Notícia

 

Ano II – nº 123 – Fortaleza/CE – edição: 14.04.2010

 

ICMS castiga empresas do Ceará
DIÁRIO DO NORDESTE (Negócios – Egídio Serpa) - Denuncia o Sindicato da Indústria Metal Mecânica do Ceará: por causa da alíquota de 17% do ICMS, perderam competitividade os produtos fabricados aqui e vendidos a empresas de montagens industriais e de instalações elétricas da construção civil cearense. Sai mais barato adquirir insumos de fornecedores do Sudeste: a alíquota interestadual é de apenas 10%.

Presidente da Adece participa de reunião do Simec
FIEC ONLINE (ano 9- edição 401) - O presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Francisco Zuza de Oliveira (foto), participou no último dia 6 de abril da reunião mensal do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Ceará (Simec). Ele falou sobre o modelo de câmaras setoriais que a Adece vem adotando para integrar e desenvolver setores estratégicos da economia cearense, citando como modelos as câmaras setoriais de flores e da fruticultura, que impulsionaram esses segmentos do agronegócio e que colocam hoje o Ceará em posição de destaque no ranking nacional dos dois setores.
Zuza anunciou ainda que a área eletrometalmecânica, representada pelo Simec, deverá ser contemplada brevemente com uma câmara setorial, bastando que sejam indicadas as entidades que compõem sua cadeia produtiva para que a Adece oficialize o convite e a indicação de representantes. Em seguida, será marcada uma data para a instalação oficial do fórum. Segundo o presidente do Simec, Ricard Pereira, a integração dos diversos elos da cadeia produtiva proporcionará uma maior interação com o poder público, resultando em apoio decisivo para o seu desenvolvimento e para a superação das atuais dificuldades.
Também na última reunião do Simec, o consultor e advogado tributarista Alexandre Linhares, sócio da R. Amaral  Advogados, explicou os motivos de ordem tributária que estão retirando a competitividade dos produtos fabricados pelas empresas ligadas ao Simec, se vendidos a empresas de montagens industriais e de instalações elétricas da construção civil.  De acordo com ele, os clientes das empresas associadas ao Simec estão preferindo adquirir seus insumos de fornecedores dos estados do Sul e Sudeste por causa da menor carga tributária embutida nesses produtos.

Tal fato ocorre, explicou Alexandre Linhares, porque as mercadorias remetidas do Sul/Sudeste são tributadas com uma alíquota interestadual de 7%. Quando chegam aos estados do Nordeste, inclusive ao Ceará, pagam somente 3%, mas deveriam pagar um diferencial de alíquota de 10%. Dessa forma, os produtos originários das regiões Sul/Sudeste são tributados somente com uma carga tributária de 10% (7% + 3%), enquanto os produtos cearenses destinados a esses clientes no estado do Ceará são tributados com uma carga de 17%. Portanto, pelo menos 7% a mais do que é cobrado para os produtos vindos do Sul/Sudeste.
Essa injustiça fiscal ocorre também nas vendas dos insumos cearenses para os demais estados nordestinos, que são remetidas com uma alíquota interestadual de 12% e cobrado um diferencial de 3% na entrada do produto, totalizando uma carga tributária de 15% (12% + 3%). Já a incidente sobre os produtos do Sul/Sudeste é de apenas 10% (7% + 3%), ou seja, menor pelo menos 5%. Diante da desigualdade de condições de competição e dos prejuízos acumulados, Ricard Pereira disse que a entidade está atenta a situações assim. "Espero contar com o apoio e a parceria da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e do Cede na apreciação de um pedido que será protocolado requerendo o restabelecimento do equilíbrio fiscal entre os produtos cearenses e os dos estados do Sul/Sudeste", acrescentou.
Para o presidente do Simec, a situação atual prejudica sensivelmente alguns de seus associados e o setor industrial cearense como um todo.   "Sei que é de interesse do governo defender nossas indústrias de situações como essa; caso contrário, estaremos sujeitos a ter nosso parque industrial reduzido", finalizou Ricard Pereira.

Retomada de investimentos está atrelada à expansão sustentável do consumo doméstico.

Cenário pós-crise
VALOR ECONÔMICO - O Brasil, líder absoluto na produção de aço na América Latina, tem tudo para se tornar a maior força desse setor nas Américas, abrigando a maioria dos novos empreendimentos para fabricação do metal. Líder atual na região, os EUA - donos de um imenso e cobiçado mercado de aço -, perdem atrativos para fazer produtos semiacabados, assim como os países da Europa. Os custos são elevados e as restrições, ambientais e de outros tipos, cada vez maiores, levando o país a uma especialização em produtos acabados. Ao lado da Índia e da China, "hors concours" no setor, o Brasil se destaca como potência emergente nessa indústria de capital intensivo, mas tem pela frente muitos desafios a superar. O setor debate esses desafios a partir de hoje no Congresso Brasileiro do Aço - 21ª Edição e ExpoAço 2010, em São Paulo, eventos promovidos pelo Instituto Aço Brasil (IABr).
Vastas reservas de minério de ferro, uma longa costa oceânica e grupos locais sólidos financeiramente, dentre outros fatores, fazem parte da lista de atrativos do país. Porém, ainda existem problemas que vão da falta de uma ampla e democrática rede logística (ferrovias e portos) até uma política setorial clara para desenvolver a nova onda de oportunidades que surge mais intensa após a crise global. Diante disso, muitas vezes, o Brasil torna-se alvo de pressões políticas que buscam atender mais a interesses de curto prazo. O novo cenário, avalia-se, requer mais planejamento.
Para que o setor dê seu grande salto, um dos entraves a ser eliminados é a estagnação do consumo doméstico, afirma André Gerdau Johannpeter, que amanhã assume o cargo de presidente do conselho diretor do IABr. Pela primeira vez à frente da entidade e desde 2007 na presidência do grupo Gerdau, o empresário vê crescimento sustentável do mercado interno como fundamental. "Queremos e estamos preparados para acompanhar a onda de crescimento do país."
O consumo interno patina por três décadas, ora pouco acima ora pouco abaixo de 100 quilos por habitante ao ano. Perde para países como México e Argentina, e viu, nesse período, a China saltar de 40 para mais de 300 quilos por habitante ao ano.
Com a crise mundial que abalou a indústria do aço, o consumo local caiu de 24 milhões de toneladas, em 2008, para 18,5 milhões (96 quilos por habitante) em 2009. A previsão para 2010 é de 22,9 milhões de toneladas (116 quilos).
No continente latinoamericano, o Brasil domina a onda de investimentos. Germano Mendes de Paula, professor-doutor da Universidade Federal de Uberlândia e um dos maiores especialistas no setor, informa que dos 85 projetos anunciados e em curso desde 2009, mais da metade (44) está no Brasil. Vão abranger desde novas usinas de aço, expansões, unidades de laminação, até modernização de equipamentos de aciarias e laminadores de produtos.
"Pode ser que alguns dos projetos dessa leva nem saiam do papel, mas isso mostra a liderança e a força do país na região", diz. A retomada de investimentos no setor no Brasil, a seu ver, está atrelada a dois fatores: expansão sustentável do consumo doméstico - superando o "stop and go" de mais de duas décadas - e a atração para fabricação de aço semiacabado, em especial placas. "Com um consumo per capita sustentável que, por exemplo, dobre até 2020, o Brasil será um grande alvo de atração de investimentos", analisa.
Já a atração para fabricar aço semiacabado, afirma, vai depender das estratégias dos grupos siderúrgicos. "Será que eles vão desenvolver bilionários projetos para competir no pequeno e pouco rentável mercado mundial de placas, ou para substituir obsoletos altos-fornos e suprir laminações na Europa e EUA?", pergunta. É o caso da ThyssenKrupp, cuja usina da CSA, no Rio, visa abastecer unidades alemãs e uma nova americana. Por sua vez, a ArcelorMittal parece olhar para ambos ao investir no país: o mercado interno e o custo competitivo de produção de semiacabados. Em 2009, com o grupo sob forte impacto da crise, as unidades do Brasil garantiram 35% do seu resultado operacional.
Até 2016, segundo o IABr, o país tem um programa de investimentos anunciados e em andamento de US$ 39,8 bilhões apenas no aumento da produção de aço. Com isso, a atual capacidade, de 42 milhões de toneladas, passaria para 77 milhões de toneladas, caso todos se concretizem. A sobra de aço em relação à demanda doméstica prevista ficaria em 104%, comparado aos 91% projetados para 2010.
Um especialista do setor aponta a pesada tributação existente no país sobre investimentos em novos projetos. "Para um setor de capital intensivo como o aço, é inconcebível. Exige-se pagar o imposto antecipadamente", afirma. Além disso, observa, o custo do dinheiro no Brasil é bem acima do que é pago pelos competidores da empresas locais. O gargalo na infraestrutura do país é consenso.
Um analista ouvido pelo Valor avalia que o Brasil está fora do jogo da consolidação, apesar de ter empresas de excelente nível. Segundo ele, contudo, elas não dispõem de escala global para participar desse jogo. O que mais pesa é sua estrutura societária, controlada por grupos familiares, fundos e estatais. Nesse caso encaixam-se CSN, Gerdau e Usiminas e até mesmo a Vale. "Como não dispõe de ações para uma operação de troca, um passo ousado é barrado na falta de capital - para fazer aquisição terá de se endividar ou esperar acumular geração de caixa."
A avaliação é que o Brasil exibe uma tendência natural para se transformar num polo mundial de atração de investimentos na siderurgia, em especial na oferta de produtos semiacabados, por deter a matéria-prima. Mas precisa ser parte da política estratégica das siderúrgicas internacionais, que têm a sua lógica global. "O Brasil deveria discutir essas vantagens dentro de uma política de agregação de valor da matéria-prima, o minério", avalia esta fonte.
Para o presidente da Gerdau, o câmbio é um fator de preocupação, pois ameaça toda a cadeia, desde siderúrgicas, com entrada de aço, até fabricantes de autopeças, linha branca e máquinas, favorecendo a importação de componentes. Ao mesmo tempo, afirma, reduz a competitividade das exportações do país.
A desoneração da carga tributária foi e continuará a ser uma bandeira do IABr. "Espero que a discussão do tema seja retomada após as eleições, com a mudança no Executivo e Legislativo." Para o empresário, é preciso mais desoneração para trazer mais competitividade ao país. "Vimos o efeito disso no consumo durante a crise."
Marco Antônio Castello Branco, que fica à frente da presidência da Usiminas até o fim deste mês, destacou que as ameaças para o setor no pós-crise são as mesmas vistas antes da crise - perda de competitividade devido ao câmbio, debilidade do sistema de defesa comercial (o que pode permitir eventual aumento sem controle de importações), sistema tributário anacrônico e parca infraestrutura.
Para o executivo, a siderurgia vai passar pela mesma transformação estrutural que mudou a indústria mundial do alumínio, cobre e níquel. "A mineração tenta capturar para si o máximo do lucro gerado pelo aço." Por isso, a verticalização ficará ainda mais atrativa.
Mercado: Reformas de estádios vão impulsionar consumo de estruturas

Capacidade deve subir 14% até o ano da Copa

VALOR ECONÔMICO - O mercado de siderurgia já começou a se preparar para uma nova onda de forte demanda por produtos para obras de construção civil no Brasil. Esse segmento, em especial, deve ampliar consideravelmente os investimentos nos próximos quatro anos, até o início da Copa do Mundo de 2014, segundo as siderúrgicas consultadas pelo Valor. A reforma de 12 estádios brasileiros e criação de novas arenas - dois estádios serão construídos a partir do zero - devem turbinar o consumo de estruturas de concreto armado - especialmente vergalhões e os chamados produtos ampliados, como telas soldadas e treliças. Além disso, nas construções em estrutura metálica, haverá uma demanda maior de perfis laminados, utilizados na montagem de grades e esquadrias de metal. Grande parte desse material será fornecida pelo próprio mercado doméstico, por siderúrgicas como Usiminas, Gerdau e CSN, acreditam as companhias.
Pelos cálculos do setor, por conta do aquecimento no consumo até 2014, as empresas devem ampliar sua capacidade de produção. Apenas para os eventos da Copa do Mundo, dentro de quatro anos, e Jogos Olímpicos em 2016, o Instituto Aço Brasil estima um aumento de 5,8 milhões de toneladas no atual volume de produção, o que equivale a uma expansão de 13,8% da atual base produtiva do setor siderúrgico brasileiro - que registrava ao final de 2009 capacidade instalada total em 42 milhões de toneladas.
Apenas para a Copa, a previsão é de 4,5 milhões de toneladas de aço adicionais à capacidade atual do setor. É volume que deve atender as encomendas de empreiteiras como a Norberto Odebrecht e a Mendes Júnior, que devem reformar as atuais arenas. A Olimpíada de 2016 demandará 1,3 milhão de toneladas de aço. Para efeito de comparação, os projetos da Petrobras de óleo e gás vão exigir dois milhões de toneladas adicionais de aço durante o período de 2010 a 2016. Essa conta relacionada ao período da Copa, no entanto, pode crescer ainda mais. O Instituto Aço Brasil (antigo Instituto Brasileiro de Siderurgia) acredita que mais sete milhões de toneladas de aço devem ser produzidas por conta de novos projetos já aprovados pelas siderúrgicas, para o período de 2010 a 2014, no valor total de US$ 8,1 bilhões.
"Acreditamos que 100% das encomendas poderão ser atendidas pelas empresas brasileiras. Nós já temos capacidade fabril de sobra, mas vamos aumentá-la, porque a indústria quer atender plenamente o mercado local", diz Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do Instituto Aço Brasil. "No ano passado, cerca de 20,7 milhões de toneladas de aço do volume total produzido no Brasil foram destinadas ao mercado interno. É menos da metade da capacidade total de produção. Portanto, temos condições de atender as encomendas dos próximos anos", completa ele. A Gerdau concorda com essa avaliação. "A capacidade instalada das empresas produtoras de aço no país soma mais que o dobro da demanda interna. No segmento de aços longos, a capacidade de produção existente do setor confere absoluta tranquilidade para atender à futura demanda", diz André Gerdau Johannpeter, diretor-presidente da Gerdau. "No caso da nossa companhia, estamos com o parque fabril preparado para atender a evolução do consumo. E passamos a alocar equipes de trabalho especificamente para o acompanhamento dos projetos de construção e reforma para a Copa", completa ele.
A Gerdau informa que planeja investir R$ 9,5 bilhões entre os anos de 2010-2014 em suas operações, e desse total, cerca de 80% será direcionado para as unidades no Brasil. "Esses investimentos, junto com a capacidade de produção já existente, garantem plenamente o atendimento até das mais otimistas previsões de demanda envolvendo os eventos de 2014 e 2016", afirma o executivo.
Na avaliação da Usiminas e da Gerdau, as principais aplicações do aço a ser comprado no Brasil estarão ligadas às obras civis. Nesse contexto, destacam-se os produtos para estruturas de concreto armado - especialmente vergalhões cortados e dobrados. Nessa família de vergalhões estão as barras de transferência, usadas na construção de pisos e pavimentos, os estribos para colunas e vigas, as treliças para a construção de lajes e a ultrapassagem de vãos. Além disso, ainda devem ser fechadas encomendas de produtos em estrutura metálica, com a utilização dos perfis laminados, usados na montagem de grades e esquadrias de metal.
Em relação à importação de mercadorias, as companhias acreditam que ela possa ocorrer por razões pontuais ou estratégicas. E não pela existência de algum produto de relevância que não seja fabricado no país. "Estamos trabalhando para garantir a existência no Brasil do produto demandado pelas empresas. Se a importação acontecer, será por razões pontuais ou momentâneas, não relacionadas ao portfólio da indústria siderúrgica local", diz o vice-presidente de negócios da Usiminas, Sérgio Leite.
A Usiminas planeja entrar em todas as licitações de construção e reformas dos estádios brasileiros, em 12 cidades-sede, que devem receber os jogos da competição. Até agora, a siderúrgica participou da disputa pelo Verdão, de Cuiabá, que foi vencida pela Mendes Júnior, e começou a negociar com a Andrade Gutierrez o fornecimento das estruturas de aço do Vivaldão, estádio de Manaus. O plano já anunciado pela companhia prevê investimentos de US$ 14,1 bilhões até 2012 em ampliação da capacidade de produção de aço e mineração, em modernização das usinas, redução de custos e preservação ambiental.
"Por cerca de R$ 130 milhões, adquirimos em fevereiro a participação de 30% nas construtoras Codeme e Metform, que têm indústrias em Betim (MG) e Taubaté (SP). São companhias especializadas em construções com estruturas metálicas e serão extremamente importantes nos negócios para a Copa", afirma Leite. Dona de metade do mercado nacional de aços planos, a capacidade de produção do grupo chega a mais de 8,5 milhões de toneladas ao ano. Desde o ano passado, ela tem investido no aumento da produção de produtos acabados, como chapas grossas, laminados a quente e a frio e aços galvanizados.
A avaliação das empresas de que há capacidade para atender encomendas futuras se contrapõe a uma discussão em torno do aumento da importação de aço por diferentes indústrias.
Para os especialistas, o fato de a indústria siderúrgica local estar preparada não garante que as construtoras deixem de recorrer a material importado em certos casos. Principalmente, se ouve reajustes de preços considerados elevados pelos compradores. Em fevereiro, os fabricantes de máquinas agrícolas anunciaram a formação de um pool de indústrias para importar aço em conjunto, segundo a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos (CSMIA), órgão que reúne 160 associados. Há menos de um ano, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) convocou seus associados a adquirirem vergalhões de aço do exterior por causa da alta do preço do produto no país.
Alta dos insumos pode estimular as importações
VALOR ECONÔMICO - As siderúrgicas brasileiras garantem que estão com projetos de investimentos prontos para atender a demanda por aço para as construções da Copa de 2014. Mas há certos riscos nesse processo que podem afetar os planos de fornecimento das companhias. A possibilidade de uma subida no preço do aço no país, como reflexo da forte demanda pelo insumo no mundo, pode forçar as construtoras locais a buscar contratos no exterior, como forma de tentar fugir dessas elevações. "A possibilidade de pressão nos custos é algo que não dá para prever. O que deve valer é a lei de oferta e demanda que vai ser desenhada no mundo nos próximos anos", diz Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do Instituto Aço Brasil.
Em 2005, a participação do aço importado no volume utilizado pelo mercado doméstico foi de 5%. A expectativa é que em 2009 essa participação tenha dobrado, para taxas entre 10% e 12%, segundo calcula a Tendências Consultoria. Isso é reflexo de um movimento de empresas em busca de insumo mais barato pelo mundo.
Mesmo que a demanda pelo produto suba de forma generalizada nas principais praças internacionais, pode haver variações nos reajustes de acordo com a política comercial das empresas. Por exemplo, no começo do ano, a chinesa Baosteel elevou o preço do aço em 5% por conta da forte compra do produto pelos chineses. No Brasil, em março, as siderúrgicas programaram aumento de preços do aço no mercado doméstico de 10,5% a 14,5%, a partir de abril. Mas decidiram repassar o aumento do minério de ferro, em fase final de negociação, acima de 90%.
"Essa questão da importação é regida mais por questões pontuais e momentâneas do que estratégicas. Temos um dos preços mais competitivos do mundo e isso deve continuar assim até depois da Copa", afirma Marco Polo Mello Lopes.
A maior preocupação das empresas está nos riscos de que a importação de insumos - como minério de ferro e carvão - sofram fortes variações daqui para frente. Com isso, devem ser afetados os preços dos contratos futuros do aço. Nesse caso, o custo do produto encareceria e os acordos a serem fechados nos próximos meses - com as construtoras, no caso dos estádios e dos aeroportos - precisaria levar em conta essas variações. Até o momento, as companhias não têm detalhado como serão esses contratos de fornecimento. "Todo o carvão que as siderúrgicas consomem no Brasil é importado. E se subir, aí não tem jeito. Os estádios vão ficar mais caros", diz Sergio Leite, vice-presidente de negócios da Usiminas. "No caso do minério de ferro, o risco é menor, porque muitas empresas já são autossuficientes nessa matéria-prima", completa.
Nesses contratos, é preciso fechar acordos de fornecimento com construtoras e os consórcios formados entre grandes companhias do setor. A Norberto Odebrecht (CNO) e OAS, por exemplo, ficarão responsáveis pelas obras do Fonte Nova, em Salvador. Além disso, a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) do Mato Grosso confirmou que as obras de construção da Arena Multiuso, o novo "Verdão", serão tocadas pelo consórcio Santa Bárbara e Mendes Junior.
Até o final de março, apenas uma pequena parte dos contratos de fornecimento com construtoras acabaram avançando e foram fechados. Pelas contas, três dos 12 estádios - Cuiabá, Manaus e Salvador - já têm empreiteiras contratadas para reforma. A expectativa do mercado é que as licitações restantes aconteçam até o final de maio. Segundo o cronograma da Copa, definido pelo Ministério dos Esportes, o mês de junho é o prazo final para a contratação das obras.
Segundo o ministério, os estádios Arena das Dunas, em Natal (RN) e o Arena Capibaribe, no Grande Recife, serão construções novas.
Conjuntura: Analistas preveem que impacto será maior para fabricantes de veículos e eletrodomésticos

Novos preços sinalizam espiral de alta
VALOR ECONÔMICO - O impacto da alta dos preços do minério de ferro para as siderúrgicas mundiais será expressivo já a partir deste mês. Segundo analistas, a dose acabará afetando toda a cadeia metalúrgica no Brasil e no mundo. "O impacto será direto, mas não linear. Uns vão pagar mais que outros, mas todos vão pagar", disse uma fonte do setor.
O acerto que a Vale e suas concorrentes na lista de maiores mineradoras do mundo - as australianas BHP Billiton e Rio Tinto - fizeram para ajustar o preço da tonelada de minério de ferro em 80% a 100% provocará aumento de 20% a 35% no preço do aço no exterior e de pelo menos 15% no Brasil, na avaliação de especialistas. E os impactos e consequências dessa majoração. mundialmente, que movimenta aproximadamente US$ 80 bilhões por ano, serão de amplo alcance, de acordo com eles.
De abril a junho, por exemplo, as siderúrgicas asiáticas, principalmente as chinesas, terão de pagar entre US$ 110 e US$ 120 a tonelada do minério de ferro, abaixo dos US$ 166 negociados na segunda semana de abril no mercado spot (à vista). No fim de março, o preço benchmark anual da tonelada de minério estava em US$ 60. Ou seja, será o maior aumento jamais registrado para essa commodity.
Possibilidades de o preço do minério subir mais no início de julho, caso a recuperação da economia mundial se intensifique, é praticamente dada como certa por especialistas. Espera-se uma alta de pelo menos 20% sobre os preços acertados na negociação de abril. Isso terá impacto, por exemplo, nos preços de carros, eletrodomésticos e sobre uma série de bens que levam aço . Analistas avaliam que haverá efeito sobre a recuperação da economia global, pois o aço corresponde a quase 95% de todo o metal consumido a cada ano. É visto como a mais importante dentre as commodities brutas.
A tonelada do aço laminado a quente, material mais utilizado na fabricação de autopeças, pode passar de US$ 635, em média, para cerca de US$ 860. Já a tonelada do laminado a frio, que serve mais para a fabricação de produtos da linha branca e automóveis, poderá subir US$ 746 para mais de US$ 1 mil, de acordo com Alexandre Gallotti, analista de mineração e siderurgia da Tendências Consultoria.
Esses valores, explicou Gallotti, já incorporam o reajuste anual (55% em média) nos preços do carvão, cujo peso é de 25% no custo de produção do aço acabado, e o crescimento da demanda mundial. Ele lembra que as siderúrgicas consideram quatro fatores essenciais para composição de seus preços: o minério de ferro, o carvão e o frete dos dois insumos.
A inflação chinesa, hoje no patamar de 3,5% a 4% ao ano, também deve ser pressionada fortemente para cima. Bem ou mal, esse movimento no custo de vida, além da continuidade do forte crescimento econômico, poderá apreciar a taxa de câmbio real da China, esperado com ansiedade pela comunidade internacional. Sobre o repasse dos preços para a cadeia produtiva, não há dúvida entre os especialistas de que isso ocorrerá.
"É claro que o aumento do minério será repassado ao aço", disse Gallotti. "O não repasse significaria uma forte contração na rentabilidade das fabricantes e nas margens da indústria de transformação (automobilística, de linha branca e outras)", reforçou Fabio Silveira, da RC Consultores, fazendo coro a outros analistas.
Conforme dados do Instituto Aço Brasil (IABr), a fabricação de um carro popular, 1.0, exige 903 quilos de aço, enquanto um modelo Astra leva 1.180 quilos. Em peso, representam, respectivamente, 55,7% e 50,3% do automóvel, mas em valor de venda do bem correspondem a 7,93% e 7,54%. Na produção de linha branca, as participações num fogão e numa geladeira são, respectivamente de 75,4% e 55,1% em peso e 17,88% e 9,97% em valor.
O pesado aumento no preço do minério levou a Eurofer (Confederação Europeia das Indústrias de Ferro e Aço) a denunciar, ante a Comissão Europeia, "fortes indícios de coordenação ilícita" entre Vale, BHP Billiton e Rio Tinto para impor reajustes considerados por essa entidade de "injustificáveis". As três empresas respondem por quase 70% do minério comercializado no mercado transoceânico.
A Associação Chinesa de Ferro e Aço (Cisa) propôs um boicote às três maiores mineradoras, tentativa que não deve surtir o efeito desejado. Até porque, no passado, os chineses já se valeram de outros instrumentos que não deram resultados, disse Gallotti. "Não tem como escapar dos aumentos de seus principais fornecedores, mesmo porque a commodity chinesa é pobre em qualidade, comparada com a brasileira. Isso reduz muito as chances de as grandes siderúrgicas chinesas recorrerem ao mercado interno ou ao de outros países.
A China é o maior mercado consumidor do mundo - quase 50% da produção mundial de aço. Um eventual boicote poderia tumultuar ainda mais o mercado e ajudar a empurrar o preço no mercado livre para cima. Gallotti não acredita nessa hipótese. Ele explica que é possível que os preços do minério não se sustentem nos trimestres seguintes, na medida em que a demanda responderá ao novo patamar praticado. "As importações chinesas de minério, por exemplo, podem apresentar recuo, ou expansão em ritmo mais modesto".
A partir de agora, os preços dos contratos trimestrais entre mineradoras e siderúrgicas devem se aproximar cada vez mais dos preços do mercado à vista. "Não tem volta. Hoje, os novos contratos nada mais são do que uma indexação ao preço 'spot' chinês. Haverá apenas uma defasagem temporal", diz um consultor. Para a Vale, o novo regime de preços permitirá eliminar distorções de mercado que vinham gerando até mesmo operações de arbitragem da parte de alguns de seus clientes. Compravam minério no mercado de referência e revendiam no spot.

Mercado: A indústria automobilística e a construção civil são responsáveis pela reação firme dos negócios

Distribuidoras vão vender 20% a mais
VALOR ECONÔMICO - No primeiro trimestre de 2009, as distribuidoras de aço, importante termômetro da atividade da economia, registraram nível recorde de estoques, representando seis meses de vendas. Os pedidos de montadoras, fabricantes de máquinas e equipamentos, de produtores agrícolas estavam paralisados diante da incerteza em relação aos reflexos da crise financeira mundial. Passado um ano, o setor vive um novo momento, impulsionado pela retomada econômica.
No início de 2010, o setor de distribuição previa crescer 15% no ano, atingindo 3,88 milhões de toneladas - volume que superaria as vendas recordes de 2008, quando o setor vendeu 3,716 milhões de toneladas. Mas com os bons resultados do primeiro trimestre a estimativa já está defasada. "O crescimento será maior e deve ser de 20%", diz o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro. Entre janeiro e março, as vendas subiram entre 32% e 34%. A retomada tem sido liderada pela indústria automotiva, construção civil, mas no segmento de infraestrutura e bens de capital ainda se nota baixa demanda de pedidos.

 

 

    
Os estoques estão nos níveis mais baixos da história, próximos a dois meses de vendas, o que pressiona as empresas a recompor seus estoques diante de uma demanda aquecida. Isso ocorre em um momento em que o minério de ferro teve seu preço reajustado em cerca de 100%, o que fez as usinas aplicarem uma alta de 15% na cotação do aço. "Esse aumento não cobre a alta do minério de ferro e outros insumos, o que pode fazer com que haja um outro aumento no segundo semestre para a distribuição."
Apesar da alta da demanda, os distribuidores convivem com algumas linhas de produção de pré-processamento operando à baixa capacidade. A ociosidade chega entre 35% e 40%, percentual que deverá ser reduzido com a retomada dos pedidos dos fabricantes de bens de capital e de empresas do segmento de óleo e gás. Nesse cenário, grandes investimentos em ampliação de linhas estão descartados. "A prioridade é atualização tecnológica dos parques."
Foi-se o tempo em que as distribuidoras atuavam só como uma revendedora de aço. Para conquistar participação no mercado, elas têm de mapear as necessidades dos clientes e as suas variadas demandas, o que pressupõe logística ágil, fluxos de estoques racionalizados e equipamentos modernos de processamento de aço. As distribuidoras compram grandes lotes e os revendem para pequenos e médios consumidores, porque as siderúrgicas só atendem pedidos superiores a 500 toneladas.
Responsável por cerca de 30% das vendas do setor siderúrgico, o segmento tem assistido a importantes movimentos de consolidação, liderados pela Usiminas e Arcelor Mittal, o que tem elevado a participação das usinas siderúrgicas na área, complementando sua atuação nos elos da cadeia e reforçando sua proximidade com seus clientes. Em novembro, em linha com sua estratégia de agregar valor a seus produtos e verticalizar sua produção, a Usiminas lançou uma nova empresa que concentrou suas unidades de serviços e de distribuição de aços planos. Chamada de Soluções Usiminas, ela reúne Rio Negro, Dufer, Fasal, Zamprogna e as unidades industriais Usial e Usicort.
A decisão da siderúrgica foi reflexo das aquisições realizadas no setor de distribuição. Em 2008, adquiriu por cerca de R$ 100 milhões a fatia de 49% que o grupo alemão ThyssenKrupp detinha na paulista Dufer, que atua na distribuição e transformação de bobinas em São Paulo. Dois meses depois, em dezembro, a Usiminas anunciou a compra por R$ 160 milhões da distribuidora e fabricante de tubos gaúcha Zamprogna, uma das maiores empresas independentes do segmento, reforçando sua presença na região Sul do país, até então dominada por CSN e Gerdau. Em paralelo, anunciou a incorporação da Rio Negro e da Fasal.
A Arcelor Mittal também buscou reforçar seu posicionamento, anunciando em 2008 a compra de participação de duas empresas de distribuição: Manchester Tubos (70%) e Gonvarri (50%). "Depois desses movimentos, vejo pouco espaço para novas consolidações", diz Loureiro. Com as movimentações recentes, a participação das distribuidores coligadas das siderúrgicas supera 50% do total da distribuição do país.
Nem todas as siderúrgicas têm seguido o caminho de reforçar sua presença em distribuição. Um exemplo é a CSN: a empresa mantém parcerias com distribuidores independentes de aço. Com uma base de clientes pulverizadas e linha de produtos diversificada por incluir galvanizados e folhas metálicas para embalagens, a empresa tem buscado fortalecer os distribuidores independentes. Cabe destacar que a CSN também atua por meio da Prada.
Para Loureiro, é cedo para avaliar qual o caminho criará mais valor para o acionista no longo prazo. "Na Ásia, alguns países optam pelo fortalecimento dos distribuidores independentes, enquanto em alguns países da Europa se veem movimentos na direção oposta, com as siderúrgicas preenchendo esse espaço. No Brasil, ainda não há um modelo definido, estamos assistindo a um modelo misto, mas é cedo para avaliar qual será o mais acertado."
Conjuntura: A falta de mão de obra qualificada também preocupa

Indústria vê pressão em salário e preço dos insumos
VALOR ECONÔMICO - A elevação dos preços de algumas das principais matérias-primas e o início de uma nova rodada de reivindicações salariais pressionam os custos de grandes grupos industriais do país. E a falta de mão de obra qualificada é outra fonte de preocupação. A constatação foi feita ontem à noite por empresários e dirigentes de companhias, durante cerimônia de entrega do prêmio Executivo de Valor.
A Gerdau, segundo maior fabricante de aço do Brasil, diz que o impacto do aumento do minério de ferro e do carvão "será muito forte". O preço do aço, por sua vez, é uma das grandes preocupações da Fiat porque o insumo tem peso muito importante na composição dos custos da indústria automobilística.
"Nossa matéria-prima é o aço, e já existe uma pressão de custo há mais de seis meses", diz Harry Schmelzer Jr., presidente da WEG, que fabrica equipamentos e motores elétricos. Ele disse que a empresa está para anunciar aumento de preços de seus produtos.
O grupo Gerdau sente aumento de custos de duas fontes: dissídios salariais e matérias-primas. André Gerdau Johannpeter, presidente da companhia, afirma que a despesa com pessoal tem peso expressivo nos custos da empresa. No caso das matérias-primas, o que mais pressiona são minério de ferro, principalmente, e a sucata. "O impacto do aumento de 100% no minério e de mais 50% no carvão será muito forte e ambos afetam também o custo da sucata", explica Gerdau.
O presidente da montadora de veículos Fiat no Brasil, Cledorvini Belini, lembra os recentes anúncios de reajustes nos preços do minério de ferro e do aço. "Mas as negociações com o setor siderúrgico ainda não começaram", observou.
Belini explica que o aço tem um peso grande na composição dos custos da indústria automobilística e que os preços no Brasil têm sido historicamente mais altos que a média internacional.
Walter Schalka, presidente da Votorantim Cimentos, diz que a alta dos preços das matérias-primas já é sentida, mas "por enquanto a companhia está conseguindo absorver esse aumento com elevação do volume de produção." Este cenário, porém, não deve se manter por muito tempo, afirmou o executivo.
Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose, diz que o setor sofre com a alta do petróleo, que atinge diretamente os fretes internacionais. Outro produto com o preço em recuperação é a soda cáustica, muito utilizada pelo segmento de papel e celulose.
" O movimento de aumento de preços de matérias-primas, como o minério de ferro e as resinas, é resultado, principalmente, do crescimento dos mercados emergentes", explica José Drummond Jr. , presidente da Whirlpool para a América Latina, maior fabricante de produtos de linha branca (geladeiras e fogões) do país. "Nós já começamos a sentir esse impacto. Por isso o compromisso com a disciplina de custos continua firme, para que esses aumentos não diluam nossa competitividade."
O diretor-geral do Hospital Israelita Albert Einstein, Henrique Sutton de Sousa Neves, conta que a valorização do real reduziu nos últimos anos os gastos com importações de equipamentos e materiais. "Atualmente, as pressões são, principalmente, nos fornecedores de produtos nacionais, sem reajustes há mais tempo, na área de construção civil e em produtos novos com diferenciais em relação aos substituídos." Segundo ele, em função da queda da taxa de desemprego, há também aumento de custos de pessoal em algumas categorias profissionais.
Laércio Cosentino, da Totvs, empresa da área de tecnologia da informação, diz que "a grande pressão de custos vem dos dissídios coletivos". O executivo diz que neste ano "haverá uma reposição salarial acima da inflação, o que contribuirá para aumento do custo de desenvolvimento de TI [tecnologia da informação]."
O aumento de custos também atinge a área de seguros. Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre , diz que a seguradora detecta pressões nos segmentos de transportes, crédito interno e de automóveis. "Desde que foi desencadeada a crise econômica internacional, foi verificado um aumento anormal no roubo de cargas", disse ele.
Bernardo Gradin, presidente da Braskem, maior petroquímica das Américas, observa que a companhia tem sido pressionada pelo aumento dos preços das matérias-primas, sobretudo nafta, por conta do aumento do petróleo. A Braskem não tem sentido dificuldades para a contratação de mão de obra, mas o assunto preocupa, segundo o empresário.
O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou que o banco já está encontrando dificuldades para contratar gerentes para trabalhar nas agências que estão sendo abertas.
Os principais executivos da Cosan, da Cargill e da Brasil Foods observam que há alguns insumos cujos preços estão subindo, mas não é algo generalizado. A Cosan identifica aumento nos preços dos fertilizantes usados nas lavouras de cana-de-açúcar. Marcos Lutz, presidente-executivo da Cosan, afirma, porém, que os custos da empresa vão depender mais das condições climáticas que podem interferir na produtividade das lavouras.
Para José Antônio Fay, diretor-presidente da Brasil Foods, alguns insumos já tiveram reajustes nos preços. "As cotações do fosfato e algumas vitaminas estão subindo e isso interfere nos nossos custos internos. Nos custos de exportação, estamos identificando aumento no preços do frete marítimo, que está muito mais caro", diz Fay. A Cargill também identificou alguns reajustes, mas nada que mereça ser destacado. "Essa não é uma tendência generalizada", diz Marcelo Martins, presidente da Cargill no Brasil.

Em relação à à mão de obra qualificada, Cargill, Cosan e Brasil Foods consideram que está mais difícil de encontrar funcionários. "Nós formamos muita mão de obra e acabamos perdendo para o mercado. Percebemos que falta especialização", afirma Lutz. "Nós temos 67 fábricas e sempre existem vagas, mas nem sempre em lugares que as pessoas querem. Mesmo assim temos dificuldades para encontrar mão de obra especializada", explica Fay. "A oferta de mão de obra não está conseguindo acompanhar a demanda por profissionais", diz Martins.


 

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