Ano II – nº 106 – Fortaleza/CE – edição: 17.03.2010 |
Câmara Setorial para metalurgia
DIÁRIO DO NORDESTE (Coluna Negócios – Egídio Serpa) - Vem ai a câmara Setorial Metal Mecânico do Ceará, que, como as demais, funcionará no âmbito da Agência de Desenvolvimento (Adece). O presidente do Sindicato da Indústria Metal Mecânica, Ricard Pereira, e o presidente da Adece, Antonio Balhmann, marcaram o anúncio oficial da novidade para a próxima reunião da entidade, no dia 13 de abril.
Minério de ferro: Dinheiro de investidores financeiros será usado para quitar aquisições e para capital de giro
Steel do Brasil fará capitalização de até US$ 800 milhões
VALOR ECONÔMICO - Em dois meses, a Steel do Brasil Participações, empresa controlada pelo fundo Metropolis Capital Markets, pretende concluir uma capitalização de US$ 600 milhões a US$ 800 milhões para dar partida ao seu plano de instalação de dois grandes projetos de produção de minério de ferro no Brasil. O plano da companhia, de capital alemão, é ambicioso, pois vai exigir aportes da ordem de US$ 6 bilhões nos próximos cinco anos.
Os valores e números são gigantes. O objetivo da companhia é ter duas minas de grande porte que, juntas, poderão fazer algo como 50 milhões a 60 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. "Temos de pensar grande", afirmou ao Valor o presidente da Steel do Brasil, Juarez Saliba de Avelar. Segundo ele, os consumidores de minério de ferro, principalmente chineses, olham com atenção os grandes projetos.
Até agora com atuação pré-operacional, no fim da semana passada a empresa anunciou a aquisição de dois ativos no Brasil, com investimentos de US$ 435 milhões. Adquiriu 70% do capital da Mhag, que tem operações paralisadas no Rio Grande do Norte, e 80% do projeto Jibóia, da Mineração Minas Bahia (Miba), na região de Salinas (norte de Minas Gerais). Foi comprada também uma fatia de 50% de outros recursos minerais de ferro da Miba na mesma região.
O valor das aquisições poderá alcançar US$ 600 milhões, informou Saliba. Com experiência de 25 anos na mineração de ferro no país, o executivo assumiu o comando da Steel do Brasil em 15 de janeiro e conta com carta branca dos acionistas para implantar os dois projetos. "Minha meta é ser a número 1 em prazo de implantação", afirmou.
Até o fim desta semana, a Steel quer finalizar negociações com a trading de commodities Noble, de Hong Kong, dona de 30% da Mhag, que vai decidir se permanece na empresa ou se sai. Caso opte pela saída, receberá US$ 105 milhões pela sua parte. "Eles desejam adquirir toda a nova produção da Mhag - 16 milhões de toneladas no fim de 2012 -, mas para o modelo comercial da nossa empresa, estamos dispostos a manter parcela correspondente aos seus 30%", afirmou Saliba.
No caso da MIBA, a Steel negocia os 20% restantes no projeto Jibóia. Caso chegue a um acordo, significará desembolso de mais US$ 60 milhões. A decisão dos donos da empresa, que gostariam de continuar acionistas da empresa, deve sair até o começo de maio.
A diferença, US$ 150 milhões a US$ 200 milhões, será usada para capital de giro da empresa.
Saliba evita fornecer informações sobre os investidores que estão selecionados para participar da capitalização da mineradora. Apenas que inclui desde investidores financeiros a estratégicos. "A preferência dos acionistas da Steel é pelos financeiros", diz.
O novo projeto desenhado para a Mhag, que começou a ser assediada pela Steel há cerca de um ano, envolverá investimentos de US$ 1,4 bilhão para atingir a nova capacidade de produção, que será concentrada na mina de Bonito, em Jucurutu, no interior do Rio Grande do Norte. Depois de produzir precariamente em 2007 e 2008 (cerca 300 mil toneladas), a empresa paralisou as operações e iniciou remodelação do seu projeto, com previsão de alcançar 12 milhões de toneladas em 2013.
"Vamos usar US$ 50 milhões para pôr em operação uma instalação de 2 milhões de toneladas até meados de 2011", informa Saliba. Segundo o executivo, todos os equipamentos já estão equipamentos prontos, a maioria em Bonito, que será a mina âncora da Mhag. A previsão já é produzir 1,2 milhão de toneladas no próximo ano, com material voltado para exportação. As reservas atuais de minério somam 3,5 bilhões de toneladas de volume conhecido.
A expansão desse ativo incluirá novas instalações de produção, a construção de um mineroduto de 120 km e um terminal portuário no litoral do Estado, apto a receber navios. "A vantagem logística desse projeto é seu grande atrativo", comenta, mencionando que está no extremo norte do país e que o mineroduto tem extensão pequena. Por exemplo: é um quinto da extensão do que a Anglo American está fazendo para seu projeto Minas-Rio.
No projeto Jibóia - megajazida na região norte de Minas -, está a esperança de montar uma grande mina de ferro. Há desafios importantes a vencer, como a logística para escoar a produção. Conta com a construção da Ferrovia Leste-Oeste, que prevê ligar o porto de Ilhéus (BA) ao Estado de Tocantins, passando por Caetité (Sul da Bahia). "Podemos fazer um ramal de 130 km até a Leste-Oeste ou mineroduto", diz Saliba. Segundo ele, o governo já acenou que pretende iniciar as obras da ferrovia no segundo semestre deste ano. Mas ainda não fez a licitação da obra.
Os estudos dessa mina vão durar um ano. Só, então, vai formatar o projeto e o montante de investimento necessário. Preliminarmente, estão previstos US$ 5 bilhões para instalar uma megamina. Nessa fase, a Steel fará nova capitalização, a qual poderá incluir uma oferta pública de ações, informa o executivo, engenheiro de minas formado em Belo Horizonte. Saliba entrou na Vale em 1984 e lá ficou até 2002 e passou pelas minas de Carajás e Itabira. Depois foi para a Rio Tinto. Desde 2003, cuidava de mineração e logística na CSN.
Para tanto minério, a expectativa da Steel se baseia em vários fatores. Saliba os lista: produção de aço na China continuará em alta nos próximos anos, a demanda por minério importado, com substituição de minas locais (caras), vai crescer, a exportação de minério da Índia será voltada para consumo interno, o Oriente Médio surge como nova fronteira de expansão e os EUA voltarão a ser grande produtor e consumidor de aço.
Autopeças: Magneti Marelli planeja expansão
VALOR ECONÔMICO - A Magneti Marelli, empresa do grupo Fiat para o segmento de autopeças, deverá ampliar a capacidade de produção em algumas das linhas de negócios que opera no Brasil até 2014, diante das boas perspectivas para a indústria automobilística nacional. Sem revelar o valor do investimento programado para o Brasil nos próximos cinco anos, o presidente da Magneti Marelli no Mercosul, Virgilio Cerutti, adiantou que uma nova linha de produção de bicos injetores para automóveis deverá ser instalada em 2011 na fábrica de Hortolândia (SP), inaugurada em janeiro do ano passado. "Também devemos aumentar a capacidade na linha de câmbio automatizado, porque as próprias montadoras estão popularizando seu uso e as vendas devem crescer", disse o executivo, após a apresentação de uma nova família de equipamentos voltada ao mercado de reposição automotiva.
Segundo Cerutti, a companhia trabalha para 2010 com as projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de produção de 3,4 milhões de veículos no país, com expansão de aproximadamente 6,5% ante o registrado em 2009, e deverá manter investimentos da ordem de 7% do faturamento anual em novas tecnologias e ampliação de capacidade produtiva. No ano passado, a Magneti Marelli Mercosul registrou faturamento de R$ 2,245 bilhões, com alta de R$ 45 milhões frente ao verificado em 2008 - no mesmo período, o faturamento mundial do grupo foi de €4,4 bilhões, com queda de €1 bilhão na mesma base de comparação. "Brasil e China foram os únicos países onde houve expansão do faturamento", disse.
Apesar da determinação em ampliar capacidade produtiva, o grupo, que no Brasil tem 13 fábricas instaladas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, não pretende investir em novas unidades fabris. "Temos área disponível nas fábricas já existentes", afirmou o presidente, descartando ainda a possibilidade de a Magneti Marelli ter operações fabris em outros Estados brasileiros.
Ontem, a Magneti Marelli Cofap, braço comercial do grupo no Mercosul, lançou um pacote de equipamentos de diagnose veicular, por meio de parceria com a italiana Texa, que fabricará os itens. A linha é composta por scanners (que possibilitam a leitura eletrônica de falhas nos diversos sistemas encontrados nos veículos), estações de recarga de ar condicionado e equipamentos de análise de emissões, voltados às oficinas e com custo entre R$ 8 mil e R$ 18 mil.
Segundo a diretora-presidente da Magneti Marelli Cofap, Eliana Giannoccaro, a meta é conquistar 25% do mercado brasileiro de equipamentos de diagnose até 2014, ano em que o faturamento proveniente dessa área de negócios deverá alcançar R$ 40 milhões. Os produtos da linha poderão ser financiados pela própria empresa, no caso de prazos mais curtos, ou em até 36 meses por agentes financeiros.
Metalúrgica investe em Pernambuco
Indústria paulista Schioppa vai construir fábrica de rodas, rodízios e carrinhos de supermercados no município de Palmares
JORNAL DO COMMÉRCIO (PE) - A indústria paulista Schioppa, do setor de metalurgia, o governo do Estado e a Prefeitura de Palmares assinaram ontem o protocolo de intenções para implantação de uma fábrica de rodas, rodízios (rodas de menor porte acopladas a móveis e equipamentos industriais, entre outras funções) e carrinhos de supermercado no município da Zona da Mata Sul. O investimento é de R$ 25 milhões. A estimativa inicial é que 300 empregos sejam gerados diretamente pelo empreendimento. Mas o presidente da empresa, Roberto Nicola Schioppa, acredita que o número pode ser maior.
A planta pernambucana irá ampliar em 42,8% o número de funcionários da Schioppa no Brasil. Hoje, o grupo possui 700 empregados, divididos entre as duas fábricas de São Paulo e a de Minas Gerais. A maior parte da mão de obra que será demandada pela unidade de Palmares será de profissionais do setor metalmecânico. São operadores de máquinas, soldadores, serralheiros (atuam na montagem de estruturas de metal e aço) e caldereiros (traçam, montam e fazem o acabamento desses componentes). O desejo da Schioppa é preencher a maior parte do quadro de pessoal com moradores da cidade e de municípios vizinhos.
O treinamento será fornecido pelo próprio grupo. O processo de seleção terá início quando a fábrica começar a ganhar forma. A expectativa é que esteja pronta em 14 meses. “Eu tenho pressa. Assim que o terreno estiver liberado vamos começar as obras. Acredito que estamos perdendo oportunidades. Já devíamos ter feito esse investimento há dois anos”, comentou o presidente da empresa. Em discurso, o governador do Estado, Eduardo Campos, afirmou que em 30 dias a área estará pronta para a construção do empreendimento.
Nicola Schioppa explica que o Nordeste está em crescimento. A proximidade com grandes fornecedores de aço (a exemplo da Gerdau Açonorte) e de mercados importantes e em expansão (Pernambuco e Ceará estão entre os dez Estados que mais compram os produtos da empresa) são outros fatores que justificam o investimento. A fábrica será construída em uma área de oito hectares. A expectativa de faturamento no primeiro ano de atividades é de R$ 35 milhões. Há ainda a possibilidade de o grupo vir a produzir carrinhos aeroportuários.
A capacidade produtiva da fábrica local será de 8.500 carrinhos de supermercado por mês. Apesar de exportar 22% de tudo que fabrica, a Schioppa ainda não fala em embarques via Porto de Suape. No mercado externo, os EUA são os principais consumidores (50%). Não por acaso, a empresa possui uma unidade naquele país, no Estado de Michigan.
O governador Eduardo Campos contou que a negociação para trazer a Schioppa para Pernambuco foi rápida. A princípio, o grupo estava interessado em investir no Complexo Industrial e Portuário de Suape, mas depois de uma mobilização conjunta do governo e da Prefeitura de Palmares, bateu o martelo pelo município da Mata Sul. Pesaram no momento da decisão a Escola Técnica da cidade (que, segundo o próprio governador, precisa ser reestruturada), a oferta de gás natural canalizado com a conclusão do gasoduto Pilar-Ipojuca e o término da duplicação da BR-101. A Schioppa tem mais de 50 anos de atuação no País. Começou fabricando cadeados para o setor de segurança e rodas. Na década de 60, começou a produzir rodízios.
A fábrica que fabrica fábricas
JORNAL DO COMMÉRCIO (PE) - Até o final do ano, a gigante Kraft Foods espera inaugurar sua planta no Nordeste, no município de Vitória de Santo Antão onde, numa área de 300 mil m², constrói um complexo que exigirá 28 mil m² de galpões e instalações industriais para abrigar, num empreendimento de R$ 200 milhões, duas linhas de produção destinadas a fabricação de chocolates da marca Lacta e refrescos em pó Tang e Fresh.
O que pouca gente sabe é que, amanhã, num terreno quase vizinho ao da Kraft Foods, a Isoeste – uma das três maiores empresas do setor de construtivos isotérmicos do Brasil – inaugura a fábrica que vai fornecer as paredes e cobertura da unidade da Kraft à base de poli-iso-cianurato (PIR). O diferencial do PIR é a capacidade de retração a fogo, exigência que se tornou padrão das seguradoras internacionais para novas apólices de indústrias e cuja aplicação a Isoeste é líder no Brasil.
Ela já forneceu painéis isotérmicos para a megaplanta da Sadia, em Lucas do Rio Verde (PR), onde foram usados 150 mil ² de painéis pré-fabricados e para a CD da Perdigão, no Imbu (SP), que tem paredes de 34 metros de altura. Com a unidade Nordeste, ela mira no mercado regional cuja tecnologia de construtivos isotérmicos, além da rapidez da construção, traz a vantagem da limpeza da obra e baixíssimo custo de manutenção. Segundo o diretor da Isoeste, Amélio Luiz Benedetti, a empresa terá uma unidade de EPS (isopor) e pretende entrar no mercado de telhas térmicas, inclusive, residenciais. Para Benedetti, o desafio da Isoeste aqui será mudar paradigmas. Uma unidade como esta, diz o empresário, representa redução de custos de logística e cria condições diferenciadas na relação custo/benefício “para nós e isso pretendemos repassar ao cliente”, conclui.
» EMPRESA IRIA PARA A PB, MAS PREFERIU PE
A opção da Isoeste por Pernambuco representa mais uma vitória do Prodepe de Pernambuco quando em cidades vizinhas à RMR como Vitória de Santo Antão e Escada os incentivos fiscais podem chegar a 85% do ICMS devido. Segundo o consultor Ricardo Di Cavalcanti, inicialmente, ela estudou a Paraíba, mas fixou-se em Pernambuco devido ao conjunto de incentivos fiscais. Ela está investindo R$ 17,4 milhões, recebeu terreno de 30 mil m³ no valor de R$ 350 mil (AD Diper/prefeitura) e gerou 160 empregos diretos para produzir painéis e sistemas de cobertura isotérmicos. Será a quinta planta do grupo que programa faturar R$ 280 milhões em 2010.
Pesquisa & Elaboração
NETO MEDEIROS
Administrador & Advogado
(85) 8732.1538 |