Notícia

 

Ano II – nº 115 – Fortaleza/CE – edição: 31.03.2010

 

Matérias-primas: Siderúrgicas vão repassar aumento na faixa de 100% no minério de ferro
Aço terá correção de até 15% em abril

VALOR ECONÔMICO - As siderúrgicas brasileiras já começaram a se proteger da alta do minério de ferro, cujas negociações estão em fase final em patamares acima de 90% de reajuste, e programam aumentos a partir de abril nos preços do aço no mercado doméstico que variam de 10,5% a 14,5%. A mudança no sistema de precificação do minério, que migra de correções de valor anuais para trimestrais, deve entrar em vigor amanhã, com impacto sobre toda a cadeia produtiva mundial do aço.
As siderúrgicas argumentam que é só o começo: elas terão de administrar ainda reajustes de outras matérias-primas e insumos usados nos altos-fornos e aciarias de suas usinas. É o caso do carvão metalúrgico, cujo peso é de 25% no custo de produção do aço acabado. Portanto, observa um executivo do setor, não estão descartados novos reajustes do aço depois que forem definidos os novos preços desse insumo. O carvão usado no Brasil é 100% importado e o alta prevista para este ano deverá ficar acima de 50%, conforme negociações já anunciadas entre usinas de aço japonesas e coreanas com as grandes mineradoras.
No caso de empresas brasileiras que têm boa parte ou quase 100% de suprimento próprio de minério de ferro, como a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), o peso dessa matéria-prima no custo de produção é de 6%, afirmam especialistas. "Toda a industria vê o novo sistema de acerto de preços do minério de ferro como inevitável, dadas as condições de oferta apertada do produto ante a demanda e cujos preços no mercado à vista, na China, subiram para US$ 150 a tonelada", avalia Ivan Fadel, analista de mineração e siderurgia do Credit Suisse.
A Usiminas confirmou em nota que "vai alterar os preços bases de referência de seus produtos para a área de distribuição, a partir de 11 de abril, com variações entre 11% e 15%". Já a CSN, por meio de sua assessoria de comunicação, declarou que "seus reajustes serão feitos ao longo dos próximos meses, começando em abril, mas não de forma generalizada", em razão dos aumentos no carvão, no coque e no minério de ferro.
Segundo fontes do setor de distribuição de aços planos, que responde por um terço das vendas no país desses produtos, a CSN já vai reajustar preços de alguns tipos já a partir de amanhã. O grupo ArcelorMittal, que faz aços laminados a quente, a frio e revestidos, conforme essas fontes, adotará a nova tabela a partir de meados de abril. Os aços planos são aplicados basicamente na fabricação de autopeças, carrocerias de automóveis, produtos de linha branca, máquinas e equipamentos, dentre outros.
No momento, informam as siderúrgicas brasileiras, os reajustes vão abranger apenas a cadeia de distribuição. Para os demais setores, eles virão ainda ao longo do segundo trimestre, informa uma fonte. Sobre o formato de correção do minério, já está acertado com a Vale que serão trimestrais, mas as negociações do índice final a ser aplicado a partir de amanhã, as negociações ainda não finalizaram.
Segundo apurou o Valor, uma vez emplacado o sistema de reajuste trimestral de preços do minério, baseado num índice que represente o mercado, as mineradoras não vão mais fazer rodadas de negociações com as siderúrgicas, como as que vigoraram nos últimos 40 anos. "O preço será o do mercado para quem quiser comprar e para quem quiser vender, seja para cima, seja para baixo, como ocorre com ações na Bolsa, com o petróleo, soja, açúcar, trigo e outras commodities minerais. Por quê o minério de ferro tem que ser o único diferente? Só porque a Eurofer e a Cisa querem?", observam fontes do setor, referindo-se às associações das usinas de aço da Europa e da China, que pressionam por um reajuste menor da matéria-prima.
As três grandes mineradoras - BHP Billiton, Rio Tinto e Vale -, que dominam 70% do comércio transoceânico do minério de ferro, entretanto, consideram sepultado o modelo anual "benchmark" (referência para os contratos de longo prazo) e avisaram seus clientes a substituição por novas regras. A BHP fechou acordos trimestrais com a maioria dos seus clientes. A Vale ainda negocia o trimestral caso a caso, adotando Iodex (IronOre Index) como referência, como antecipou o Valor. A Rio Tinto também defende o modelo trimestral.
Por conta dessa quebra de paradigma para corrigir os preços do minério, as negociações com as siderúrgicas têm sido difíceis e mais complexas. No caso da Vale, conforme noticiou ontem a publicação "Tex Report", as usinas japonesas Nippon Steel, JFE Steel, Sumitomo Metals, Kobe Steel e Nisshin Steel acertaram com a mineradora brasileira um preço provisório próximo de US$ 105 a tonelada para o minério fino de Itabira, com teor de 65% de ferro. O preço final deve ser definido no decorrer de abril a deve ser aplicado retroativamente ao dia 1º do mês. As usinas chinesas tendem a concordar também com o modelo trimestral proposto pela Vale, mas a Cisa advoga alguns "ajustes" no novo sistema.
Em relatório do Credit Suisse, divulgado ontem, Fadel, Bruno Savaris e Luiz Moreira preveem que o mercado de minério em 2011 pode se manter tão apertado quanto em 2010. "Não acreditamos que 2010 seja único na história do minério", observam os analistas. O documento destaca que o mercado de manganês, que antecedeu o de minério de ferro na migração do reajuste anual para o trimestral, está agora fechando correção mensal. Será esta a trajetória do minério de ferro?

Setor de minério desencadeia reajustes
Mudança na forma de negociação da matéria-prima trará instabilidade aos preços dos produtos finais, afirmam analistas  / Liderada pela Vale, adoção de novo modelo de cotação, com bases trimestrais, põe fim a sistema que balizou preços no setor por 40 anos

FOLHA DE S.PAULO (PEDRO SOARES) - Em disputa com siderúrgicas, a Vale elevou o valor do minério de ferro em 90%, o que resultará em forte pressão no preço do aço -e, por consequência, na enorme gama de produtos que usam o material.
Após pressões da China, a mineradora brasileira e sua concorrente australiana BHP mudaram o modelo de correção de preços, corrigidos agora trimestralmente. Tal mecanismo, dizem analistas, traz mais volatilidade para os preços de centenas de produtos, tanto no atacado como no varejo.
É que o minério de ferro é matéria-prima principal do aço, usado numa variedade grande de itens, de carros e eletrodomésticos a brinquedos. Segundo levantamento feito pela Folha, só no IPCA, índice oficial de inflação, o peso dos produtos diretamente afetados pelo minério de ferro corresponde a 9,2% do indicador.
O peso na inflação é potencialmente maior, já que os cálculos não incluem produtos alimentícios acondicionados em latas de aço, por exemplo.
A disputa em torno do preço recrudesceu no momento em que a Vale fechou o preço de referência com a gigante japonesa Nippon Steel. Pela primeira vez, o novo valor será provisório e válido por três meses.
O percentual desagradou às siderúrgicas brasileiras e europeias, mercados nos quais ainda há capacidade ociosa. Pressionada pela China, a Vale aceitou contratos por tempo menor -antes era de um ano.
Válido havia 40 anos, o sistema conhecido como "benchmark" previa que o primeiro grande contrato do ano firmado entre uma mineradora líder (Vale, BHP e Rio Tinto) e uma grande siderúrgica passaria a balizar os demais, que replicavam o percentual de reajuste.
Em 2009, em meio à crise, a Vale reduziu em 28% o preço do minério de ferro, mas havia obtido um aumento de até 71% em 2008 -quando o mercado estava muito aquecido.
Agora, o reajuste de 90% fechado pela Vale causou forte reação de usinas da Europa, lideradas pela Eurofer. Oficialmente, a mineradora brasileira não confirma o aumento, publicado em jornais japoneses e no inglês "Financial Times".
O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que a "Eurofer esqueceu que o período de colonização, em que países subdesenvolvidos produzem para sustentar o bem-estar deles, acabou". Ele criticou também usinas brasileiras que pouco investem em aumento de capacidade e não repassam o custo menor do minério vendido no Brasil para o preço final do aço.
"O Brasil tem o minério de ferro mais barato do mundo e o aço mais caro do mundo. Alguma coisa não fecha", disse.
Em relatório, o Bank of America informou que o reajuste encontrou lastro na expansão da demanda principalmente na Ásia. O consumo, pondera o texto, está ainda em níveis distantes de antes da crise.
Para Antonio Emílio Ruiz, analista do Banco do Brasil, há hoje no mundo uma recuperação muito desigual da demanda, o que dificulta as negociações de preço. Ele diz que a crise -que derrubou o consumo- antecipou o fim do regime de ""benchmark" e fez crescer o peso da China nesse mercado.
Procurados para comentar o reajuste, o Instituto Aço Brasil e a Anfavea (montadoras) não haviam se manifestado até a conclusão desta edição.
Outro reflexo do novo sistema de preços deve ser a criação de um mercado bilionário de derivativos de minério de ferro, similar ao que existe para commodities como petróleo. Analistas preveem que esse mercado passe a girar US$ 200 bilhões no mundo até 2020, ante US$ 300 milhões hoje.

Com mudança, Vale atende a chinesas

FOLHA DE S.PAULO - Ao mudar o modo de corrigir os preços do minério, a Vale atendeu, em parte, o pleito das siderúrgicas chinesas -responsáveis pela produção de quase 50% do aço mundial.
Segundo Antonio Emílio Ruiz, analista do BB, o novo mecanismo leva em conta o preço do mercado spot (à vista e com entrega imediata), mas dá um desconto nos contratos com as siderúrgicas.
Isso porque o volume vendido é maior e há garantia de fornecimento do produto no longo prazo. Por isso, diz, a Vale não tem como ajustar na mesma proporção os preços trimestrais aos do spot.
Se fosse considerar apenas a referência do preço spot na China, estima, a alta seria de 110%, e não os 90% acertados com a Nippon Steel e a coreana Posco -que tem contrato de longo prazo com a Vale.
Em relatório, o banco Barclays diz que a transição "histórica" do sistema de correção anual de preços para o ajuste trimestral poderá ser mais lenta do que o previsto. É que, avalia, há uma grande resistência das usinas europeias -responsáveis por um quarto da demanda global de minério. Por isso, o banco crê que vigorarão regimes de preços provisórios e coexistirão os dois sistemas: o mais flexível e trimestral na Ásia e o anual na Europa, os dois grandes centros da siderurgia.

Era dos contratos anuais para minério de ferro chega ao fim

VALOR ECONÔMICO - A BHP Billiton, maior mineradora do mundo, anunciou que fechou acordos com a maioria de seus clientes para vender minério de ferro a preços de mercado, um acontecimento que garante custos mais altos e volatilidade nas oscilações do minério crucial para as siderúrgicas do mundo.
O ferro pode quase dobrar de preço por tonelada este ano em relação a 2009, quando as siderúrgicas pagaram cerca de US$ 60 por tonelada.
A decisão da BHP é um forte sinal de que a era de negociações anuais secretas e fragmentadas entre as siderúrgicas e as mineradoras está chegando ao fim. Durante décadas, os dois lados negociaram o preço anualmente, sob um sistema que mantinha o minério estável durante o período.
Mas desde que a China passou a demandar mais minério para alimentar seu crescimento industrial, o preço da commodity tem subido. O diretor-presidente da BHP, Marius Kloppers, tem tentado passar as negociações do minério para uma situação que reflita a verdadeira oferta e demanda no momento da venda.
Essa estratégia de preço funciona muito bem para mineradoras como a Rio Tinto e a maior exportadora de minério de ferro do mundo, a Vale SA. Com a demanda ultrapassando a oferta, o minério se tornou uma das maiores fontes de receita de várias mineradoras multinacionais.
Um executivo do alto escalão da Vale também disse ontem que o sistema de negociações anuais de um preço fixo para o ferro "acabou". "O sistema de preço fixo não sobreviveu a um teste importante no ano passado", disse numa convenção do setor em Pequim o diretor de marketing, pesquisa e desenvolvimento da Vale, Pedro Gutemberg. "É preciso fazer algo diferente [em termos de preço]. (...) Não queremos perpetuar um confronto interminável."
Mas a China, maior compradora de ferro do mundo, teima em preservar os contratos anuais porque as siderúrgicas acham que podem se beneficiar financeiramente deles. Também ontem em Pequim, um executivo graduado da Associação de Mineradoras da China criticou as atitudes das mineradoras estrangeiras. "É preciso ter um preço razoável", disse Wu Rongqing, engenheiro-chefe da associação. "Se as mineradoras ficam com todo o lucro, o que farão nossas siderúrgicas?" Jia Yinsong, autoridade do Ministério da Indústria e da Tecnologia da Informação, já tinha dito que a China "definitivamente apoia o [presente] sistema de preço fixo do ferro", e classificou as demandas das mineradoras como "opacas e não representativas dos fundamentos do mercado".
A maior siderúrgica da China, a BaoSteel Group, afirmou semana passada que ainda apoia o sistema de preço fixo anual. A BaoSteel representa as siderúrgicas nas negociações com as mineradoras.
A Rio Tinto e a Vale ainda não anunciaram negociações de preço.
Mas o comunicado da BHP também aumenta a pressão sobre seu principal concorrente, a Vale. Os contratos do minério de ferro, afirma a BHP, são de preço no destino, significando que representam o valor à vista mais o custo do frete.
O minério de ferro é uma commodity de alta densidade que as siderúrgicas têm que pagar às mineradoras para transportar maritimamente até seus portos. As minas da BHP são na Austrália, muito mais perto da China e do resto da Ásia que as minas da Vale.
Então a BHP está apostando que grande parte de seu ferro parecerá mais barato quando comparado ao minério da Vale, que inclui um frete maior, a não ser que a Vale opte por vender seu ferro mais barato que o preço do mercado.
A BHP quer usar os índices públicos de cotação do ferro para determinar o preço de seu minério. O valor pode ser baseado na cotação atual ou no preço previsto para um determinado período futuro, seja ele três ou seis meses, por exemplo.
A BHP divulgou há algumas semanas que tinha passado dos acordos anuais para preços trimestrais no coque, outro ingrediente na cadeia de produção do aço. A cotação dessa commodity também subiu recentemente.
Mesmo assim, as mineradoras podem sofrer um tombo financeiro daqui a alguns anos se a demanda por aço diminuir ou a oferta se tornar excessiva.
A cotação do minério cairia e as siderúrgicas comprariam o ferro a preços muito mais baixos que atualmente.
As siderúrgicas, como a Tata Steel e a ArcelorMittal, a maior do mundo, estão desenvolvendo suas próprias minas de ferro para se esquivar de futuras altas no preço do minério.

Linha branca / Varejo: Participação da região cresceu três pontos nos últimos doze meses, diminuindo as fatias de SP e Sul
Nordeste puxa a alta nas vendas de eletrodomésticos

VALOR ECONÔMICO - A venda de freezer no Nordeste mais do que dobrou nos últimos doze meses, para 11,3 mil unidades, fazendo com que esta região passasse à frente da Grande São Paulo, que cresceu 54% no período. Os dados são da Nielsen, com exclusividade para o Valor, e dão uma mostra de como o Nordeste tem pautado inclusive a venda de produtos de alto valor agregado, mesmo em se tratando de eletrodomésticos. A região, que já era estratégica para os varejistas de eletroeletrônicos, eletrodomésticos e móveis, agora deve se tornar um campo de batalha, a partir da criação da Máquina de Vendas. A holding, formada pela união de Ricardo Eletro e Insinuante, a segunda maior do setor, só atrás do grupo Pão de Açúcar-Casas Bahia-Ponto Frio, tem 62% dos seus 528 pontos de venda no Nordeste.
"Todos os grandes varejistas devem voltar suas baterias para lá agora", diz o consultor Marco Antônio Quintarelli, do Grupo Azo. "O 'Tratado de Tordesilhas' feito pela Máquina de Vendas, que dividiu o país entre as suas duas bandeiras, tem chance de ser adotado pelos outros competidores, com especial atenção ao Nordeste", diz.
Nos últimos doze meses, segundo a Nielsen, a venda de linha branca na região aumentou 77% em volume, contra 36% da média nacional. Com isso, a participação do Nordeste em eletrodomésticos cresceu três pontos percentuais, para 13%, tirando assim um pedaço da fatia das regiões líderes: Sul (caiu de 25% para 23,5%) e o interior de São Paulo (de 22% para 20,5%). A fatia da Grande São Paulo ficou estável em 15%. Talvez por isso a Máquina de Vendas não tenha tanta pressa de vir para a maior região metropolitana do país - um mercado que só deve ser explorado daqui um ano e meio. Ainda assim, segundo Ricardo Nunes, presidente da Máquina de Vendas, 40% das vendas diárias de R$ 1,2 milhão da empresa na internet vem do Estado de São Paulo.

 

 
A maior fabricante de linha branca do país, a Whirlpool, já percebeu o movimento das redes no Nordeste. "Os grandes clientes do varejo não pareciam ter uma estratégia muito definida para a região até bem pouco tempo atrás, mas agora a nossa equipe de vendas vem registrando uma demanda mais robusta na região, com um plano de expansão mais agressivo por parte das redes, inclusive das regionais", diz Cláudia Sender, diretora de marketing da Whirlpool, dona de Brastemp e Consul.
E se engana quem pensa que no Nordeste brasileiro só há espaço para itens básicos de eletrodomésticos. Claudia chama a atenção para o aumento das vendas de categorias que são desejo de consumo inclusive nas regiões mais ricas. "A venda de depuradores de ar, por exemplo, ficou estável no país em 2009, mas cresceu no Nordeste, levando a participação da região no total aumentar meio ponto percentual", diz a executiva da Whirlpool, que chama a atenção para a alta nas vendas de lavadora neste mercado (quase 30%).
Outros itens com demanda aquecida na região são ar condicionado, refrigeradores e tanquinhos. Para Cláudia, há muito espaço para crescer. "O bem durável mais desejado pelos nordestinos é eletrodoméstico, diferentemente do consumidor do Sul e do Sudeste do país, que prefere móveis", diz a executiva, citando pesquisa feita pela Whirlpool no final de 2009.
E mesmo os eletroportáteis têm demanda garantida no Nordeste, segundo a Philips. "A região já significa perto de 20% no mercado nacional", afirma Luiz Camargo, gerente-geral de eletroportáteis. O Sudeste, principal mercado, representa quase o dobro disso, mas é o Nordeste que vem puxando as vendas. "Mas lá a procura é por produtos mais básicos, como liquidificadores e ferros de passar", diz ele. Ao que parece, o nordestino vai explorar um luxo por vez.

Máquinas: Romi registra OPA nos EUA, mas busca negociação

VALOR ECONÔMICO - A Indústrias Romi, maior fornecedora de equipamentos para a indústria de plásticos, lançou ontem uma oferta pública de aquisição (OPA) pela totalidade dos papéis da Hardinge, fabricante americana de tornos, centros de usinagem e retificadoras, após ver rejeitada em ao menos duas ocasiões a proposta de compra encaminhada ao conselho de administração. A Romi manteve o preço inicialmente oferecido, de US$ 8 por ação, porém está aberta a avaliar sua proposta caso a companhia americana permita a condução de auditoria financeira.
"Oferecemos US$ 8 em função de dados disponíveis. Não tivemos acesso a informações por meio de 'due diligence' que confirmem esse valor", afirma o presidente da Romi, Livaldo Aguiar dos Santos. Segundo informou, a companhia está disposta a avaliar tais dados e, eventualmente, alterar o preço - considerando-se o valor atual e a compra de 100% das ações, a OPA pode totalizar US$ 92 milhões. "Acreditamos que o valor é bom e a colocação da oferta pode abrir portas para uma conversa."
Em relação à cotação da ação da Hardinge em 3 de fevereiro, um dia antes do anúncio público da oferta ao conselho, o preço oferecido embute prêmio de 46%.
A Romi condicionou a realização da OPA, que se estende até 10 de maio, à adesão de acionistas detentores de no mínimo dois terços do capital da Hardinge e à invalidação das "pílulas de veneno" adotadas em fevereiro pela empresa, com o objetivo de se proteger da oferta hostil.

Computadores: Sony lança netbook 'verde' feito de plástico reciclado

VALOR ECONÔMICO - A japonesa Sony decidiu incrementar as iniciativas para reduzir as emissões de carbono neste ano. No Brasil, a empresa lança um netbook feito com plástico reciclado. O equipamento fará parte de uma linha de produtos ecológicos que inclui TV de alta definição e câmeras digitais.
O novo netbook é produzido com 80% de componentes feitos a partir de CDs e DVDs reciclados. A montagem desses computadores será feita no Brasil. Porém, esses itens 'verdes' serão importados da China. O diretor de produtos Vaio da Sony, Willen Puccinelli, afirmou que a compra de componentes reciclados no Brasil teriam um custo maior. "A decisão de importar não foi apenas de custo das matérias-primas, mas também de viabilidade logística", acrescentou.
No Brasil, a montagem dos netbooks ecológicos será feita pelas empresas parcerias Foxconn, de Sorocaba (SP), Quanta e ThinkTech, ambas de Jundiaí (SP), mas o volume a ser produzido é mantido em sigilo. A Sony tem como meta global reduzir suas emissões de carbono em 30% até 2015. Para isso, promoveu mudanças em suas atividades, incluindo a redução do consumo de energia, a otimização do transporte e a redução do uso de produtos químicos tóxicos, como chumbo, cádmio e mercúrio.
No caso das outras linhas de computadores, afirmou Puccinelli, 5% a 10% dos componentes já eram de materiais reciclados. A meta é ampliar os índices dos demais produtos. "Gradativamente, mais componentes reciclados serão adotados em todas as linhas."
O esforço de redução das emissões também foi considerada na estratégia de divulgação e vendas. O netbook não será vendido ao consumidor em caixas, como de costume. O produto virá embalado em uma pasta feita de plástico de garra PET reciclada. O manual está incluso na memória do equipamento e não haverá vendas por internet. A exclusão desse canal de vendas visa evitar que o produto seja embalado pelas distribuidoras em caixas de papelão.
A Sony também lançou novas versões das linhas de notebooks da Vaio, apresentadas no fim do ano passado. Os notebooks possuem novas cores e configurações, mas os preços não apresentaram grandes variações: os valores sugeridos vão de R$ 3,3 mil a R$ 8 mil. A exceção é um mininotebook, de R$ 1.999.
De acordo com Puccinelli, a estratégia de apostar em produtos de alto valor agregado no Brasil tem dado certo. Em 2009, a empresa dobrou o volume de vendas no país e, neste ano, espera crescer acima de 100% em número de unidades. Para o segmento de netbooks, ele estima que o mercado crescerá acima de 50% no Brasil neste ano. Isso porque a "a diferença de preços em relação aos notebooks ficou mais evidente, o que deve contribuir para que o segmento deslanche", disse.


 

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