Ano II – nº 119 – Fortaleza/CE – edição: 08.04.2010 |
Produção industrial recuou 1% no Ceará, diz pesquisa do IBGE
Setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos pressionou negativamente no período
O POVO (Diego Lage) - A produção industrial do Ceará em fevereiro caiu em relação ao mês anterior, conforme revelou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. O estudo apontou que o Estado registrou um recuo de 1%, após sete meses de taxas positivas, período em que acumulou ganho de 15,8%.
A pesquisa do IBGE foi feita em 14 regiões e, na metade, houve um registro de avanço na indústria. No Ceará, um dos setores que pressionaram negativamente a produção foi o ramo de máquinas, aparelhos e materiais elétricos: 2% negativos. De acordo ainda com o IBGE, a principal contribuição positiva veio de calçados e artigos de couro (28,5%), mas também houve avanços de produtos químicos (53,0%) e alimentos e bebidas (9,2%).
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico do Ceará (Simec), Ricardo Pereira, explica que a queda foi motivada por uma sazonalidade do período. Segundo ele, o ramo de materiais elétricos sofre uma diminuição de demanda, anualmente, entre janeiro e abril. Ele exemplifica que o ramo de ventiladores, por exemplo, costuma fazer estoque para as vendas de fim de ano e volta a comprar materiais somente em maio - mês em que há o Dia das Mães.
Já no setor de medidores elétricos e quadros elétricos, ambos demandados na construção civil, Ricardo Pereira alega que as indústrias locais vêm sofrendo uma concorrência pesada e registrando perdas. "O mercado hoje tem sofrido um ataque do Sul e do Sudeste. E está sendo ocasionado (o ataque) por uma questão tributária", completa, referindo-se a incentivos fiscais obtivos por indústrias de outros estados.
CONCORRÊNCIA : De acordo ainda com Ricardo Pereira, as indústrias de São Paulo têm incentivo em seu Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), atualmente na faixa de 7%. As indústrias cearenses, por sua vez, trabalham com o percentual de 17% - diferença que causa perdas ao setor, conforme reclama o presidente.
EMAIS
- De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico do Ceará (Simec), Ricardo Pereira, a entidade está elaborando um estudo a fim de fornecer saídas para o setor conseguir reagir à concorrência de empresas das regiões Sul e Sudeste.
- Ele aponta que o trabalho elaborado deve ser apresentado à Secretaria da Fazenda (Sefaz). Um dos pleitos pode ser por incentivos que deixam as empresas em igualdade.
- "A gente deve apresentar uma proposta à Sefaz. Nós queremos oferecer à Sefaz não somente o nosso problema, mas também uma sugestão de solução", diz.
- A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção industrial foi divulgada ontem.
- O trabalho pode ser conferido com detalhes e dados no site www.ibge.gov.br - na notícia ``Em fevereiro, indústria avança em 7 dos 14 locais pesquisados".
Montadoras já negociam reajuste do aço
VALOR ECONÔMICO - A produção da indústria automobilística brasileira bateu recorde histórico no último mês de IPI reduzido, em março, com 330,98 mil veículos, uma expansão de 20,3% em relação ao mesmo mês do ano passado (275,14 mil unidades). Na comparação com fevereiro de 2010, quando foram registradas 249,8 mil unidades, o crescimento foi 32,5%.
Mas as perspectivas a partir de agora são menos otimistas. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, disse que as siderúrgicas já anunciaram às montadoras aumento no preço do aço, na esteira de reajustes próximos a 100% no minério de ferro, um dos insumos mais importantes da cadeia. Segundo ele, o impacto no custo de produção de carros dependerá das condições de negociação e das estratégias de produção de cada montadora. Ele lembrou que a negociação se dá de forma individual.
O executivo, no entanto, não informou qual aumento foi sinalizado pelas siderúrgicas. "Pode haver um impacto importante no custo de produção", afirmou Schneider. Ele acrescentou que alguns aumentos de preços de produtos siderúrgicos já chegaram aos fornecedores de autopeças.
No primeiro trimestre, foram produzidos 826,67 mil veículos no país, o que significa uma ampliação de 24,4% perante igual intervalo do ano anterior (664,44 mil unidades). O nível de emprego nas montadoras ficou em 127,76 mil pessoas em março, alta de 0,8% em relação ao mês imediatamente anterior. As vendas internas também alcançaram a marca recorde de 353,7 mil unidades.
Conforme o presidente da Anfavea, com o fim do IPI reduzido no mês passado, a tendência é de uma acomodação nos volumes comercializados durante abril e maio, com uma retomada aguardada para junho. Com a forte demanda no mês passado, os estoques de veículos na indústria e concessionárias recuaram para um giro de 18 dias de vendas, bem abaixo dos 35 dias registrados em fevereiro.
Lula volta a cobrar mais investimentos em siderurgia
AGENCIA ESTADO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu na defesa do aumento da produção nacional de aço na reunião que teve com toda a diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio, na terça-feira. Ao recomendar que o banco concentre esforços para elevar os investimentos em siderurgia, o presidente, mais uma vez, se disse inconformado com o fato de o Brasil, maior produtor mundial de minério de ferro, fabricar "somente 35 milhões de toneladas de aço".
Aos executivos do banco, Lula repetiu que gostaria de ver o País transformado em exportador de placas de aço, e não de matéria-prima. Mas, na prática, o banco não tem como "convencer" o setor a investir em novos projetos. Também não há, segundo fontes do BNDES, estudos para um programa com taxas específicas para o setor. Acionista da Vale, CSN e Usiminas, o banco pode, porém, participar da estratégia dessas empresas.
A retomada da demanda externa por aço e as vantagens competitivas do setor no Brasil estão por trás da insistência do presidente Lula. O BNDES compartilha do diagnóstico de que há uma oportunidade para o País no mercado internacional de semiacabados. A intenção não é estimular projetos voltados para o mercado interno, cuja demanda por aço é de apenas um terço da capacidade atual da indústria. O projeto é aumentar a produção brasileira de placas para o exterior, que não sofrem as taxações do aço acabado.
A recuperação mais lenta da demanda em relação à Ásia está levando ao fechamento de várias plantas de semiacabados na Europa e nos EUA. O aumento do preço do minério em mais de 100% por gigantes como a Vale deve agravar ainda mais a dificuldade de compatibilizar custos e vendas nesses países, e abre uma oportunidade ao Brasil.
ExpoAço reunirá os principais players da siderurgia
ABM NEWS - Os debates e as perspectivas do mercado de aço no Brasil e o panorama da indústria no pós-crise são questões a serem abordadas do Congresso Brasileiro do Aço, que acontece de 14 a 16 de abril, no Transamérica ExpoCenter, em São Paulo. Junto com renomados palestrantes nacionais e internacionais, estarão reunidos no evento os principais players do setor na segunda edição da ExpoAço. O tamanho físico da feira de negócios, 3 mil m², mostra a dimensão do seu porte: estarão presentes 50 empresas nacionais e estrangeiras, de países como Alemanha, Argentina, Chile, França, Índia e Suíça.
Haverá também um encontro inédito com as entidades de classe (Inda, Sicetel, Abmaq e Abdob) do setor, o que significa um sinal claro da aproximação e colaboração da cadeia. De acordo com Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), organizador do Congresso e da ExpoAço, as discussões que ocorrerão durante os paineis não ficarão restritas à indústria do aço. Com a participação destas entidades, é claro o interesse das mesmas em discutir rumos da economia e do mercado.
O acesso à feira de negócios não será restrito a congressistas. Os visitantes terão entrada gratuita e dividirão espaço com o público do Congresso, mais de 600 executivos das áreas de siderurgia, distribuição e logística, mineradoras, governo, consultorias, escritórios de advocacia, bancos e instituições financeiras, associações, fornecedores e consumidores de aço.
VILA DO AÇO
Em espaço adicional estará a Vila do Aço, onde visitantes e congressistas terão a oportunidade de conhecer uma área de 1.400 m² destinada a apresentar a aplicação do aço em casas, prédios, equipamentos urbanos, sistema drywall, engradamento metálico, esquadrias, coberturas e passarela, ou seja, opções arquitetônicas em aço em tamanho real. A mostra será especialmente atraente para empreendedores, construtores, engenheiros e arquitetos, bem como estudantes da área que poderão conhecer melhor as opções em aço para construção.
Mais informações: http://www.acobrasil.org.br/congresso2010/
Empresários cearenses vão à China em busca de negócios
Comitiva de 26 industriais dos setores químico e metal-mecânico participará da Canton Fair
FIEC ONLINE - Vinte e seis industriais cearenses dos setores químico e metal-mecânico embarcam na sexta-feira (9/4) com destino à China em busca de oportunidades comerciais na maior feira do país asiático, a Canton Fair. A missão é uma iniciativa do Sindicato das Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Destilação e Refinação de Petróleo no Ceará (Sindquímica) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) por meio do seu Centro Internacional de Negócios (CIN), responsável pela organização da comitiva. Empresários ligados ao Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Ceará (Simec) também integram o grupo.
Dos 26 integrantes da missão, 22 são ligados ao setor químico e quatro ao metal-mecânico. Segundo o presidente do Sindquímica, José Dias de Vasconcelos, os empresários do segmento irão ao país asiático prontos para fechar negócio. "Na China os preços são mais acessíveis do que no Brasil. A ideia é adquirir insumos, máquinas e equipamentos para modernizar nossas empresas e baratear os custos de produção", diz.
Atualmente na 107a. edição, a Canton Fair é a maior feira multissetorial da Ásia. Ocorre na cidade de Guangzhou, importante polo industrial chinês. Os cearenses participarão da primeira fase da feira (de um total de três), que reunirá setores como produtos químicos, máquinas e equipamentos, material e máquinas de construção, ferramentas, entre outros. A edição anterior registrou cerca de 56.000 estandes, 188.000 compradores estrangeiros e gerou mais de US$ 30 bilhões em negócios.
A coordenadora do CIN/FIEC, Beatriz Bezerra, afirma que uma missão à China possui algumas especificidades e fazer negócios em um meio cultural diferente impõe a observação de aspectos que vão muito além do comportamento exigido pela etiqueta. "Quem ignora as peculiaridades culturais de um país tão distante como a China pode se deparar com surpresas desagradáveis. Os negócios bem-sucedidos sempre estão baseados nos relacionamentos e compreender a cultura facilita bastante", orienta.
Em relação à importância da participação das empresas em missões internacionais, a coordenadora do CIN/FIEC - que também integrará a comitiva do Ceará -, afirma que essas viagens de negócios permitem ao empresariado manter contatos com potenciais parceiros, conhecer concorrentes, observar tendências de consumo, identificar novas tecnologias e técnicas de produção, além de aprofundar informações sobre o mercado internacional para seus produtos e importar insumos e máquinas a preços competitivos.
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