Notícia

 

Ano II – nº 132 – Fortaleza/CE – edição: 05.05.2010

 

Metais: Norueguesa vai investir no suprimento de bauxita e alumina
Material para alumínio será foco da Norsk Hydro no país

VALOR ECONÔMICO - O desenvolvimento da cadeia produtiva do alumínio no Pará a partir da bauxita e da alumina produzidas no Estado pela Vale, um sonho antigo dos estrategistas paraenses, ficou mais distante com a venda das operações da mineradora no setor para sua parceira norueguesa Norsk Hydro. Segundo Johnny Undeli, recém nomeado vice-presidente executivo da Área de Negócios para Bauxita e Alumina da Hydro, "o vetor de todo o arranjo" é garantir matéria-prima (para fábricas da empresa em vários países) "para os próximos cem anos".
Em entrevista ao Valor, acompanhado do presidente da Hydro Brasil, Tor-Ove Horstad, Undeli, que era vice-presidente executivo mundial de Produtos Extrudados da Hydro, disse que está garantida a continuidade da operação de todos os ativos que eram controlados pela Vale, além da conclusão do projeto CAP - um refinaria de alumina (primeiro estágio de processamento da bauxita) apta a fazer 1,86 milhão de toneladas anuais. A previsão é elevar essa fábrica a 7,4 milhões de toneladas. Mas não quis se comprometer com nenhum projeto novo de industrialização do alumínio.
"O principal motivo do negócio foi assegurar alumina e bauxita, mas nós sempre podemos melhorar as operações", enfatizou, em resposta a uma pergunta específica sobre as possibilidades de novos investimentos na produção e transformação de alumínio. Undeli ressaltou que a Hydro possui fábrica de beneficiamento de alumínio em Itu (SP), onde produz tubos para refrigeração, componentes automotivos e outros artefatos de alumínio usando matéria-prima virgem e reciclada. O executivo disse ser cedo para prever o futuro da atuação no Brasil. "O momento é de estudar e conhecer para saber o que será possível melhorar".
A Hydro pagou, ainda sujeito a trâmites legais, o equivalente a US$ 4,9 bilhões pelas operações da Vale na cadeia do alumínio. Terá 91% da Alunorte, refinaria para 6,3 milhões de toneladas anuais de alumina, localizada em Barcarena (PA), 51% da Albrás, fábrica de alumínio contígua à Alunorte, o controle da mina de bauxita de Paragominas, com capacidade operacional de 9,9 milhões de toneladas, devendo atingir 15 milhões para suprir o projeto CAP.
A CAP, sigla provisória de Companhia de Alumina do Pará, também em Barcarena, tem início de produção previsto para 2011, devendo atingir o pico entre 2015 e 2017, conforme projeto original. O investimento estimado é de US$ 2,2 bilhões.
A Hydro, terceira maior fornecedora de alumínio do mundo, já era dona de 20% do projeto e passou a deter 81%. Na Alunorte, já controlava 34%. A Vale receberá US$ 1,1 bilhão em dinheiro e ficará com 22% do capital votante da Hydro, cabendo à empresa nórdica a assunção de uma dívida de US$ 700 milhões. A companhia norueguesa também detém 5% da Mineração Rio do Norte, produtora de bauxita, da qual pode retirar um take correspondente de produção.
O executivo norueguês disse que os números do primeiro trimestre deste ano apontam para um crescimento de 10% a 12% no mercado mundial de alumínio em 2010, na comparação com o ano passado. Segundo ele, "os clientes estão voltando" após a crise, mas ainda há riscos no ar (por exemplo, a Grécia). Ele admitiu a possibilidade de um recrudescimento da crise de 2008/2009 a partir dos fatos atuais na Europa, mas ressalvou: "Não é o que estamos esperando, embora haja (o risco)".

Vale só manteve seus 40% na Mineração Rio do Norte

VALOR ECONÔMICO - A direção do negócio de alumínio da Vale reforçou ontem, em conferência com jornalistas, que a venda dos ativos dessa área para o grupo norueguês Norsk Hydro foi um reposicionamento da companhia nesse negócio, que envolve produção de bauxita, alumina e metal primário, além de outros direitos. "Não houve perda, pois a Hydro passou a ser um produtor forte de alumínio, com uma plataforma consistente de crescimento, na qual a Vale passou a ter 22% do capital", afirmou Ricardo Carvalho, diretor de alumínio da mineradora.
O único ativo mantido pela Vale foi a participação de 40% na Mineração Rio do Norte (MRN), no Pará, que faz 17 milhões de toneladas de bauxita por ano. Segundo Carvalho, o "take" de produção da companhia na MRN continuará com contratos de fornecimento à Alunorte, refinaria de alumina que passará ao controle (91%) da Norsk Hydro após o fechamento do negócio.
Conforme o executivo, as negociações e análises da operação com a companhia estatal norueguesa já vinham ocorrendo há cerca de seis meses. Portanto, observou Carvalho, a decisão de transferência dos ativos à Hydro não teve relação com a perda do consórcio da Andrade Gutierrez, Vale, CBA e Neoenergia na disputa para construir a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. "Foi há duas semanas e o negócio era enorme para ser decidido tão rápido".
A receita da Vale no setor em 2009 somou US$ 2,05 bilhões, 50% abaixo dos US$ 3,04 bilhões do ano anterior, com vendas de bauxita, alumina e metal primário. A queda se deve ao impacto da crise economica mundial, que derrubou os preços do alumínio.
O principal empecilho para o setor de alumínio no Brasil, lembrou carvalho, é a falta de competitividade no custo de energia para fabricação do metal. "É uma realidade já levada ao conhecimento do governo", informou. A Vale destacou em seu comunicado que a baixa escala e o custo de energia não competitivo foram fatores para sua decisão de deixar de ser uma empresa operadora de alumínio.

Siderurgia expande operações nos EUA

VALOR ECONÔMICO - Em meio a sinais mais fortes de uma retomada da economia americana, algumas siderúrgicas resolveram expandir as operações e recontratar operários, na esperança de aproveitar a demanda crescente nos mercados petrolífero, de eletrodomésticos e de automóveis.
A Welspun Corp. está aumentando a produção em sua fábrica de Little Rock, no Estado de Arkansas, para três turnos, e a empresa indiana informou segunda-feira que vai contratar até 230 operários para produzir oleodutos e gasodutos.
A europeia ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, informou semana passada que vai reiniciar a produção de uma fábrica importante no Estado de Indiana, que produz aço para quase todos os mercados. A siderúrgica francesa Vallourec SA está expandindo a produção de tubos para exploração de gás natural em Youngstown, Ohio.
As usinas siderúrgicas nos Estados Unidos estão operando atualmente num nível entre 70% e 75% da capacidade, ante 40% e 45% no início de 2008. Como estão usando mais a capacidade, as siderúrgicas devem dar lucro neste trimestre. Algumas siderúrgicas, como a U.S. Steel Corp., de Pittsburgh, já divulgaram uma série de prejuízos trimestrais por causa do declínio na demanda.
Apesar do otimismo, as siderúrgicas informaram que ainda não estão apostando que a recuperação do setor vai durar.
"Temos visto uma recuperação muito maior em alguns setores: no automotivo e, desde o último trimestre, no de eletrodomésticos e na indústria petrolífera", diz Dan DiMicco, diretor-presidente da Nucor Corp., de Charlotte, Carolina do Norte. DiMicco e outros executivos do setor se reuniram esta semana em Boca Raton, Flórida, para discutir as perspectivas do setor. "Estamos otimistas, mas é um otimismo cauteloso", disse ele.
James L. Wainscott, presidente do conselho da AK Steel Holding Corp., de West Chester, Ohio, disse que os programas de estímulo governamental criados para impulsionar a construção de infraestrutura tiveram um efeito mínimo até agora nos pedidos de aço. Ele disse que a construção civil, tanto comercial quanto residencial, tem sido fraca.
Mas outras siderúrgicas, especialmente as que atendem ao setor petrolífero, estão indo bem. A Vallourec está investindo US$ 650 milhões na fábrica de Youngstown para aumentar a produção de tubos de aço de diâmetro menor, que podem ser usados para explorar gás natural na bacia Marcellus, uma das maiores formações de xisto betuminoso do mundo, localizada nos Estados de Virgínia Ocidental, Pensilvânia e Nova York.
Na fábrica da Welspun em Little Rock, a fabricante de tubos de diâmetro maior informou que tem uma lista de espera de pedidos que vai até 2012, graças à onda de novos gasodutos em construção em todos os EUA.
As petrolíferas estão construindo os dutos em preparação para o crescimento da demanda energética americana que haverá nos próximos anos, disse Joel Johnson, diretor de vendas na América do Sul e do Norte.
Johnson disse que a demanda que alimenta a fábrica da Welspun em Little Rock não depende tanto de oscilações de curto prazo na economia, porque são necessários vários anos para se concluir os gasodutos. "É por isso que temos confiança de que podemos investir em Little Rock, porque sabemos que nossos clientes têm projetos que vão além de 2010", disse ele.
Diferentemente de outras siderúrgicas importantes, a Welspun está tranquila porque fabrica tubos de diâmetro maior para pedidos específicos e não precisa se preocupar em procurar compradores no mercado. A empresa informou que quando contratar os 230 operários, sua equipe chegará a 600 pessoas, quase o dobro do mesmo período do ano passado.
As contratações já começaram, disse Johnson. Ele disse também que desde que a usina começou a operar, no início do ano passado, já produziu mais de 1.900 quilômetros de tubos de diâmetro maior, boa parte para um gasoduto que irá das Montanhas Rochosas para a Califórnia, no oeste do país.


 

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