Notícia

 

Ano II – nº 107 – Fortaleza/CE – edição: 18.03.2010

 

Metalúrgica Maia
DIÁRIO DO NORDESTE (Coluna Negócios – Egídio Serpa) - empresa metal mecânica instalada e em operação na cidade de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, a M. Maia, em parceria com o Lean Institute Brasil, promoverá em sua fábrica, nos dias 8 e 9 de abril, o workshop "Sistema Puxado e Nivelamento de Produção". Usando o método Lean, sistema de gestão desenvolvido pela Toyota, a M. Maia conseguiu aumentar sua produtividade em 80%, e vai pública essa experiência. O mesmo método já foi utilizado, também com êxito, por grandes empresas industriais cearenses

Produção de aço bruto no País cai 11,1% em fevereiro
A produção brasileira de aço bruto somou 2,4 milhões de toneladas em fevereiro de 2010, com queda de 11,1 % em relação ao mês anterior, segundo divulgou hoje o Instituto Aço Brasil (IABr). Na comparação com fevereiro de 2009, houve aumento de 47 9%. No primeiro bimestre deste ano, a produção de aço bruto totalizou 5,2 milhões de toneladas, com crescimento de 58,9% ante igual período do ano passado.
 A produção de laminados, de acordo com o IABr, somou 2 milhões de toneladas em fevereiro de 2010, com queda de 5,2% ante o mês anterior, mas aumento de 74,5% ante igual mês do ano passado. No primeiro bimestre, a produção de laminados chegou a 4,1 milhões de toneladas, com alta de 88,5% sobre o mesmo período de 2009.
O IABr também apresentou dados relativos às vendas internas, que apontam vendas totais de 1,6 milhão de toneladas de produtos em fevereiro, com queda de 2,4% ante o mês anterior e aumento de 64% ante igual mês de 2009. As vendas acumuladas em 2010, de 3 2 milhões de toneladas, mostram crescimento de 66,6% com relação ao mesmo período do ano anterior.
Já as exportações de produtos siderúrgicos em fevereiro de 2010 atingiram 653,4 mil toneladas no valor de US$ 350,4 milhões. No primeiro bimestre do ano, as exportações do setor totalizaram 1 3 milhão de toneladas e US$ 723,3 milhões, com aumento de 45,7% em volume e de 6,1 % em valor, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
As importações somaram em fevereiro um volume de 360,7 mil toneladas (US$ 312,4 milhões) totalizando, desse modo, 744,5 mil toneladas de produtos siderúrgicos no acumulado dos primeiros dois meses do ano, 81% acima do mesmo período do ano passado.
Por fim, o IABr informa que o consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos em fevereiro foi de 1,9 milhão de toneladas, totalizando 3,9 milhões de toneladas no primeiro bimestre de 2010. Esses valores representaram elevação de 74,3% e 73,0%, respectivamente, em relação a igual período do ano anterior. (AGENCIA ESTADO)
Siderurgia: Usiminas entra no 'spot' de carvão
VALOR ECONÔMICO - A siderúrgica mineira Usiminas, maior fabricante de aços planos do país, adotou a estratégia de adquirir pelo menos 20% de suas necessidades de carvão mineral no mercado à vista para conseguir melhor equilíbrio no fornecimento e nos custos do insumo. Uma das ferramentas de compra adotada é o pregão eletrônico. A primeira experiência com esse sistema foi feita na semana passada, com aquisição de 120 mil toneladas.
A empresa é uma grande compradora de carvão mineral do tipo metalúrgico, usado nos altos-fornos de siderúrgicas junto com o minério de ferro para se obter o aço. São utilizados, em média, de 600 a 700 quilos para cada tonelada de aço produzida. O Brasil é totalmente dependente de importações desse carvão, que vem de várias fontes: Austrália, EUA, África do Sul e Canadá.
Os preços do carvão neste ano vão ter forte reajuste, em linha com os preços do minério de ferro, causando forte impacto nos custos de produção do aço. Da faixa de US$ 130 a tonelada em 2009, poderão superar US$ 200, dependendo da especificação. Para a Usiminas, a compra desse material é uma conta alta - poderá beirar US$ 1 bilhão -, pois o consumo neste ano deve ficar próximo de 5 milhões de toneladas. Operando à plena capacidade (9 milhões toneladas/ano de aço bruto), a empresa consome 5,8 milhões de toneladas.
Antônio Carlos da Rosa Pereira, diretor de suprimentos da empresa, explicou que foi a primeira vez que uma siderúrgica usou o sistema de pregão online para comprar carvão no mundo. Participaram da operação, realizada na quinta-feira com duração de duas horas, oito fornecedoras (entre mineradoras e tradings).
"Foi um sucesso", comemorou o executivo, informando que foi obtida economia de 10% sobre o preço referência no mercado, de US$ 170 a tonelada para carvão tipo "hard" alto volátil, bastante comum nas minas americanas. "Tivemos economia de US$ 2 milhões por meio dessa operação". Ao fim do pregão foi fechada a compra com dois fornecedores dos EUA - um com 70 mil toneladas e o outro com 50 mil.
Segundo Pereira, durante a preparação do leilão eletrônico, que durou 45 dias, a Usiminas mapeou 14 potenciais fornecedores. Por se tratar de um sistema inusitado nesse mercado, seis desistiram. A ideia da empresa é realizar novas compras por esse sistema periodicamente no futuro. "Queremos ter uma ferramenta ágil e confiável para realizar pelo menos um leilão a cada dois meses", afirmou.
Para os demais 80% de seu suprimento, a Usiminas manterá o modelo de negociação de contratos de longo prazo com tradicionais fornecedores. As compras no "spot" eram até agora bem pequenas.
O sistema de pregão eletrônico já foi adotado pela empresa para aquisição de outros materiais e serviços a partir do ano passado, dentro de um processo de mudanças na gestão, explica o executivo.
Os grandes fornecedores de carvão no mundo são BHP Billiton, Xstrata, Rio Tinto, Anglo American e Teck Resources, entre outros, e os cinco maiores detêm cerca de 60% das vendas no mercado mundial.
A expectativa é que, a partir do segundo trimestre, o preço de alguns tipos de carvão metalúrgico seja fechado além de US$ 200 a tonelada. Fora isso, há pressão por parte de produtores para que a correção de preço seja trimestral, movimento similar ao que se verifica no mercado de minério de ferro. Outro produto oriundo do carvão, o coque, viu seu preço disparar de pouco mais de US$ 300 para cerca de US$ 550 a tonelada.
Usiminas e CSN já fazem as contas do impacto do custo de produção da tonelada de aço bruto (placa), considerando reajustes no minério de ferro - fala-se de 80% a 100% -, no carvão e no coque. Estima-se no mínimo US$ 180 de aumento. A CSN previu, em reunião com analistas na terça-feira, que o preço da placa no mercado internacional deverá passar de US$ 450 para US$ 700 a tonelada depois da definição dos reajustes dessas matérias-primas.
Desde o ano passado, com a aquisição de quatro minas de ferro, a Usiminas passou a utilizar boa parte de produção própria nos seus fornos. Para este ano, com produção de 7 milhões de toneladas de minério, a empresa prevê utilizar 60% de material próprio. O restante será adquirido no mercado.
Naval: Recursos, provenientes do FMM, serão utilizados pela indústria de petróleo e gás
Estaleiros terão R$ 18,2 bi do BNDES
VALOR ECONÔMICO - A perspectiva de investimentos bilionários nos próximos anos no país na construção e expansão de estaleiros e em encomendas de novos navios parece estar se confirmando. Só o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal agente financeiro do setor, tem em carteira R$ 18,2 bilhões entre projetos aprovados, em análise e em perspectiva na área naval ligada à indústria de petróleo e gás. Uma das apostas para 2010 é financiar a instalação de novos estaleiros, disse Lucia Weaver, chefe do departamento de gás, petróleo e cadeia produtiva do BNDES.
O dinheiro financiado pelo BNDES e outros agentes financeiros estatais, como o Banco do Brasil, para a área naval vem do Fundo da Marinha Mercante (FMM), fonte de financiamento de longo prazo para o setor. Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), de dezembro de 2009, fixou novas condições financeiras para as operações com recursos do fundo. Pela nova regra, quanto maior o conteúdo nacional de um projeto, menor o custo do dinheiro.
No caso da construção de um navio cargueiro com conteúdo nacional igual ou superior a 65%, os itens nacionais podem ser financiados com juros de 2% a 4,5% ao ano, enquanto nos itens importados o custo é de 3% a 6% ao ano. Na hipótese de que o conteúdo nacional da embarcação fique abaixo de 65%, o custo para os itens nacionais continua o mesmo. Mas para os bens importados, os juros passam a ser de 4% a 7%, com redução da parcela a ser financiada, que cai de até 90% para 70%.
No BNDES, a avaliação é a de que as novas condições financeiras do FMM podem funcionar como um incentivo para alavancar ainda mais a demanda, que já é forte. Do valor total da carteira do setor naval e offshore do banco, R$ 12,8 bilhões referem-se a projetos em perspectiva, R$ 4,2 bilhões a projetos em análise e enquadrados e R$ 1,27 bilhão a empreendimentos já aprovados (mas ainda não contratados). A carteira considera navios petroleiros, estaleiros e navios de apoio às atividades da indústria de petróleo e gás.
Débora Teixeira, diretora do Departamento do FMM, ligado ao Ministério dos Transportes, acredita que o setor naval e offshore está bem estruturado, com um parque produtivo instalado e em expansão, demanda firme, sobretudo da Petrobras, e com recursos financeiros garantidos para os próximos anos. Em dezembro, o conselho diretor do FMM aprovou projetos de R$ 14,2 bilhões para financiar a construção de estaleiros e navios no país.
Só de estaleiros, o valor total das prioridades concedidas pelo fundo chega a US$ 2,35 bilhões. A prioridade é o primeiro passo para uma empresa conseguir o financiamento do FMM. As empresas que receberam prioridades têm 120 dias para adequar os projetos às novas condições fixadas pelo CMN e que serão exigidas pelos agentes financeiros. Existe a expectativa de que o conselho diretor do fundo volte a se reunir em junho para analisar outros pedidos de financiamento.
Débora disse que as empresas que recebem as prioridades apresentam os projetos aos agentes financeiros do fundo, mas é só ao final da obra que o conteúdo nacional é aferido. Ela acredita que a próxima etapa na estruturação da indústria naval brasileira será fortalecer a cadeia de suprimentos, o que o setor chama de navipeças, empresas que fornecem bens e equipamentos para os estaleiros construírem navios e plataformas.
César Prata, presidente da câmara naval e offshore da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), defende que é preciso criar alguma proteção para o setor de navipeças face à concorrência estrangeira. Segundo ele, hoje os estaleiros podem importar bens para seus projetos com isenção do imposto de importação.
Autopeças: Cummins prevê expansão média de 10% ao ano no Brasil até 2016
VALOR ECONÔMICO - A subsidiária brasileira da Cummins, uma das maiores fabricantes independentes de motores diesel do mundo, deve reforçar sua relevância para os negócios globais do grupo nos próximos cinco anos. Responsável por 9,6% do faturamento da Cummins Inc. em 2009, ante 9,4% um ano antes, a operação brasileira deverá mostrar expansão média de 10% ao ano até 2016, conforme estimativa do diretor geral da unidade de negócios de motores da Cummins América Latina, Luis Afonso Pasquotto. "Temos alta confiança de que esse crescimento vai se confirmar", afirmou o executivo.
No ano passado, a Cummins Brasil teve receita de US$ 962 milhões, com queda de 26% ante o faturamento de US$ 1,3 bilhão em 2008. Em número de motores produzidos na fábrica de Guarulhos (SP), a queda foi de 30%, para 60 mil unidades - em 2008, a produção havia sido recorde em 86 mil motores. Neste ano, comentou Pasquotto, a Cummins deverá produzir 82 mil motores, que são responsáveis por mais de 50% das receitas da companhia no país. A recuperação do mercado de caminhões, cujo crescimento sobre 2009 deve alcançar 33%, e a retomada nas vendas de veículos fora de estrada, tanto para agricultura quanto para construção civil, da ordem de 50%, alimentam a projeção para a produção.
Apesar da retomada nas vendas e na utilização de capacidade da fábrica, a Cummins não tem planos imediatos de expansão. "Talvez em 2012 se vislumbre a necessidade de um novo ciclo forte de investimentos", afirmou Pasquotto, lembrando que, recentemente, a unidade fabril teve sua capacidade ampliada. Entre 2004 e 2009, a Cummins investiu US$ 120 milhões na operação brasileira e, neste ano, deve aportar outros US$ 20 milhões. A melhora no mercado levou a Cummins a contratar 173 funcionários neste início de ano - em 2009, na esteira da crise, foram cortados 190 postos de trabalho - e a retomar o terceiro turno na fábrica paulista. "Temos levado isso (a perspectiva positiva para o Brasil) e a matriz endossa. Temos confiança total no que vem pela frente", disse Pasquotto.
Conglomerado: Grupo tem lucro recorde de R$ 4,6 bi em 2009 e projeta seu maior resultado operacional neste ano
Votorantim investe e volta ao crescimento
O ano que passou foi de redirecionamento estratégico da companhia, com reorganização do portfólio de negócios ao sair de alguns ativos, como energia, e fortalecimento de outros, caso da consolidação de nova companhia de celulose e a formação de joint venture na área financeira com o Banco do Brasil. Agora, o grupo Votorantim, que hoje divulga seu balanço financeiro de 2009, espera colher os frutos desse direcionamento. "Nossa projeção de resultado operacional (lajida) para este ano é de que será superior aos obtidos antes da crise", afirmou Raul Calfat, diretor-geral da Votorantim Industrial (VID).
O resultado do ano passado, cujo desempenho na receita líquida mostrou retração de 18%, para R$ 28,6 bilhões, foi considerado bastante positivo por Calfat e por Carlos Ermírio de Moraes, presidente do conselho de administração da Votorantim Participações e por José Roberto Ermírio de Moraes, vice-presidente do conselho e presidente da VID. Sob o guarda-chuva desse holding estão os negócios de cimento, metais (alumínio, zinco, níquel e aço), celulose e papel e agroindústria, que respondem por 66% da receita da companhia.
"O desempenho do grupo mostrou a força do seu portfólio renovado de ativos, que ganhou escala e tem custos muito competitivos", afirmou José Roberto. O empresário menciona que isso, aliado à força do mercado interno, recuperação dos preços das commodities a partir do segundo semestre e entrada de novos projetos - "mantidos no cenário de crise" -, como os de celulose, aço e cimento, foram fundamentais para a companhia exibir um lucro líquido recorde em sua história - R$ 4,66 bilhões. Em 2008, por conta dos efeitos da crise internacional e de perdas com derivativos, a Votorantim exibiu o diminuto lucro de R$ 14,2 milhões.
O lucro operacional ficou em R$ 5,5 bilhões e a expectativa para este ano, com melhoria dos preços das commodities e a forte demanda no mercado interno, é de valor recorde. Em 2007, o melhor ano da história, a companhia obteve R$ 8,4 bilhões. O grupo, afirmou Carlos Ermírio, trabalha com previsão de alta no PIB na faixa de 5%, para mais. "É um índice sustentável para este ano e para 2011; depois disso depende de vários fatores, locais e na economia mundial", afirmou.
O empresário enfatizou que mesmo na crise o conglomerado de 92 anos de fundação não deixou de investir e teve "agilidade e capacidade de decisão" para focar nos negócios que elegeu como principais. "Para este ano, em expansão orgânica, estamos prevendo R$ 4,4 bilhões". Desde 2006, até o ano passado, foram aplicados R$ 25 bilhões.
O grupo começou 2010 com apetite aguçado e o negócio de cimento - que no Brasil vê a demanda subir na faixa anual de 7% -, foi a vedete. Da portuguesa Cimpor, dona de 9% do mercado brasileiro, além de estar presente em outros 12 países, adquiriu 21% do capital. O valor desembolsado não é revelado, pois envolveu troca de ativos no Brasil com a rival Lafarge. Especulações apontam cerca de € 800 milhões.
"Nesse negócio, que é regional, o que nos atraiu é o posicionamento internacional, entrando em mercados onde a Votorantim não está presente", observou Carlos Ermírio. Da Avellaneda, na Argentina, e da Artigas, no Uruguai, adquiriu 38,4%. No Brasil, a Votorantim leva avante um programa de mais de R$ 3,2 bilhões iniciado em 2007 para erguer cerca de 10 novas instalações. No ano passado já agregou 2,5 milhões de toneladas de capacidade e neste virão quase outro tanto.
Para José Roberto, a competitividade de várias cadeias de produção, em vários setores, estão afetadas pelo binômio "custo de energia e cambio". "É uma questão decisiva para a indústria eletrointensiva", afirmou. "Abaixo de R$ 2 por dólar, fica muito difícil a competição para muitos setores, considerando custos, capital, logística e a tributação".
A nova geografia da produção de alumínio no mundo, por conta do custo da energia, deve mudar para o Oriente Médio, onde o preço é na faixa de US$ 15 o MW, diz Carlos Ermírio. "Podemos simplesmente ficar fora do jogo".
Sobre as negociações envolvendo a fusão da controlada Citrovita, de suco de laranja, com a concorrente Citrosuco, os empresários preferiram não se manifestar.


 

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