Ano II – nº 114 – Fortaleza/CE – edição: 30.03.2010 |
Aço: Congresso vai discutir o futuro da siderurgia
VALOR ECONÔMICO - Com a presença de dois pesos-pesados da siderurgia mundial - Lakshmi Mittal e Jorge Gerdau, entre outros executivos -, a indústria brasileira do aço realiza em meados de abril o que considera seu maior evento já feito no país. O objetivo é discutir temas importantes para o futuro do setor, domésticos e globais, após ter passado por uma profunda crise decorrente dos problemas financeiros na economia mundial a partir de 2008.
Patrocinado pelo Instituto Aço Brasil (IABr), que congrega as fabricantes nacionais e estrangeiras com operações locais, o evento será aberto no dia 14 e vai até o dia 16, em São Paulo. Vai abranger o 21º Congresso Brasileiro do Aço, a ExpoAço (uma feira reunindo empresas da cadeia produtiva mínero-siderúrgica, incluindo fornecedores de equipamentos e serviços) e a Vila do Aço, que mostrará as variadas aplicações de produtos siderúrgicos na construção civil.
A abertura do congresso, da ExpoAço e da Vila - com exposição de duas casas montadas -, no dia 14, será feita com a presença do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, além de empresários e executivos do setor.
O primeiro painel no dia 15, com o tema "Tendências da Siderurgia Mundial - Impactos da China", será aberto com palestra do magnata mundial do aço, Lakshmi Mittal, acionista e principal executivo da ArcelorMittal. Além de líder mundial, é a maior produtora do país, com mais de 30%. A China, maior produtor mundial de aço, com previsão de 600 milhões de toneladas este ano, "continua a ser o grande ponto de interrogação da siderurgia mundial", observa Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do IABr. "Ainda não há uma política clara do governo chinês para essa indústria", afirma.
Para o Brasil, observa Lopes, a grande questão é como fazer o mercado interno crescer de forma sustentável. O consumo interno, há 20 anos, patina no nível de 100 quilos por habitante/ano. Na China, já supera 300 quilos. Um painel vai justamente abordar projetos especiais, como Copa de 2014, pré-sal, programa Minha Casa, Minha Vida, Trem-bala e Jogos Olímpicos de 2016. "Esses programas podem funcionar como indutores para se atingir crescimento auto-sustentado. A palavra de ordem é: o mercado interno de aço precisa crescer", diz ele. Os palestrantes convidados são o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, Paulo Godoy, da Abdib (indústria de base) e Sérgio Gabrielli, da Petrobras.
O professor de política econômica internacional de Harvard, Dani Rodrick, Delfim Neto, Maílson da Nóbrega, Jorge Gerdau e Armando Monteiro (CNI) vão discutir na manhã do dia 16 "Economia Mundial - Desafios para o Crescimento do Brasil". Esse painel será fechado com palestra do ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega.
Mineradoras e siderúrgicas fecham acordo para reajustes trimestrais
Contratos deixam de ser corrigidos anualmente; preços sobem entre 90% e 100% em abril
REUTERS - Mineradoras multinacionais e as principais siderúrgicas asiáticas chegaram a um acordo e estabeleceram um aumento recorde nos preços do minério de ferro. Pelos contratos, as empresas pagarão entre 110 e 120 dólares por tonelada de minério no próximo trimestre. Este preço compreende um aumento de 90 a 100% com relação ao preço praticado nos contratos anuais vigentes até o fim de 2009 (em torno de 60 dólares).
Segundo o jornal britânico "Financial Times", esse é um movimento histórico, protagonizado, dentre outras empresas, pela Vale e pela companhia anglo-australiana BHP Billiton. A Rio Tinto ainda não assinou o contrato, mas os executivos esperam que isso aconteça em breve.
Os novos acordos assinados pelas mineradoras e siderúrgicas substitui o antigo sistema de preços vigente há 40 anos, no qual os contratos eram assinados anualmente, com os preços no curto prazo atrelados à cotação do mercado à vista. Segundo o FT, a tendência é que os preços subam novamente ainda em 2010.
Executivos das principais companhias disseram que os grandes produtores de aço japoneses e várias siderúrgicas chinesas já assinaram os novos contratos trimestrais. Os fabricantes europeus ainda continuam de fora dos acordos.
Vale diz que negociação trimestral de preços é mais transparente
REUTERS - O estabelecimento de preços trimestrais para o minério de ferro é um sistema mais transparente que a atual prática anual de marcação de preços e pode evitar caos no mercado, afirmou um executivo da Vale nesta terça-feira.
A Vale e a BHP Billiton convenceram siderúrgicas do Japão a comprar minério de ferro em um sistema trimestral de preços a partir de 1o de abril, sinalizando o fim da prática anual de estabelecimento de preços que analistas afirmavam que custava às mineradoras bilhões de dólares em receita perdida.
Uma mudança definitiva do sistema precisa do apoio da segunda maior produtora da commodity, a Rio Tinto, enquanto a China, maior compradora mundial de minério de ferro tem mostrado forte oposição ao novo sistema.
"O sistema benchmark fracassou por causa da dinâmica de rápida evolução do mercado. Os preços à vista na China estão crescendo rapidamente e também há descumprimento de contratos, o que é decepcionante, mas nós entendemos que eles querem uma mudança para um sistema mais aberto", afirmou Pedro Gutemberg, diretor de marketing e pesquisa da Vale, em uma reunião da indústria em Pequim.
"O sistema benchmark prevaleceu em um ambiente estável, quando não havia necessidade de mudanças de preços mais de uma vez por ano", acrescentou.
O executivo da Vale reclamou que alguns clientes frequentemente preferem rejeitar contratos quando os preços do mercado à vista estão mais baratos, o que prejudica o sistema anual.
"O sistema atual gera confrontações sem fim entre compradores e vendedores."
Ele também afirmou que 70 por cento das vendas da Vale para a China foram com base em termos do mercado à vista no ano passado e a expectativa é que a proporção será de cerca de 45 por cento este ano.
ThyssenKrupp diz que prefere sistema anual de preços de minério
REUTERS - A maior siderúrgica da Alemanha, ThyssenKrupp, informou nesta terça-feira que prefere manter o sistema anual de definição de preços de minério de ferro ante a proposta trimestral que algumas grandes mineradoras e produtoras de aço do Japão aceitaram.
"Achamos que os preços do sistema de referência ainda são bons para todos os parceiros", afirmou um porta-voz da companhia. "Somos uma companhia que tem uma relação de longo prazo com clientes e também contratos de longo prazo de preços de aço."
"Se mudarmos o sistema, teremos de repensar nosso próprio sistema", afirmou ele, acrescentando que a companhia ainda está negociando com fornecedores
Empresa alemã pede ações contra 'cartéis da mineração'
AGENCIA ESTADO - Em uma declaração por escrito, o conselho de trabalhadores da ThyssenKrupp Steel Europe AG - divisão europeia de aço da empresa - pediu o fim da especulação sobre as matérias-primas, bem como a promoção de uma concorrência justa e uma ação coerente "contra os cartéis das matérias-primas."
O conselho vai conceder uma entrevista coletiva em sua sede, em Duisburg, na próxima quinta-feira, onde o representante sênior dos trabalhadores, Wilhelm Segerath, irá detalhar a posição da corporação sobre "a pressão dos mercados de matérias-primas".
Os comentários da companhia ocorrem em um momento no qual as três maiores mineradoras do mundo - a brasileira Vale e as anglo-australianas Rio Tinto e BHP Billiton - estão negociando os preços dos contratos do minério de ferro e do carvão coque com clientes na Ásia. Os resultados destas negociações são considerados como referência e, geralmente, são adotados por outras siderúrgicas em todo o mundo.
O grupo Wirtschaftsvereinugung Stahl, lobby do setor siderúrgico da Alemanha, alertou este mês que o aumento considerável no preço das matérias-primas colocará em risco a recuperação dos mercados de aço e sobrecarregará as siderúrgicas com bilhões de euros em custos adicionais. As informações são da Dow Jones
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