Ano II – nº 116 – Fortaleza/CE – edição: 01.04.2010 |
Siderúrgicas reagem a aumento do minério
Na Europa, setor acusa mineradoras de abuso na formação de preços; no Brasil, associação prevê impacto expressivo do reajuste do aço / Grandes exportadoras da matéria-prima, como a Vale, mudaram modelo anual de negociação dos contratos e acertam altas de até 90%
FOLHA DE S.PAULO / FINANCIAL TIMES (Tradução de PAULO MIGLIACCI ) - Os setores siderúrgico e automobilístico europeus acusaram as grandes mineradoras, entre elas a Vale, de uso de práticas desleais de mercado após a introdução de um novo sistema de preços que quase dobrará o custo do minério de ferro. A Eurofer, associação setorial das siderúrgicas europeias, queixou-se à Comissão Europeia quanto a possíveis abusos de preços, alegando existir "fortes indicações de coordenação ilícita de reajustes e modelos de formação de preços, além de pressão sobre siderúrgicas individuais para que aceitem essas mudanças".
Nesta semana, a Vale e a australiana BHP deram início a uma mudança no modelo de correção de preços do minério de ferro (agora corrigidos trimestralmente) e já elevaram o produto em até 90%. A Acea, que representa as montadoras de caminhões e automóveis europeias, afirma que os três principais produtores (Vale, Rio Tinto e BHP Billiton) têm "o poder de formação de preços de um oligopólio".
No Brasil, o Instituto Aço Brasil, antigo IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia), fez uma avaliação menos pessimista, mas considerou o impacto do reajuste como expressivo.Segundo Marcopólo Lopes, vice-presidente-executivo, o minério corresponde a 25% dos custos do setor e "não é possível" para as siderúrgicas absorverem sozinhas esse reajuste. Ele disse à Folha que repasses acontecerão, mas não crê numa forte escalada dos produtos que utilizam largamente o aço.
Cita números comparativos: um fogão tem seu peso composto por 75% de aço, mas apenas 17% do valor corresponde à matéria-prima. Num carro Gol, a relação é de 55% para 9%.
O executivo centra fogo, porém, na Vale. Critica a concentração do mercado em torno da empresa e rebate a declaração do presidente da mineradora, Roger Agnelli, para quem o custo do minério de ferro é o mais baixo do mundo no Brasil, enquanto o aço é o de maior valor entre todos os países. "Isso não existe. Pagamos o mesmo preço de minério de ferro. A diferença é só o menor custo de frete, já que a produção é no país. O preço do aço é também compatível com o do mercado doméstico de outros países."
MOMENTO DELICADO : O apelo da Eurofer a Bruxelas chega em um momento delicado, já que as autoridades de defesa da competição na Europa já estão avaliando uma proposta da Rio Tinto e da BHP Billiton para combinar suas ricas jazidas de minério de ferro na Austrália.
As queixas das siderúrgicas se seguem a alertas de que os preços do aço teriam de subir em até um terço depois que as mineradoras e siderúrgicas de Japão e China concordaram sobre a mudança na formação de preços do minério de ferro. Os custos mais elevados do aço deverão resultar em preços mais altos para automóveis, vigas para construção e produtos de linha branca (como geladeiras), segundo as siderúrgicas. Como pano de fundo da disputa, estão os esforços das mineradoras para remover um sistema de referência anual nas negociações, substituindo-o por contratos trimestrais vinculados ao preço do minério de ferro no mercado spot (à vista). Procurada, a Vale preferiu não se manifestar. O Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) diz que é inviável manter os atuais preços, defasados ante os do mercado spot.
Worldsteel pede atenção de governos ao preço do minério
AGÊNCIA ESTADO (DANIELLE CHAVES – LONDRES) - - A Associação Mundial do Aço (Worldsteel) disse hoje que está preocupada com o aumento dos preços do minério de ferro em 2010 e afirmou que existe necessidade de que as autoridades de concorrência de todo o mundo examinem o mercado. O pedido da associação ecoou os solicitações feitas esta semana por outros organismos que precisam da matéria-prima. A Worldsteel disse que "contratos impostos" vão afetar negativamente a recuperação econômica global. "A capacidade das mineradoras de impor essa mudança, que maximiza os lucros de curto prazo delas, vem do mercado não concorrencial para minério de ferro transportado pelo mar", afirmou o diretor da associação, Ian Christmas, lamentando um afastamento do sistema anual de negociação de preços de referência.
Segundo Christmas, o sistema de referência tem imperfeições, mas permite melhores decisões sobre investimentos de médio prazo. Vale, BHP Billiton e Rio Tinto respondem por quase 75% da produção mundial de minério. "Apenas três companhias dominam esse negócio, com a fornecedora brasileira tendo praticamente um monopólio no Atlântico e as duas anglo-australianas tendo praticamente um monopólio no Pacífico", disse Christmas.
O diretor da Worldsteel também criticou a proposta joint venture entre a BHP e a Rio Tinto na Austrália. "Autoridades de concorrência de todo o mundo (...) precisam decidir se a natureza não competitiva desse negócio é do interesse público, dado que o aço é usado em quase todos os aspectos da economia moderna", afirmou.
Os membros da associação produzem cerca de 85% do aço do mundo. As queixas da Worldsteel seguem-se a pedidos de investigação feitos pela Eurofer, a associação que representa as siderúrgicas europeias, e pela Associação dos Fabricantes de Automóveis da Europa (Acea) nesta semana. As informações são da Dow Jones.
Minério de ferro vira commodity "normal"
FOLHA DE S.PAULO (JAVIER BLAS - "FINANCIAL TIMES" Tradução de PAULO MIGLIACCI) - Por décadas, o minério de ferro era abundante, os preços eram estáveis e minerar a mercadoria era um negócio monótono e sem glamour.
Isso começou a mudar no começo dos anos 2000, quando as imensas necessidades de aço da China transformaram o minério de ferro no "ingrediente inacessível" do mercado mundial de commodities. Os preços começaram a disparar e, enquanto o faziam, o sistema anual de fixação de preços que serviu como referência ao mercado durante quatro décadas começou a ser questionado. O processo chegou a uma conclusão anteontem, quando as mineradoras e as siderúrgicas abandonaram o sistema de contratos anuais e longas negociações em vigor desde o começo dos anos 60 e o substituíram por novos acordos de curto prazo com base nos preços do mercado à vista.
Para Melinda Moore, analista de commodities do Credit Suisse em Londres, "o setor está revolucionando a maneira pela qual o preço do minério de ferro é determinado".
Esssa revolução surge enquanto cresce a importância econômica e geopolítica das commodities devido às necessidades de países como a China e outras nações em desenvolvimento na Ásia, no Oriente Médio e na América Latina. A mudança não será, no entanto, um fenômeno novo nos mercados de commodities. O minério de ferro está simplesmente seguindo outros exemplos, como as transformações no modelo de preços do petróleo, no final dos anos 70; no do alumínio, no começo dos anos 80; e no do carvão térmico, no início dos anos 2000. Todos esses mercados evoluíram de preços fixos ou fixados anualmente para contratos vinculados ao mercado à vista.
Em estágio posterior, as commodities também desenvolveram contratos de derivativos, com os consumidores e produtores fazendo hedge contra o risco de preços voláteis por meio de "swaps" de varejo e, posteriormente, contratos futuros.Alberto Calderón, vice-presidente comercial da BHP Billiton em Melbourne, diz que o minério de ferro está se tornando uma commodity "normal".
"O sistema de preços está caminhando na mesma direção tomada por outras commodities no passado", disse ele ao "Financial Times". A "normalização" surge em meio a um grande avanço no volume de minério de ferro comerciado internacionalmente.
O mercado da commodity transportada por via marítima quase dobrou, para mais de 900 milhões de toneladas, no ano passado, ante 450 milhões de toneladas em 2000. O fator mais importante é que a participação chinesa saltou para cerca de 70% desse total, ante 16% há uma década.
O forte crescimento resultou na criação de um mercado à vista relativamente grande, respondendo por pelo menos 10% do volume total de comércio, de acordo com estimativas conservadoras. Esse desdobramento se provou crucial para a mudança do sistema de determinação de preço, já que as mineradoras e as siderúrgicas passaram a poder definir os preços de contratos tendo o mercado à vista como referência. Mesmo assim, algumas siderúrgicas, especialmente na Europa, questionam se o mercado à vista reflete os fundamentos de oferta e procura. As mineradoras dizem que sim.
Sob o tradicional sistema de determinação de preços para o minério de ferro, o primeiro preço acertado entre uma mineradora e uma grande siderúrgica durante as negociações anuais se tornava uma referência que o restante do setor seguia por um ano.
O novo sistema de preços representa ruptura radical para com o velho modelo. Emprega contratos trimestrais, e não anuais, e o custo é estabelecido com base em uma média dos preços do mercado à vista, e não por meio de negociações.
Metais: Eurofer contesta reajuste do minério
VALOR ECONÔMICO - Entra hoje em vigor o novo sistema de preços, com reajustes trimestrais, para o minério de ferro. Apesar de já ter sido discutida e negociada pelas mineradoras empresa por empresa, o novo sistema está causando barulho e resistências das siderúrgicas, principalmente das usinas de aço da Europa e das montadoras locais.
As usinas do Velho Continente, via Eurofer, protocolaram ontem a solicitação de investigação dos órgãos de concorrência da União Europeia contra as três grandes mineradoras BHP Billiton, Vale e Rio Tinto, alegando que a alta de preço do minério pode prejudicar a recuperação econômica da Europa. Na queixa, as siderúrgicas alegam que as três gigantes do minério, detentoras de 70% dos negócios no mercado transoceânico, têm o domínio das vendas e por isso estariam operando em oligopólio.
Paulo Camilo, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que acompanha o caso, disse ao Valor que dependendo do desdobramento do processo nos órgãos antitruste da União Europeia, o governo brasileiro poderá acionar sua representação em Bruxelas para defender as empresas brasileiras de mineração.
Também as montadoras, por meio de sua entidade Acea, solicitaram à UE que tome uma atitude depois que os produtores de minério deram passos para elevar os preços em mais de 80% este ano, conforme divulgou o "Financial Times". A Acea representa não só as montadoras locais, mas as grandes indústrias de carro e caminhões dos EUA e Japão instaladas no continente. A entidade reclamou que os três grandes produtores de minério "têm um significativo poder de preço como se agissem como um oligopólio". Para o setor, "essa excessiva e impraticável política de preços pode afetar a competitividade da indústria automotiva".
A entidade destacou que os preços globais do aço já subiram cerca de um terço depois que a mineradora brasileira Vale, a sul africana Anglo American e a australiana BHP Billiton firmaram acordo esta semana com usinas chinesas e japoneses pondo fim ao sistema de benchmark de contratos anuais com preços reajustados em mesa de negociação entre as produtores e consumidores de minério.
Segundo Penna, "o Brasil não quer subsidiar o preço do seu minério para que a Europa se recupere da crise". Ele contesta a acusação de oligopólio, destacando que o que está havendo neste momento é discussão caso a caso com as usinas de aço. "Há um propósito de tentar tumultuar uma negociação que caminha muito bem com China, Japão e Coreia e que vai tornar inevitável o reajuste do minério" .
Fontes da mineração, porém, reconhecem que há resistência das siderúrgicas europeias à nova sistemática, mas acreditam que tudo vai acabar se acomodando porque a oferta hoje é menor do que a procura. Uma pessoa que acompanha as negociações diz que as usinas estão numa posição fraca, pois no ano passado elas "furaram os volumes contratados com as mineradoras" em função da crise. "A posição delas se enfraqueceu com isso.
China puxa alta de mais de 10% dos metais no mês
VALOR ECONÔMICO - Embora as negociações em torno dos preços do minério de ferro tenham dominado a pauta de commodities em março, também níquel, cobre e alumínio roubaram a cena no mês, com valorização expressiva. Em todos os casos, a recuperação, ainda que lenta, da demanda europeia e americana e a manutenção do grande apetite chinês por metais, com destaque para o níquel, explicam a forte alta nas cotações. Para analistas, a tendência é a de manutenção do tom positivo para os preços nos próximos meses. Já para o petróleo, as apostas são de sustentação acima dos US$ 80 por barril.
Na avaliação do analista Pedro Galdi, da corretora SLW, a maior procura por metais, diante da retomada da economia mundial, veio após um momento de contenção de investimentos por parte das mineradoras. Isso provocou desequilíbrio entre a oferta e a demanda e vai impulsionando os preços em 2010. "Com exceção da Vale, não houve investimentos maciços no ano passado", lembra. Assim, em março, os preços do níquel para três meses na London Metal Exchange (LME) avançaram 21,53%, para US$ 24.975 por tonelada, acumulando ganho de 34,60% no ano. Os contratos de cobre ganharam 10,51% no mês passado, para US$ 7.842 por tonelada, e os de alumínio mostraram valorização de 11,08%, atingindo US$ 2.320 por tonelada.
No caso dos preços do cobre, explica o analista Leonardo Alves, da Link Investimentos, há ainda o impacto do terremoto que afetou a região centro-sul do Chile, grande produtor do metal, no fim de fevereiro. Logo após o tremor, as cotações do metal atingiram a máxima em cinco semanas. "Incertezas sobre produção e escoamento, em um momento de demanda bastante forte, ajudaram a puxar as cotações", diz.
No mercado de petróleo, a percepção é a de que a retomada gradual na procura seguirá beneficiando as cotações. Em março, quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou que manterá os níveis de produção, os contratos do óleo WTI subiram 3,4%, para US$ 82,37 por barril, com ganho de 3,79% no acumulado do ano. O Brent alcançou US$ 81,28, alta de 4,76% no mês.
Consumo de alumínio no país vai subir 21%, diz Abal
VALOR ECONÔMICO - O mercado brasileiro de alumínio, conforme dados divulgados ontem pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal), terá neste ano uma recuperação de 21% comparado ao desempenho do ano passado. A entidade prevê que o consumo doméstico vai somar 1,22 milhão de toneladas.
Em 2009, por conta do impacto da crise financeira e econômica internacional, em especial no primeiro semestre, o volume de produtos do metal consumido no país atingiu 1,008 milhão de toneladas. Em relação ao ano anterior, representou um recuo de 10,6% sobre o montante de 1,13 milhão de toneladas. De acordo com a Abal, o desempenho negativo de 2009 interrompeu uma série contínua de crescimento de cinco anos no consumo doméstico de alumínio. A recuperação mais forte só se verificou mesmo no quarto trimestre, que apresentou alta de 6,3% comparado a igual período do ano anterior. Foi justamente naquele período que a crise mundial foi deflagrada com a quebra do banco Lehman Brothers, nos EUA, em 15 de setembro.
A Abal observa que a retração no consumo em 2009 atingiu praticamente todos os setores da economia no país, com exceção de embalagens, que cresceu 5,4%. Os três segmentos que deverão puxar a demanda neste ano são chapas (para embalagens, utensílios domésticos, fachadas de edifícios, telhas, entre outros), extrudados (como perfis para janelas e outros itens usados na construção civil), fundição (com destaque para autopeças de alumínio). O consumo de chapas, que tem forte peso por conta da fabricação de latinhas para bebidas, deverá responder por 38% do total.
Fundição: Tupy retoma projetos e planeja investir R$ 172 mi
VALOR ECONÔMICO - Depois de amargar queda de cerca de 30% no faturamento em 2009, a fundição Tupy experimenta o reaquecimento dos negócios e retomou planos de investimento paralisados em função da crise. O projeto de uma nova linha de peças para suspensão de veículos já foi retomado e a empresa estuda executar o plano para uma nova fundição de blocos. A intenção é investir R$ 172 milhões em 2010.
Em 2009, foram aplicados R$ 107 milhões no parque industrial de Joinville. A área de usinagem, concluída no ano passado, consumiu grande parte dos recursos. Os três projetos fazem parte de um plano de expansão aprovado pelo conselho de administração da Tupy e anunciado em março de 2008. Em um horizonte de dois anos, o projeto previa investimentos de R$ 420 milhões em equipamentos e obras físicas, mas foi suspenso diante da crise. Do total, R$ 130 milhões seriam destinados para manutenção e modernização das linhas em atividade, R$ 30 milhões para projetos e obras de responsabilidade ambiental, e o restante, R$ 18 milhões, para melhorias relacionadas ao aumento de produtividade e aproveitamento de insumos. No projeto inicial, R$ 242 milhões seriam usados para as novas linhas - usinagem, peças de suspensão e blocos de motores.
Entre as razões para esse cenário positivo da Tupy em 2010 está a retomada de pedidos das montadoras dos Estados Unidos. Em especial, o presidente da empresa, Luiz Tarquínio, cita a Ford com um contrato para fornecimento dos blocos de motores das caminhonetes Super Duty. A fabricante de motores Cummins, grande cliente da Tupy em todo o mundo, também tem sido responsável por esse reaquecimento. "As encomendas têm sido acima do esperado", disse. Os automóveis com os blocos da Tupy chegaram ao mercado no começo deste ano.
"Vemos com bons olhos o mercado americano, mas ainda sem muito otimismo a Europa", diz Tarquínio. Apesar da retração na participação das exportações no faturamento da Tupy em 2009, a companhia projeta leve recuperação neste ano, principalmente no segmento de veículos comerciais. Em 2009, o mercado interno representou 68% da receita bruta e o externo, 32%. Este ano, a estimativa é de que o mercado interno ocupe 63% e as exportações, 37% das vendas.
Passado o período de ajuste de produção em função do recuo do mercado externo - que demandou férias coletivas e redução de jornada e salários para os funcionários de Joinville -, a companhia volta a repor a mão de obra. "Paramos de contratar e deixamos que o 'turn over' nos ajudasse a ajustar o quadro de pessoal com o ritmo de produção. Agora, voltamos a contratar", diz o presidente. A Tupy está trabalhando em três turnos na planta de Joinville e a produção começa a demandar horas-extras. Em Mauá, o terceiro turno está sendo formado. Entre janeiro e fevereiro, foram contratados 360 trabalhadores.
No balanço de 2009, divulgado nesta semana, a receita bruta da Tupy ficou em R$ 1,448 bilhão (ante R$ 2,016 bilhões em 2008) e a receita líquida somou R$ 1,223 bilhão (R$ 1,767 bilhão em 2008), com quedas de 28,17% e 30,77%, respectivamente. Já o lucro líquido totalizou R$ 156,7 milhões, apenas 7,7% menor que o obtido em 2008 (R$ 168,5 milhões).
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