Ano II – nº 131 – Fortaleza/CE – edição: 03.05.2010 |
Estratégia: Grande parte dos recursos deve vir da venda, em Bolsa, de um pedaço da mina de ferro Casa de Pedra
CSN aprova plano de investimento de R$ 34 bi até 2016
VALOR ECONÔMICO - O empresário Benjamin Steinbruch, principal acionista e presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), acaba de aprovar no conselho da empresa um plano de investimento de R$ 34 bilhões até 2016. O valor é gigante, pois abrange um leque de investimentos enorme: muitos dos projetos já estão em andamento, uns com pendências para sair do papel. Há o caso da ferrovia Transnordestina, de R$ 5,4 bilhões, com mais dificuldade de avançar, que depende também de decisões de governos.
Ele se diz otimista com a economia do país, que, ao seu ver, pode receber mais 60 milhões de novos consumidores. "Só depende de três fatores básicos: geração de emprego, renda e crédito". Por isso, confiante na força que ganhou o mercado interno brasileiro, enxerga que é o momento para definir investimentos nos atuais e novos negócios. Exemplos: fabricação de cimento e de aços longos.
"Queremos ter 20% de cada um desses dois mercados", diz. O foco é a expansão de moradias, de obras industriais, comerciais e de infraestrutura. Após perder a disputa pela compra, com oferta de quase US$ 6 bilhões, da cimenteira portuguesa Cimpor, a aposta nesse negócio, agora, concentra-se no mercado brasileiro. Prevê, até 2013, investir quase US$ 1 bilhão em três fábricas e na expansão da atual. "Como não vejo nenhum grupo disposto a vender ativos no Brasil, vamos investir em novas fábricas". O apetite por aquisição, entretanto, permanece vivo. A CSN recebeu ofertas de crédito na época superior a três vezes ao valor.
Cerca de 80% dos recursos do programa de investimento até 2016 será alocado em aços planos e longos e na mineração de ferro. A área de mineração, que já está no meio do caminho do plano de atingir 110 milhões de toneladas até 2014, é a grande aposta.
Steinbruch não esconde de ninguém que almeja formar a quarta maior mineradora de ferro do mundo, atrás de Vale, Rio Tinto e BHP Billiton. Hoje, é a sexta. A previsão é atingir este ano 4% do mercado transoceânico de minério de ferro, com exportação de 40 milhões de toneladas, e 6% em 2015, com cerca de 90 milhões de toneladas. Nessa área, os investimentos projetados - Casa de Pedra, Namisa e área portuária - estão orçados em R$ 13 bilhões.
Boa parte dos recursos desse plano, o empresário espera obter com a abertura de capital de seus negócios - o processo mais avançado é o da mina de ferro Casa de Pedra, que poderá se unir à controlada Namisa. A nova previsão é julho. Avaliações de analistas apontam que a CSN pode obter, só nessa operação, no mínimo US$ 10 bilhões. Em março, ele chegou a admitir cifra de US$ 20 bilhões. Agora, preferiu não falar em valores.
Com receita líquida de R$ 11 bilhões e lucro de R$ 2,6 bilhões no ano passado, a empresa tinha, no fim de dezembro, uma situação financeira confortável. O caixa estava em R$ 8,1 bilhões e a dívida líquida, de R$ 6,3 bilhões. Os investimentos de 2010 estão orçados em R$ 4 bilhões - de 2011 a 2016, a média anual seria de R$ 5 bilhões. A avaliação no mercado é que a companhia, com esse perfil, tem capacidade de se endividar.
Nessa entrevista ao Valor, um dia depois da alta de 0,75% na taxa Selic, o empresário criticou a decisão, qualificando-a de "defesa do medo" por parte do Banco Central. "Foi uma decisão desnecessária e inoportuna, pois não vejo nenhum sinal de superaquecimento da economia". Abaixo, os principais trechos da entrevista.
Valor: Qual a sua visão da economia brasileira neste momento?
Benjamin Steinbruch: Vive seu melhor momento desde que me conheço por gente. É decorrente de uma convergência de fatores positivos no mercado interno, que ganhou 60 milhões de novos consumidores, com a situação extraordinária por conta do crescimento da China. A força de compra de matérias-primas que esse país exerce sobre o mundo vem favorecendo bastante o Brasil. Aqui, os novos consumidores estão em busca da sua primeira casa, da primeira geladeira, do primeiro carro e do primeiro fogão. Isso faz com que o Brasil, de certa forma, se mantenha independente de flutuações do mercado externo. Na verdade, é a primeira vez que o Brasil se faz com as próprias pernas, pois sempre esteve dependente do exterior. Os países que estão dando certo estão ancorados no fortalecimento de seus mercados.
Valor: O que puxa tudo isso?
Steinbruch: Basicamente crédito, renda e emprego. A partir do momento em que as pessoas contam com essas três coisas, elas partem para consumo naturalmente e é isso que vem segurando a estabilidade do Brasil.
Valor: Diante disso, como viu o aumento de 0,75% feito pelo Banco Central na taxa de juro?
Steinbruch: Desnecessário e inoportuno. Demonstra uma certa fraqueza do governo em não conseguir conviver com a nova realidade do país, de uma economia forte. Não precisava e não deveria ser feito. É uma defesa do medo. Considero que não foi uma decisão feliz.
Valor: O mercado brasileiro não estaria superaquecido, motivando essa decisão?
Steinbruch: Se for ver o preço que outros países estão pagando para fazer com que a economia desacelere, é absurdo uma decisão dessa. É completamente irracional. A taxa de inflação está dentro da faixa. Não corremos o risco de falta de produto no país. E a taxa de câmbio que temos hoje favorece a importação. O Brasil tem condições de produzir mais e conta com essa possibilidade de poder trazer produtos. O gargalo está em produtos de alto valor agregado, não em bens básicos.
Valor: Hoje, como está operando a CSN, empresa que você comanda?
Steinbruch: A CSN está operando à plena capacidade em alguns segmentos e em outros ainda não. Há alguns gargalos que estamos enfrentando e, com poucos investimentos, vai aumentar a produção em pouco tempo.
Valor: Se o BC fizer novas altas nos próximos meses da Selic, como se fala, isso poderá frear a expansão da economia do país?
Steinbruch: Não creio que freie, porém sinaliza a intervenção medrosa do governo. Ele deveria estar preocupado em trazer mais 60 milhões de novos consumidores à economia, de pessoas que estão fora da zona de consumo. Já trouxe 40 milhões das classes média e baixa e 20 milhões de assistidos e tem outro tanto para trazer. Não há porquê ter medo: o Brasil precisa produzir e consumir mais se almeja ser uma grande potência. Ao invés de subir o juro, baixá-lo. Conceder mais financiamentos, propiciar mais renda, mais emprego, trazendo mais gente para o mercado de consumo. Esse é grande mérito do presidente Lula, com 10 milhões que ele traga a mais, já seria muito gratificante.
Valor: Qual o plano de negócios para a CSN que você tem traçado hoje para os próximos cinco anos?
Steinbruch: A CSN optou por um crescimento horizontalizado, priorizando áreas novas de atuação. Temos aço, mineração, cimento, energia e infraestrutura e logística. Vamos elevar a produção de aços planos, com módulos de 1,5 milhão de toneladas, buscando nichos onde ainda não atuamos. É um plano bastante ousado, de um lado, mas conservador de outro. Em vez de sermos o maior de aço plano, preferimos estar entre os maiores, mas sempre procurando nichos de mercado onde podemos crescer. No segmento de longos, no qual ainda não temos nada, almejamos 20% do mercado. O mesmo em cimento. Na mineração, o projeto é um pouco diferente, porque é voltado para exportação. Vamos potencializar o volume máximo de produção da mina e de embarque no porto, de 130 milhões de toneladas. Em energia, vamos buscar oportunidades para investir, porque todo crescimento nosso terá de contar com geração própria.
Valor: A CSN vai participar da hidrelétrica de Belo Monte?
Steinbruch: Estamos estudando, com todo o cuidado que merece. Se for oportuno, estaremos lá. Como são 10% destinados a autoprodutores, vai depender também do interesse de outros. Provavelmente, uma presença compartilhada.
Valor: Quanto soma o programa de investimentos da empresa?
Steinbruch: São R$ 34 bilhões até 2016. Esse valor que acabou de ser aprovado pelo conselho.
Valor: Você concorda que mudou o foco da companhia, de aço para minério de ferro e cimento?
Steinbruch: Não. O foco da CSN é aquele que ela puder fazer para agregar valor ao seu acionista. O aço é tratado com prioridade, mas dentro daquilo que a CSN tem devemos explorar outras potencialidades da empresa. Mineração, cimento, logística e energia são áreas afins. Então, têm de ser tratadas da mesma forma.
Valor: Você estruturou os negócios em cinco áreas. Isso dá maior visibilidade ao valor de cada um?
Steinbruch: Foi para dar maior liberdade ao seu crescimento. As partes valem mais que o todo, é claro, mas, mais do que isso, queremos que haja mais flexibilidade para que cada área possa crescer conforme sua potencialidade.
Valor: Formatar uma grande mineradora de ferro é uma recriação da Vale, que você perdeu lá atrás?
Steinbruch: É algo que a CSN sempre teve e, em algum momento, teria de ser explorado. Nossa missão é tornar a CSN o mais forte possível com o que ela dispõe. Desde sua fundação, já veio com esses ativos [Casa de Pedra]. Se não foram explorados até agora, isso se deve a um erro de avaliação. O grande mérito está na sua criação, ao ser contemplada com os melhores ativos que há no Brasil. E temos a obrigação de potencializar o valor da companhia sempre.
Valor: Como está a abertura de capital (IPO) de Casa de Pedra, que estava prevista para este trimestre?
Steinbruch: Estamos bem adiantados, mas não é fácil, pois envolve várias alternativas de modelo e estruturas de negócios. Vamos olhar cada uma delas e optar pela melhor. Não vamos fazer a qualquer preço. Enquanto houver proposta boa para ser avaliada, vamos sentar e avaliar.
Valor: Já contratou bancos para realizar a operação?
Steinbruch: Há vários bancos trabalhando por conta e risco. Estão fazendo suas propostas em cima da proposta original de simples IPO que, graças a Deus, não foi feito, pois surgiram várias propostas muito melhores. Estamos também negociando com os sócios da Namisa [grupo de usinas de aço do Japão e Coreia do Sul] para se juntarem a um projeto único. Faz todo sentido, pois traz muitas sinergias para a Namisa, para a CSN, bem como para o IPO.
Valor: A data da operação ficou, pelo visto, para o segundo semestre.
Steinbruch: Na verdade, a data limite é julho. Antes das férias de verão da Europa e dos Estados Unidos. O processo é muito grande e bastante trabalhoso.
Valor: Quanto prevê levantar de dinheiro nessas operações de IPO?
Steinbruch: Não é a nossa preocupação maior. O que levantarmos será consequência do bom projeto que pudermos oferecer ao mercado. Sobre os outros setores, eventualmente pode haver uma aquisição, o que permitirá acelerar o processo. A própria siderúrgica também pode ser contemplada com IPO, com a união dos ativos de aço numa única empresa. Posso dizer que serão mais de um IPOs.
Valor: Você é muitas vezes comparado com o Eike Batista, dono da EBX, um empresário empreendedor, visionário, mas que é visto por muitos como especialista em vender sonhos na Bolsa. Você se incomoda?
Steinbruch: Não, pelo contrário. Não sou comparado, porque até agora não vendi nada de sonhos. Acho que se ele conseguiu fazer isso tem todo meu respeito e minha admiração. Acho ele um empresário ousado e, mais do que isso, que tem dado certo. O perfil de cada um é diferente, bem como os projetos. Infelizmente, eu não fiz o que ele fez.
Valor: Qual tua avaliação sobre o aumento de 100% para o minério de ferro neste ano?
Steinbruch: Na verdade, o mundo está pagando o preço necessário para a China continuar ampliando sua economia. Não passa só pelo minério de ferro. A China se tornou um grande comprador de matérias-primas e grãos e compra cada vez mais. E, por conta disso, o preço se ajusta pelas condições de mercado.
Valor: Qual será o peso do negócio de minério de ferro, daqui a cinco anos, na receita da CSN?
Steinbruch: Siderurgia e mineração vão crescer juntos, embora o projeto para 110 milhões de toneladas já esteja bem avançado, quase no meio. Mas a área de aço agora começa a crescer com os projetos de aços longos e as novas unidade de aços planos. Neste último caso, deveremos começar os projetos do Rio (Itaguaí) e Minas (Congonhas) em breve.
Valor: Qual tua avaliação do presidente Lula? Virtudes e defeitos.
Steinbruch: Acho que o presidente Lula foi uma surpresa muito agradável a todos. Conseguiu atender praticamente todos os brasileiros. O Brasil se favoreceu por igual de uma época positiva da economia mundial. O grande mérito foi trazer para o mercado de consumo 60 milhões de brasileiros, que, pela primeira vez, tiveram acesso a emprego, a crédito e a renda. E mostrou que a equação desses fatores é extremamente positiva. Acredito que, independentemente de corrente política e de gostar ou não gostar, o Brasil é uma nova realidade no mundo. Evoluímos muito do ponto de vista empresarial, em todos os setores: de financeiro a serviços.
Valor: O que espera do novo governante do país a partir de 2011?
Steinbruch: O presidente Lula deu um grande salto para o Brasil. O que esperamos do novo presidente é que dê as condições para o Brasil continuar crescendo e, mais do que isso, dar esse novo salto. Ainda não nos avaliamos de forma correta: o Brasil é muito melhor do que as pessoas pensam que é. Mas precisamos das reformas tributária, política, trabalhista e fiscal. Todas são necessárias.
Valor: Sobre as eleições para presidente da República neste ano...
Steinbruch: Acho que será uma eleição dura. Mas é um processo bom ao país e todas as condições positivas já estão implementadas.
Commodities: Mineradora vai receber US$ 1,1 bi em dinheiro e ficar com 22% do capital do grupo norueguês
Vale vende área de alumínio à Norsk Hydro
VALOR ECONÔMICO - Apesar de deter ativos de classe mundial para produção de matérias-primas do alumínio - bauxita e alumina -, a Vale anunciou ontem que transferiu ao grupo norueguês Norsk Hydro ASA todas as suas operações do setor de alumínio no Brasil por se ver sem potencial de crescimento na cadeia de fabricação do metal devido à falta de acesso a fontes de energia de baixo custo. Em troca, a companhia brasileira vai receber US$ 1,1 bilhão em dinheiro e ações que vão lhe garantir 22% do capital da Hydro, tornando-se seu segundo maior acionista. A norueguesa assume também uma dívida US$ 700 milhões. O valor total da operação é avaliado em US$ 4,9 bilhões.
A Hydro é a terceira maior produtora de alumínio da Europa e tem 43,8% do seu capital em mãos do governo norueguês. Essa fatia cairá para 34,5% após o fechamento do negócio. Pelo acordo, a Vale não poderá aumentar sua participação na empresa além dos 22% e deverá mantê-la por pelo menos dois anos. Após esse período, comprometeu-se a não vender mais que 10% das ações.
Com a transação, a Hydro passa a controlar no Brasil, em instalações existentes no Pará, 51% da fabricante de alumínio Albrás, 91% da produtora de alumina Alunorte e 81% da CAP, refinaria de alumina ainda em desenvolvimento. No futuro, também vai absorver 60% "Bauxite JV", empresa vai gerir a Paragominas, mineradora de bauxita da Vale, que é a terceira do mundo. Tem ainda a opção de comprar o restante das suas ações, em duas parcelas de 20% cada uma, em 2013 e 2015.
Para a Hydro, o negócio é considerado excelente. "Esse acordo leva a Hydro para um novo patamar no cenário da indústria de alumínio global", celebrou o principal executivo da companhia, Svein Richard Brandtzaeg, conforme comunicado divulgado ontem. Executivos da Vale não estavam disponíveis para comentar a operação, segundo a assessoria de imprensa da empresa, que também divulgou um comunicado.
Para Brandtzaeg, "a operação vai assegurar o fornecimento de bauxita e alumina para nossas operações, melhorando significativamente nossa competitividade e tornando-nos financeiramente mais robustos e bem posicionados para crescer, tanto internacionalmente quanto na Noruega". A empresa norueguesa reforçou que o negócio, que tem previsão de ser concluído no último trimestre deste ano, assegura suprimento de bauxita para sua produção para os próximos cem anos.
Em seu comunicado, a Vale destacou que "a Hydro é uma grande produtora de alumínio primário, tendo acesso à energia com custos competitivos, expertise tecnológica e potencial de crescimento" e que a combinação dos seus ativos "criará uma das maiores e mais competitiva companhia produtora integrada de alumínio".
Sem escala na produção do metal, a Vale destacou que o grande gargalo é o custo da energia, considerado elevado no Brasil para se fazer alumínio. "É um fator fundamental para a competitividade nessa indústria", argumenta na nota. Vários grupos estão migrando para o Oriente Médio e outras regiões onde o custo do MWhora fica na faixa de US$ 20. No ano passado, por conta da queda do preço do alumínio com a crise econômica mundial e devido ao custo de energia, decidiu fechar as portas da Valesul, em Santa Cruz (RJ).
A Hydro está presente no Brasil desde 1974 e é parceira da Vale desde então, como sócias na Alunorte, na Mineração Rio do Norte (MRN) e no projeto da CAP. É dona de 5% na MRN, consórcio de vários produtores de alumínio criado para produzir bauxita e tem capacidade de 17 milhões de toneladas por ano.
No ano passado, a Hydro produziu 1,4 milhão de toneladas de metal primário de alumínio, atrás de gigantes como Rusal, Alcoa e Rio Tinto Alcan, com fundições na Noruega, Austrália, Canadá, Alemanha e Eslováquia. Em abril, inaugurou a joint venture com a Qatar Petroleum, apta a fazer 600 mil toneladas e com previsão de dobrar a capacidade. Em produtos de alumínio, fabricou 794 mil toneladas de laminados e 450 mil de extrudados (perfis).
Com receita de US$ 11,4 bilhões em 2009, a norueguesa vai herdar no Brasil um variado portfólio de ativos na cadeia de alumínio. Recebe uma fundição de metal com capacidade de 460 mil toneladas por ano (Albrás); uma refinaria de alumina (Alunorte), com porte de 6,3 milhões de toneladas; a mineradora de bauxita Paragominas, que já faz 9,9 milhões de toneladas e tem planos de chegar a 15 milhões; e o projeto da CAP. Essa nova refinaria de alumina, da qual a Hydro já tinha 20%, começará com capacidade de 1,86 milhão de toneladas, mas seu desenho prevê chegar a 7,4 milhões de toneladas em novas etapas de expansão. Esse negócio é o terceiro maior da Vale em receita.
A decisão da Vale retrata a grande apreensão no setor de alumínio no Brasil. Por conta de alto custo de energia, o país vai se transformar em grande produtor de matéria-prima (bauxita e alumina) e passar, mais cedo que se imagina, a importar o metal para suprir sua indústria de transformação.
Mineradora compra 51% de projeto na Guiné e amplia ofensiva na África
VALOR ECONÔMICO - A Vale ampliou sua presença no continente africano na sexta-feira, com a compra do projeto Simandou, na Guiné, por US$ 2,5 bilhões. A mineradora brasileira adquiriu participação de 51% na BSG Resources (Guinea) Ltd., que detém concessões de minério de ferro na Guiné, em Simandou Sul (Zogota) e licenças de exploração em Simandou Norte (Blocos 1 & 2). Do valor total, US$ 500 milhões serão pagos à vista e o restante, em etapas sujeitas ao cumprimento de determinadas metas. Esse é o primeiro investimento da Vale na província de minério de ferro do Oeste africano.
O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que pretende iniciar a exploração de Simandou em 2012, podendo chegar a uma produção de 10 milhões a 15 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro ano. Simandou, segundo ele, é a "maior área de minério de ferro de alta qualidade não explorada do mundo, comparável a Carajás". É também a primeira reserva de ferro da Vale fora do Brasil.
"Fomos procurados por outros interessados, mas, desde o início, identificamos a Vale como o parceiro lógico para o projeto", disse o presidente da BSGR, Mark Struik, que veio ao Rio na semana passada para fechar o negócio.
Segundo Agnelli, pesou na decisão da BSGR o fato de que a brasileira pretende iniciar a produção o quanto antes. Hoje, empresas concorrentes no mercado mundial de minério de ferro, como a BHP e a Rio Tinto, têm concessões em reservas próximas a Simandou, mas não estão produzindo.
O presidente da Vale também indicou que, com exploração em Simandou, espera convencer o governo do Gabão a devolver uma concessão que a mineradora brasileira tinha no país e que foi cassada e entregue aos chineses. No Gabão, os chineses ainda não deram início à produção de minério.
Entre 2014 e 2015, a Vale espera alcançar uma produção de 50 milhões de toneladas de minério de ferro em Simandou, de acordo com o diretor executivo de ferrosos da empresa, José Carlos Martins. Com isso, a produção da Vale, hoje na casa dos 300 milhões de toneladas/ano, deve chegar a 450 milhões em 2014. A companhia vem tentando acelerar a extração de minério em suas reservas para atender a demanda pela matéria-prima que, hoje, excede a oferta em 50 milhões a 100 milhões de toneladas/ano, segundo Martins.
Pesquisa & Elaboração
NETO MEDEIROS
Administrador & Advogado
(85) 8732.1538
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