Ano II – nº 117 – Fortaleza/CE – edição: 05.04.2010 |
Durametal em dobro
DIÁRIO DO NORDESTE (Coluna Negócios – Egídio Serpa) - até o fim deste mês, a Durametal - que fabrica em Maracanaú tambores de freio e cubos de roda que são instalados em veículos leves e pesados das grandes montadoras, como a Mercedes Benz - começará a testar as máquinas e os equipamentos que, importados da Alemanha, vão dobrar de 4 mil para 8 mil toneladas sua capacidade de produção. "São as máquinas mais modernas do mundo", revela o empresário Fernando Cirino, controlador da Durametal.
Espaço apertado para repasse da alta das commodities
VALOR ECONÔMICO - Os preços das commodities como o minério de ferro e o carvão estão em alta, o que significa custos de produção maiores para empresas industriais que utilizam essas matérias-primas como parte essencial de seus produtos. Mas só uma parte pequena dessa alta, se tanto, chegará até o consumidor na forma de preços mais altos dos produtos, sejam carros ou máquinas de lavar pratos - pelo menos em economias que só agora começam a sair da recessão.
Eis o porquê: as matérias-primas continuam sendo uma fatia pequena da grande equação de custos dos fabricantes e, mais importante ainda, os Estados Unidos e outras grandes economias não estão vendo aumento da demanda que seria necessário para sustentar um repasse desses custos.
Alguns fabricantes temem que uma alta de preços possa congelar o pequeno crescimento da demanda que veem retornar ao mercado. Em vez disso, as empresas estão absorvendo o aumento do custo das matérias-primas, geralmente cortando despesas ou encontrando fornecedores alternativos para reduzir o impacto no lucro.
A alta é abrangente. O cobre está com seu maior preço em 20 meses, e o níquel, em 2 anos. Uma indústria que está sentindo a puxada nos preços de matérias-primas é a siderúrgica. Nos últimos seis meses, o preço de alguns metais subiu mais de 50% e espera-se que outros aumentos venham por aí, depois da elevação do preço do minério de ferro, um dos principais componentes do custo do aço.
Mas esse movimento na parte mais baixa da cadeia de produção não vai mudar o quadro maior da inflação nos EUA e outros países, dizem economistas. "Enquanto os custos de mão de obra ou salários estiverem subindo muito lentamente, a inflação vai continuar discreta mesmo que as matérias-primas subam bem rapidamente", diz Nigel Gault, economista-chefe para os EUA da firma de previsões IHS Global Insight.
É normal que os preços das commodities subam quando as economias começam a se recuperar de uma recessão, já que as fábricas aumentam as encomendas e os estoques. Mas, desta vez, esses preços estão subindo mais rápido que o normal.
Um dos motivos é o excesso de capacidade. No ano passado, a taxa de utilização da capacidade no setor manufatureiro dos EUA caiu para 65,4%, um recorde. Esse número vem subindo nos últimos meses, devido à recuperação da economia, mas o uso da capacidade em janeiro ainda estava num nível relativamente baixo de 69,4%. Há espaço bastante para se produzir mais a um custo mínimo.
O resultado é um aperto da capacidade de fixar preços no caso de empresas como as siderúrgicas. O preço do minério de ferro deve saltar cerca de 90% este mês para as empresas que fecham contratos de longo prazo. Algumas siderúrgicas têm suas próprias minas de ferro, o que dá a elas uma camada de proteção contra os saltos de preço. Mas outras commodities usadas nas usinas também estão subindo, entre elas o carvão siderúrgico.
Enfrentando custos maiores de matérias-primas, algumas usinas estão planejando repassar algum aumento nas próximas semanas. Mas elas já sabem que não conseguirão repassar todos os custos - e que podem encontrar forte resistência às altas que planejam. "Vinte e cinco por cento podem ser repassados, mas nada a mais do que isso", disse B. Murthuraman, vice-presidente do conselho da Tata Steel Ltd., uma das maiores siderúrgicas da Europa.
Enquanto isso, compradores de aço como a Rexnord Industries LLC, de Milwaukee, que fabrica equipamentos de transmissão elétrica e correntes industriais e tem fábrica em São Leopoldo (RS), provavelmente vão combater qualquer aumento maior. A Rexnord, que entre outras coisas fabrica correntes industriais, viu suas vendas cair 40% no ano passado e só recentemente começou a constatar uma recuperação nas encomendas, principalmente da Índia e China. As vendas nos EUA ainda não registraram nenhuma recuperação.
A Whirlpool Corp., fabricante de eletrodomésticos da linha branca com sede em Benton Harbor, no Estado americano de Michigan, é uma outra grande compradora de aço. Dona no Brasil de marcas como Brastemp e Consul, a empresa compra aço usando preços negociados para diferentes durações de tempo, o que ajuda a suavizar as oscilações de preço.
"Tenha em mente o fluxo circular" dos preços do aço e dos componentes que são feitos de aço, disse recentemente o diretor financeiro da empresa, Roy Templin. O que ele quis dizer é que a Whirlpool não é só atingida pela alta das matérias-primas que usa para fabricar seus produtos, mas também por eventuais altas repassadas às bombas, motores e compressores que necessita de comprar.
Demanda baixa e crédito afetam setor de ferro-gusa
VALOR ECONÔMICO - O setor de ferro-gusa - insumo para as siderúrgicas de forno elétrico e alto-forno - foi um dos que mais sofreram em 2009 com a crise financeira global, afirmou Luiz Guilherme Monteiro, diretor financeiro da Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar), maior produtora e exportadora de gusa do país, com sede em Marabá.
Segundo ele, as 80 empresas do setor, espalhadas pelo Sul, Sudeste e Norte do Brasil, por falta de demanda das usinas de aço no país e no exterior e sem linhas de crédito à exportação disponíveis, passaram a operar em 2009 com 20% da capacidade instalada, de 10 milhões de toneladas. O impacto da recessão global reduziu as exportações de gusa para 2,8 milhões de toneladas no ano passado, ante uma média histórica de 6 milhões de toneladas anuais.
"A Cosipar ficou desde março do ano passado sem capital de giro, tendo de paralisar a Usipar, sua unidade recém-inaugurada de Barcarena e colocar a empresa de Marabá a operar em meia carga", disse Monteiro. Este ano, a empresa voltou a conversar com seus parceiros da área financeira sobre crédito e retomada da produção.
O plano da Cosipar para driblar a crise era definir com os bancos uma data para retomar as linhas de crédito para exportação para reativar a unidade de Barcarena, com capacidade inicial de produção anual de 200 mil toneladas de gusa, que poderia dobrar para 400 mil toneladas com a instalação de um segundo alto-forno e uma linha de sinterização. Mas não foi possível concretizar os planos no ano passado.
Este ano, a liquidez ainda é escassa para o grupo Cosipar e outros guseiros. O BNDES não é alternativa de para o setor, pois não dispõe de linha de capital de giro para commodities. A Cosipar vem trabalhando com seus parceiros financeiros Itaú e Banco Real. "Estamos hoje totalmente voltados para a retomada da capacidade de produção de nossas duas plantas - Cosipar e Usipar -, que sozinhas podem produzir até 900 mil toneladas anuais (a produção atual das empresas é de 400 mil toneladas). Só depois disso podemos pensar em expansão", disse Monteiro.
Ele está otimista com a recuperação do mercado de gusa, cujos preços já saltaram de US$ 300 para US$ 530 a tonelada no mercado americano no primeiro trimestre. Isso poderá dar margem para os guseiros bancarem a alta de 108% no preço da tonelada de minério de ferro que compram da Vale.
Siderurgia chinesa quer boicotar Vale
Pequim (AFP) - A Associação de Ferro e Aço da China (CISA) defendeu nesta segunda-feira um boicote de dois meses de seus membros aos três grandes produtores mundiais de ferro, entre eles a brasileira Vale, acusados de se aproveitar de uma situação de monopólio.
Durante uma reunião a portas fechadas na sexta-feira, a CISA calculou que as atuais reservas de minério de ferro são suficientes para dois meses e estimulou as siderúrgicas a "não comprar das três grandes mineradoras durante dois meses, para boicotar a atitude de monopólio", informa o portal oficial China.net.
A "três grandes" são a brasileira Vale e as anglo-australianas Rio Tinto e BHP Billiton, com as quais as siderúrgicas de todo o mundo negociam a cada ano os preços da matéria-prima (vigentes até 31 de março do ano seguinte).
A Vale do Rio Doce (CVRD) tem 32,8% do mercado, a BHP Billiton 15,1% e a Rio Tinto 18,6%.
O minério de ferro é um dos principais componentes do aço, um material-chave para o setor do automóvel, da construção ou da fabricação de inúmeros bens de consumo.
Na Ásia e na Europa, as siderúrgicas criticam cada vez mais as exigências das três gigantes, que tentaram impor fortes altas nos preços este ano, o que os compradores consideram abuso de posição dominante.
Siderúrgicas da Índia e Coreia elevam preços em abril
AGENCIA ESTADO (DANIELLE CHAVES) - As siderúrgicas indianas Tata Steel, Essar Steel e Uttam Galva Steels e a sul-coreana Posco anunciaram aumentos de preços para seus produtos de aço com efeito desde 1º de abril. Os aumentos foram implementados em meio ao crescimento dos custos das matérias-primas usadas na produção de aço, como minério de ferro e carvão de coque. A Tata Steel elevou os preços para produtos longos em 2,5 mil rupias (US$ 56,15) por tonelada e para produtos planos em 10%. A Essar Steel aumentou os preços para produtos planos entre 2 mil rupias e 2,5 mil rupias por tonelada.
Uttam Galva Steels, produtora de aço galvanizado, impôs alta de 6 mil rupias por tonelada nos preços de seus produtos para o mercado à vista e os contratos mensais. A companhia também planeja elevar em 9 mil rupias os preços dos contratos trimestrais, para os quais as negociações ainda estão em andamento.
Já a Posco, que é a quarta maior siderúrgica do mundo em produção, aumentou os preços de seus produtos de aço inoxidável pelo terceiro mês consecutivo. Os preços das bobinas laminadas a quente subiram 9,2%, ou 300 mil wons, para 3,55 milhões de wons (US$ 3,1 mil) por tonelada em abril, de 3,25 milhões de wons no mês passado. As bobinas laminadas a frio tiveram alta de 8,5%, para 3,82 milhões de wons, de 3,52 milhões de wons em março. As informações são da Dow Jones.
Aço: Entidade quer ter atuação mais representativa com clientes e governo; André Gerdau vai presidir conselho
IABr profissionaliza gestão e cria cargo de presidente-executivo
VALOR ECONÔMICO - A indústria brasileira do aço vai ter uma nova cara a partir deste mês. A grande novidade é a mudança na gestão do Instituto Aço Brasil (IABr), marca que substituiu a antiga IBS depois de 40 anos desde agosto. Por escolha do conselho diretor da entidade, em 23 de março, Marco Polo de Mello Lopes, atual vice-presidente executivo, foi designado para o cargo de presidente executivo do IABr. Agora, ele ficará com o dia a dia da instituição, bem como seu relacionamento com representantes de governo, do mercado, de outras instituições e com a mídia.
Lopes torna-se, de fato, o porta-voz do setor, nono maior do mundo, num processo de profissionalização que se observa em outras setores. A mudança será oficializada em 15 de abril, em São Paulo, durante o 21º congresso do setor, dia em que novos dirigentes vão assumir o comando da instituição.
No novo modelo, André Gerdau Johannpeter, presidente do grupo Gerdau, assume como chairman do conselho diretor do IABr, que reúne todos os representantes das fabricantes de aço no país. Nessa condição, como se fosse presidente do conselho de administração de uma companhia, André Gerdau vai presidir as discussões políticas e as diretrizes estratégicas do setor dentro da entidade. Para vice-chairman foi nomeado Albano Chagas Vieira, diretor-superintendente da Votorantim Siderurgia.
A mudança de gestão no IABr é emblemática. Havia um sistema de rodízio de representantes das empresas a cada dois anos, que será mantido apenas no conselho diretor, porém não mais na gestão executiva. A quebra da tradição vem numa hora em que a indústria enfrentará embates acirrados pela frente. De um lado, com fornecedores de matérias-primas e insumos, o que de fato já começou no início do mês com a alta de preço de 100% da Vale para o minério de ferro e a troca do reajuste anual para um novo, trimestral; de outro, reações de seus grandes clientes, pois terá de repassar esses custos e os que virão também do carvão e outros insumos preço do aço.
É esse cenário que espera o carioca e economista Lopes, que iniciou sua carreira no IBS, em 1972, como estagiário, e desde 1993 está no cargo de vice-presidente executivo, após a fusão da entidade (na época estatal) com a ASP, das siderúrgicas privadas. A ASP foi criada por iniciativa de Antônio Ermírio de Moraes, controlador do grupo Votorantim, para neutralizar a influência estatal.
Além disso, aponta, o setor enfrenta ameaças do governo. Um exemplo, diz Lopes, é a aplicação em 2005 da lista de exceção da TEC (Tarifa Externa Comum), sem nenhum sinal de desabastecimento interno. "Valeu o lobby dos grandes consumidores". 15 produtos tiveram a alíquota de importação de 14% zerada, decisão que perdurou até junho de 2009. No segundo semestre, dois ministros voltaram a falar em zerar de novo os índices por conta da recomposição de preços do aço, os quais haviam caído até 40% no auge da crise. "Quando o setor automotivo, que tem proteção de 35% na importação de autopeças, eleva seus preços não há nenhum questionamento". Para o executivo, o que o setor do aço busca é isonomia no tratamento.
Na semana passada, o executivo do IABr já inaugurou seus embates com a Vale. Foi à mídia contestar declarações do presidente da mineradora, Roger Agnelli, que, segundo Lopes, havia afirmado que "o minério de ferro da empresa é o mais barato do mundo e o aço brasileiro, o mais caro". "A Vale empurrou esse aumento de 90% a 115% por razões de custos, de mercado favorável ou porque tem o controle do mercado? Isso ela não explicou", rebateu.
A Vale mais suas rivais Rio Tinto e BHP Billiton detêm 70% das vendas no mercado transoceânico. São elas que fazem as regras e formam os preços mundialmente. Neste ano, seus argumentos foram que o preço no mercado à vista está quase o triplo dos firmados nos contratos anuais de 2009.
Decidida no fim do ano passado, e amadurecida ao longo do primeiro trimestre, a mudança na gestão do IABr reflete um novo posicionamento para a instituição. O objetivo é torná-la mais ágil na defesa do setor e ser percebida como representante legítima nas discussões que dizem respeito ao futuro do aço no Brasil. As pressões do presidente da República Luís Inácio Lula da Silva no ano passado para a Vale espalhar siderúrgicas Brasil afora não foram até hoje bem digerida.
Para uma fonte ouvida pelo Valor, isso mostrou a baixa representatividade do IABr, permitindo a intervenção do governo, que usou seu poder de acionista na Vale e sequer consultou o setor. "Esse tema teria de ser conduzido pela indústria do aço, pelo fato de que a afeta, e não pela Vale, que poderia até se incorporar ao processo como grande fornecedora de minério do país". Outro representante observou: "Vivia-se um momento de crise profunda na economia mundial, de incertezas futuras, com sobra de aço e de capacidade de 600 milhões de toneladas. Por isso, nossas empresas, dependentes de 40% da exportação, tiveram de fechar seis altos-fornos". O último deles, da ArcelorMittal Tubarão, só será reaberto no final deste mês.
"O Lula estava preocupado em fazer política; nós, em manter as empresas operando, ajustar os custos e salvar o máximo de empregos possível", acrescentou essa fonte, que preferiu o anonimato.
Lopes é taxativo: "O IABr não pode mais se parecer a uma ilha. As partes não são mais importantes que o todo. É natural que nas horas de crise todos [empresas] corram para apagar seus incêndios, mas ficou evidente que é preciso uma entidade forte".
O sinal amarelo para mudanças na gestão do IABr foi aceso em 2006/2007, quando uma pesquisa em âmbito nacional constatou que o setor era visto como "pesado, poluidor, estatal e pouco competitivo", entre outras qualificações negativas. "Havia um buraco entre a identidade real - indústria moderna, totalmente privada, que investe pesado em tecnologia, preocupada com a sustentabilidade e com um papel estratégico na economia do país - e sua imagem perante a sociedade", ressalta o executivo. "Isso tinha de mudar", diz.
O primeiro passo mais perceptível disso foi dado em 2009 ao trocar o nome IBS (sigla de Instituto Brasileiro de Siderurgia) por IABr. "É uma marca nova, focada no aço. A palavra siderurgia é difusa e englobava outros segmentos com pouca coisa ou nada de comum com a fabricação de aço propriamente dita", comenta. Antes disso, informa, foi lançada nova política setorial e a realização de eventos de peso no país. "Um exemplo é o que faremos agora: um congresso, uma feira com quase 50 expositores e uma vila para mostrar aplicações do aço na construção civil".
O principal alvo é neutralizar as pressões sofridas de seus grandes clientes - fabricantes automotivos, de equipamentos e máquinas, de eletrodomésticos e da construção civil - bem como do governo, ao qual costumam recorrer. "É uma herança do passado, de quando a siderurgia era 70% estatal e o preço do aço, achatado, transformado em forte subsídio para cadeia produtiva desses setores. Ficaram mal acostumados", afirma Lopes. Esses setores são responsáveis por mais de 80% do consumo de aço no país.
Segundo ele, estudos indicam transferências do aço para estes setores da ordem de US$ 17 bilhões. Há mais de 15 anos, diz, a indústria do aço é 100% privada e suas empresas têm compromissos com seus acionistas. "É preciso desmistificar o papel de vilão que dão ao aço toda hora que há um reajuste de preço. Porque isso não é feito com a Vale quando aplica um aumento brutal como esse, de 100%, no minério?".
O executivo informa que estudos encomendados pelo IABr com entidades renomadas, caso do IPT de São Paulo, mostram, por exemplo, que o aço responde, em peso, por 55,7% dos 903 kg de um automóvel Gol 1.0, mas por apenas 7,93% do valor de venda do veículo. A avaliação foi feita para aplicações em fogões, geladeiras, máquinas e equipamentos e na construção civil. "Na construção, o que encarece o valor do imóvel é a especulação do mercado e não o vergalhão, que varia de 2,5% a 8% na estrutura total de custo".
Com 26 usinas em operação no país, o setor tem capacidade instalada para fabricar 42 milhões de toneladas de aço por ano. Esse volume é mais que o dobro da demanda interna em 2009 - 20,7 milhões de toneladas. Ao final deste ano, com recuperação da demanda local para 25,4 milhões e com o fim de novos investimentos, haverá excesso de capacidade ainda de 91% (23,1 milhões). "Mostramos isso ao presidente Lula e explicamos que a indústria é obrigada a exportar de 30% a 40% da produção. Na crise, sem mercado lá fora, foi obrigada a fechar fornos".
Para Lopes, a chave de tudo está no mercado interno. "Precisamos garantia de expansão sustentável do mercado doméstico para investir e continuar exportando um terço da produção. Há 30 anos, o Brasil patina em 100 kg de consumo por habitante ao ano. A China saiu de 40 kg naquele mesmo 1980 e no ano passado já atingiu 340 kg".
A Lula, em reunião ocorrida este ano, foi informado ainda que, apesar disso, há um programa de investimentos - que inclui anúncios e intenções de projetos nos quais a Vale participa - de US$ 40 bilhões até 2016, levando capacidade do setor a 77 milhões de toneladas. Com isso, a capacidade atual quase dobrará, mas ainda haverá sobra de 104% sobre a demanda doméstica em seis anos, prevê o IABr.
Missão China: máquinas 70% mais baratas
A Canton Fair, na China, será o destino de uma comitiva formada por 26 empresários cearenses que já saem daqui com o objetivo de modernizar seu parque industrial adquirindo maquinário lá
DIÁRIO DO NORDESTE (ILO SANTIAGO JR) - 02/04/10 - Um importante passo para a modernização do parque industrial de pequenas e médias empresas dos setores químico e metal-mecânico do Estado será dado no próximo dia 9 de abril, data em que uma comitiva de 26 empresários ligados ao Sindicato das Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Destilação e Refinação de Petróleo no Ceará (Sindquímica) e ao Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Ceará (Simec), embarca para a China, com o objetivo de investir cerca de R$ 10 milhões na compra de máquinas e equipamentos de última geração. O intuito dos cearenses, que contarão com o apoio de dois técnicos do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Fiec, é participar da 1ª fase da Feira de Importação e Exportação da China (Canton Fair), que será realizada entre os dias 15 e 19 do próximo mês, na cidade de Guangzhou, importante polo industrial do gigante asiático.
De acordo com o presidente do Sindquímica e, também, chefe da missão, José Dias Vasconcelos, os produtores dos segmentos de tintas, embalagens plásticas, cosméticos, produtos farmacêuticos, hospitalares e saneantes hospitalares (este último também conhecido como de higiene e limpeza de hospitais), esperam economizar até 70% com a aquisição das novas máquinas expostas na Canton Fair. "Já vamos preparados para fechar negócio. Contratamos um empresa de consultoria que nos ajudou junto a Receita Federal e na obtenção de linhas de crédito nos Bancos do Nordeste, do Brasil e BNDES, para facilitar a importação. Queremos aproveitar os preços chineses que, apesar do frete, são bem melhores que os praticados no País", afirma.
INSUMOS : Conforme José Dias, cerca de 80% da matéria-prima mundial do setor químico é fornecido por China e Índia. Por isso, os insumos também serão alvos dos cearenses. Segundo o presidente do Simec, Ricard Pereira, os materiais de siderurgia, chapas metálicas, soldas e eletrodos chineses são, pelo menos, 50% mais baratos. "Vamos unir vários empresários para barganhar preços e diminuir o valor do frete", explica Pereira.
Para a coordenadora do CIN/Fiec, Beatriz Bezerra, a Canton Fair, que existe desde 1957, chega a sua 107ª edição entre as maiores feiras mundiais. Na edição passada, foram mais de 22 mil expositores (a maior parte da própria China), cerca de 56 mil estandes, 188 mil compradores estrangeiros e mais de US$ 30 bilhões gerados em uma área de 1,1 milhão de metros quadrados. "Essa é a 8ª comitiva apoiada pela Fiec. Nos últimos 5 anos, já levamos mais de 240 empresários cearenses de diversos setores. É uma ótima oportunidade para observar as tendências de consumo, conhecer as novas tecnologias e fazer prospecção de negócios. Tudo em um só lugar", analisa Beatriz.
Ferroviário: Fábricas de vagões recuperam encomendas e investem
VALOR ECONÔMICO - Renascida nos anos 2000, a indústria de vagões de carga teve seu pior ano em 2009. Altamente dependentes do setor de mineração, as vendas caíram 80%, e das quatro fábricas do ramo instaladas no país, duas suspenderam a produção. Com cerca de 70% do mercado - todo abastecido pela indústria local - a Amsted-Maxion vendeu 570 vagões em 2009, frente a 4,3 mil em 2008. Mas já tem em carteira encomendas de 6 mil carros. A Usiminas Mecânica, uma das que suspendeu a produção comercial no ano passado, voltará à ativa e investir R$ 50 milhões para dobrar sua capacidade de produção, de 60 para 100 vagões/mês. Na sua projeção, até 2016 o país vai demandar 25 mil vagões de carga.
Com uma capacidade instalada de grandes dimensões - sua unidade em Hortolândia tem 1 milhão de metros quadrados, projetados para produzir 10 mil vagões ao ano -, a Maxion passou por um ajuste difícil no ano passado. Fechou uma fundição em Osasco (SP) e fez cortes nas suas duas outras unidades. De 4,5 mil funcionários, o quadro caiu para 1,9 mil empregados.
Mas a Amsted-Maxion já voltou a contratar e está com 2,3 mil, diz seu presidente, Ricardo Chuahy. A partir de meados do ano passado as encomendas voltaram, em parte animadas pela perspectiva de superação da crise, em parte pela política anticíclica do governo - o BNDES baixou sua taxa de juros do Finame, para bens de capital, para 4,5% ao ano. "A crise não suspendeu as encomendas, apenas as diluiu no tempo" afirma Chuahy.
Com o novo cenário de crédito barato, aconteceu algo inédito na Maxion: os contratos de longo prazo. A Vale fez uma encomenda para 4,5 mil vagões, 500 deles para 2010. Outras 2058 unidades serão entregues em 2011 e há uma opção de compra para outros 1982 carros em 2012. Outra grande cliente, a MRS fez o mesmo: 344 vagões para este ano, 1044 em 2011. Ou seja, se a Maxion não fechar nenhum contrato nos próximos três anos - algo improvável -, tem garantida uma demanda média de 2 mil carros ao ano.
Na Usiminas Mecânica, o período de demanda em baixa está sendo usado para colocar a casa em ordem, aguardando tempos melhores, diz o superintendente de fundição, forjaria e vagões, Jaime Cru. "Vamos aproveitar o ano para dar um grande salto a partir de 2011", diz. Em 2009, a empresa forneceu apenas alguns vagões para a Usiminas, e produziu protótipos de um novo carro com capacidade de 150 mil toneladas, desenvolvidos para rodar na estrada de Carajás. E fechou um acordo para absorver tecnologia da americana Standard Car Truck para produção de truques - jogos de rodas - utilizados nos vagões, hoje adquiridos de terceiros. A capacidade processamento será de 2 mil toneladas ao mês - o equivalente a cerca de 3 mil truques. A expectativa é de que, das 2 mil toneladas de truques processadas, 1,5 mil serão exportadas - adquiridas pela própria Standard.
No momento, a Usiminas Mecânica tem um contrato de R$ 25 milhões - 80 vagões - com a CSN, e está tentando fechar um de 200 unidades com a Vale e Mitsui. Para dar conta do mercado nos próximos anos, planeja investir para quase dobrar a capacidade.
A Randon, segunda maior do mercado, foi a única a sair-se bem no ano passado, com vendas de 436 vagões - o melhor resultado desde 2005. Ela conseguiu boas encomendas de clientes novos, como a Rumo Logística e a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), da Vale, que está em ritmo de crescimento. A Santa Fé, fábrica de vagões controlada pela ALL Logística, está com a produção de novos carros suspensa, e concentra-se agora em serviços de reforma.
Ricardo Chuahy, da Maxion, acredita que no longo prazo o mercado será impactado pelos novos investimentos ferroviários em curso no país, como Norte-Sul, expansão da Ferronorte, Transnordestina, Oeste-Leste e Ferroanel. Ao todo, os projetos somam 5,7 mil km - sem contar o Ferroanel, ainda sem traçado. No cálculo mais modesto, tomando como referência a rede atual, a cada 1 mil km de estrada significariam 3 mil vagões a mais rodando. |