Notícia

 

Ano II – nº 111 – Fortaleza/CE – edição: 25.03.2010

 

Minério de ferro: Negócio é o terceiro de grupos da China no país este ano para garantir suprimento do mineral

Chinesa ECE assume Itaminas por US$ 1,2 bi

VALOR ECONÔMICO - O acordo firmado ontem para a aquisição bilionária de 100% do capital da mineradora de ferro Itaminas mostra o apetite aguçado de grupos chineses pela garantia de suprimento de recursos naturais mundo afora, com destaque para o minério de ferro. A compra já é a terceira realizada somente este ano no país nesse segmento da mineração. Todas as operações foram realizadas em Minas Gerais e o valor total supera a marca de US$ 2 bilhões.
A venda da Itaminas, controlada pelo empresário e artista plástico mineiro Bernardo de Mello Paz, foi decidida em meados de 2008, quando a economia mundial ainda vivia sua exuberância pré-quebra do Lehman Brothers e o preço do minério de ferro no mercado à vista, na China, estava próximo dos US$ 200 a tonelada.
Na época, com sua empresa endividada e envolta em problemas fiscais e societários, Paz contratou a Winbros, consultoria de fusões e aquisições e de reestruturação de empresas, para desenhar um modelo de reorganização da a Itaminas e fazer sua venda. A crise mundial de setembro daquele ano atrasou o processo em pelo menos um ano. Há seis meses, a Winbros iniciou conversações com à companhia chinesa Birô de Exploração e Desenvolvimento Mineral do Leste da China - ECE.
Depois de auditorias preliminares, a ECE concordou em pagar US$ 1,2 bilhão pelo ativo, que é comporto por jazidas de ferro que somam recursos minerais estimados em 1,3 bilhão de toneladas. No momento, a Itaminas produz cerca de 3 milhões de toneladas de minério por ano, volume que é vendido no mercado brasileiro, principalmente a guseiros e algumas usinas de aço. A mineradora está a 8 km de distância dos trilhos da MRS Logística.
Esses ativos estão localizados na região de Sarzedo, no quadrilátero ferrífero de Minas Gerais. O potencial da reserva mineral mais as condições das instalações e de logística são suficientes para desenvolver uma mina apta a produzir 25 milhões de toneladas por ano, informou ao Valor Wilson Brumer, presidente da Winbros, contratada em outubro de 2008 por Bernardo Paz.
Fundada em 1955, a ECE pertence à província de Jiangsu, que é responsável por 10% do PIB chinês. A ECE, que tem operações na Indonésia, Austrália, Namíbia, Camboja e México, é uma entidade com operações em pesquisa, exploração e mineração, inclusive de metais não-ferrosos. Deverá atrair outras empresas da China para desenvolver um projeto de grande porte na área adquirida.
Com recursos da ordem US$ 500 bilhões para buscar ativos de recursos naturais no mundo, grupos privados e estatais chineses investem principalmente em países da América Latina e África.
A terceira maior siderúrgica chinesa, a Wuhan, fechou a compra de 21,5% do capital da MMX, de Eike Batista, por US$ 400 milhões. garantiu pelo menos metade da produção das minas da MMX Sudeste, localizadas em Minas. Também neste ano, um grupo chinês de Hong Kong acertou a aquisição de uma jazida de ferro no Norte de Minas pertencente à Votorantim Novos Negócios e ao empresário João Cavalcanti por mais de US$ 400 milhões.
A Itaminas, com dívida de US$ 400 milhões, atua também em ferro-gusa e em reflorestamento, mas estas áreas que ficaram fora do negócio. Com a venda, Bernardo Paz põe a casa em ordem no quesito financeiro e poderá dedicar-se com tranquilidade, em Brumadinho, ao seu Centro de Arte Contemporânea Inhotim, um dos mais importantes acervos do país.
Estatal chinesa comprará Itaminas por US$ 1,2 bi
Negócio é 2ª investida chinesa recente na mineração do país

(FOLHA DE S.PAULO GUSTAVO HENNEMANN) - A estatal chinesa ECE deverá investir US$ 1,2 bilhão no país para comprar a mineradora Itaminas. A brasileira é dona de jazida com recursos estimados em 1,3 bilhão de toneladas de minério de ferro em Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte.
O negócio foi encaminhado ontem, quando as duas empresas assinaram uma carta de intenções que prevê a venda de 100% dos ativos da Itaminas, pertencente ao empresário Bernardo de Mello Paz.
Atualmente, são extraídas da mina de Sarzedo cerca de 3 milhões de toneladas de minério por ano, mas a capacidade pode ser expandida para 25 milhões de toneladas anuais com novos investimentos.
Ligada ao governo da província de Jiangsu -responsável por 10% do PIB chinês-, a ECE já atua no México, Austrália, Irã, Indonésia, Camboja e Namíbia. Mas a atuação no Brasil é considerada estratégica pela China para manter seu crescimento econômico, já que o país é um de seus maiores fornecedores de minério de ferro.
A compra da Itaminas será a segunda investida chinesa no setor de minério de ferro brasileiro recentemente. Em fevereiro, o grupo Wisco fechou acordo pelo qual adquiriu 21% da MMX.
Uma das preocupações de Pequim é garantir a segurança alimentar e energética do país. Em maio de 2009, por exemplo, a Petrobras assinou acordo para um financiamento de US$ 10 bilhões por meio do China Development Bank que visava garantir a venda de até 200 mil barris de petróleo por dia à estatal chinesa Sinopec.

Ibram faz defesa da Vale após posição da Eurofer
VALOR ECONÔMICO - A iniciativa da Associação das Siderúrgicas Europeias (Eurofer), que abriga empresas como a ArcelorMittal e a ThyssenKrupp, de recorrer aos órgãos antitruste da Comissão Europeia contra a mudança do sistema de preços do minério pela Vale levou o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) a reagir, ontem, em defesa da mineradora.
A entidade divulgou nota manifestando "perplexidade" com a iniciativa da Eurofer. No comunicado, Camillo Vargas Penna, presidente do Ibram, afirma que "está claro que os europeus estão defendendo seus interesses corporativos e econômicos e inaugurando uma reedição moderna da prática do colonialismo e do mercantilismo, ou seja, impondo preço de compra aos produtores de matéria-prima e vendendo seus produtos a preços de mercado".
Na segunda-feira, uma nota da Reuters informava que a Eurofer, segundo seu diretor geral, Gordon Moffat, estava se preparando para encaminhar uma reclamação formal à Comissão Europeia, no decorrer desta semana, contra o que considerava "abuso de domínio de mercado" pela Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo.
"Mudar unilateralmente os termos em contratos sem negociação pode ser considerado abuso de posição de mercado", afirmou Moffat.
Penna, no comunicado do Ibram, retrucou que "há uma negociação (entre a Vale e as siderúrgicas) baseada em claros fundamentos de mercado. Não há uma imposição. Eles (os europeus) estão claramente tentando tumultuar as conversações". "Não cabe ao Brasil vender minério a preços inferiores aos de mercado para garantir a recuperação econômica da Europa, como não cabe aos produtores europeus vender seus produtos ao Brasil a preços inferiores aos de mercado", acrescenta o dirigente.
Hoje, Penna vai apresentar a nota do Ibram ao ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, e pedirá ao ministro que acompanhe o desenrolar do caso.
Embalagens metálicas: Crown terá mais duas linhas de latas no país
VALOR ECONÔMICO - Embalada pelo crescimento repentino da demanda de latas de alumínio na indústria de bebidas brasileira, a Crown Embalagens Metálicas da Amazônia está antecipando em um ano a decisão de investimento de US$ 90 milhões para duplicação da capacidade de duas fábricas que opera no país. Uma dessas unidades fica em Estância (SE) e foi inaugurada há um ano. A outra instalação está sendo erguida desde outubro em Ponta Grossa (PR) e está prevista para entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2011.
Cada uma das duas fábricas de latas, usadas para envasar cervejas, refrigerante e sucos, ganhará uma nova linha de produção de 1 milhão de unidades ao ano. Ao todo, com esse investimento, as duas instalações vão ter capacidade total de 4 milhões de latinhas a partir do segundo trimestre do próximo ano, informou ao Valor o presidente da Crown, Rinaldo Lopes.
Em menos de um ano, a empresa - uma joint venture entre o grupo Petropar S.A., do Sul, e a Crown Holdings, dos EUA - fará investimentos de US$ 160 milhões, considerando as duas novas linhas e os recursos definidos para a primeira fase da fábrica de Ponta Grossa, de US$ 70 milhões. Em Estância, foram aplicados outros US$ 50 milhões.
A Crown começou no Brasil com uma fábrica em Cabreúva, interior de São Paulo, em 1996. Essa unidade tem capacidade para fabricar 2,5 bilhões de latinhas por ano. Com os novos planos de expansão, a empresa praticamente dobra de tamanho ante a atual capacidade - 3,5 bilhões - de seu parque fabril, em Cabreúva e Estância.
"O investimento visa atender o crescimento acelerado da demanda brasileira, com entrada de novas pessoas no mercado de consumo, bem como atender a demanda dos clientes por novas especificações de embalagens", afirmou Lopes. O objetivo da Crown é também manter sua participação no mercado nacional de latas, em torno de 18% a 20%.
Em 2009, mesmo com a crise, conforme a Abralatas, o consumo de latas pelas fabricantes de bebidas no país beirou 15 bilhões de unidades. Para este ano, a previsão é de crescimento de 8% a 10% e o setor terá de importar cerca de 1 bilhão de unidades para atender as necessidades dos clientes.
O executivo crê que com os investimentos da Crown e outros anunciados pelas concorrentes - a inglesa Rexam e LatapackBall -, o mercado brasileiro estará normalizado até o fim do próximo ano. A capacidade instalada da indústria de latas no país, no fim do ano passado, era de pouco mais de 16 bilhões de latas, já considerando a nova unidade da Crown (Estância) e a da LatapackBall, no Rio.
Em linha com o aumento de capacidade, a Crown irá também destinar US$ 8 milhões para ampliar sua fábrica de tampas metálicas em Manaus (AM). Vai praticamente dobrar, alcançando de 6 bilhões a 6,5 bilhões de unidades. No ano passado, a empresa teve faturamento de US$ 250 milhões.
Estratégia: Agora companhia vai importar produtos mais baratos
Samsung volta ao mercado de linha branca

VALOR ECONÔMICO - A reviravolta no mercado brasileiro de eletrodomésticos e eletroeletrônicos no ano passado - quando a linha branca se tornou líder de vendas, passando à frente das linhas de áudio e vídeo, tecnologia e telecomunicações - despertou a atenção da Samsung para uma falha no seu portfólio. O Brasil é o quarto maior mercado mundial de eletrodomésticos - depois de Estados Unidos, China e Japão -, mas o setor havia ficado à parte das estratégias da multinacional coreana, mais conhecida no país pelos seus televisores, monitores e celulares. Em 2005, a iniciativa de lançar eletrodomésticos superpremium no Brasil, como refrigeradores de duas portas (side by side) de R$ 15 mil, não teve o sucesso esperado. Agora, porém, a empresa renova a investida, desta vez com produtos mais em conta (o side by side mais caro é de R$ 4 mil).
"Nossa oferta continua sendo de produtos premium, porém eles se tornaram mais acessíveis", diz o diretor da divisão de eletrônicos de consumo da Samsung, Márcio Portella Daniel. A divisão significa 40% do faturamento da fabricante no país (o restante corresponde às áreas de tecnologia da informação e telecomunicações), e deve receber um novo impulso com as novidades trazidas pela empresa, anunciadas ontem para o varejo em evento em São Paulo.
Além dos refrigeradores e das máquinas de lavar e secar roupas, importados da Coreia do Sul e da China - que chegam às lojas no fim de abril, na véspera do Dia das Mães -, a Samsung anunciou o início da produção local de condicionadores de ar e de uma linha de áudio e vídeo em três dimensões: (televisores de 40 a 65 polegadas em LED e de 50 a 63 polegadas em plasma, blue ray e home theater).
A empresa não revela o investimento na produção das duas linhas na Zona Franca de Manaus, mas espera que os novos produtos, incluindo a linha branca, possam até dobrar o faturamento da divisão de eletroeletrônicos de consumo. "Nossa expectativa é de um aumento de, no mínimo, 50% neste primeiro ano", afirma Daniel.
A aposta no Brasil faz todo o sentido. Segundo dados da Euromonitor, o crescimento do mercado brasileiro nos últimos três anos em todas as categorias que a Samsung está apostando foi maior que o mundial. Enquanto a venda de refrigeradores, por exemplo, cresceu 2,4% no mundo entre 2007 e 2009, no Brasil o salto foi de 25%. Em lavadoras, o crescimento foi ainda mais significativo: 27%, contra uma ligeira queda de 0,2% no consumo mundial. É claro que, para esse desempenho, contou o incentivo do governo de diminuir a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na linha branca (medida que vigorou de abril de 2009 a janeiro de 2010).
"Foi a redução do IPI que alçou a linha branca ao topo das vendas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos em 2009, passando à frente de áudio e vídeo, tecnologia e telecomunicações, que tradicionalmente lideram", diz o consultor da GfK Oliver Römerscheidt. Segundo a Gfk, de janeiro a novembro, as vendas no varejo de eletroeletrônicos e eletrodomésticos somaram R$ 56 bilhões, com alta de 7% sobre 2008. Desse total, a linha branca representou 26,2%, contra 22,5% de telecomunicações, segunda colocada.
Por enquanto, a Samsung vai importar só refrigeradores e lavadoras de roupa, mas estuda outras categorias para o segundo semestre. Nos Estados Unidos e na Europa, diz Daniel, a multinacional trabalha com fogões, microondas, aspiradores, entre outros produtos. Aqui, o portfólio de eletrodomésticos traz como diferencial a tecnologia Silver Nano Health System, que promete eliminar as bactérias presentes no ar, nos alimentos e nas roupas por meio da ionização de nano partículas de prata.
Para este ano, porém, a GfK espera uma nova arrancada dos equipamentos de áudio e vídeo, por conta da Copa do Mundo. Para atender a demanda a Samsung apresenta seus aparelhos 3D, a grande aposta do setor de eletroeletrônicos. "Vamos lançar um pacote promocional, que inclui DVD blue Ray, TV de 40 polegadas, home theater, um filme ('Monstros e alienígenas') e dois óculos, por R$ 8 mil", diz Daniel, que garante que, mesmo separadamente, o valor dos produtos será "competitivo". De acordo com o executivo, os grandes varejistas terão algumas das suas lojas preparadas para receber os produtos, como uma sala especial para 3D. "Mas mesmo que a TV esteja na prateleira, basta o consumidor colocar os óculos ativos (com sensores infravermelhos) para ver as imagens", diz.
As expectativas em ar condicionado também são positivas. No último verão, por sinal, faltou produto nos pontos de venda. Segundo a Whirlpool, uma das maiores competidoras do setor, dona das marcas Brastemp e Consul, no primeiro bimestre deste ano a venda foi três vezes e meia maior do que a do mesmo período de 2009. "Mas havia demanda para quatro vezes e meia, porque o calor foi gigante", disse o presidente da Whirlpool na América Latina, José Drummond Jr, ao Valor.
Mais um motivo para a Samsung iniciar a produção local de ar condicionado, marcada para junho. No passado, a empresa também havia testado essa categoria. Este mês já chegam às lojas alguns modelos split importados, com preço de entrada de R$ 1,2 mil. Daniel prevê que todo o mercado de ar condicionado no país seja de 2,5 milhões de unidades este ano (60% split). Dentro de três meses, serão produzidas em Manaus as linhas split, de "janela" e um modelo próprio para instalações comerciais, o VRF, que promete consumir de 30% a 50% menos de energia.


 

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