Ano II – nº 120 – Fortaleza/CE – edição: 09.04.2010 |
Missão vai à China comprar equipamentos
O POVO - A China detém a maior cota de importação do Ceará. Entre os produtos, a maquinaria está em alta. O motivo: preços baixos e tecnologia de ponta. É de olho nessa oferta dupla que um grupo de empresários cearenses dos setores químico e metal-mecânico segue hoje para o país.
A missão é coordenada pelo Sindicato das Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Destilação e de Refinação de Petróleo no Ceará (Sindquímica) com o apoio do Centro Internacional de Negócios (CIN), ligado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). De acordo com o superintendente do CIN, Eduardo Bezerra, os setores de cosmético e material de limpeza ``serão divididos em antes e depois da missão``. ``O Ceará vai trabalhar com equipamentos de tecnologia de ponta e matéria-prima de melhor qualidade``, afirma.
Para Bezerra, o fato de a China ter produtos mais baratos e mais modernos vai aumentar a competitividade da indústria cearense que não quer produzir somente para o mercado interno. ``Queremos entrar em outros mercados``, observa e chama atenção para a África, continente eleito pela Fiec como um dos que mais deve receber a atenção cearense.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Ceará (Simec), Ricardo Pereira, o grande objetivo é levar pequenos e médios empresários para que eles, em conjunto, consigam fazer negócios. ``Queremos abrir um canal para que os pequenos tenham esse tipo de oportunidade``, observa.
Segundo ele, para uma indústria pequena é difícil pagar os custos da logística e trazer para o Ceará um equipamento comprado na China. A partir do momento em que várias empresas compram juntos, gastos como o frete passam a ser divididos.
Pereira destaca que a ideia é trazer equipamentos para produzir no Ceará, agregando valor aos produtos locais e, com isso, aumentando a competitividade. "Queremos dar modernidade ao parque industrial para vendermos aqui no Brasil".
Rio Tinto decreta sentença de morte do preço anual do minério
REUTERS - A Rio Tinto informou nesta sexta-feira que optou pela precificação trimestral dos contratos de minério de ferro, enterrando efetivamente o antigo sistema de precificação anual, apesar da oposição de compradores de todo o
A mineradora é a terceira maior produtora de minério de ferro do mundo. Junto com Vale, a primeira, seguida da BHP, as três companhias controlam dois terços do comércio internacional de minério de ferro e descartaram o preço referencial. A medida deixa poucas opções para as siderúrgicas, os maiores consumidores do metal, mitigarem o impacto.
"A posição da Rio Tinto reflete a recente mudança estrutural no mercado de minério de ferro em relação ao preço referencial", afirmou o chefe de minério de ferro da Rio Tinto, Sam Walsh, em comunicado.
O novo regime de preços começou em 1o de abril, com notícias de que a BHP Billiton já estava conseguindo mais de 130 dólares a tonelada por seu minério de ferro em contratos para abril a junho, com base na média do preço à vista entre janeiro e março --mais de duas vezes o valor do preço fixado no ano passado.
A ameaça de uma mudança havia colocado frente a frente as mineradoras, buscando aproveitar os preços mais altos no mercado à vista, e siderúrgicas de Pequim a Bruxelas, que exigiam preços garantidos por 12 meses.
"Nós vemos com preocupação o afastamento do sistema referencial", disse Nicholas Walters, porta-voz da Associação Mundial de Aço, cujos membros respondem por 85 por cento da produção global de aço.
As siderúrgicas devem tentar repassar parte do aumento para consumidores, e podem até mesmo avaliar aquisição de produtores menores de minério de ferro, disse ele.
No mês passado, as mineradoras Vale e BHP Billiton deixaram claro que estavam abandonando o sistema anual de precificação referencial, já que os preços subiram acima do valor anual fixado no ano passado.
"O que a Rio simplesmente fez foi assinar a ordem de morte para benchmark anual", disse James Wilson, analista da DJ Carmichael & Co.
A China, maior comprador mundial de minério de ferro do Brasil e da Austrália, defendia o antigo sistema benchmark até recentemente.
Xu Xu, presidente da Câmara Chinesa de Comércio de Metais, Minerais e Importadores e Exportadores de Químicos (CCCMC), afirmou que apenas o benchmark pode garantir estabilidade e segurança tanto para compradores quanto para vendedores.
Fontes familiares com as negociações de preço até agora duvidam que os acordos trimestrais fechados pela Rio e as outras mineradoras incluam as siderúrgicas chinesas.
As siderúrgicas chinesas ligadas a entidades de negociação permanecem contra essa mudança, disse uma fonte. A CCCMC participa das negociações de preços com mineradoras estrangeiras junto com a Associação Chinesa de Ferro e Aço.
Autopeças: Apesar da meta de expansão, não há plano de fábrica na região
Alcoa aposta em custo para vender rodas de alumínio
VALOR ECONÔMICO - A Alcoa , maior fabricante mundial de alumínio, quer conquistar mais espaço no mercado sul-americano de rodas para caminhões e ônibus e avançar sobre seu principal concorrente nesse nicho, as produtoras de peças de aço. A multinacional não traçou nenhum plano específico para aumentar o "índice de aluminização" dos veículos pesados que transitam na região e sabe que tem pela frente um árduo desafio: convencer a clientela de que, embora mais caras, as rodas forjadas de alumínio podem ser mais rentáveis que as convencionais de aço. Assim, aposta em diferenciais como redução de custos e menor impacto ambiental para alcançar, até 2012, participação de 18% nesse mercado, ante 12% em 2009 na América do Sul.
Apesar da meta de incremento nas vendas, a Alcoa não avalia a implantação de uma fábrica no Brasil. Desde a introdução do produto no mercado nacional, em 1995, as rodas aqui vendidas são importadas - atualmente, têm origem na operação mexicana. "A Alcoa sempre está analisando a possibilidade de ampliação dos seus negócios, mas ainda é preciso fazer a lição de casa", diz o superintendente da divisão de rodas forjadas da Alcoa na América do Sul, Eduardo Lacerda. Essa tarefa, segundo ele, passa por alcançar escala que justifique o investimento mínimo de US$ 100 milhões, custo inicial para o forjamento, e pela evolução das normas ambientais.
No mundo, a Alcoa conta com três fábricas de rodas - Estados Unidos, Hungria e México. A escolha do último país como fornecedor do mercado brasileiro, afirma Lacerda, levou em conta a existência de acordos bilaterais. "Essa fábrica tem capacidade para atender o crescimento das vendas no Brasil", garante. No primeiro trimestre, a companhia americana vendeu cerca de 10 mil peças de alumínio na América do Sul, 80% das quais no Brasil, com crescimento de 335% ante o mesmo período de 2009. Em todo o ano passado, o volume comercializado ficou em 34,1 mil unidades, com queda significativa frente ao registrado em 2008, em razão da crise econômica. Considerando-se dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em 2009, o mercado nacional de rodas para veículos pesados, no qual a Alcoa potencialmente poderia participar, está estimado em 1 milhão de unidades.
"Vender roda forjada de alumínio nunca foi fácil. É preciso que haja uma mudança de conceito, porque o produto é visto como pouco resistente, o que não é verdade", afirma Lacerda, que se reúne, na próxima semana, com 70 profissionais, entre vendedores e gerentes, em convenção cujo objetivo é debater estratégias de venda. Um dos argumentos favoráveis às peças de alumínio, diz o executivo, é o baixo peso. Enquanto uma roda de aço pode pesar cerca de 44 kg, a forjada em alumínio tem 24 kg. Mais leve, afirma Lacerda, permite uma redução no consumo de combustíveis e, consequentemente, nas emissões de gases que provocam o efeito estufa.
Segundo ele, um teste da Alcoa durante seis meses com dois grupos de ônibus, um com rodas de alumínio e outro com as de aço, nos Estados Unidos, mostrou que a primeira frota obteve economia de 5% no consumo de combustíveis e reduziu em 6 mil toneladas o total emitido de gás carbônico.
No Brasil, o mercado ainda é dominado pelas peças de aço, sobretudo em razão do preço mais atrativo. Porém, em países como China e Estados Unidos e praticamente em toda a Europa, mais de 60% dos veículos pesados usam rodas de alumínio. "Acreditamos que há potencial para que se supere esse percentual no país", afirma o superintendente.
Atualmente, os principais nomes no mercado brasileiro de rodas de aço são Iochpe-Maxion e Borlem. Conforme fonte de uma das empresas, por pesarem menos, as rodas de alumínio proporcionam, de fato, redução no consumo de combustíveis. Porém, nos últimos anos, as fornecedoras de peças de aço têm promovido investimentos significativos para desenvolver produtos com peso cada vez mais próximo ao do concorrente.
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