Ano II – nº 108 – Fortaleza/CE – edição: 22.03.2010 |
Projetart
DIÁRIO DO NORDESTE (Coluna Negócios – Egídio Serpa) - empresa genuinamente cearense, a Projeart Estruturas Metálicas participará da 18ª Feira Internacional da Indústria da Construção Civil - Feicon 2010, que será realizada de 6 a 10 de abril no palácio de exposições do Anhembi em São Paulo. Localizada no Eusébio, a fábrica da Projeart tem 23 mil m² de área, na qual trabalham 350 funcionários
Câmara setorial eletrometalmecânica
DIÁRIO DO NORDESTE (Coluna Negócios – Egídio Serpa – 19/03) - Foi antecipada para 6 de abril a reunião que formalizará a criação da Câmara Setorial Metal Mecânica do Ceará, que funcionará, como as demais, sob as asas da Adece
ENTREVISTA- Ricard Pereira Silveira
Sem laminação é frustração
DIÁRIO DO NORDESTE (21.03.2010)
Presidente do Simec, o empresário e engenheiro mecânico Ricard Pereira, 43, acha que um polo metal-mecânico no Ceará só será viável e implementado se a futura Siderúrgica do Pecém também produzir aços laminados.
O que dá mais trabalho ao seu sindicato: a metalúrgia ou a mecânica? Na verdade, o Sindicato da Indústria Metal Mecânica engloba esses dois setores e, também, o eletroeletrônico. Ontem mesmo, eu recebi no Simec um empresário que está montando uma indústria de computadores em Sobral?
Sobral terá uma indústria de computadores? Causa surpresa em alguns, mas o Ceará tem a Microsol, que foi comprada pela PC, que fabrica estabilizadores e é hoje uma indústria nacionalmente admirada, operando na ponta tecnológica. Temos a Ibyte, que também produz computadores, temos a Intersystem. Hoje, importam-se os componentes da Ásia, e aqui eles são instalados em gabinetes feitos por empresas cearenses. Há peças eletrônicas para esses computadores que são fabricadas no mercado nacional brasileiro e por eletroeletrônicas e metal mecânicas do Ceará. É uma cadeia produtiva interessante.
Então, o Simec é um caso à parte no Sistema Fiec? Eu diria que o Simec é diferente de todos os outros sindicatos da indústria.
Por quê? Porque é uma entidade heterogênea. Veja: o Sinditêxtil é um monte de gente lá, mexendo com têxtil, tudo concorrente um do outro; no Sinduscon é todo mundo construindo e todos concorrendo entre eles; no Sindiconfecções todo mundo faz roupa e todo mundo busca o mesmo mercado consumidor. No Simec tem indústria metalúrgica que fabrica refrigeradores e fogões, lavadoras, roda e tambor de freio para a indústria automotiva multinacional, tem indústria mecânica que dá manutenção a outras indústrias, tem indústria siderúrgica que fabrica matéria-prima, tem indústria eletrônica que monta o gabinete do computador, que monta o estabilizador. O Simec fomenta negócios entre seus associados.
É assim mesmo? É. Hoje, na Fiec, desenvolve-se uma iniciativa que se chama Projeto Vínculos e que reúne sete empresas denominadas de âncoras. Pois bem, 95% dessas âncoras são associadas do Simec. Esse projeto qualifica fornecedores. As grandes indústrias metal-mecânicas cearenses necessitam de ter fornecedores dentro do próprio Estado do Ceará. Por que isso? Porque elas acreditam na terra, acreditam no cearense e sabem que é mais barato ter fornecedor qualificado aqui por perto, principalmente por conta da logística. Como o próprio nome diz, esse projeto gera um vínculo de qualificação entre os diversos fornecedores dessas indústrias.
Mas quem qualifica? O projeto tem vários e competentes consultores, inclusive na área ambiental. Por causa do projeto, o pequeno fornecedor, a pequena empresa acaba tomando o corpo de uma empresa grande por um preço muito barato. Por quê? Porque o projeto é subsidiado pela empresa âncora, que paga mais, enquanto o pequeno paga menos. Por R$ 300, R$ 400 por mês você tem uma consultoria de mão cheia que deixa a empresa preparada para fornecer para qualquer empresa do Brasil.
Como é que os setores metal-mecânico e eletroeletrônico do Ceará enfrentam a carência de mão de obra qualificada? Este é um tema sério e grave. Por enquanto, tudo o que é feito parece ser insuficiente. Há uma semana, apuramos o seguinte em algumas grandes grande metalúrgicas do Ceará: pelo menos uma delas, com presença firme nos mercados nacional e estrangeiro, vai lançar novos produtos e, por isso mesmo, precisa de mão de obra capacitada. Essa empresa já sabe que tipo de mão de obra será necessária e que tipo de treinamento será preciso para formar os quadros que fabricarão o produto, que, naturalmente, apropriará tecnologia de ponta. Isso é planejamento estratégico, que se agrava quando se trata do capital humano. O Senai, também preocupado com isso, está permanentemente atualizado, do ponto de vista ped agógico e tecnológico, para qualificar a mão de obra da indústria.
O Ministério do Trabalho ajuda? Estamos pleiteando do Ministério do Trabalho os benefícios do Plancec, que é um plano de capacitação de mão de obra. O Governo impõe uma série de exigências. Por exemplo: a empresa tem de ter um porcentual de funcionários portadores de deficiência, e a empresa precisa cumprir isso, mas ela tem de ter as condições para poder cumprir a exigência. Hoje, você não encontra um portador de deficiência pronto, capacitado para o trabalho. Ele precisa ser treinado. Por causa disso, o Simec está muito perto da Delegacia Regional do Trabalho e junto à Procuradoria Regional do Trabalho para resolver os problemas.
A Siderúrgica do Pecém vem aí. Será que ela virá sem laminação? Isso já está certo: ela virá sem laminação. A primeira etapa dela será sem laminação.
Mas isso não frustrará a indústria metal mecânica do Ceará? Sim, frustrará completamente. O que nós desejamos é uma siderúrgica com laminação para que possamos produzir chapas metálicas, para que ao redor dela se instale um polo industrial metal-mecânico. Se não tivermos a laminação, será muito difícil termos esse polo metal-mecânico. Agora, para que se justifique uma laminação, será necessária uma demanda muito grande, que o Ceará ainda não tem. Como na história de quem nasceu primeiro - o ovo ou a galinha - é preciso que tenhamos, primeiro, a siderúrgica. Mas o bom mesmo é que a laminação venha logo, porque para vir depois será bem mais difícil, uma vez que o sócio coreano do projeto vai querer agregar valor lá na Ásia.
O Simec tem, entre seus associados, dezenas de pequenas empresas. Quais os planos do sindicato para elas? Como havia uma maioria de grandes empresas, passamos a trabalhar para atrair as pequenas e as médias.
Hoje, quase 60% do quadro de associados são pequenas e médias empresas, dirigidas por pessoas sérias, que agora têm acesso à informação, à formação, à capacitação, o que lhes dá a capacidade para crescer, e é o que tem acontecido. Vejam que, no Projeto Vínculos, 95% das empresas âncora são do Simec e a maioria de seus fornecedores também é do Simec.
Qual é a posição do Simec em relação à localização do Estaleiro Promar Ceará? Os cearenses responsáveis temos todos de ser favoráveis a todo investimento que vier para o Ceará. E devemos deixar a decisão na mão de quem tem o poder de decidir, levando em conta a sua viabilidade econômica, social e ambiental. Não serei eu quem vai dizer se o estaleiro é inviável ou não. Mas eu, como industrial e líder de uma entidade de classe e como cearense, sou completamente a favor do estaleiro, em qualquer lugar que ele venha a ser instalado.
Haverá eleição no próximo mês de agosto para a diretoria da Federação das Indústrias (Fiec). O atual presidente, Roberto Macedo, é candidato à reeleição. Qual é a posição do Simec? Hoje, na Fiec, o ambiente é de muita Roberto Macedo, (presidente da entidade) é um homem de boa índole, de bom coração, de berço, é um homem religioso e de princípios. Fruto disso é o ambiente que hoje respiramos na Fiec. E é esse ambiente de paz que desejamos que prossiga. A mudança do estatuto foi interessante, pois ela trouxe o voto para o industrial.
Então, no Simec, por exemplo, nossos 80 associados votarão, internamente, para indicar a sua preferência eleitoral. A posição vencedora assumida pela maioria dos associados será aquela que o delegado obedecerá.
O delegado não poderá mudar o voto? Absolutamente, não. Ele votará segundo a vontade da maioria dos associados do seu sindicato. Eu entendo que esta foi uma grande mudança.
Para terminar: Serra ou Dilma? A economia brasileira alcançou forte crescimento nos últimos anos. Nossa democracia está solidificada, consolidada. Tomamos um rumo e temos caminhado nele.
Graças ao aumento do poder de compra do trabalhador, o mercado interno brasileiro foi ampliado e foi ele que contribuiu, decisivamente, para que enfrentássemos com êxito a crise de 2008-20089. Teremos eleição em outubro.
Respondendo à sua pergunta: será que não surgirá uma terceira opção para nós, os eleitores?
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