Ano II – nº 125 – Fortaleza/CE – edição: 16.04.2010 |
Vale e Sinobras vão produzir bobinas de aço em Marabá
VALOR ECONÔMICO - A mineradora Vale e a siderúrgica Sinobras firmaram sociedade para produzir bobinas de aço em Marabá, no Sul Pará. A nova empresa, batizada de Projeto Aline, é um desdobramento da Aços Laminados do Pará (Alpa), usina da Vale que entra em atividade em 2013 e terá investimentos de R$ 7,4 bilhões e previsão de geração de 18 mil empregos. Os aportes incluem ainda ramal ferroviário, terminal fluvial e frota de barcaças e rebocadores.
"O Alpa tem capacidade anual de produção estimada em 2,5 milhões de toneladas de aço, podendo chegar a 5 milhões de toneladas", informou Fernando Augusto Quintella, diretor de Desenvolvimento e Implantação de Projetos de Capital, Sustentabilidade e Relações Institucionais da Vale.
De acordo com Ian Corrêa, vice-presidente da Sinobras, a Alpa vai ceder placas de aço para o Projeto Aline produzir anualmente 650 mil toneladas de bobinas quentes e frias e chapas galvanizadas, produtos que serão vendidos para indústrias de vários setores e ajudar a fomentar o processo de crescimento econômico do Pará.
Além disso, a Sinobras deixará de importar aço para seu processo produtivo. "Assim, criamos condições para a abertura de um novo polo de desenvolvimento a partir de Marabá, permitindo que empresas consumidoras desses produtos, como indústrias da linha branca e de carrocerias, se instalem na região", aposta Ian Corrêa.
Siderúrgicas temem aumento nos custos
FOLHA DE S.PAULO (DENYSE GODOY) - O novo regime de reajuste dos preços do minério de ferro vai forçar as siderúrgicas a reverem o seu modelo de negócio e, no final, prejudicará os consumidores de aço, na avaliação de Lakshimi Mittal, presidente da ArcelorMittal, a maior fabricante do material no mundo.
"Estou muito preocupado com o impacto que o novo modelo terá em toda a cadeia. Essa ideia de rever os valores a cada três meses pode não ser adequada aos projetos de determinados clientes. Quem trabalha no setor de infraestrutura, por exemplo, está lidando com empreendimentos de longo prazo e não pode rever os seus custos trimestralmente", afirmou o executivo ontem, durante palestra no 21º Congresso Brasileiro do Aço. Outras indústrias que têm o aço como insumo são as de eletrodomésticos da linha branca, como geladeiras, e as montadoras de automóveis.
Antes, as negociações entre mineradoras e siderúrgicas sobre os preços aconteciam uma vez por ano, mas agora passarão a acontecer de três em três meses, como anunciado pelas maiores produtoras de ferro do planeta: Vale, BHP Billiton e Rio Tinto. "Os fornecedores estão contentes com essas alterações porque os preços têm subido ultimamente. Não sabemos, porém, quanto tempo o ciclo [de crescimento da demanda pelo minério, puxado pela China] vai durar ou quando será revertido", alertou Mittal.
No último acordo, fechado com siderúrgicas japonesas e sul-coreanas, mas considerado diretriz para os demais, as mineradoras conseguiram aumentar os preços em até 90%. Mittal também reclamou da maneira como os acertos têm sido feitos. "Como muitas associações de nível regional e global têm apontado, todas as companhias do ramo de aço sofrem os impactos do forte aumento dos preços do minério e da crescente concentração da oferta do ferro. Na visão dessas organizações, qualquer concentração adicional só pode ser ruim para a nossa indústria."
Para Flávio Azevedo, presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), entidade que reúne as siderúrgicas no país, todas essas modificações significarão uma alta de aproximadamente 20% nos custos de operação das empresas do setor. Então, uma das saídas nas quais as companhias têm investido cada vez mais é buscar ter as suas próprias unidades de mineração. Mittal afirmou que a empresa que dirige deve investir US$ 5 bilhões no Brasil até 2013, e um dos destaques no seu plano é ampliar a capacidade de extração de minério de ferro de 5 milhões de toneladas por ano para 15 milhões de toneladas por ano, de olho na meta de ser suficiente em até 75% do seu consumo.
Lakshmi pede reajuste anual do minério
VALOR ECONÔMICO - Lakshmi Mittal, presidente mundial da ArcelorMittal, criticou ontem o modelo trimestral de revisão dos preços de matérias-primas consumidas pelos produtores de aço, como minério de ferro e carvão.
Embora acredite ser cedo para mensurar o impacto da mudança do sistema, o executivo apontou que a possibilidade de maior volatilidade nos preços de insumos poderá gerar distúrbios na cadeia, em um momento em que a sustentabilidade da recuperação econômica ainda é foco de dúvidas.
"Muitos de nossos clientes dependem de um ambiente de preços estáveis. Com a mudança, esses clientes terão que alterar seus modelos de negócios para se adequarem [à revisão dos preços de três em três meses]", afirmou Mittal, que defende a volta dos contratos anuais na definição de preços das matérias-primas.
Durante palestra no Congresso Brasileiro do Aço - organizado em São Paulo pelo Instituto Aço Brasil (IABr) -, o empresário assinalou que a mudança do modelo de negociação traz preocupações, pois também acompanhou fortes reajustes no preço, como um aumento próximo a 100% no preço do minério de ferro.
Um dos riscos desses reajustes na cadeia, disse o empresário, é a desaceleração de projetos que envolvem o consumo de aço.
"Os preços do minério subiram 100% e também tivemos uma mudança de mecanismo. São dois novos cenários juntos", afirmou Mittal, em sua apresentação. De acordo com o executivo, o sistema que define um preço de referência válido por um ano permite à indústria ter maior foco em produtividade, uma vez que garante a estabilidade nos custos.
Mais tarde, em entrevista coletiva à imprensa, Benjamin Baptista, presidente da ArcelorMittal no Brasil, preferiu não adiantar se a siderúrgica já alterou seus preços aos consumidores brasileiros, mas reconheceu que a pressão sobre os custos - após os reajustes de insumos - terá que ser repassada. "Se os custos sobem, temos que transferir isso ao mercado", apontou.
Siderurgia: Multinacional tem reservas de minério de ferro no Estado, o que torna o projeto mais competitivo
Minas leva vantagem na disputa por nova usina da ArcelorMittal
VALOR ECONÔMICO - Proximidade da matéria-prima e logística de transporte serão fatores determinantes para a localização da nova siderúrgica de aços planos que o grupo ArcelorMittal planeja montar no Brasil. Nesse ponto, Minas Gerais pode vencer a disputa com o candidato até agora mais cotado por esse investimento, o Espírito Santo. Segundo apurou o Valor, isso está em discussão dentro do grupo, que vai definir qual é o projeto mais competitivo. O novo cenário de preços do minério de ferro, que dobrou de valor a partir deste mês, reforçou a análise dessa alternativa.
Até agora, era dado como certo que a ArcelorMittal faria a nova usina em parceria com a Vale, que desenvolve estudos para montar uma usina de placas em Ubú, litoral capixaba, conhecida como CSU. O desenho do projeto, conforme já divulgado pela mineradora, é de produzir 5 milhões de toneladas de aço ao ano. O investimento nessa obra é estimado em pelo menos US$ 5 bilhões e tem previsão de entrar em operação por volta de 2014/2015.
Ontem, Lakshmi Mittal, presidente do conselho e do grupo, disse em São Paulo, no congresso do aço, que há apenas conversações preliminares com a Vale sobre o empreendimento e que a empresa vai conversar também com outros interessados. "Vamos analisar, pois há outras oportunidades a serem avaliadas e depende também da demanda futura de aço", afirmou empresário, que comanda o maior conglomerado produtor de aço no mundo. Tem capacidade instalada de quase 120 milhões de toneladas por ano, mas com a crise global, em 2009 produziu pouco mais de 70 milhões de toneladas.
A alternativa de instalar a usina em Minas Gerais faz sentido, pois no Estado opera duas minas de ferro, uma na região de Serra Azul, que foi adquirida em agosto de 2008, e outra na região de João Monlevade, no Vale do Aço, chamada Andrade. Em Minas, o grupo já produz, aços longos em duas usinas - João Monlevade e Juiz de Fora - e inox, numa siderúrgica em Timóteo, a antiga Acesita.
O governo de Minas, na figura do secretário de Desenvolvimento Econômico, Sérgio Barroso, já disse que o Estado está aberto para receber o empreendimento, oferecendo os mesmos atrativos fiscais concedidos aos outros investidores, conforme relato de uma fonte próxima ao governo mineiro. Ou seja, há uma nova rota aberta ao grupo.
Mittal foi bastante enfático ontem sobre a decisão do grupo em ampliar a produção própria de minério de ferro para assegurar suprimento de suas usinas, diante do encarecimento da matéria-prima. A meta é passar do índice atual de 54% para 75% até 2015, vindo a produzir 100 milhões de toneladas por ano. No Brasil, sem revelar o valor do investimento, a meta é elevar de 5 milhões para 15 milhões de toneladas a extração nas minas de Serra Azul e Andrade até 2014. Essa última mina já supre a usina de João Monlevade.
Se um dos fatores de instalação da nova siderúrgica no país é tirar vantagem de minério de ferro a preço de custo, nada mais sensato que se utilize o minério dessas minas e que o empreendimento seja próximo delas, para assegurar logística de suprimento, analisou um especialista. Com a Vale, na CSU, o minério, certamente, será da brasileira, a preço de mercado internacional. Nesse projeto, a Vale planeja ser apenas minoritária, com no máximo 20%, ao contrário da Alpa, no Para, na qual será dona de 100% do capital, pelo menos até quando entrar em operação.
A vantagem de ser no Espírito Santo é que o grupo poderia transportar as placas até a usina de Tubarão, em Serra, e ali fazer produtos laminados, como chapas a frio e galvanizadas para aplicações em automóveis e bens de linha branca. Com isso, poderia criar uma nova frente de produção desse material, com vistas ao mercado interno, principalmente, mas também para exportação. No ano passado, a ArcelorMittal já atingiu 26% das vendas de laminados planos no Brasil.
Em Minas, o projeto da usina teria de ser mais amplo, abarcando essas etapas de laminação. São discussões que a diretoria de aços planos nas Américas, comandada por Aditya Mittal, principal executivo financeiro e estrategista, entre outras atribuições, da ArcelorMittal vai analisar daqui para frente com os executivos brasileiros.
Lakshmi mostrou-se ontem bastante cauteloso quanto aos futuros investimentos no Brasil. O grupo, que sofreu um tranco forte com a crise, quer assegurar-se de fatores de competitividade para suas operações. Ele mencionou a questão do cambio, da inflação, do elevado custo de capital em novos investimentos, comparado a outros países, e a questão de infraestrutura logística.
O empresário reafirmou o propósito de investir US$ 5 bilhões no país em projetos iniciados em 2009 e em outros, no período até 2014. Nesse valor está a duplicação da usina de João Monlevade, para 2,4 milhões de toneladas, e a ampliação das duas minas de ferro, além de novas instalações na usina de Tubarão para fazer produtos laminados. Na semana passada, a companhia inaugurou a nova unidade de aço galvanizado em São Francisco do Sul (SC), voltada para o mercado de linha branca e para a construção civil.
Eike e chineses firmam parceria de US$ 5 bi
Empresários fecham associação para a construção de um complexo siderúrgico na vizinhança do porto do Açu, no Rio / Parceiros asiáticos vão bancar 70% dos custos do empreendimento; Petrobras fecha acordo com 2ª maior petrolífera chinesa
FOLHA DE S.PAULO - A EBX brasileira e a Wuhan chinesa formalizaram ontem uma associação de US$ 5 bilhões para construir o Complexo Siderúrgico de Açu, no Estado do Rio, conforme informou o empresário Eike Batista, da EBX, que acompanhou a visita do dirigente Hu Jintao.
Os chineses entram com 70%, e os brasileiros, com 30% do empreendimento, planejado para aproveitar a infraestrutura do superporto de Açu, na mesma área fluminense.
A expectativa, segundo Eike, é que fique pronto em três anos e produza 5 milhões de toneladas por ano, empregando 2.000 pessoas. O porto e o complexo têm a pretensão de gerar 50 mil empregos em dez anos.
Eike explicou que o Brasil exporta matéria-prima para a China, como aço e alumínio, e quer ganhar valor agregado em seus produtos -como destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso ao lado de Hu Jintao, no Itamaraty. Em vez de apenas importar, a China passará a investir na produção dentro do próprio Brasil, para depois exportar. Segundo Eike, a prioridade será, primeiro, o mercado brasileiro e, depois, a exportação do excedente para a China. A divisão dos lucros será correspondente ao investimento: 70% e 30%.
"Os chineses não têm matérias-primas e estavam comprando jazidas na Austrália, na África e até na América do Sul. Agora, eles compram indústrias e querem produzir nos outros países, o que é bom para nós no Brasil. Não queremos ser uma grande fazenda nem uma grande mina", disse Eike.
Depois de elogiar o processo da China para a inclusão de 400 milhões de pessoas a cada década para a classe média, Eike criou um neologismo para definir o processo: "Ninguém no mundo está reingenheirando isso tão bem como os chineses".
China vai investigar a Vale e outras duas grandes mineradoras
Suspeita chinesa é que as empresas estejam fazendo um controle monopolista ilegal do preço do minério de ferro / País asiático é o maior comprador mundial da commodity; siderúrgicas têm reclamado do novo modelo de fixação de preço
FOLHA DE S.PAULO (PATTI WALDMEIR/PETER SMITH – FINANCIAL TIMES - Tradução de PAULO MIGLIACCI) - A China, maior compradora de minério de ferro, anunciou ontem que vai investigar se as empresas Rio Tinto, Billiton BHP e Vale estão exercendo controle monopolista sobre o preço da commodity. O anúncio, do Ministério do Comércio chinês, expõe a frustração de Pequim diante da incapacidade da China para controlar o preço de um recurso natural essencial para a sua indústria siderúrgica.
"O serviço antitruste do Ministério do Comércio está estudando a questão no momento", declarou um porta-voz. Siderúrgicas de outras regiões, entre as quais a União Europeia, também mencionaram preocupação quanto a questões de concorrência.
O anúncio confirmou reportagens publicadas no começo da semana pela mídia estatal chinesa quanto à possibilidade de uma investigação desse tipo. Mas não estava claro, ontem, se o anúncio conduziria a uma investigação mais ampla. Ao que se sabe, as mineradoras não foram notificadas formalmente quanto a uma possível investigação. BHP Billiton e Rio Tinto se recusaram a comentar o assunto.
A brasileira Vale e as anglo-australianas BHP Billiton e Rio Tinto dominam o setor mundial de minério de ferro e respondem por cerca de 70% das exportações da commodity.
As siderúrgicas chinesas vêm expressando ruidosamente suas queixas quanto à disparada nos preços.
A investigação surge no momento em que o sistema mundial de formação de preços do minério de ferro está avançando pela primeira vez na direção do uso de preços de mercado, em substituição ao velho sistema de preço de referência.
Eleições: Em evento, Goldman defende privatização da CSN feita por FH
Lula diz a empresários do aço que mudanças trazem risco
VALOR ECONÔMICO (15/04) - Em discurso voltado para empresários, presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu "juízo" para manter a situação econômica que o país atravessa e, em tom parecido com o qual foi vítima nas eleições de 2002, tentou mostrar eventuais riscos de mudança de governo. "Queremos fazer com esse país não volte atrás. Se a gente for imaginar as incontáveis vezes que esse país teve condições de dar um salto de qualidade e de se transformar numa grande economia e a quantidade de vezes que nós retrocedemos, ou seja, nós não temos o direito de fazer mais isso com o país", afirmou Lula para uma plateia de empresários, no Congresso Brasileiro do Aço. Ontem, Lula recebeu do Instituto Aço Brasil (IABR) o prêmio Personalidade do Aço do ano.
Segundo Lula, se a atual situação for mantida, o Brasil pode chegar a ser a quinta maior economia mundial dentro de seis a oito anos. O presidente ressaltou a participação do empresariado ao lembrar das medidas tomadas contra a crise econômica, como o aumento da oferta de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pediu ainda aos empresários do setor que elaborem propostas para o próximo governo. Disse também que o governo sabe da necessidade de aumentar a capacidade de competir das empresas nacionais e que não existe nenhum tabu em discutir redução de impostos federais ou de ICMS e de custos de energia e de transporte.
O presidente ironizou o principal slogan da pré-campanha de José Serra (PSDB) à Presidência nas eleições de outubro. Na despedida do governo de São Paulo e durante o lançamento da pré-candidatura no sábado, Serra utilizou a expressão "o Brasil pode mais".
Questionado hoje sobre o assunto, Lula disse que "o Brasil sempre pode mais". "É uma pena que, quando eles governaram, não acreditaram que o país podia mais", afirmou o presidente, destacando que agora o Brasil goza de grande credibilidade no mundo.
Lula preferiu não comentar os resultados da pesquisa Sensus, divulgada na terça-feira, que aponta empate entre Serra e a pré-candidata governista, Dilma Rousseff.
"Está cedo para discutir pesquisa. Temos seis meses pela frente. A única coisa que eu posso dizer aos candidatos é que não tenham pressa porque uma campanha é uma maratona de muitos quilômetros. Quem tentar correr, vai chegar cansado", observou.
O presidente disse que vai esperar o Congresso votar o reajuste para os aposentados que ganham acima do salário mínimo para depois avaliar se veta a proposta. Líderes do Senado fecharam um acordo em torno de um aumento de 7,7%. Contudo, o percentual não agradou aos governistas da Câmara, que alegam que o governo não tem recursos suficientes para bancar o aumento. Lula frisou que vai procurar saber em que condições políticas o tema foi votado e avaliar se a Previdência tem condições de sustentar reajuste. "Longe de mim fazer injustiça para os aposentados brasileiros. Só que tenho que levar em conta a disponibilidade do dinheiro, que é do próprio trabalhador", disse. Segundo Lula, o acordo com as centrais sindicais é de 6,14%.
Durante abertura do congresso de siderurgia, o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), defendeu a privatização da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), vendida ao setor privado durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso. "Esse foi o setor que foi exemplo de sucesso de privatização", disse Goldman, que lembrou ainda a quebra do monopólio da Petrobras durante os anos FHC. "É uma questão pragmática, não é uma questão ideológica", afirmou o governador de São Paulo. A campanha petista tenta retomar o discurso de 2006 nestas eleições, ao afirmar que o PSDB é privatista e que o partido de oposição teria a intenção de vender mais estatais caso volte a governar. Goldman , no entanto, disse ontem que há empresas estatais que devem ser mantidas como tal. "O que vale é o interesse público", afirmou.
Para presidente do IABR, candidatos estão preparados
VALOR ECONÔMICO - Os dois principais postulantes à Presidência, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), estão preparados para o cargo, disse ontem o presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABR ), Marco Polo de Mello Lopes. "Dilma e Serra estão preparados para exercer esse cargo maior. Tem que ter como meta, como visão, o país que se quer ter, com pleno emprego, crescimento econômico e desenvolvimento", afirmou Lopes na abertura do 21º Congresso Brasileiro do Aço.
O setor defende mudanças na política comercial para combater a concorrência desleal com os outros países, a aprovação da reforma tributária e ajustes na política cambial. O segmento tem sido afetado pela entrada de importados no Brasil e é alvo de restrições comerciais de outros países. Neste momento, as siderúrgicas apelam para que o governo mantenha os incentivos fiscais concedidos à construção civil, automóveis, bens de capital e eletrodomésticos da linha branca, setores responsáveis por 85% do consumo do aço brasileiro. "Esses setores têm que estar apoiados. Deveria ser mantido o incentivo", disse Lopes.
O IABR, antigo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), contribui para campanhas eleitorais e costuma não fazer distinção partidária. Na avaliação do executivo, o atual governo está tomando medidas na área tributaria, mas é preciso reduzir o peso dos tributos no PIB, na faixa dos 40%. "Aqui é único lugar que antes de estar investindo, você já está pagando. O mundo hoje é diferente do pré-crise, é mais competitivo. Qualquer ganho que você tenha de competitividade é muito importante", afirmou.
Sobre a política cambial, defende a manutenção do regime flutuante, mas com a possibilidade de fazer ajustes sob fortes oscilações.
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