Siderurgia: Vale avança suas usinas no CE e PA

VALOR ECONÔMICO - Depois de quatro anos de gaveta e algumas quedas de braço entre o governo do Ceará e a Petrobras por conta de fornecimento de gás, a Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP) está saindo do papel. A parceria entre a Vale e a coreana Dongkuk Steel, segunda maior usina de aço da Coreia do Sul, assina dia 16, em evento no complexo portuário e industrial de Pecém, documento para início de obra de preparação do terreno onde será instalada a futura usina de aço. O investimento total previsto é de US$ 4 bilhões apta a fazer por ano, numa primeira fase, 3 milhões de placas de aço para exportação.

A atual formatação societária da CSP é de 51% de participação, ou o controle, da Dongkuk e 49% da Vale, mas poderá ser alterada. Não está descartada a possibilidade de haver um terceiro sócio até 2010, apurou o Valor. A siderúrgica japonesa JFE, que era tida como sócia potencial do negócio, desistiu em maio. A direção da CSP conversa com vários potenciais interessados e pode apresentar novidades no decorrer do próximo ano. Mas a indefinição da questão societária deixa em aberto a estruturação financeira do empreendimento.

Em 12 de novembro, a CSP teve aprovada a licença prévia (LP) do órgão ambiental estadual do Ceará, o Coema. Depois da LP, estão sendo tomadas providências para o pedido da licença de instalação. O cronograma prevê entrada em operação da usina entre final de 2013 e início de 2014. As placas de aço serão fornecidas à matriz da Dongkuk e aos mercados da Europa e dos Estados Unidos.

Os sócios da usina cearense, devido as dificuldades de obter gás da Petrobras para a redução direta, mudaram o escopo do projeto e optaram pela rota de produção tradicional de aço. A siderúrgica será uma usina integrada com coqueria, sinterização, aciaria e lingotamento contínuo. No segundo semestre de 2010, terá início o processo de licitação de fornecedores de equipamentos para a CSP.

Ontem, a Vale anunciou outro passo para efetivar mais um dos quatro projetos siderúrgicos que está tocando. Assinou memorando de entendimento com a Aço Cearense para fabricar conjuntamente aços laminados em Marabá (PA), ao lado da siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa), usina ainda em projeto. O documento entregue ao governo paraense ontem anuncia estudos para uma parceria que prevê investimento de US$ 750 milhões. A laminadora vai usar placas de aço da Alpa - produção de 2,5 milhões de toneladas - como matéria-prima.

O acordo firmado com o grupo, sediado em Fortaleza e é um dos maiores distribuidores de aço no Norte e Nordeste do país, prevê parceria de 25% para a Vale e 75% para a Aço Cearense. A unidade prevê fazer 710 mil toneladas de laminado a quente, transformado desse volume 450 mil em laminado a frio e 150 mil em galvanizados (aço revestido com zinco).

A Vale se encarregou de fazer um estudo de viabilidade econômica para avaliar a criação da empresa de laminados, a ficar pronto em abril, para balizar a decisão.