Ano II – nº 121 – Fortaleza/CE – edição: 12.04.2010 |
Perfis de aço: Argumento é que projeto de unificação de padrões tira pequenas do mercado e ameaçam ir ao Cade
Relaminadoras repudiam norma na ABNT
VALOR ECONÔMICO - Pequenas relaminadoras de aço, que fabricam perfis médios e leves para aplicações diversas na construção civil, abriram um confronto com o Comitê Brasileiro de Siderurgia (CB-28), que representa a indústria do aço na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A razão da disputa é a mudança nas normas atuais para definir novas especificações de uso desse material. A proposta do CB-28, conforme as empresas, prevê unificação das especificações, desde para a simples fabricação de um portão ou gradil de janela até para casos complexos e grandes instalações, como navios, plataforma marítima e torres de telecomunicações.
"Essa consolidação numa única tabela vai encarecer os custos no mínimo em 30% e praticamente tirar do mercado os pequenos fabricantes", diz Laércio Farina, da L. Farina Advogados, que defende a Cosmetal Indústria e Comércio de produtos Siderúrgicos, de São José dos Campos (SP), perante o CB-28.
A mudança, como foi levada à discussão em novembro no CB-28, está proposta e que deve ir à consulta pública no site da ABNT nestes dias, só vai favorecer gigantes do negócio de perfis, afirma Farina. Ele se refere a Gerdau, ArcelorMittal e Barra Mansa (Votorantim), as quais teriam 65% das vendas no país. Para ele, se forem impostas a aplicações tão díspares as mesmas especificações técnicas, os custos dos pequenos relaminadores, voltados a mercados "menos nobres", vão ter aumentos expressivos que serão repassados ao consumidor.
Caso não mude a elaboração da norma, fazendo um texto especifico para as aplicações de uso geral ou criando um destaque no texto para esses casos, o advogado diz que a saída será recorrer a órgãos de defesa da concorrência, como a Secretaria de Defesa Econômica (SDE) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "Vamos brecar isso no Cade, pois se trata de impor uma barreira técnica injustificada", explica. "As primeiras vítimas são as relaminadoras, que podem sair do mercado; as segundas, os consumidores, principalmente o 'formiguinha', que terão de se submeter aos preços dos três grandes fabricantes".
O mercado de perfis estruturais no Brasil movimenta cerca de 600 mil toneladas/ano. São fabricados, no caso das relaminadoras, com material (placas) adquiridas de CSN e Usiminas. Já Gerdau, ArcelorMittal e Barra Mansa suprem seus laminadores de perfis com seus próprios tarugos.
Maria Cristina Yuan, superintendente do CB-28, disse que a cada cinco anos é feita uma consulta para revisar normas, devido à evolução tecnológica e por conta das exigências de mercado. "As de perfis, a maior parte tem mais de 20 anos e nesse tempo todo muita coisa mudou", afirmou. Segundo ela, em reunião em 11 de março ficou definido, por consenso dos presentes, a adoção, agora, de normas para perfis de uso estrutural (mais rigorosas) e, numa segunda fase, as para itens de uso geral.
Farina rebate: "Não houve nenhum consenso. Pelo contrário, o coordenador da reunião rejeitou prontamente nossas propostas, alegando que a norma é para todos". Para o advogado, 'dourar a pílula' não resolve o problema, uma vez que vendedores das três grandes fabricantes já divulgam nos pontos de venda que os perfis das demais empresas estão fora da norma. "Tem de criar outro padrão para perfis de uso geral".
As mudanças, conforme Yuan, visam dar segurança ao usuário de perfis, com material mais qualificado e mais resistente para todas aplicações. "Feita essa separação, está resolvida a questão", diz.
Silvio Barganian, da Cosmetal, informa que perfis de uso geral só são usados para fins estruturais em caso excepcional. "Por conta disso, o mercado todo não pode ser sujeitado a uma norma única". Além da Cosmetal, atuam nesse nicho de negócio Ciafal, Cipalam, Perfipar, Sidepar e Jimenez, com produção de 250 mil toneladas por ano.
Siderúrgicas investem na "casa de aço"
CSN e Usiminas vão fabricar desde telhas até lajes inteiras e disputar projetos do Minha Casa, Minha Vida
FOLHA DE S.PAULO (AGNALDO BRITO) - O IABr (Instituto Aço Brasil), associação nacional das companhias siderúrgicas no país, apresenta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima quarta-feira, em São Paulo, um novíssimo negócio. Os produtores de aço, setor com capacidade instalada de 42,1 milhões de toneladas por ano e que produziu apenas 25 milhões de toneladas em 2009, se preparam para mostrar ao país que uma moradia também pode ser erguida com o uso do aço.
Mercado é o que não falta, e a perspectiva de crescimento oferecida pelo programa Minha Casa, Minha Vida deve impulsionar essa mudança estrutural em curso na indústria siderúrgica brasileira.
As siderúrgicas acham que podem tomar boa parte desse mercado com um plano a partir do qual produzirão de vergalhões a telhas de aço, de postes de iluminação a pisos esmaltados, de paredes a lajes inteiras. Tudo isso poderá ser visto na Vila do Aço, um conjunto arquitetônico que estará em exposição durante o Congresso Brasileiro do Aço, que acontecerá nesta semana.
Não é à toa que empresas como a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e a Usiminas deslocaram o radar de suas divisões comerciais para mirar oportunidades de oferecer itens que, após montados, logo se convertem numa residência inteira de aço. Parte dos recursos em pesquisa e desenvolvimento feitos por CSN e Usiminas está sendo despejada nesse novo fronte.
"Há um movimento no Brasil de expansão da chamada construção industrializada. Não será mais tijolinho sobre tijolinho, é a oferta de paredes inteiras, de lajes inteiras em que o construtor chega e monta. Estamos falando de residências que poderão ser construídas em apenas cinco dias", diz Luis Fernando Martinez, diretor comercial da CSN.
O custo das casas de aço as favorece na disputa pelos recursos do Minha Casa, Minha Vida. "A oferta de aço estrutural para a construção de um edifício destinado a esse público custa apenas 18% do valor limite, de R$ 42 mil. É o único método construtivo capaz de se enquadrar no limite definido pela Caixa", afirma Ascanio Merrighi, diretor de vendas da Usiminas. Segundo ele, a expectativa da demanda no uso do aço na construção de residências é tamanha que a companhia acha que esse mercado pode contribuir para a retomada do projeto de construção de uma nova siderúrgica, em Santana do Paraíso (MG).
Siderurgia: Atraso na instalação da coqueria teria levado à revisão do contrato com a Citic
Brasileira UTC substitui chineses nas obras da usina da Thyssen
VALOR ECONÔMICO - O grupo alemão ThyssenKrupp reviu, no fim de 2009, o contrato com a chinesa Citic, responsável pela instalação da coqueria do complexo siderúrgico de Santa Cruz, no Rio. A gestão da obra foi repassada à brasileira UTC, depois de sucessivos atrasos no cronograma de instalação das três baterias de coque. Haveria também problemas de qualidade na obra, o que teria desagradado ainda mais os alemães. A ThyssenKruppCSA (TKCSA) não quis se manifestar sobre a mudança, sob o argumento de que "o contrato com a Citic tem cláusula de confidencialidade".
Embora a informação sobre a alteração na condução da obra da coqueria tenha sido confirmada por várias fontes ligadas aos setores siderúrgico e da indústria de máquinas e equipamentos, a UTC preferiu não se pronunciar. No site da UTC consta apenas contrato para construção de dois alto-fornos da usina da TKCSA e obras adjacentes, com previsão de entrega para fevereiro deste ano.
O contrato original com a Citic para construir a coqueria no projeto do complexo siderúrgico no Brasil foi assinado em novembro de 2006 e continha cláusula de sigilo por envolver segredos tecnológicos. O documento tinha a originalidade de prever não apenas a importação de equipamentos, mas também de mão de obra para trabalhar na instalação das três baterias de coque da usina. O plano inicial era trazer 2 mil chineses para morar e trabalhar em Santa Cruz. Após negociações com autoridades brasileiras, o número foi reduzido para 600, a maioria engenheiros, que começaram a chegar ao país no fim de 2006.
A contratação da Citic foi cercada de grande polêmica com a indústria nacional de bens de capital. O principal argumento dos alemães para contratar a multinacional chinesa foi o domínio da tecnologia do coque e o preço competitivo, uma vez que os chineses produziam equipamentos de alto-forno e coquerias em larga escala que, praticamente, dispunham deles em prateleiras para pronta entrega. O contrato comportava um dos maiores pacotes de compra de equipamentos para montagem da usina no Rio, no valor de US$ 425 milhões à época. O cronograma inicial previa a conclusão da coqueria em novembro de 2008.
As obras apresentaram atrasos e, em meados do ano passado, começaram a surgir rumores de problemas de qualidade. As fundações e o assentamento da estrutura teriam sido mal feitos, propiciando o surgimento de rachaduras nas paredes dos fornos, revestidas de tijolos refratários chineses. Teriam sido usados também materiais reutilizados na montagem das estruturas metálicas. Os chineses argumentaram que os atrasos decorreram da insuficiência de mão de obra própria para a execução dos trabalhos.
Na semana passada, um especialista da indústria do aço chegou a dizer que "o barato saiu caro", referindo-se à competitividade inicial do equipamento chinês. Informações obtidas pelo Valor apontam que ainda em maio de 2009 os dirigentes da TKCSA manifestavam preocupação com a obra e pediram a especialistas que fizessem um estudo para replanificá-la.
A solução para os desafios que vinham sendo enfrentados foi a contratação da UTC para dar suporte aos chineses, que hoje são apenas 200 na coqueria. No momento, a bateria A está em fase final de conclusão, devendo entrar em operação no fim de junho. Nesse mês o complexo siderúrgico deverá entrar pôr em operação sua primeira fase, com funcionamento de um dos dois altos-fornos.
Parte do atraso para a entrada em operação da TKCSA, maior investimento do grupo alemão no mundo, de € 5,3 bilhões, deveu-se também à crise econômica que reduziu fortemente a demanda internacional por aço. As dificuldades enfrentadas pelo grupo ThyssenKrupp durante a crise levaram a Vale, sua parceira nacional, a ampliar sua participação na CSA de 10% para 26,87%, por conta de uma injeção de € 965 milhões. Segundo fontes no setor, o investimento é considerado um dos mais caros do mundo: quase US$ 1,6 mil por tonelada instalada. Está prevista a produção de 5 milhões de toneladas de placas por ano.
Produção de aço da Alemanha quase dobra em março
REUTERS (TOM KAECKENHOFF) - A produção de aço bruto da Alemanha saltou 91,5 por cento em março em relação ao mesmo mês do ano passado, para 3,958 milhões de toneladas, o maior volume produzido desde setembro de 2008.
Números divulgados pela Federação Alemã do Aço nesta segunda-feira mostram que a produção de aço bruto cresceu cerca de 50 por cento no primeiro trimestre, para 10,868 milhões de toneladas.
"Dado que a recessão alcançou seu ponto mais baixo na primavera de 2009, taxas muito altas de crescimento na produção são esperadas para o próximo trimestre também", afirma a entidade.
"Entretanto, a situação econômica continua frágil, especialmente diante do cenário da tensa situação dos mercados de matérias-primas", afirmou.
A entidade se referiu às altas explosivas nos preços de minério de ferro e carvão coque. Grandes mineradoras como Vale, BHP Billiton e Rio Tinto estão dobrando preços.
As siderúrgicas alemãs incluindo ThyssenKrupp e Salzigitter sofreram em 2009 com a demanda de montadoras e do setor de engenharia recuando.
A produção de aço bruto da Alemanha, sétimo maior produtor de aço do mundo, encolheu 28,7 por cento, para quase 33 milhões de toneladas no ano passado.
A utilização de capacidade caiu para metade em algumas usinas e seis de 15 alto fornos foram paralisados. Todos exceto um tiveram suas atividades retomadas desde então.
Chineses com projeto no Pecém
Chineses prospectam instalar um novo terminal para exportação de minério de ferro. Não existe acordo concreto
DIÁRIO DO NORDESTE – SÉRGIO DE SOUSA - (10.04.2010) - Ainda não existe nenhum protocolo assinado ou algum acordo definido, mas os chineses da Globest já contrataram uma equipe de técnicos para preparar um projeto de instalação de um novo terminal portuário no Pecém para exportação do minério de ferro. Uma fonte ligada ao governo informa que ainda não é possível ter o montante que seria investido no empreendimento, mas afirma que, de acordo com avaliações preliminares, que incluiam o novo porto e todo o complexo de extração, o investimento seria em torno de US$ 1,5 bilhão. A ideia é instalar, próximo ao porto já existente, um terminal independente de carga para o escoamento desse minério, aproveitando a infraestrutura já existente. O investimento seria bancado pelos chineses.
O interesse em construir este novo equipamento já havia sido divulgado no início do ano, quando da visita do embaixador da China no Brasil, Qui Xiaoqi.
A necessidade deste novo terminal se dá pelo fato de que o Porto do Pecém já se encontra próximo de sua capacidade total, e já está sendo ampliado para permitir as movimentações provenientes da instalação da siderúrgica e da refinaria no complexo industrial. Além disso, a construção da Transnordestina também elevará o volume de produtos a serem escoados pelo porto.
Na época da visita do embaixador, eram estudadas duas possibilidades: fazer uma estrutura portuária paralela ao terminal de Pecém, ou dentro do próprio porto, com a construção de mais um píer de atração. A primeira alternativa, agora, está sendo levada à frente. Para isso, o projeto terá de ser apresentado ao governo, já que, caso aprovado, terá que ser feito uma adequação do Plano Diretor do Complexo Portuário do Pecém.
Segundo a fonte, com a elevação do preço do minério de ferro no mercado internacional, vários outros grupos estão se aproximando do Estado e analisando as possibilidades deste mercado. O Ceará não possui grandes quantidades do minério, como ocorre em Carajás, por exemplo, mas as lavras menores começam a se mostrar viáveis pelos investidores, e o tipo encontrado no Estado é avaliado como de alta qualidade.
Os chineses já realizaram, no início no mês passado, a primeira exportação para China do minério cearense, extraído por eles no distrito sobralense de São José do Torto.
Foram enviadas, em fase inicial, 70 toneladas da matéria-prima utilizada na siderurgia, em um trajeto de duração de 40 dias até o país asiático. O próximo carregamento ainda está sem data definida. A empresa deve esperar o período de chuvas passar para voltar a realizar as operações.
A fonte informa que, após essa primeira exportação, os chineses agora trabalham em melhorar a tecnologia de lavra, e já adquirem novos equipamentos mais modernos para o processo de extração. Além disso, também está sendo estudado o aumento da área de depósito do minério no porto.
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