Notícia

 

Ano II – nº 124 – Fortaleza/CE – edição: 15.04.2010

 

Aço: Siderúrgicas vão repassar alta do minério
VALOR ECONOMICO - O reajuste próximo a 100% no preço do minério de ferro acertado entre as mineradoras e algumas siderúrgicas terá impacto importante nos custos da produção de aço brasileira e terá de ser repassado, no mínimo parcialmente, ao consumidor, afirmou ontem Flávio Azevedo, presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), entidade que representa as siderúrgicas, durante congresso do setor em São Paulo.

"É muito complicado conseguir, com margens apertadas, não repassar para a cadeia parte disso (aumento do minério)", disse Azevedo durante entrevista antes da abertura do Congresso Brasileiro do Aço. Segundo o executivo, o minério de ferro corresponde, na média, a 20% do preço final de produtos siderúrgicos, como bobinas e chapas de aço.
Mas Azevedo descartou uma pressão de possíveis reajustes sobre os índices de inflação. Segundo ele, o peso do aço no custo final de produtos como carros e eletrodomésticos, ou mesmo imóveis, é menos relevante do que se imagina.
Para exemplificar, Azevedo citou estudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) que concluíram que os produtos siderúrgicos representam 8% no valor final de um carro popular como o Gol, da Volkswagen. No caso do Astra - um carro mais sofisticado fabricado pela General Motors -, o peso do aço no preço final cai para 6%, disse Azevedo com base no estudo do IPT.
O presidente do IABr acrescentou que, no caso das geladeiras e fogões, o peso de produtos siderúrgicos no custo final ao consumidor é de 10% e 17%, respectivamente. O mesmo ocorre na construção civil. Em edifícios de oito andares, por exemplo, a parcela no preço final é de 8%.
"O reajuste não vai causar uma catástrofe inflacionária", disse. "O aço é um componente de peso, mas não é um componente de custo", acrescentou Azevedo, que entrega hoje a presidência do IABr a Marco Polo de Mello Lopes, atualmente vice-presidente da entidade.
Durante o evento, Azevedo garantiu que o setor está preparado para atender a um crescimento da demanda a partir do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, dos projetos relacionados à exploração de petróleo na camada pré-sal e investimentos do governo em infraestrutura, além da realização no país das Olimpíadas e da Copa do Mundo. A expectativa é que esses eventos gerem um consumo adicional de 8 milhoes de toneladas de aço.
Segundo dados do instituto, a capacidade de produção de aço no Brasil supera em 23,1 milhões de toneladas a demanda doméstica projetada para este ano, de 25,4 milhões de toneladas em aço bruto. Atualmente, o setor está operando a um nível entre 80% a 85% de sua capacidade.
"Podemos atender a todas as casas previstas no Minha Casa, Minha Vida, e ainda assim conseguiremos exportar o excedente de aço", disse Azevedo.
Durante o evento, a entidade informou que a produção brasileira de aço bruto alcançou 7,96 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2010, uma alta de 59,3% em relação ao volume de 5 milhões de toneladas produzido no mesmo período do ano passado, em um dos piores momentos da crise financeira para o setor.
O IABr também reportou vendas de 5,03 milhões de toneladas das siderúrgicas brasileiras no mercado doméstico. Esse volume representa um crescimento de 62% perante às vendas internas de 3,1 milhões de toneladas nos três primeiros meses de 2009.
O balanço do instituto mostrou exportações de 2,02 milhões de toneladas no primeiro trimestre, com elevação de 40,2% no confronto anual. Nessa mesma base de comparação, a importação de produtos siderúrgicos no Brasil mais que dobrou, passando de 574 mil toneladas para 1,32 milhão de toneladas. Dessa forma, o consumo aparente de aço no país alcançou 6,25 milhões de toneladas entre janeiro e março, marcando incremento de 73% sobre mesmo período do ano passado.
Para todo o ano de 2010, o instituto prevê produção de 33,16 milhões de toneladas de aço bruto, superando o volume 26,5 milhões de toneladas de 2009.
Minério de ferro: Região norte do Estado vai receber R$ 6,8 bilhões em investimentos capitaneados por chineses

Alta do preço acelera projetos em MG
VALOR ECONÔMICO - As perspectivas de alta no minério de ferro têm acelerado investimentos fora do quadrilátero ferrífero em Minas Gerais. Depois de anunciar, na terça-feira, protocolo de intenções com a Mineradora Minas Bahia (Miba) de R$ 3,6 bilhões para extração e beneficiamento do minério no norte do Estado, o governo mineiro deve divulgar nas próximas semanas um investimento de R$ 3,2 bilhões da Sul Americana de Metais (SAM).
Os projetos estão em regiões próximas. O da Miba entre Grão Mogol e Rio Pardo de Minas e o da SAM, entre Salinas e Grão Mogol. Ambos contam com participação significativa de capital chinês.
Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento de Minas Gerais, Sérgio Barroso, o investimento da SAM está sendo negociado com a Votorantim Novos Negócios, uma empresa de "venture capital" da holding da família Ermírio de Moraes. "Sabemos da participação chinesa, mas são eles que estão conduzindo as tratativas conosco", disse Barroso.
Em janeiro, a Votorantim firmou um acordo para vender o projeto para a chinesa Honbridge Holdings Ltd., sediada nas Ilhas Cayman e com escritório central em Hong Kong. O projeto prevê iniciar produção de 25 milhões de toneladas de minério em "pellet-feed" ao ano a partir de 2014, com beneficiamento em Minas e escoamento por meio do litoral da Bahia. Segundo divulgou em janeiro um dos sócios do empreendimento, o geólogo João Carlos Cavalcanti, os chineses ficariam com mais de 90% do capital da SAM, mas os antigos acionistas permaneceriam na empresa para garantir suporte à implantação do projeto. De acordo com um memorando de entendimento divulgado no fim do ano passado pela Honbridge, o grupo Votorantim estaria à frente do empreendimento até o início da operação da mina, devendo negociar todas os acordos e licenças com as partes governamentais.
Segundo um relatório da Honbridge disponível na página da empresa na Internet, o aporte previsto é de US$ 2,6 bilhões na execução do empreendimento, sendo US$ 422 milhões para a mina, US$ 828 milhões para um mineroduto de 470 quilômetros para transportar o minério (na forma de polpa), US$ 326 milhões para um terminal portuário ao norte de Ilhéus (BA) e US$ 1 bilhão para uma unidade de produção de pelotas de ferro. A projeção de lucro Ebitda era de US$ 758 milhões em 2015 e uma receita na ocasião de US$ 1,25 bilhão anuais.
O documento menciona a hipótese de pleitear linhas de financiamento oriundas do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FNDE), gerido pela Sudene, ou do Fundo Constitucional do Nordeste, operado pelo Banco do Nordeste. Os autores do documento observam que os investimentos podem ser reduzidos em 20% com a importação de máquinas e equipamentos chineses para todas as etapas do projeto.
"Como o teor do minério de ferro no norte de Minas é baixo, os investidores sempre procuram negociar um pacote de vantagens para melhorar a margem. No caso da SAM, eles estão pedindo contrapartidas na questão tributária. No caso da Miba, a preocupação era em relação à logística de transporte", afirmou Barroso. Segundo o secretário, o governo mineiro procura ainda mudar o formato do projeto que envolve a Votorantim para substituir o mineroduto por uma ferrovia, "que permite maior geração de empregos", de acordo com Barroso. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, o grupo Votorantim não destacou interlocutores para comentar o tema.
Estratégia: Investimentos somam R$ 33 bilhões e a maior parte da produção irá para o mercado externo
Vale avança em projetos na área de aço
VALOR ECONÔMICO (14.04) - Com a perspectiva de contribuir para um aumento relevante na capacidade nacional de produção de aço, os projetos siderúrgicos da Vale começam a sair do papel. É o caso da usina ThyssenKrupp CSA, no Rio de Janeiro, com participação de 26,87% da mineradora, que deverá começar a operar em junho. Além dele, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará, parceria com a coreana Dongkuk, começou os trabalhos de terraplenagem em dezembro e a Aços Laminados do Pará (Alpa), desenvolvida individualmente pela Vale no município paraense de Marabá, já obteve licença prévia e espera dar início às obras também em junho. As inaugurações estão previstas para 2013 (Alpa) e 2014 (CSP).
Em fase mais preliminar está a Companhia Siderúrgica Ubu (CSU), no Espírito Santo, que ainda não concluiu a compra de terrenos e pode ter de postergar o início das operações para depois de 2014. De acordo com a Vale, os quatro projetos poderão aumentar em 50% a capacidade de produção de aço do país. O investimento total previsto para os empreendimentos - incluindo o montante a ser aportado pelos sócios - é de aproximadamente R$ 33 bilhões.
Segundo o diretor de siderurgia da empresa, Aristides Corbellini, os investimentos em aço da Vale estão inseridos em uma estratégia de longo prazo. "O objetivo é desenvolver o setor no Brasil e, dessa forma, agregar valor ao minério e gerar riqueza e desenvolvimento em vários Estados", define. De acordo com o executivo, o posicionamento anterior da companhia, de ter participações minoritárias e temporárias, foi revisto em 2008 devido a uma mudança na percepção do negócio. "A siderurgia é uma opção interessante como investimento e - principalmente no Brasil - um excelente negócio", afirma, destacando, por exemplo, a boa média de retorno aos acionistas proporcionado pelos projetos siderúrgicos brasileiros nos últimos dez anos.
Diferentemente dos outros três empreendimentos, em que atua ou pretende atuar com participações minoritárias, a Vale resolveu tocar sozinha a construção da Alpa. A decisão se deu pelo fato de a companhia considerar o projeto estratégico - porque promoverá a integração com a California Steel, da qual detém 50% - e por avaliar que, na etapa de desenvolvimento, a localização da usina poderia inibir empresas sem experiência na região Norte. Segundo Corbellini, a Vale só começará a pensar em sócios quando a planta estiver em operação.
Já na CSU, embora por enquanto esteja sozinha, a empresa pretende buscar um sócio majoritário logo após adquirir o licenciamento ambiental, o que espera ocorrer ainda este ano. "Já está de bom tamanho", justifica Corbellini, referindo-se ao esforço que será feito pela companhia no conjunto de projetos. Segundo ele, três empresas manifestaram interesse em associar-se à Vale na usina de Ubu, que vai produzir 5 milhões de toneladas por ano e demandará um investimento de aproximadamente R$ 8 bilhões.
Na CSP, no Ceará - que produzirá 3 milhões de toneladas por ano e tem investimentos previstos de R$ 7,6 bilhões -, a empresa participa com 49%, frente aos 51% da Dongkuk. Mas "essas participações podem variar", observa Corbellini, lembrando que "às vezes surgem necessidades de mudanças no desenvolvimento do projeto". Foi o que ocorreu no ano passado, quando a Vale aumentou de 10% para 26,87% sua fatia na ThyssenKrupp CSA devido às dificuldades que a crise econômica impôs aos negócios da empresa alemã na Europa.
Com exceção da Alpa, que destinará cerca de 30% da produção à laminação e posterior venda no mercado doméstico - em parceria com a Aço Cearense -, todos os projetos serão inteiramente voltados para a exportação. Os quatro empreendimentos seguem a mesma lógica: com a remessa de placas, as usinas brasileiras promoverão a integração vertical com outras plantas do mundo.
No caso da ThyssenKrupp CSA, que produzirá 5 milhões de toneladas por ano, a integração se dará com uma unidade que a empresa alemã está erguendo no Estado do Alabama (EUA). Na CSP, com as instalações da Dongkuk na Coreia, é a maior compradora de placas do mundo. E, na Alpa, o percentual da produção exportada (cerca de 70% das 2,5 milhões de toneladas anuais) irá principalmente para a California Steel, usina instalada na cidade de Fontana (EUA) na qual a Vale detém, desde 1984, participação de 50%, e foi seu primeiro investimento no setor siderúrgico (a outra sócia é a japonesa JFE). A perspectiva é de que a CSU siga a mesma lógica e tenha como sócio uma siderúrgica não-integrada - ou seja, que não compre minério de ferro e sim as placas de aço.
Todos os projetos incluem contratos de longo prazo de compra de minério da Vale, que geralmente vão de 12 a 15 anos. Corbellini observa que este item é vantajoso não apenas para a mineradora, mas também para os sócios. "Hoje em dia, o minério está se tornando escasso, principalmente na qualidade dos minérios da Vale", diz.
O diretor da Vale nega que o cronograma de investimentos da empresa em siderurgia tenha sofrido atrasos. Ele cita o exemplo da ThyssenKrupp CSA, da qual foi presidente, para frisar que - não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro -, os projetos siderúrgicos têm longa maturação. "A CSA, que vai iniciar a operação em junho, começou a ser discutida seis anos atrás, em 2004, e a pedra fundamental foi lançada em setembro de 2006, quando já tinham se passado quase 30 meses desde o começo das conversas", lembra. "O cronograma rígido é quando está na implantação. Na concepção, não", acrescenta.
Estratégia: Empresa tem como meta agregar 50% de valor aos produtos
Usiminas tem plano para se tornar grupo global
VALOR ECONÔMICO (14.04)  - A Usiminas pretende crescer ao longo dos próximos anos, em uma estratégia que busca fazer da empresa um grupo siderúrgico global, com base em quatro eixos: mineração e logística; siderurgia; transformação do aço; bens de capital. Para reforçar sua presença no mercado, em 2010 e 2011, são previstos investimentos de R$ 5,6 bilhões, valor superior ao que foi aplicado pela empresa nos últimos dez anos. Nos próximos cinco anos, a expectativa é de aumento de 22% para 50% na venda de produtos com valor agregado. A substituição do executivo, Marco Antônio Castello Branco, que ficou quase dois anos como presidente da empresa, pelo presidente do conselho de administração, Wilson Brumer, não mudará os planos ambiciosos da siderúrgica.
Atualmente, cerca da metade do minério de ferro consumido nas duas usinas da Usiminas vem de minas próprias, número que poderá mudar até 2014 com os investimentos a serem realizados pela siderúrgica. No fim de 2009, o ritmo de produção nas suas quatro minas chegou a 6,2 milhões de toneladas. A meta da Usiminas é chegar a dezembro de 2010 com um ritmo de produção de 580 mil toneladas mensais, equivalentes a 7 milhões de toneladas anuais, por meio de pequenos ajustes operacionais e ganhos de produtividade das instalações existentes. "A partir desse patamar serão feitas pequenas expansões nas plantas de beneficiamento e na logística interna, permitindo que em 2012 alcancemos 11 milhões de toneladas anuais", diz Castello Branco, que fica no comando da empresa até o dia 30 deste mês.
Os planos não param por aí. A meta é mais ambiciosa. "Para atingirmos 29 milhões de toneladas anuais a partir de 2014, precisamos investir pesadamente na extração, no beneficiamento de minério e na logística das nossas minas", afirma. Em 2014, com a produção de 29 milhões de toneladas, haveria minério em potencial suficiente para suprir toda a necessidade da Usiminas, o que asseguraria maior conforto em relação às oscilações de preço no mercado. O plano de investimento a ser realizado na área de mineração para que a meta seja atingida ainda está em elaboração.
Em paralelo à ambição, a Usiminas trabalha na cisão dos ativos de mineração e logística, criando uma nova empresa do grupo responsável por gerenciar o eixo mineração-ferrovia-porto, uma forma de agregar maior valor à sua operação. "Tanto a cisão dos ativos como negociações com potenciais investidores estratégicos estão em curso", diz o executivo. A intenção é atrair um sócio estratégico minoritário para a nova empresa e, posteriormente, abrir o capital na Bolsa de Valores. O processo deve ser concluído ao longo desse ano. "Quanto a um eventual IPO, não há data definida para a sua realização", diz Castello Branco.
Além das minas em que produz seu próprio minério, a siderúrgica detém 20% de participação na MRS Logística e o projeto de construção de um porto na Baía de Sepetiba (RJ). Em um terreno adquirido em 2008, a Usiminas pretende instalar um terminal portuário para movimentação de granéis sólidos com capacidade de 25 milhões a 30 milhões de toneladas por ano. O investimento previsto é de US$ 600 milhões e o porto deve iniciar suas operações em 2014.
Em 2010, estima-se que a economia brasileira cresça 5%, a produção industrial, 12%, e a demanda por aços planos, 20%. O futuro também é promissor: as descobertas do pré-sal, as Olimpíadas, a Copa do Mundo, o programa Minha Casa, Minha Vida apontam para um ciclo de crescimento sustentável. Diante do cenário, a Usiminas retomou o projeto de instalação de uma nova usina, a ser construída em Santana do Paraíso (MG). "Estamos atualizando o projeto, devemos submetê-lo ao conselho de administração no início do segundo semestre. A melhoria das condições do mercado brasileiro é o principal fator que sustenta a construção da primeira fase da usina, com capacidade de 2,5 milhões de toneladas de placas. A segunda etapa de igual capacidade ficará para um momento posterior."
Em outra frente de atuação, a empresa vem ampliando seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento para agregar maior valor a seus produtos. Há projetos envolvendo aços para blindagem, subcomponentes para torres eólicas e estruturas metálicas para edificações populares. Em 2009, foram aplicados R$ 19,2 milhões e a expectativa é de que neste ano essa cifra pule para R$ 28,9 milhões. A empresa está de olho no pré-sal: com investimentos de R$ 10 milhões irá construir no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro uma unidade de pesquisa para trabalhar lado a lado com a academia e a Petrobras no desenvolvimento de novas soluções para o setor de óleo e gás.
Outro movimento é reforçar, a partir da formação de alianças, sua presença no setor de construção civil, cuja demanda por aços planos pode crescer 40% em 2010. Nesse contexto, a Usiminas pretender firmar parcerias como acionista minoritária com construtoras. O primeiro passo dado com as empresas Codeme e Metform que vai conferir à siderúrgica a participação equivalente a 30,7% do capital de cada uma.
Esforço para atuar em todos elos da cadeia produtiva
VALOR ECONÔMICO (14.04) - Em 2009, a Usiminas reestruturou suas operações agrupando seus negócios em quatro unidades: mineração e logística; siderurgia; transformação do aço; bens de capital. Em sua estratégia de crescimento para os próximos anos, a siderúrgica busca reforçar sua participação no segmento de bens de capital, onde por meio da Usiminas Mecânica é líder no país e detém em sua carteira diversos projetos de longo prazo. Com isso, passará reforçará sua presença em todos os elos da cadeia, da produção de minério aos bens de capital, agregando maior valor ao seu portfólio de serviços e produtos.
Um dos principais objetivos da empresa é participar do crescimento do setor de óleo e gás previsto para acontecer no Brasil nos próximos anos. Estima-se que mais de US$ 175 bilhões em investimentos da Petrobras e outras petroleiras para explorar petróleo e gás natural das jazidas da camada de pré-sal no litoral brasileiro. Deverão ser feitas encomendas para plataformas, navios e dutos, o que abre grandes oportunidades de negócios. "As perspectivas são boas, porque o mercado vai crescer nesse setor e imaginamos que no futuro poderemos ajudar a transformar o Brasil numa plataforma de exportação de navios e plataformas, como é o caso hoje da Coreia do Sul, Singapura e alguns Emirados do Golfo Pérsico", diz o presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, que está deixando o cargo da empresa nesse mês e será substituído pelo presidente do conselho de administração, Wilson Brumer.
Recentemente, a Usiminas Mecânica ingressou no mercado como EPCista (grandes contratos em que uma empresa se encarrega de diversas partes do planejamento inicial à entrega do produto), com a criação de duas novas unidades de negócios: siderurgia e óleo e gás. "Nosso objetivo é atuar em toda a cadeia de valor da exploração e produção de petróleo e gás. Hoje, fornecemos chapas de aço para estaleiros e fabricantes de plataformas. Pela Usiminas Mecânica fornecemos blanks, que é uma peça de aço processada pronta para ser soldada, e estruturas pesadas."
A empresa busca ainda mais: está se habilitando para fornecer os módulos de exploração do pré-sal e, posteriormente, pensa em oferecer a integração dos módulos num casco. A Usiminas Mecânica investirá US$ 200 milhões na instalação de um estaleiro para construção de módulos para plataformas marítimas e na construção de uma nova fábrica de estruturas metálicas para fabricação de painéis e blocos para o setor naval, com capacidade mensal de 3 mil toneladas, na Usina de Cubatão (SP). "Formamos um consórcio com a Promon para instalarmos em Cubatão uma fábrica com capacidade de construir simultaneamente até 18 módulos de plataformas."
A parceria é estratégica: a Promon agrega competências em engenharia de que a Usiminas Mecânica não dispõe. A vantagem de instalar a fábrica em Cubatão reside na proximidade das instalações de produção e processamento de aço, blanks e estruturas metálicas, além da disponibilidade de acesso ao mar pelo terminal portuário privativo. "A licença ambiental de instalação já foi concedida e fábrica deve estar pronta em 2011. Pretendemos dar início aos trabalhos tão logo tenhamos pedidos em carteira", comenta.
A Usiminas Mecânica também está de olho na Copa do Mundo e na Olimpíada. A ser realizada em 12 cidades brasileiras em 2014, a Copa do Mundo poderá representar pedidos importantes. "Vamos participar através de consórcios com algumas construtoras das licitações para reforma de alguns estádios. Além disso, vamos oferecer soluções em estruturas metálicas para os ganhadores das licitações."
As obras necessárias para a realização dos dois eventos vão além da construção e reforma de estádios e arenas, porque envolvem o atendimento a toda infraestrutura urbana e turística para atender às exigências técnicas da Fifa. Serão necessários investimentos na melhoria do transporte público, em aeroportos, hotéis, vias, saneamento básico, na capacidade energética, entre outros
Gerdau busca fatia maior em aço plano
VALOR ECONÔMICO (14.04)  - A retomada do mercado interno, aliada às boas perspectivas para os próximos anos, incentiva a Gerdau, uma das maiores fornecedoras de aços longos especiais no mundo, a buscar uma participação mais efetiva no segmento de aços planos. Em 2009, o grupo ampliou sua linha de produtos, com o início da produção de placas na usina de Ouro Branco (MG), matéria-prima para a fabricação de aços planos. Este ano, está investindo na instalação do laminador de chapas grossas, também em Ouro Branco, o que envolve recursos da ordem de R$ 1,75 bilhão. O montante faz parte do plano global de investimentos da companhia, no valor de R$ 9,5 bilhões para os próximos cinco anos (2010-2014), informa André Gerdau Johannpeter, diretor-presidente. "Pretendemos investir principalmente no Brasil, destino de aproximadamente 80% das nossas aplicações nos próximos cinco anos", assegura.
O laminador de chapas grossas em Ouro Branco terá capacidade instalada de um milhão de toneladas por ano, com possibilidade de futuras expansões, e sua entrada em operação está programada para o final de 2012. A Gerdau já atua no mercado de aços planos no Brasil, por meio da Comercial Gerdau, principal distribuidora de produtos de aço. Nesse caso, os produtos em aços planos são fabricados por outras empresas. "O principal foco do investimento do laminador de chapas grossas é o mercado interno, especialmente para o segmento petrolífero, seguido da indústria naval, da construção civil (construção metálica) e de equipamentos pesados (máquinas e implementos). O excedente de produção será destinado à exportação para os demais países da América Latina", explica Johannpeter.
A diversificação da linha de produção não é uma tarefa fácil, admite o executivo. Mas, dadas as suas diversas aplicações em segmentos como automotivo, linha branca, embalagens e industrial, este é um mercado que pode abrigar diversos players. "Vamos buscar nos diferenciar da mesma forma que fazemos em aços longos e especiais - pela qualidade -, atuando em linhas em que o mercado tenha necessidades não atendidas e substituindo importações."
Segundo ele, as tendências da economia apontam para a retomada intensa do crescimento. "Em comparação com os demais países, o Brasil se encontra em posição privilegiada, em razão da boa condução da política econômica ao longo das últimas décadas.
A Gerdau, adianta o executivo, está preparada, com uma extensa linha de produtos para atender às demandas da construção civil. São vergalhões, colunas POP, sapatas, estribo, treliças e outros materiais específicos para serem utilizados na construção das casas do programa "Minha Casa, Minha Vida". "A empresa aposta nas vantagens da inovação e promove regularmente palestras e debates com especialistas em engenharia para verificar novas oportunidades", diz.
O grupo também se ressente da crise que afetou pesadamente a siderurgia brasileira. "O ano de 2009 foi atípico em todos os setores da economia mundial e brasileira. No caso do aço, ainda que em menor grau perante muitos outros países, a produção brasileira apresentou redução de 21% em 2009 em relação ao ano anterior, segundo o Instituto Aço Brasil (IABr). Em termos de desempenho do grupo, no ano passado, de acordo com Johannpeter, a histórica sazonalidade do quarto trimestre, que resultou em menor demanda por aços longos principalmente na América do Norte, diminuiu em 5,3% as vendas físicas consolidadas da Gerdau na comparação com o terceiro trimestre, para 3,7 milhões de toneladas. Ao longo de 2009, as vendas físicas consolidadas da companhia chegaram a 14 milhões de toneladas. No quarto trimestre, a produção total de aço, de 3,8 milhões de toneladas, apresentou queda de 4,7%. No ano, a produção consolidada de aço atingiu 13,5 milhões de toneladas. Como consequência dessa sazonalidade, o faturamento bruto apresentou queda de 5% sobre o período imediatamente anterior, encerrando o trimestre em R$ 7,4 bilhões. No ano, o faturamento bruto da Gerdau foi de R$ 30,1 bilhões.
Para 2010, segundo o diretor-presidente, as perspectivas positivas se focalizam, principalmente, no mercado interno. É preciso, no entanto, vencer alguns desafios, entre eles o da alta de preço da matéria-prima.
Desenvolvimento: Primeira usina da região tem preocupação ambiental
Sinobras já finaliza nova unidade no interior do PA
VALOR ECONÔMICO (14.04) - Deve ser finalizada este ano a última unidade de produção da Siderúrgica Norte Brasil - Sinobras, no Pará. "Vamos produzir arames lisos, recozidos, fios de aço e treliças", adianta o vice-presidente da companhia, Ian Corrêa. A empresa, a primeira usina de aço do Norte e Nordeste, já entrega 300 mil toneladas de aço laminado por ano, e investe em políticas de sustentabilidade. Realiza o plantio de eucalipto em 12 fazendas de reflorestamento no Tocantins, que produziram 16 milhões de novas árvores.
Localizada em Marabá, no sudeste do Pará, a Sinobras é resultado de um investimento de US$ 400 milhões e começou a produzir aço em maio de 2008. Com a produção voltada para o mercado interno de construção civil, ingressou no setor siderúrgico tendo o vergalhão SI 50 como primeiro produto final.
Hoje, possui três unidades operacionais: a de alto-forno, para a produção do ferro-gusa; a aciaria, de fabricação de tarugos de aço, e a de laminação, de laminados de aço, como o vergalhão e o fio-máquina. "Em 2010, daremos o start up da nossa última unidade de produção, a trefila", diz Corrêa. "Vamos produzir arames recozidos, fios de aço SI 60, arames lisos para a indústria, treliças e telas eletrosoldadas."
Com uma produção total de 300 mil toneladas de aço laminado por ano, a Sinobras ocupa uma área de 760 mil metros quadrados e gera 1,7 mil empregos diretos e 10,5 mil postos indiretos. A empresa pertence ao grupo Aço Cearense, do Ceará, no mercado há 30 anos, e considerado o maior importador de aço do Brasil. O grupo faturou R$ 1,5 bilhão em 2009.
A decisão de construir a siderúrgica em Marabá aconteceu por conta da localização geográfica estratégica, da disponibilidade de matéria-prima e do desenvolvimento socioeconômico da região. "Estamos próximos da mina de ferro da Vale, em Carajás, considerada a melhor mina de ferro do mundo."
O governo estadual direcionou R$ 40 milhões na revitalização do Distrito Industrial de Marabá, além de investir R$ 150 milhões para obras de saneamento no município. "O projeto da siderúrgica no Pará é resultado de uma pesquisa que concluiu que o sudeste do Estado é uma região promissora, com vocação industrial."
Dentro de casa, a Sinobras optou pela produção de aço por meio de aciaria elétrica, que usa o ferro-gusa na forma líquida, sucata de ferro e aço - o que reduz o consumo de energia. Com essa medida, não há necessidade de fundir o ferro-gusa para a fabricação do aço, o que diminui até 30% o tempo de produção.

A empresa utiliza a proporção de 30% de ferro-gusa na forma líquida e 70% de sucata metálica para obter o aço.
"O ferro-gusa líquido não desperdiça a energia que seria envolvida no derretimento do material e a utilização da sucata desenvolve a indústria de coleta e reciclagem da região."
A estimativa é que serão usadas 300 mil toneladas de sucata, por ano, na linha de produção da usina. Já os gases gerados pelos fornos durante a fabricação do ferro-gusa são tratados e usados na unidade de reaquecimento dos tarugos durante o processo de laminação do aço. A iniciativa evita a emissão de gases no meio ambiente e ainda reduz o consumo energético da planta.
"Outro diferencial da siderúrgica é a autossuficiência em reservas florestais", afirma. "A madeira que já está plantada garante a biomassa necessária para os altos-fornos." A Sinobras realiza o plantio de eucalipto em 12 fazendas de reflorestamento localizadas em Araguatins e São Bento do Tocantins (TO).
São mais de 20 mil hectares de áreas próprias, sendo que 14 mil hectares estão plantados. O trabalho resultou em 16 milhões de novas árvores e o plano de sustentabilidade prevê o sustento da usina, com carvão vegetal próprio, até 2014.
Segundo a Sinobras, as fazendas, que geram cerca de 500 empregos diretos e mil indiretos, estão estruturadas para atividades de silvicultura. Têm 120 quilômetros de estradas internas, além de alojamentos, refeitórios, transporte para os funcionários, galpões para estocagem de matéria-prima e oficinas.
Inclui ainda as duas únicas torres de vigilância contra incêndios florestais do Estado.
A empresa também participa do Fundo Florestal Carajás, criado em 2007 para fomentar e fiscalizar projetos de reflorestamento. Os recursos são administrados por um gestor independente e fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Sinobras destina ao fundo US$ 3 por tonelada de ferro-gusa exportado. De hoje até o dia 16 de abril, a companhia também participa do 21º Congresso Brasileiro de Siderurgia/Expo Aço 2010, em São Paulo, onde vai apresentar o aço fabricado em Marabá, o SI 50.
Mckinsey vai fazer estudo sobre preços no setor
VALOR ECONÔMICO (14.04)  - A Usiminas e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) contrataram a consultoria Mckinsey para elaborar um estudo que pode, ainda este ano, quebrar de vez o paradigma da eterna "cara feia" entre produtores e consumidores de aço.
O estudo vai mostrar onde e por que os fabricantes de máquinas perdem competitividade nos mercados interno e externo. Vai apresentar ainda dados sobre os gargalos na logística e os motivos do desperdício de materiais e recursos - se os há - em toda a cadeia produtiva. E, claro, descobrir por que os preços do aço no Brasil são tão altos.
"Por iniciativa do presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, decidimos romper com essa eterna briga entre os dois setores por causa dos altos preços do aço nacional e começar a construir uma relação que nunca existiu", disse ao Valor o diretor de estratégias de mercados interno e externo da Abimaq, José Velloso Dias Cardoso.
Segundo Velloso, numa reunião no dia 29 de março entre diretores da Usiminas e da Abimaq, na sede da entidade em São Paulo, foram discutidas formas de viabilizar aumento de vendas do aço brasileiro e também da indústria de máquinas e equipamentos, tendo em vista a questão do custo da matéria-prima.
Naquele encontro, concluiu-se ainda que, para isso, era necessário, primeiro, identificar onde estavam os problemas e, depois, o que seria necessário para resolvê-los. O maior deles, na avaliação da Abimaq, é o preço do aço posto no Brasil que é de 30% a 60% mais caro do que o aço posto na Europa, por exemplo. "O preço do aço no Brasil nem manchete mais dá nos jornais porque todo mundo sabe que é mais caro do mundo", disse Velloso.
Ele informou ainda que, das 4,5 mil empresas do setor, 90% são de pequeno ou médio porte. Estas compram aço em reduzidas quantidades, motivo que as impede de barganhar com as distribuidoras. "Por isso, a maioria está à mercê do mercado à vista", explicou o executivo da Abimaq.
O estudo que a Mckinsey apresentará provavelmente até o final de julho vai investigar até a possibilidade de alterar a forma de aquisição de aço por parte das pequenas e médias empresas do setor diretamente da Usiminas.
"Trata-se de um trabalho de cooperação entre comprador e fornecedor de aço que jamais foi feito", disse Velloso. Ele acredita que, desse estudo, sairá uma solução que permita à Usiminas vender mais aço no mercado nacional e ao setor brasileiro de máquinas ganhar maior competitividade.
Do total de aço vendido no Brasil, de acordo com a Abimaq, 26% é destinado para a fabricação de bens de capital, excluindo-se navios e ônibus. Desse total, 60% são de máquinas e equipamentos.
ArcelorMittal retoma ambicioso plano de expansão
VALOR ECONÔMICO (14.04) - A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em torno de 5%, em 2010, e uma recuperação da demanda de aço a um nível 20% superior a 2009, favorece a retomada do plano de expansão da unidade de produção de aços longos da ArcelorMittal Monlevade, em Minas Gerais.
O projeto de duplicação da usina é de US$ 1 bilhão e encontra-se em fase de revalidação pela direção do grupo. "Mas, especificamente sobre a possibilidade de uma nova usina de aço plano para produzir 5 milhões de toneladas, não existe nada a respeito", diz um porta-voz do grupo ArcelorMittal no Brasil.
O plano de investimento na construção de uma nova fábrica no Brasil foi anunciado em novembro do ano passado por Lakshmi Mittal, presidente do grupo siderúrgico europeu ArcelorMittal, após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Londres.
Com capacidade de produção de 15 milhões de toneladas de aço por ano, mais de 19 mil empregados e 28 unidades industriais no Brasil, Argentina e Costa Rica, a ArcelorMittal Brasil reúne três das principais empresas siderúrgicas do país - a ArcelorMittal Aços Longos, a ArcelorMittal Tubarão e a ArcelorMittal Vega. Na área de aços longos, no ano passado, foram realizadas obras civis de infraestrutura em Monlevade, com vistas a preparar a unidade para o projeto de duplicação da capacidade instalada, atualmente em fase de análise. Prevê o aumento da capacidade instalada da unidade para 2,4 milhões de toneladas/ano de aço bruto. As obras foram iniciadas em 2008 e, segundo a empresa, seguem alinhadas às condições do mercado de aço nacional e internacional.
A unidade da ArcelorMittal Monlevade é especializada na produção de fio-máquina de baixo e alto teor de carbono e de baixa liga para as mais diversas aplicações, destacando-se o fio-máquina para lã de aço e o steel Cord (cordoalha de aço utilizada em pneus). Trata-se de uma usina integrada, com processos de produção desde a extração do minério de ferro, na Mina do Andrade, com capacidade para produção anual de 1,4 milhão de toneladas de minério, que estava arrendada à Vale desde 2004, passando pela sinterização, redução em alto-forno, refino do aço e laminação.
Já a ArcelorMittal Tubarão vai retomar a produção do alto-forno 2 no final de abril. O equipamento foi paralisado em dezembro de 2008 para antecipar manutenção, que estava programada para 2011. A empresa, que tem capacidade global de produção de 7,5 milhões de toneladas anuais de aço bruto, foi a primeira produtora de aço nacional a ajustar seus estoques e, a partir de julho de 2009, passou a operar com seus outros dois altos fornos com 100% de suas capacidades.
A Unidade de São Francisco do Sul (Vega) inicia neste mês de abril a operação em sua nova linha de galvanização. Com capacidade instalada de 950 mil toneladas/ano, entre galvanizados e laminados a frio, a unidade terá uma capacidade adicional de produção de 350 mil toneladas anuais de galvanizados a partir de 2011 com o novo equipamento. Esta linha, resultado de um investimento global de US$ 76 milhões, é especializada em produzir produtos para a indústria de eletrodomésticos e para a construção civil.
Com a implantação do segundo forno de reaquecimento de placas no Laminador de Tiras a Quente (LTQ) na ArcelorMittal Tubarão e com a expansão em Vega, dois segmentos estratégicos, a ArcelorMittal Brasil se coloca em posição privilegiada para atender à demanda crescente por laminados a quente e galvanizados nos próximos três anos.
O primeiro equipamento já produz desde junho de 2009 e aumentou a capacidade de bombinas a quente de 2,8 milhões para 4 milhões de toneladas por ano.
Quanto à ArcelorMittal BioEnergia, o plano é elevar, até 2015, a produção do biorredutor sólido renovável (carvão vegetal) para 5,5 milhões de metros cúbicos, acompanhando dessa forma uma eventual expansão do setor siderúrgico. Para 2010, os investimentos estão estimados em R$ 60 milhões, mesmo valor de 2009, a serem destinados ao plantio, manejo de florestas, à construção de novos fornos para produção de carvão vegetal, ao treinamento e qualificação de pessoal. As práticas de gestão e manejo são certificadas pela OHSAS 18001, ISO 14001 e Forest Stewardship Council (FSC).
De acordo com a ArcelorMittal, no ano passado, por meio de ações coordenadas e integradas de todas as unidades, o grupo conseguiu reverter as perspectivas negativas e iniciou a retomada do nível de negócios. Reduziu os custos, ajustou os estoques à nova realidade de mercado e adotou um rígido controle de caixa. A receita líquida consolidada da ArcelorMittal Brasil atingiu R$ 14,2 bilhões em 2009, representadas pela venda de 9,4 milhões de toneladas de produtos. A produção no ano também foi de 9,4 milhões de toneladas de aço bruto, equivalente a 35% do total produzido no país. Segundo nota da empresa, "as plantas do grupo de aço longo e planos trabalham hoje com um nível de ocupação instalada acima de 90%, mostrando-se preparadas para atender à demanda em crescimento".
ThyssenKrupp CSA inicia algumas operações no Rio
VALOR ECONÔMICO (14.04) - Depois de várias idas e vindas, provocadas pelo impacto da crise financeira mundial, o megacomplexo siderúrgico da ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), parceria do grupo alemão ThyssenKrupp e a Vale, que está sendo construído em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, deve começar a operar algumas atividades. A usina vai funcionar numa área de 9 milhões de metros quadrados, como várias fábricas interligadas, para produzir a placa de aço, que é o produto final. O porto do complexo industrial, localizado às margens da Baía de Sepetiba, que tem capacidade de importar 4 milhões de toneladas de carvão e vai exportar 5 milhões de placas de aço, já está em operação.
O pátio de armazenamento de minério e de carvão também está ativado e recebe os primeiros embarques do carvão importado e as primeiras encomendas de minério enviado pela Vale. A unidade da termoelétrica foi testada e condicionada para entrar em operação com o processo de produção todo, e a sinterização do aço, igualmente, está em fase de testes e condicionamento.
"Temos um processo parcialmente inaugurado, mas alguns processos ainda estão sendo testados e finalizados. Estimamos que a produção de placas ocorra em meados deste ano", avalia Rodrigo Tostes, vice-presidente financeiro da ThyssenKrupp CSA. "Trata-se de um programa complexo de implantação e estamos concluindo os testes das plantas de água, de oxigênio, da própria termoelétrica, das turbinas, dos altos fornos e da aciaria. A produção plena, com os dois altos fornos, deve demorar mais um ano para chegar ao seu nível máximo", diz.
A grande complexidade do empreendimento, segundo ele, é que nenhuma empresa no mundo construiu uma planta para produzir 5 milhões de toneladas de aço de uma vez, sem passar por etapas de expansão. O megaprojeto envolve € 5,2 bilhões, dinheiro investido pela ThyssenKrupp CSA com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Tostes admite ter havido problemas durante a construção por dificuldades orçamentárias, mas garante que a planta vai atender aos interesses dos investidores.
"É o maior investimento privado do Brasil nos últimos anos. e a estratégia do projeto faz parte de um crescimento global que o grupo ThyssenKrupp traçou para os próximos anos. Vamos exportar 60% dessa produção para os Estados Unidos e 40% para a Europa, especialmente para a Alemanha. Estamos falando de um aumento da balança comercial na faixa de US$ 1 bilhão, e crescimento da exportação de aço de 40% do aço brasileiro", afirma.
Mais conhecida no Brasil pela sua atuação na fabricação de elevadores e escadas rolantes, a ThyssenKrupp aporta no Rio seu primeiro investimento no mercado siderúrgico. "O objetivo é fortalecer a nossa participação no mercado europeu e principalmente nos países que integram o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio-Nafta (Estados Unidos, México e Canadá", diz Tostes. No Brasil, a planta abre grandes perspectivas de emprego, numa regiões mais carentes do Rio, que é o distrito industrial de Santa Cruz. No canteiro de obras, desde o início da construção, foram envolvidas cerca de 150 mil pessoas, entre empregos diretos e terceirizados. Quando a planta estiver em operação plena, em meados de 2011, terá 3,5 mil empregos diretos e outros 10 mil indiretos, além de movimentar mais de 20 mil fornecedores.
A concepção da usina, de acordo com Tostes, orienta-se por adotar modernas tecnologias e rígidos padrões ambientais. Segundo ele, antes mesmo de iniciar suas operações, a planta tem projetos voluntários para redução de emissões que totalizam o volume de 1,7 milhão de toneladas anuais de CO2. Desse total, 1,1 milhão de toneladas correspondem à redução proporcionada pelo fornecimento de escória a ser destinada a uma fábrica de cimento portland da Votorantim que funcionário dentro do complexo siderúrgico.

 


 

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