Ano II – nº 105 – Fortaleza/CE – edição: 16.03.2010 |
Câmara setorial metal-mecânica será lançada em março
FIEC ONLINE (ANO 9 – EDIÇÃO 397) - Até o fim de março será oficializada a câmara setorial metal-mecânica no Ceará. As negociações com a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) para viabilizar o novo fórum de articulação do segmento estão bem adiantadas, segundo Ricard Pereira Silveira, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Ceará (Simec). “Só dependemos agora de uma nova reunião na Adece para tornar a câmara oficial, mas o projeto já está pronto. Pretendo apresentá-lo na próxima reunião do nosso sindicato, que está agendada para 13 de abril”, antecipa.
O empresário afirma que a câmara será uma ferramenta fundamental para ampliar o desenvolvimento do setor metal-mecânico no estado. “As câmaras setoriais são fóruns de articulação dos agentes privados e públicos. Teremos condições de debater com empresários, universidades, institutos de tecnologia, governo do estado e empresas de logística para identificar gargalos e encontrar soluções mais rápidas”, diz Silveira.
Conforme o líder classista, hoje os maiores gargalos do setor são a falta de matéria-prima, a logística onerosa com foco no transporte rodoviário, a necessidade de apoio aos microempreendedores, a falta de incentivo à inovação e a escassez de mão de obra especializada. “O problema logístico seria resolvido com o transporte ferroviário, que tornaria nosso custo bem mais barato. Em relação aos microempreendedores, precisamos atraí-los para o Simec e ajudá-los a obterem incentivos fiscais e acesso ao crédito”, completa Ricard Pereira.
Planseq : Para suprir a falta de mão de obra especializada, o sindicato vem tentando, com o Ministério do Trabalho e Emprego, conseguir um Plano Setorial de Qualificação (Planseq) voltado ao setor metal-mecânico, visando financiar o treinamento da mão de obra local. “Nossa expectativa é treinar entre 2.000 a 3.000 trabalhadores do setor. Não queremos deixar os cearenses de fora de tantos projetos que estão perto de se realizar. A solução desse e de outros gargalos será mais fácil com a articulação da câmara setorial metal-mecânica”, arremata.
Reunião do Simec mostra oportunidades de investimento em Angola
FIEC ONLINE (ANO 9 – EDIÇÃO 397) - O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará (Simec) promoveu em março mais uma reunião mensal entre seus associados. No encontro, ocorrido na cobertura da FIEC com a participação de um grande número de associados, a empresa New Concept apresentou oportunidades de investimento em Angola, país africano que se encontra em plena reconstrução e com economia movida literalmente pelo dinheiro do petróleo e da exploração de diamantes.
Atingir esse mercado, porém, não é tão simples como parece, segundo André Staudt Rodrigues, da New Concept, empresa paulistana criada para intermediar as relações comerciais entre companhias brasileiras e angolanas. De acordo com Rodrigues, que produz missões aquele país, o diferencial das missões da New Concept é a metodologia e o foco dado aos negócios. Com duração média de quatro dias, as missões da New Concept contam, ainda, com palestras de autoridades angolanas sobre legislações aduaneira e tributária e sobre infraestrutura; apresentações de empresas brasileiras lá instaladas, como a Odebrecht, bem como tour por Luanda.
Em oito anos de reconstrução, Angola já atingiu status de emergente, sendo o segundo maior país africano. A economia local cresceu 19,9% no ano passado e 18% em 2008. "Cerca de 88% dos itens vendidos nos supermercados são importados de países como os Estados Unidos, a China, o Brasil e Portugal", comenta. A carência de produção local demonstra o potencial de mercado para produtores cearenses de frutas, carne de carneiro, laticínios, bebidas (sobretudo água mineral), calçados, roupas e tantos outros. Com população de 15 milhões de habitantes, Angola tem apenas um shopping center. Mas 28 centros de compras estão em obras, além de centenas de condomínios residenciais e prédios públicos. "Assim, o empresário cearense pode também querer abrir um negócio lá e não apenas colocar seu produto à venda. As marcas que chegarem primeiro têm mais condições de se sobressair", comenta Rodrigues, destacando que há um projeto do governo daquele país de asfaltar 10.000 quilômetros de vias. Hoje, de 85.000 quilômetros de estradas, apenas 2.000 são asfaltados.
Há ainda potencial para empresas que vendem geradores de energia. "Com o sistema de energia destruído após 28 anos de guerra civil, e como o preço do diesel em Angola é de oito centavos de dólar, tudo lá é movido a gerador", relata Rodrigues. A New Concept também realiza projetos especiais, específicos para grandes empresas interessadas em participar de missões exclusivas.
No final da reunião, a Metalúrgica Maia, empresa associada ao Simec, apresentou os resultados da implantação do caso Mentalidade Enxuta, que aumentou os índices de produtividade e reduziu custos na fabricação de peças.
MMX retoma investimento e prevê aumento de produção
VALOR ECONÔMICO - A MMX, braço de mineração do grupo EBX, do empresário Eike Batista, quer passar de uma produção de 5 milhões de toneladas de minério de ferro para 35 milhões de toneladas nos próximos anos no país. Para tanto, a empresa prevê a retomada de investimentos, diante da recuperação da demanda mundial.
Serão R$ 200 milhões investidos este ano no aumento da eficiência das operações. "A MMX volta a investir. O mercado está mais estável e as perspectivas são boas", afirmou o diretor-presidente da MMX, Roger Downey.
Em 2009, o conselho da companhia havia colocado em espera todos os investimentos. O quarto trimestre, no entanto, representou um retorno ao crescimento das vendas, que somaram 1,796 milhão de toneladas, alta de 133% sobre o mesmo período de 2008.
Com a melhora do cenário global, a produção também avançou. Nos últimos três meses do ano, foram produzidas 1,7 milhão de toneladas de minério de ferro, alta de 81%. No ano, houve avanço de apenas 4% na produção.
"A MMX trabalha hoje próximo da capacidade total", disse o executivo. Com isso, a meta de produção de minério de ferro para a América do Sul como um todo neste ano é de 45 milhões de toneladas.
Todos os planos da empresa mostram uma mudança de perspectiva frente ao que se observava em 2009. A companhia encerrou o quarto trimestre com prejuízo de R$ 65,2 milhões, menor que a perda de um ano antes (R$ 507,2 milhões). O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) foi um prejuízo de R$ 70,4 milhões, contra perda de R$ 13,7 milhões nos últimos três meses de 2008.
O executivo enfatizou, porém, a melhora do balanço com a entrada de recursos por meio da parceria com a chinesa Wuhan Iron and Steel (Wisco), que comprou 21,5% do capital da mineradora por R$ 738,9 milhões. Além disso, a empresa está renegociando as dívidas. O executivo projeta uma redução de 50% nas despesas operacionais até o fim do ano.
Autopeças: Produção deve chegar a 130 mil motores em 2010, alta de 16%, dentro da estratégia de crescimento
MWM aposta em novas tecnologias
VALOR ECONÔMICO - Desenvolvimento de novas tecnologias e diversidade de portfólio são as principais armas da MWM International Motores, subsidiária brasileira da gigante Navistar, para manter a liderança no segmento de motores diesel no Mercosul e se beneficiar do potencial de crescimento do mercado de caminhões, veículos comerciais e máquinas agrícolas nos próximos anos.
Em 2009, apesar do abalo estrutural sofrido pela indústria automobilística, a companhia garantiu faturamento líquido de US$ 850 milhões, acima do esperado porém abaixo da receita de US$ 1,1 bilhão um ano antes, amparada justamente por essa estratégia. Assim, até 2014, a MWM International vai direcionar boa parte dos US$ 345 milhões que planeja investir no país ao desenvolvimento de novos produtos, como o motor movido a biodiesel e etanol que deve começar a ser fornecido em 2012.
A oferta de combustíveis alternativos, conforme o diretor de vendas e marketing da companhia, Michael Ketterer, é ponto de partida da agenda de pesquisa e desenvolvimento. Além do motor que combina biodiesel e etanol, um propulsor movido a biodiesel B20 - com adição de 20% de biodiesel ao óleo diesel - e outro flex diesel - gás estão no foco dos testes e pesquisas.
"O objetivo é acompanhar as exigências da lei de emissões (de gases poluentes), mas também apostamos no interesse de clientes cativos por esses produtos", explica. A MWM International produz motores para picapes, caminhões e máquinas agrícolas e também para geração de energia e outras aplicações especiais, de 3 litros até 9.3 litros.
Em paralelo aos aportes em pesquisa, que se justificam pelo interesse expresso por montadoras e pela matriz, a Navistar, líder mundial na fabricação de caminhões comerciais, e por exigências legais relativas à emissão de gases poluentes, a MWM International se prepara para voltar aos níveis de produção de dois anos atrás, o melhor resultado desde a compra da MWM pelo conglomerado americano. Embalada pela recuperação das vendas no país e retomada das exportações, a subsidiária brasileira poderá voltar à casa dos 140 mil motores produzidos por ano em 2011.
No ano passado, quando a produção nacional de caminhões recuou 26%, para 123,6 mil unidades, e a de chassis de ônibus caiu 22%, para 34,5 mil unidades, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a MWM produziu 112 mil motores, 20,6% menos do que as 141 mil unidades produzidas em 2008. O ritmo, contudo, ficou acima do inicialmente projetado e, ao fim do ano, a companhia acabou contratando mais 200 funcionários para as fábricas de São Paulo (SP) e Canoas (RS) - no pior momento da crise, a MWM não teve de demitir funcionários, mas reduziu a jornada nas fábricas por três meses. "O ano superou as expectativas. Se as vendas de motores para caminhões caíram, as destinadas a tratores de pequeno porte, por exemplo, cresceram ", afirma Ketterer. "Pudemos nos beneficiar disso por causa do portfólio diversificado."
Em 2010, a MWM planeja produzir 130 mil motores, com manutenção das exportações em aproximadamente 20% dos negócios. Essa fatia deve subir a 30% a partir do fim de 2011, época em que passará a fornecer 25 mil motores por ano para dois novos modelos da Daewoo Bus, que serão comercializados na Coreia do Sul. "Também vemos melhora nas exportações de peças para a própria Navistar", ressalta Ketterer.
Apesar da expectativa otimista, o executivo evita traçar estimativas para os resultados financeiros. Em 2006, a MWM havia anunciado a meta de atingir faturamento líquido de US$ 1 bilhão em 2010, o que acabou ocorrendo dois anos antes, em 2008. Esse foi o melhor ano da história da companhia em termos de produção nacional de caminhões e chassis de ônibus.
Com cerca de 3 mil funcionários no Mercosul, a MWM opera uma terceira unidade, na Argentina, que está voltada à usinagem e montagem de sistemas que são embarcados para o Brasil e para os Estados Unidos. A companhia estima responder por 35% do mercado de motores diesel no Mercosul.
Informática amplia incentivos da MP 472
VALOR ECONÔMICO - O setor de informática tende a ser o único contemplado dentre todos os que tentaram ampliar os incentivos fiscais na Medida Provisória 472/09, que passa nesta semana a trancar a pauta da Câmara dos Deputados.
A Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa conseguiu convencer o governo, a base aliada e a oposição, a prorrogar a isenção de PIS e Cofins apenas para computadores e notebooks fabricados no Brasil. Antes, a medida atingia os aparelhos vendidos no Brasil, o que incluía importados.
A restrição tem por objetivo combater principalmente o mercado paralelo de notebooks do país, que, segundo integrantes da comissão, tem crescido muito.
"Queremos com isso diminuir o comércio de notebooks contrabandeados, que não para de crescer", afirma o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), ligado ao setor. Engenheiro eletrônico, ele é proprietário de uma empresa de produtos eletrônicos e preside a Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex).
É do deputado também a única das 91 emendas que devem passar no plenário mediante acordo: a que permite que empresas que exerçam atividade de manufatura terceirizada possam ter benefícios fiscais para aquisição de computadores educacionais, a partir de um programa do governo federal com esta finalidade. A emenda visa favorecer o setor tecnológico nacional, na medida em que a maior parte dele trabalha com produtos manufaturados.
O Ministério da Fazenda já avalizou os benefícios e só falta um posicionamento definitivo da Receita Federal para que a MP seja votada. Editada pelo governo federal em dezembro de 2009 com um amplo campo de assuntos, a MP engloba desde incentivos ao setor petroquímico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, até a constituição de um fundo para a Marinha Mercante. Também cria o programa Um Computador por Aluno, regula a emissão de Letras Financeiras e faz algumas alterações no programa Minha Casa, Minha Vida.
A amplitude temática propiciou que muitos parlamentares oferecessem emendas pedindo benefícios fiscais para outros setores da economia. Entretanto, elas acabaram sendo rejeitadas. Das 91, 33 foram consideradas inconstitucionais, sendo que há 19 recursos contra essa decisão da Mesa da Câmara. Todos os recursos, porém, deverão ser rejeitados.
ESTALEIRO:Ceará pode usar modelo do EAS para reduzir impactos DIÁRIO DO NORDESTE (LÍVIA BARREIRA)
Comitiva de parlamentares cearenses visitou ontem estaleiro pernambucano para conhecer impactos
Ipojuca (PE) "O modelo de integração com a comunidade e de mitigação de impactos ambientais, experiência que deu certo em Pernambuco, pretende ser levado para o projeto do Estaleiro Promar Ceará", afirmou o deputado estadual Nelson Martins após visita, ontem, ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS). O líder do governo na Assembleia fez parte da comitiva constituída por parlamentares cearenses (entre vereadores e deputados), um líder comunitário do Serviluz (bairro onde se pretende erguer o empreendimento em Fortaleza) e representantes do governo estadual, que se deslocou até o município de Ipojuca (distante 57km de Recife) para conferir de perto os impactos sociais, ambientais e econômicos que um equipamento desse porte pode gerar para o seu entorno.
Após adiantar-se e percorrer o mesmo caminho dos parlamentares, conforme reportagem publicada pelo Jornal nas edições do último sábado e domingo, o Diário do Nordeste também acompanhou a comitiva cearense nessa empreitada.
Segundo Martins, a visita ao EAS também serviu para esclarecer algumas questões como, por exemplo, se as suas atividades ocasionam poluição sonora, como a comunidade local foi aproveitada na mão-de-obra e a qualificação dada a essas pessoas, além do tratamento destinado aos resíduos sólidos.
"Estou bastante satisfeito com o que vi. Deu para sentir que não tem poluição sonora, os efluentes têm uma destinação final correta e vimos ainda que 80% da mão-de-obra empregada é oriunda do próprio entorno do empreendimento, mesmo pessoas com baixíssimo nível de escolaridade foram aproveitadas", comentou o deputado, um dos articuladores da viagem à Pernambuco.
O outro organizador da ida à Ipojuca, o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Salmito Filho, também mostrou-se satisfeito com as instalações e o funcionamento do Atlântico Sul. "Nosso objetivo foi atingido. Colhemos o máximo de informações para intensificarmos o debate em torno do empreendimento", observou.
Para o deputado Ely Aguiar, também presente na comitiva e autor do requerimento que solicitou a visita ao Atlântico Sul, Fortaleza deixar de receber um empreendimento como um estaleiro "é como perder um pênalti em fim de Copa do Mundo".
DIÁLOGO : O diretor administrativo do EAS, Gérson Belluci, avalia ser preciso um diálogo aberto com a comunidade para que se pese os prós e os contras de um equipamento como este.
"Claro que é um tipo de indústria que gera barulho por conta da movimentação de chapas, de caminhões e guindastes, mas foi um equipamento que permitiu uma outra condição de vida para as 26 comunidades que integram o Complexo Industrial e Portuário do Suape. Se formos avaliar, o EAS é mais do que uma indústria. Ele veio para se integrar à comunidade e ao meio ambiente. Para muitos, essa foi uma chance de se inserção no mercado de trabalho", pontuou Belluci.
Ele diz ainda que líderes comunitários, como Edson Antônio (nascido e criado em Ipojuca e que adentrou a sala da apresentação sem a menor cerimônia) tem acesso direto a ele.
RESISTÊNCIA : "No começo a resistência foi grande para a instalação do estaleiro. Mas, hoje, até o número do meu celular ele tem e eu tenho o dele", disse. "De 70 indústrias instaladas no Suape, ele foi o único empreendimento a olhar para a gente, a abrir as portas para a comunidade. Tudo que nos prometeram antes da instalação foi cumprido", afirma Antônio.
OPINIÃO NÃO MUDA: Nova comitiva com 50 moradores
Representante dos moradores do Serviluz na comitiva continuou considerando estaleiro inviável no Titanzinho
Para o líder comunitário Pedro Fernandes, nada mudou em relação à viabilização do equipamento naval na Praia do Titanzinho. "A realidade de Pernambuco é muito diferente da nossa. Em Fortaleza, esse empreendimento seria inviável. É uma estrutura muito grande. O Plano Diretor da cidade, inclusive, não permite a instalação de uma indústria como essa em uma área que é considerada Zona de Proteção Ambiental (Zeis)", defendeu, lembrando por diversas vezes que a área era abandonada pelo poder público há mais de 60 anos. Ele foi o único representante do bairro a acompanhar a visita de ontem às instalações do EAS. Outro membro da comunidade, com posição em prol do equipamento, teve um problema no aeroporto e não pôde embarcar. O deputado Nélson Martins diz que a meta agora é viabilizar a ida de 50 membros da comunidade o EAS. "A ideia é trazermos o quanto antes, em uma viagem de ônibus, 25 pessoas que sejam a favor e outras 25 que sejam contra o estaleiro de Fortaleza. Precisamos ver apenas quem iria bancar a viagem", informou Martins.
O líder comunitário não aprova o estaleiro no Titanzinho, mas reconhece seus benefícios para o Ceará. "Eu não disse que era contra. Reconheço a importância econômica para o Estado. Só que eu defendo que ele seja instalado na área do Pecém, que ao meu ver é que é uma área industrial", completou. Nélson Martins reiterou que, no final de tudo, é necessário ter uma consulta organizada para a viabilização ou não do estaleiro. "É preciso que o debate não fique entre prefeitura e governo. A sociedade também precisa opinar", frisou ele que também pretende visitar um estaleiro que tenha sido instalado em zona urbana.
SOBRE A LOCALIZAÇÃO: Outras opções não são viáveis, diz especialista
A polêmica em torno do estaleiro Promar Ceará se deve à localização prevista: a Praia do Titanzinho, no Serviluz. O governador Cid Gomes já declarou que essa é a única área para receber o empreendimento por questões técnicas e financeiras.
O presidente da Cearáportos (Companhia de Integração Portuária do Ceará), Erasmo Pitombeira, em consonância com o líder do Executivo estadual, já citou algumas opções e explicou por que não são viáveis para receber o estaleiro. "Camocim não tem condição porque não tem acesso. Acaraú não tem condição porque tem uma embocadura (local onde o rio deságua no mar), o que não dá acesso. Mundaú tem embocadura. Pecém tem grande profundidade, acima de 15 metros. Não dá para aterrar essa profundidade. É caríssimo. O problema da Barra do Ceará é a ponte", enumerou. "Esta é uma avaliação técnica", afirmou. "É o único lugar disponível em relação aos valores que se imagina gastar para construir o estaleiro".
O Pecém não seria uma opção viável por conta da profundidade ali, o que encareceria o projeto, o que já foi explicado pelo presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), Antônio Balhmann. "O estaleiro ficará onde seria a ampliação do Porto do Mucuripe. São atividades assemelhadas. Não prejudica a área turística da Praia Mansa. Uma consequência para o bairro é o desenvolvimento. Vai fortalecer a necessidade da urbanização. Vai gerar emprego, capacitação de jovens com escola profissionalizante. Tudo isso está previsto no projeto".
Recentemente, novos destinos surgiram neste debate sobre a localização. Alguns vereadores de Fortaleza levantaram a possibilidade da Inace construir os oito gaseiros ou que o estaleiro Promar Ceará fosse para o Pirambu. As duas opções foram descartadas porque a Inace foi desabilitada da licitação e o Pirambu não é área abrigada.
Opinião do especialista : "Essa é a visão que queremos para o Ceará" (EDUARDO NEVES -Diretor de Infraestrutura da Adece)
A visita ao Estaleiro Atlântico Sul (localizado no Estado de Pernambuco) foi extremamente importante. A grande vantagem disso tudo é ver a realidade acontecendo. A construção de um grande navio no Nordeste a pleno vapor (referindo-se ao Suezmax, embarcação com 274 metros e capacidade para transportar 1 milhão de barris de petróleo e que deve ser lançado ao mar em agosto). Essa visão é a que também queremos ter para o Estado do Ceará. |