais responsáveis por reforçar o caixa da empresa.
No Brasil, as vendas de veículos cresceram 24% na comparação com o primeiro trimestre de 2009, impulsionadas pela redução do IPI e por condições facilitadas de financiamento de automóveis. Projetos como o Minha Casa, Minha Vida, obras do PAC e das Olimpíadas também contribuíram para aquecer o consumo interno. Estima-se que o PIB da construção civil cresça 10% neste ano. O cenário favorável fez com que o país contribuísse com 40% da receita líquida consolidada.
Vale está aberta a negociar base para reajuste de minério
O preço do minério de ferro poderá ser discutido junto com a companhia
São Paulo - A Vale informou que está aberta a negociar com seus clientes eventuais alterações na cesta de valores que passou a ser utilizada para ajustar os preços que cobra pelo seu minério de ferro.
Segundo o diretor de Ferrosos, José Carlos Martins, existe a possibilidade de serem alterados um ou mais índices utilizados atualmente para definir o preço que valerá para cada trimestre do ano.
A Vale e suas principais concorrentes mudaram o sistema de estabelecimento de preços do minério nesse ano, abandonando o antigo sistema anual de referência (benchmark).
Os reajustes agora são feitos com base na variação dos preços no mercado físico (spot) nos três meses anteriores pulando o mês imediatamente anterior, ou seja, para o próximo ajuste em 1o de julho, que valerá até final de setembro, será utilizada a média de março a maio.
Os ajustes serão automáticos se essa variação superar uma banda estabelecida.
Apesar de dar esses detalhes sobre o novo sistema de preços, a Vale até o momento não informou os percentuais exatos de aumento, tampouco os preços que estão sendo praticados.
O mercado e algumas siderúrgicas falaram em aumentos próximos de 100 por cento, e de preços entre 100 e 110 dólares por tonelada.
"Eu acho que o sistema que desenhamos e negociamos com os clientes tem características muito boas e é justo", disse Martins em teleconferência com analistas e investidores.
"No passado não tínhamos referência de spot (mercado físico), agora temos. É razoável usar esse mercado como referência. Os preços são transparentes, existem muitas fontes, e estamos abertos a negociar os diferentes índices, ou cestas, para definir as médias", acrescentou.
Martins disse que a companhia brasileira, maior produtora global de minério de ferro, está recebendo um prêmio de 20 a 22 dólares por tonelada pelo minério de Carajás, de melhor qualidade.
Disse também que as pelotas estão sendo negociadas em média com prêmio de 50 dólares ante o preço do minério de ferro.
Eletrodomésticos: Aposta é elevar receita dos itens "inovadores", que saltou de 4% para 22% em três anos
Mais cara que inox, linha preta chega à cozinha da Brastemp
VALOR ECONÔMICO - O principal lançamento da líder mundial de eletrodomésticos neste primeiro semestre não tem nada a ver com o Dia das Mães, comemorado no próximo dia 9. Até o final deste mês, a Whirlpool leva às lojas brasileiras a linha All Black da Brastemp, composta por seis produtos na cor preta, com venda disponível também no site da marca. A quebra de paradigmas em relação à cozinha branca da mãe busca atender os solteiros donos de casa (segundo o IBGE, 12% dos lares são formados por uma só pessoa).
Para que piso frio e azulejos sejam adornados por refrigerador, fogão, coifa, máquina de lavar e secar, adega e micro-ondas na cor preta, o consumidor terá que pagar 10% mais do que desembolsaria por um desses modelos em inox - um padrão que já custa até 25% mais que o tradicional branco. A Whirlpool não comenta investimentos ou expectativas de vendas, mas a aposta é que os eletrodomésticos All Black incrementem a fatia dos "produtos inovadores" na receita. Essa categoria, mais cara, respondeu por 22% das vendas totais da Whirlpool no país em 2009, um salto frente aos 4% de 2007. No ano passado, a receita líquida da empresa foi de R$ 6,67 bilhões.
"Este ano, os eletrodomésticos inovadores devem representar mais de 25% das vendas totais da empresa", diz Rogério Martins, diretor de desenvolvimento de produtos e inovação da Whirlpool. O executivo explica que, para ser inovador, o produto precisa atender duas premissas: apresentar um conceito completamente novo para o consumidor e garantir retorno financeiro para os acionistas. "Não adianta ter um produto diferente, sofisticado, que seja quase um item de colecionador", afirma Martins. Na categoria inovador entra, por exemplo, o refrigerador Inverse (geladeira em cima e freezer embaixo), lançado ano passado.
Segundo a Whirlpool, entre as brasileiras, a fabricante foi a que mais solicitou patentes de produtos na Organização Mundial de Propriedade Intelectual em 2009 (31 ao todo). No Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), foram 50 pedidos ano passado.
Cerca de 85% da produção da Whirlpool é branca, outros 12% são de inox e o restante é colorido (o modelo do frigobar retrô e os itens pedidos sob encomenda pelo site). Segundo Martins, o preço 10% maior está em linha com o aumento dos custos da produção. É preciso parar as máquinas para limpar injetores de plástico e moldes, por exemplo, para fabricar o preto e, depois, para voltar a fabricar o branco, explica. "Como compramos em quantidade menor, o preto também sai mais caro", diz.
Segundo a GfK, a isenção de IPI sobre a linha branca, que vigorou entre abril de 2009 e janeiro deste ano, incrementou a venda de produtos premium. A tendência tem se mantido mesmo com o fim do incentivo, diz o consultor Oliver Römerscheidt, da GfK. "A participação dos fogões de cinco e seis bocas no total da categoria, por exemplo, subiu de 23% no primeiro trimestre de 2009 para 35% no mesmo período deste ano", diz.
Com apelo maior para o público masculino - "Eles associam a cor preta ao carros", diz Martins -, há um porém na estratégia da Whirlpool no curto prazo. "Neste ano de Copa, o consumidor vai privilegiar a compra de eletroeletrônicos", diz Römerscheidt. Ou seja, uma briga entre a LCD e a geladeira.
Equipamentos: Com margem de dois dígitos há 12 meses, companhia volta a planejar expansão internacional.
Metalfrio cresce depois de reestruturações
VALOR ECONÔMICO - A Metalfrio Solutions, fabricante de freezers comerciais, está colhendo o resultado do esforço realizado durante a crise internacional. Teve lucro líquido de R$ 17,3 milhões no primeiro trimestre, ante prejuízo de R$ 17,2 milhões em igual período de 2009.
O ganho na última linha do negócio reflete a combinação de receita financeira no lugar de despesas, crescimento de vendas e expansão de margens.
A empresa teve receita líquida de R$ 180,6 milhões, 39% maior do que no mesmo intervalo de 2009. "A base de comparação é mais fraca, por conta da crise, mas o desempenho comercial ficou acima do esperado em todos os mercados que atuamos", disse Marcelo Lima, presidente do conselho de administração da empresa.
O executivo lembrou que o primeiro trimestre é tradicionalmente mais fraco nesse negócio, enquanto o segundo é forte, com as encomendas para o verão na Europa. "Somos uma companhia totalmente ligada ao consumo de alimentos e bebidas." No período, a empresa vendeu 171 unidades, 52,6% mais do que no primeiro trimestre do ano passado.
De janeiro a março, a receita líquida nas Américas somou R$ 133,2 milhões, alta de 42,7%, e na Europa foi de R$ 47,4 milhões, expansão de 29,7%. "O cenário melhorou na Europa, mas ainda não voltou ao nível anterior à crise."
A Metalfrio Solutions enfrentou a crise com ganho de eficiência nos processos internos. Após ajustar a produção e reorganizar as fábricas, está pronta para voltar a expandir a capacidade, mesmo fora do Brasil. Internamente, em 2009, dobrou a capacidade da unidade do Mato Grosso do Sul. Neste ano, deve ampliar a produção nesse Estado em mais 30%. Além disso, planeja elevar a capacidade na Turquia, onde está produzindo no máximo desde março.
Com a redução das despesas e o crescimento, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) avançou 157%, para R$ 18,8 milhões, considerando o gasto com planos de opções. O lajida ajustado, que exclui as opções, foi de R$ 19,7 milhões, com margem de 10,9% - comparado a 5,6% um ano antes.
As despesas gerais e administrativas foram reduzidas de R$ 8,1 milhões para R$ 6,4 milhões. Com isso, representaram 3,6% da receita líquida, ante 6,2% no ano passado. "É um patamar permanente."
Outra contribuição significativa para o lucro foi a conta financeira. A empresa teve receita líquida de R$ 7,2 milhões, ante despesa de R$ 22 milhões. A variação é fruto da redução da dívida bruta, do melhor resultado nas operações de hedge e da valorização do real. A Metalfrio fechou março com dívida bruta 25,3% menor, na comparação anual, em R$ 303 milhões. O saldo em caixa ficou praticamente estável, em R$ 187 milhões.
WEG muda conselho de administração
VALOR ECONÔMICO - O conselho de administração da fabricante de motores elétricos WEG, de Jaraguá do Sul (SC), tem nova composição. Segundo decisão da assembleia de acionistas, realizada em 27 de abril, Gerd Edgar Baumer e Ana Teresa do Amaral Meirelles deixam o conselho. Eles serão substituídos por Douglas Conrado Stange, executivo do grupo, e Wilson Ferreira Júnior, presidente da CPFL.
Décio da Silva segue na presidência. Já a vice-presidência, antes ocupada por Baumer, fica sob responsabilidade de Nildemar Secches, membro do conselho desde 1998 e presidente do conselho da BRF Brasil Foods.
Baumer deixa o conselho ao final do seu mandato, tendo atingido a idade limite fixada pelo estatuto social. Na WEG desde 1973, ele chegou à vice-presidência executiva e foi vice-presidente do conselho desde sua primeira formação, em 1989. Ele assume agora a vice-presidência do conselho da holding, que concentra os investimentos das famílias dos fundadores do Grupo WEG. |